Ah! imiga cruel, que apartamento

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Ah! imiga cruel, que apartamento
por Luís Vaz de Camões
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Ah! imiga cruel, que apartamento
é este que fazeis da pátria terra?
Quem do paterno ninho vos desterra,
glória dos olhos, bem do pensamento?

Is tentar da Fortuna o movimento
e dos ventos cruéis a dura guerra?
Ver brenhas de água, e o mar feito em serra,
levantado de um vento e de outro vento?

Mas já que vos partis, sem vos partirdes,
parta convosco o Céu tanta ventura
que seja mor que aquela que esperardes.

E só nesta verdade ide segura:
que ficam mais saudades, com partirdes,
do que breves desejos de chegardes.