Canção do Exílio (Gonçalves Dias)

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Canção do Exílio
por Gonçalves Dias
Coimbra, julho de 1843. Publicado no livro Primeiros Cantos (1846).


Kennst du das Land, wo die Citronen blühen,

Im dunkeln die Gold-Orangen glühen,
Kennst du es wohl? — Dahin, dahin!
Möcht ich... ziehn.[1]

Goethe



Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas tem mais flores,
Nossos bosques tem mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

[editar] Nota

  1. A epígrafe é uma citação, com cortes, da primeira estrofe da balada "Mignon". Tradução:
    "Conheces o país onde florescem as laranjeiras?
    Ardem na escura fronde os frutos de ouro...
    Conhecê-lo? Para lá, para lá quisera eu ir!"
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