Assim falou Zaratustra/Histórico da Origem de Assim falou Zaratrustra

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A primeira parte de Zaratustra foi escrita no começo de fevereiro de 1883 em Rapallo e impressa em fins de abril, por B. G. Teubner em Lipz. Apareceu m maio de 1883 com E. Schmeitzner em Chemnitz sob o título de “Assim falava Zaratustra. Um livro para todos e para ninguém”.

A segunda, escrita em Sils-Maria, entre fins de junho e princípio de julho de 1883, impresso por C. G. Naumann entre fins de julho e fins de agosto de 1883, apareceu igualmente com Schmeitzner em Chemnitz em setembro de 1883.

A terceira parte foi escrita em Niza no fim de janeiro de 1884, e impressa em março por Naumann. As partes segunda e terceira trazem, debaixo do título, os números 2 e 3. Também a terceira parte apareceu com Schmeitzner na primavera de 1884.

As três primeiras partes foram compostas e escritas, conforme repete insistindo o autor, em aproximadamente dez dias, antes dos quais, muitos haviam sido de íntima preparação. Somente a última parte foi composta e escrita com algumas interrupções: em Zurich e em Mentone, em outubro de 1884, e mais tarde terminada em fins de janeiro e começo de fevereiro de 1885, em Niza. A quarta parte foi impressa, entre março e abril, por Naumann, custeada pelo autor que não achou mais, ou não mais quis achar, outro editor. Manteve sob sigilo esta última parte e lastimou não ter mandado imprimir também as três precendentes por sua conta.

A quarta parte veiu a público somente no outono de 1892 — três anos após que adoeceu meu irmão e sete depois da impressão da edição privada — quando o médico deu por falha qualquer possibilidade de cura.

Embora tenha chamado última a esta quarta parte da obra, meu irmão asseverou entretanto, por vezes várias, que tencionava escrever ainda uma quinta, e uma sexta parte e disso ficaram disposições. De fato encontrámos em 1884, quando ainda não fora escrita a quarta parte, esboços para uma continuação de Zaratustra em três partes: e, mesmo mais tarde, não faltam sinais desta sua intenção de prosseguir a obra: como depreendemos dos escritos póstumos de Nietzsche, e do volume biográfico que encerra esta coletânea (Ecce Homo, etc.).

Nesta edição de “Assim falava Zaratustra” ainda acrescentei muitas anotações coligidas dos escritos supra citados, os quais poderão auxiliar a esclarecer o pensamento principal desta obra e dar-lhe melhor compreensão. Parece que teve o autor, cá e acolá, a idéia incerta de escrever uma espécie de glossário a Zaratustra; muitos dos pensamentos anexos, pode suceder, foram escritos com essa finalidade. Mas na compilação são anotações mediante as quais ele mesmo procura precisar melhor o conteúdo de Zaratustra, e na verdade um tanto antes de as haver escrito de modo definitivo, e por isso muitas coisas foram ao depois mudadas durante a execução do trabalho.


Weimar, Arquivo Nietzsche. Julho de 1919.

Elisabeth Förster Nietzsche