Depoimento do Deputado Roberto Jefferson para a CPMI dos Correios em 30 de Junho de 2005

Wikisource, a biblioteca livre
Ir para: navegação, pesquisa
Wikitext.svg
Este texto precisa ser wikificado. Por favor, formate esta página baseando-se nas diretrizes estabelecidas no livro de estilo. Remova este aviso somente depois de todo o texto estar wikificado.

OITAVA REUNIÃO DA COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUÉRITO DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 52ª LEGISLATURA, CRIADA ATRAVÉS DO REQUERIMENTO Nº3/2005 DO CONGRESSO NACIONAL COM A FINALIDADE DE INVESTIGAR AS CAUTexto a negritoSAS E CONSEQÜÊNCIAS DE DENÚNCIAS E ATOS DELITUOSOS PRATICADOS POR AGENTES PÚBLICOS DOS CORREIOS, EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS REALIZADA NO DIA 30 DE JUNHO DE 2005 ÀS 14:30 HORAS.

SEGUE ABAIXO TRANSCRIÇÃO LITERAL:

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Gostaria de registrar o encerramento da 7ª Reunião, a anterior, dispensar os dois ex-diretores dos Correios e remarcar a oitiva dos dois diretores.

Com as bênçãos de Deus, havendo número regimental, declaro aberta a 8ª Reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, criada pelo Requerimento nº 3, de 2005, do Congresso Nacional, para investigar as causas e conseqüências de denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos nos Correios (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos).

Esclareço que a pauta desta reunião destina-se à oitiva do Sr. Deputado Roberto Jefferson, que já está aqui ao meu lado.

Com a palavra o Deputado Roberto Jefferson.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sr. Presidente, Srs. Senadores, Srªs Senadoras, Srs. Deputados, Srªs Deputadas, cidadão do Brasil que me ouve, cidadã do Brasil que me ouve, inicialmente, peço licença para dizer a V. Exªs que, apesar de estarmos num teatro de lutas, num teatro de idéias, num teatro político, não vim aqui desempenhar nenhum papel de artista. E, se me julgam assim, queria pedir desculpas por tentar fazer as colocações que faço na condição de pessoa física, de homem, deixando de lado qualquer pendor, qualquer veia vocacional, profissional ou artística que eu possa ter ou que tenham cada um dos senhores e das senhoras.

Participei no passado de uma CPI, a CPI do PC, como advogado. Exerci um papel de advogado naquele momento. Tentei fazer naquela CPI o que vi ontem aqui por parte de alguns membros de partidos políticos: impedir que as investigações avançassem. Também procurei evitar que os fantasmas do PC Farias pudessem viver à luz do dia. E, nessa inversão de papéis que vivo hoje, vejo que muitos que ontem exorcizavam aqueles fantasmas agora se abraçam com eles. Só que eles não são mais os fantasmas do PC, são os fantasmas do Delúbio e do Marcos Valério.

O curioso é como a vida nos prega lições. O curioso é como as peças e os atores se modificam. É uma espécie de roda da vida, Sr. Presidente, uma espécie de roda da fortuna, de Carmina Burana, que Carl Orff escreveu. Ora nós estamos em cima, com a fortuna; ora, embaixo, com “desinfortúnio”; ora com alegria, em cima; ora a tristeza. E é isso que vim colocar aos senhores aqui. Aqueles que já viveram a glória em momentos passados vivem, no presente, o opróbrio que vivi naquela hora. Não é fácil tentarmos impedir que as contas dos fantasmas sejam vasculhadas. Aqueles que foram exorcistas ontem se abraçam com os fantasmas hoje.

Sr. Presidente, assisti ontem a uma queda de braços de quase nove horas na Comissão para se quebrarem ou não as contas do Sr. Marcos Valério, de Belo Horizonte, aquele moço carequinha, e percebi que um partido queria impedir, de toda maneira, que ele fosse investigado, um partido que até ontem fazia da acusação a sua afirmação de luta, do libelo pessoal contra pessoas a escada para subir, do cadáver de homens troféus a ostentar à opinião pública. Duro é quando esses cadáveres começam a repousar no nosso colo e os fantasmas que eles representam, a assombrar nossas bandeiras, nossas lutas e assustar os nossos discursos.

A CPI que ora empalmamos, Srs. Congressistas, tem origem numa fita que agentes, a mando da Abin, porque o braço sujo da Abin é aquela gente tipo Molina, que não é comandante. Aquilo é uma falsidade ideológica dele. Ele não é da Marinha. Já recebi da Marinha vários documentos mostrando que ele não é comandante. E aquela súcia de asseclas dele desempenha o papel sujo daquela que é filhote do SNI, a polícia de Estado, a agência política que age em favor do Governo e não em favor da sociedade.

Há seis meses, e a imprensa dá notícia disso, o Estadão e O Globo já noticiaram: a Abin infiltrar agentes lá, nos Correios, para descobrir irregularidades licitatórias em contratos. A competência é tão grande que a Abin conseguiu que os seus agentes filmassem um “petequeiro”, um leviano apanhando R$3mil num movimento de contratos de bilhões, mas a Abin foi incapaz de dizer ao Governo, à Casa Civil, ao Presidente da República, ao chefe da segurança institucional do Brasil que o Sr. Marcos Valério, versão moderna embacaqueada do Sr. PC Farias, sacava um milhão por dia nas contas do Banco Rural, ou sacava em Minas Gerais, ou aqui no prédio do Brasília Shopping, no nono andar, onde muitos assessores dos que recebem “mensalão” e que estão registrados na portaria subiam até o escritório do banco para receber lá 30, 40, às vezes 20, e até R$60 mil. O Brasil gasta uma fortuna com a Abin. Ela descobriu, através dos seus agentes, liderados pelo falso comandante que um “petequeiro” leviano usava nome de gente séria para pegar R$3 mil, R$2 mil. Só a TV Globo não sabe que ele é chefe de departamento. Até hoje eu vejo a TV Globo colocar no ar: ex-diretor dos Correios... Porque a coisa é tão pequena que, se dermos a dimensão da pequenez dela, apequenamos os nossos trabalhos: uma CPI de Srs. Senadores, de Srªs Senadoras, de Srs. Deputados, de Srªs Deputadas, para apurar R$3 mil que a Abin conseguiu descobrir do Sr. Maurício Marinho. Até foi bom para dar pompa e circunstância o “ex-diretor dos...”. Vejo aquele moço de cabecinha assim, com um cabelinho assim meio branco, o Sr. Boner, dizendo “o ex-Diretor....”. Não é, não. É chefe de departamento; é quarto escalão dos Correios.

Eu vi ontem que a Receita Federal multou em R$63 milhões as empresas do Sr. Marcos Valério, porque a movimentação financeira é incompatível com o dinheiro declarado. A Receita já começou a agir com toda a firmeza.

Mas volto à fita, à fita de DVD que dá origem a este encontro fraterno que estamos vivendo aqui; uma fita que a revista Veja recebeu, editou e deu parte, tentando proteger gente que realmente aparecia de maneira assim muito clara naquelas gravações que fizeram aqueles moços, a mando da nossa grande agência de inteligência do Brasil. A fita é ilegal.

Como diz a legislação americana, a prova é envenenada, podre, porque fruto de árvore envenenada e podre. Quatro homens foram presos pelo crime de violação de sigilo do Sr. Marinho, o que anula completamente aquela prova, mas isso prova legal. A CPI não caminha sempre na vertente da legalidade. Ela busca fazê-lo. Ela tem como motor, como móvel, como objetivo a discussão e o debate político das práticas de crime diante do qual a sociedade se assusta e fica perplexa. E é esse motor que tem levado adiante esta nossa CPI. Apesar de sabermos que legalmente a prova é injurídica, é ilegal, temos uma sociedade toda que nos cobra, ali atrás, nas costas dos Senadores, das Senadoras, dos Deputados e das Deputadas, o esclarecimento dessas coisas.

Se PC “faria” – e fez –, hoje, Delúbio e Marcos Valério fazem e outros que virão continuarão a fazer se não mudarmos essas práticas de financiamento eleitoral.

O povo cansou dos políticos. No processo do Presidente Collor – vejo ali atrás velhos jornalistas que estão ficando de cabeça branca, como eu, que me acompanharam naquela fase, há treze anos, no passado –, eu não brilhei como político. Como político, fui um fracasso, porque fiquei contra a onda de opinião. Eu tive rútilo como advogado. Político estou; advogado eu sou. Amanhã posso deixar de ser, até por vontade dos senhores, Deputado Federal aqui nesta Casa, no Congresso Nacional. Mas advogado serei até o momento em que nosso Deus me chamar a seu convívio – se Ele achar que eu mereço, Sr. Presidente; se Ele achar que eu mereço. Sou advogado. Lá eu não brilhei como político, porque esposei o que eu entendia ser a razão contra toda a onda de opinião. Cento e três processos cuja defesa ajudei a escrever, cento e três absolvições.

Hoje, aqui, o meu papel também não é de político, mas também não é de advogado, porque advogado em causa própria é péssimo e eu não saberia fazer esse exercício. Tem aqui os dois advogados ao meu lado, o Dr. Luiz Francisco Barbosa e o Dr. Itapuã Prestes de Messias, que farão isso por mim. Mas eu também não sou o político Roberto Jefferson. E não sou o político porque não vim aqui pedir aos senhores que me absolvam. Não vim aqui mendigar em favor do meu mandato. Já passei dele. Não vim aqui perorar pelo Deputado. Absolutamente. Absolutamente!

Enfrento uma luta aqui como cidadão, como homem, como chefe de família, como pai, como avô, que sai daqui do Congresso Nacional da maneira que entrou: pela porta da frente. Ninguém vai me botar de joelhos e de rabo entre as pernas. Ninguém. Ninguém vai me acanalhar. Ninguém.

Não sou ator. Não faço aqui o papel do herói, porque não sou. Não sou melhor do que nenhum dos senhores; não sou melhor do que nenhuma das senhoras. Sou igual. Não faço o papel de vilão, porque não sou. E os senhores e as senhoras não são melhores do que eu.

Sou um homem, com erros e acertos; defeitos e virtudes. E vou sair daqui de cabeça erguida. Lendo Mateus eu vi lá escrito: “Não temais aquele que pode matar o corpo, temei o que pode matar a sua alma e o seu espírito”. Um homem que não tem honra não tem alma. O homem desonrado é um zumbi, não tem espírito.

O mandato eu sublimei, mas não faço concessões à honra. Perfeito? Não sou. Passei, como Presidente do PTB, na construção do meu Partido, aliás de braços dados e esposado com outros presidentes, pelo afrouxamento das regras da eleição e do financiamento das campanhas.

Eu trouxe aqui, Srs. Senadores e Srs. Deputados, porque peguei na Justiça Eleitoral, todas as prestações de contas, a minha e a dos senhores; na Justiça Eleitoral. Aí é o princípio da mentira que a gente vive aqui. Não há, povo do Brasil, cidadã do Brasil, cidadão do Brasil, eleição de deputado federal que custe menos de um milhão, ou de um milhão e meio de reais. Mas a média, aqui na CPI e da Câmara dos Deputados, a prestação de contas é de R$100 mil.

Não há eleição de Senador da República que custe menos de dois milhões, R$3 milhões, mas a prestação de contas que exibo...

O SR. (Orador não identificado) – Por favor. Por favor, Senador Saturnino?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Eu vou exibir a V. Exª em seguida. V. Exª terá tempo de protestar. Aliás, todo tempo do mundo.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral – PT-MS) – Com a palavra o Deputado Roberto Jefferson.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não há eleição de Senador que custe menos de dois milhões, R$3 milhões. Eu quero mostrar a V. Exªs e ao povo do Brasil. Porque esse julgamento aqui do Plenário não me preocupa, Senador. Não é pra vocês que eu tou falando. Nenhuma preocupação. É com o povo que me vê lá fora.

Não há uma eleição de Senador com menos de dois milhões, R$3 milhões e a prestação de contas, a média é duzentos e cinqüenta mil. Esse processo começa na mentira e deságua no PC Farias, deságua nos outros tesoureiros de campanha, agora no Sr. Delúbio, agora no Sr. Marcos Valério. Esse afrouxamento é que tem levado ao enfraquecimento da Câmara dos Deputados, do Governo Federal e dos Governos dos Estados.

Fui ao Rio de Janeiro ver a prestação de contas do meu candidato a prefeito e comparei a prestação de contas da candidatura dele com a do ex-candidato José Genoíno para governador de São Paulo. É de deixar a gente perplexo. Ou alguém tem dúvida de que a campanha mais rica de 2002 foi a campanha do PT? A mais milionária, a mais poderosa em todo o Brasil, do Oiapoque ao Chuí, de Leste a Oeste.

E as declarações à Justiça Eleitoral não traduzem a realidade; nem a minha, porque a minha é igual à dos senhores, não é diferente. E onde enfrentamos esse problema, Deputado Onyx? Eu assistia sábado ao Jornal Nacional e, de repente, entrou uma matéria mostrando que o Coaf, por meio do Ministério Público Federal e a revista IstoÉ, desvendou as contas do Sr. Marcos Valério. Aí revestiu a realidade a prova que tanto foi cobrada. No início me cobravam: “Provas, provas, provas”! A realidade foi vestida, vestiu o discurso que fiz, as informações que dei.

Agora me colocam com a pecha de artista. Tenho ouvido: “Vamos desqualificar o Roberto porque ele é um artista”. Mas, a verdade, contra ela ninguém se ergue. De repente o carequinha deixou de fora o que o PC Farias fez no passado, o rabo. E a Coaf mostrou os saques dele. Tem que procurar o Banco do Brasil também, tem que procurar o Banco do Brasil porque me recordo que dos recursos que recebi do PT, encaminhados pelo Presidente José Genoíno e Delúbio, que vieram do Banco Rural, cerca de 60% das notas tinham a etiqueta do Banco do Brasil. Até agora só Banco Rural, de Minas, e esse escritório aqui em Brasília. Vocês vão descobrir quem foi lá para buscar recursos.

A realidade vestiu as minhas palavras. Hoje, tenho informações que passo a esta CPI, de novo, uma decisão de Governo desmonta uma estrutura de financiamento de Partidos na empresa Furnas. Os três diretores, a jornalista Renata Lo Prete em entrevista comigo divulgada hoje na Folha de S.Paulo publica que já foram exonerados agora à tarde.

Eu vim dizer aos meus iguais, às minhas iguais, que quero contribuir para que esse assunto possa ser discutido e debatido. Estamos às vésperas de reformas. Tenho ouvido falar em financiamento público de campanha. Digo ao meu Partido, de que me afastei como Presidente: é um escândalo o financiamento público, é um escândalo. Hoje, um bilhão, pelos R$2,00 por voto que estamos vendo serem colocados a partir de agora no Orçamento da União. Mas, lembrem-se, o senhor e a senhora que estão em casa, que quem faz o Orçamento é o Congresso Nacional. Um bilhão hoje com o voto a R$2,00. Amanhã, dois bilhões com o voto a R$4,00. Depois de amanhã, 3 bilhões vai custar a eleição com o voto a R$6,00, porque quem faz o Orçamento somos nós, os que vamos nos beneficiar do financiamento público.

Aí volto lá ao William Bonner, no sábado; ele fez, vestiu o fato, falou longamente com o Sr. Marcos Valério – para não fechar dando razão ao Roberto Jefferson, aquele velho troglodita, o general da tropa de choque do Collor, que não pode virar, está amarrado a um passado, não consegue avançar – entendo esse preconceito. Aí diz assim: “O Henrique Brandão, que mantém relações com o IRB, negócios com o IRB, é amigo de Roberto Jefferson – graças a Deus –, há trinta anos, deu R$ 90 mil à campanha de Cristiane Brasil, vereadora no Rio, filha do Deputado Roberto Jefferson. Sou empresário, estou em casa vendo televisão, não dou um centavo por dentro para candidato nenhum na próxima eleição. Quem se arrisca a dar é escrachado pela imprensa ou teme a vingança do partido adversário”.

A democracia do mundo precisa de dinheiro para ser feita. A democracia precisa de dinheiro para financiar a política. Nós não podemos é inverter, é permitir que a política financie dinheiro ou faça dinheiro. Na América, quem dá o cheque maior para candidatura presidencial assenta ao lado do presidente e tira uma foto com ele. É uma honra. Não é que aquele moço esteja comprando o governante. Não, ele está apostando no regime democrático. Aqui, no Brasil, há um preconceito da mídia, porque toda a doação de empresário a partido político é criminosa. Virgem aqui só o Pisol, até a próxima eleição, que se não sucumbirá ante o caixa dois, porque senão não vai fazer campanha. E nós tínhamos que permitir que isso fosse aberto, que o empresário que desse fosse respeitado, não fosse escrachado na mídia, como se doar a um partido fosse comprar consciência parlamentar e não um gesto grandioso de se apostar num regime democrático, na democracia política. Isso nós precisamos conversar de verdade aqui, na Câmara dos Deputados.

A mim, Roberto Jefferson, não alegra, não gera felicidade, não dá alegria olhar o Partido, que, durante 25 anos – esse ano é ano de seu aniversário, de suas bodas de prata –, que empunhou essa bandeira da ética, da moralidade, rasgou a bandeira. A mim, isso não traz felicidade, porque chafurdou no mesmo esquema de financiamento político e partidário, se sujou, se sujou como os outros do passado, nos quais atirou pedra. E para que isso não se repita, para que nós não fiquemos com a frustração de ver o partido obreiro macular o seu ideal de luta, o seu passado de lutas, temos de enfrentar essa corrupção que está na raiz do financiamento eleitoral. Esses fantasmas que ficam rondando o poder sempre são os fantasmas do financiamento eleitoral: Delúbio, PC Farias, Marcos Valério. É sempre a mesma gente. É sempre a mesma prática, porque a legislação eleitoral que nós temos ainda é a de Castelo Branco. Ela não é clara, ela não permite o financiamento político que proteja o doador para que ele não seja escrachado como se tivesse querendo comprar os Deputados. Vi todos os partidos aqui representados, até com doações de banco, de grandes empresas nacionais. E não vejo na luta até dos obreiros, que têm um grande financiamento de banco em suas contas, nenhum comprometimento com esse sistema financeiro traindo a luta dos sem-terra ou dos trabalhadores. Os formadores de opinião na mídia geram essa suspeição contra o financiamento privado das campanhas políticas particulares, mas esse é o único caminho.

Eu não quero vestir amanhã uma camiseta “Roberto Jefferson, Deputado Federal”, sabendo que a camiseta que coloco no meu corpo tira do velho no hospital o remédio de que ele precisa. Eu não quero botar uma corneta de som no meu carro, Sr. Presidente, Sr. Relator, sabendo que vou tomar de uma criança a vaga na escola. Eu não quero estender uma faixa,um outdoor, sabendo que o dinheiro público que vai para a minha campanha vai tomar o prato de comida do pobre que não tem. Se fôssemos um país rico, tudo bem. Se viesse o financiamento público para impedir o caixa dois, tudo bem. Ele não vem. Ele vai somar crimes. O crime do dinheiro do imposto. Roubar do pobre em favor do Governador, do Senador, do Deputado, do Vereador e do Prefeito e o crime do caixa dois, que vai continuar a existir.

Sr. Presidente, Srs. Congressistas, o PTB quer enfrentar a reforma política. O que espera de nós o povo que nos vê ao vivo aqui? Na raiz do “mensalão”, tenho certeza, está o troca-troca de legenda, de partido. Até de “luvas” de R$1 milhão e financiamento de R$30 mil de taxa de manutenção nós já temos denúncia aqui na Casa. Uma Deputada vem e diz: “A proposta a mim é R$1 milhão e R$30 mil por mês”. Por quê? Para que ela deixasse a legenda original dela e fosse para outro partido.

O que sonha o povo de nós? Primeiro, fidelidade partidária. Eu tenho seis mandatos consecutivos como Deputado Federal, pelo meu Estado do Rio, no PTB, pelo PTB. Tive dois Partidos na vida: o MDB, quando era menino, militante, e, depois, o PTB, que ajudei a fundar com Ivete Vargas lá no meu Estado, na minha cidade de Petrópolis, e depois na cidade de Três Rios, na cidade de Sapucaia, de Teresópolis, na minha região serrana. Fui eleito em 1982, pelo PTB, Deputado Federal e depois, cinco vezes consecutivas, reeleito pelo PTB.

O que espera o povo de nós? Que nós estabeleçamos regras rígidas para acabar com os Deputados que trocam de partido como se trocassem de camisa. Isso é uma vergonha!

O que espera o povo de nós? Que nós acabemos com as legendas nanicas e os partidos de aluguel. Essa cláusula de barreira que está posta hoje, na legislação atual, de 5% dos eleitores nacionais em nove Estados, reduz, na próxima eleição, o quadro partidário para, no máximo, cinco partidos aqui na Casa: um de esquerda, um de centro-esquerda, um de centro, um de centro-direita e um de direita.

Mas a proposta que o Governo manda para cá – e estou vendo, na relatoria, que vai a plenário – reduz de 5% para 2% a cláusula de barreira. Ou seja, hoje, de trinta partidos, vamos pular para 60, para atrapalhar a novela da senhora, o jornal que a senhora gosta de ver na televisão. Nós, com o discurso da moralidade, estamos rasgando a moralidade. Nós, com o discurso da reforma salvadora da classe política, estamos agravando a relação partidária aqui no Congresso Nacional, porque a lei já estabelece 5%; se reduzirmos para 2%, vamos piorar, e muito, a situação político-partidária do Brasil.

O PTB tem outras propostas, como, por exemplo, o vice – vice-Prefeito, vice-Governador, vice-Presidente – é o coisa nenhuma na expectativa de ser alguma coisa algum dia. É o conspirador do dia-a-dia, que quer sempre o lugar daquele que ocupa o cargo de Prefeito, de Governador ou de Presidente. Para que vice? Com aquela estrutura de mordomia, de palácio, de segurança... Para que vice? Hoje, tudo se faz pelo computador. Isso se justificava na época do Império, em que o Imperador saia daqui para Portugal de navio e levava vinte dias no mar. Não tinha um telégrafo, não tinha um fax. Hoje vai de avião. Fala no avião o tempo todo com o chefe da Casa Civil ou com a chefe da Casa Civil. Para que vice?

Nós temos que reduzir, na Câmara dos Deputados, pelo menos três deputados federais por bancada. Tirar um Senado de lá – um Senado com as despesas que o Senado tem. Se nós reduzíssemos três senadores por Estado, nós tiraríamos um Senado... três deputados por Estado, nós tiraríamos um Senado de dentro da Câmara dos Deputados. Ou seja, 81 deputados federais a menos. Nós precisamos acabar com três senadores aqui, no Senado da República, por Estado.

Só no Brasil! Não existe isso em lugar nenhum do mundo. Isso foi uma cria da ditadura para tentar manter no Colégio Eleitoral a vitória dos militares. Eu me lembro daquele Deputado gaúcho, gordo, o Uequed, Jorge Uequed. Ele começava uma sessão do Congresso dizendo assim: “Srs. Senadores, Srs. Deputados, Srªs Deputadas, Srs. Senadores eleitos pelo voto do povo, demais funcionários desta Casa”, se referindo aos Senadores do voto indireto, os da nomeação. Eu me recordo disso, eu era Deputado.

E, por fim, Srªs e Srs. Senadores, para me colocar à disposição de V. Exªs. O meu Partido também esposa a tese de despartidarização da máquina do Estado, a redução desses cargos de confiança. Hoje são 25 mil. Vamos reduzir para prestigiar e fortalecer o servidor público na sua carreira. A ascensão será por mérito, será meritória, e não partidária. O PTB esposa a tese. E, para fechar, Srs. Senadores, Srªs Senadoras, Srs. Deputados, acabar com a suplência de senador, que é outra coisa que o Brasil não compreende. Uma coisa antiga, superada. Normalmente, o suplente é o financiador e gera sempre tensões ruins. Quer ocupar o lugar, fica suscitando conversas, sempre arruma uma encrenca o suplente. E nós queríamos ver se, superando essa conversa de suplente de senador, poderíamos fazer o seguinte: o senador se retira para governar o Estado, se licencia para ser ministro do Governo, assume o segundo mais votado do Estado. Assim, a expressão do voto do povo.

Então, são propostas que o PTB traz ao debate, porque esta Comissão não vai ficar – eu tenho certeza disso – apenas no debate pequeno dos três mil reais, que um “petequero” leviano que usa o nome alheio, e que foi gravado pela Abin, que não viu Marcos Valério, que não soube do Banco Rural, que não soube das movimentações do Banco do Brasil, que não sabia das atividades do Sr. Silvinho Pereira nem do Sr. Delúbio; sabia que tinha lá um cara que pegava três mil reais, chefe de departamento do quarto escalão – grande descoberta da Abin! Grande descoberta! No próximo Orçamento, quero votar contra recursos para a Abin, porque já vi que é apenas uma polícia política usada para constranger os que se opõem, em certo momento, a certas figuras do Governo. Não é o Governo em si.

Agradecer a paciência que os senhores tiveram comigo, a gentileza de me ouvir e eu me coloco, Sr. Presidente, Sr. Relator, à disposição de V. Exªs para os questionamentos que poderei escutar de cada um dos senhores.

Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Muito obrigado, Deputado Roberto Jefferson.

Com a palavra o Relator, Deputado Osmar Serraglio.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares, Sr. Deputado Roberto Jefferson, vou começar de uma forma talvez apequenada, mas por obrigação de ofício.

Eu tenho convicção absoluta de que o nosso inteligente depoente acredita numa máxima de um filósofo moderno de muita expressão, Bertrand Russell, que afirmava que ele não daria – vejam, do alto da sua inteligência, a modéstia – a sua vida por suas idéias, porque ele poderia estar equivocado.

Tenho absoluta convicção de que o nosso depoente comunga dessa mesma concepção. Ele tem uma idéia, que pode ser a verdadeira: a de que foi vítima de um complô de uma agência de inteligência e, daí, estaríamos num emaranhado, num imbróglio que envolve até, talvez, essa decantada crise política em que nos embrenhamos nesses últimos tempos. Mas, repetindo, como talvez essa concepção possa não ser a definitiva, essa vertente, essa alternativa... esta é uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito e, por sinal, quem estudar a teoria, a origem das Comissões Parlamentares de Inquérito, vai observar que, mais do que descobrir as mazelas, e é preciso que se as descubram, a razão de ser é buscar que elas não se repitam. Nesse aspecto, o depoente nos trouxe contribuições muito importantes de quem conviveu e convive com as dificuldades que nós todos, aqui, nos defrontamos com essa construção, com essa estrutura, com essa engenharia política que conduz as nossas atividades, tanto eleitorais quanto internas, enquanto representantes do povo.

Mas nós temos outras versões e, repito, esta é um CPMI. Aliás, uma versão primeira de S. Exª, o Deputado Roberto Jefferson, que também viu na possibilidade de um empresário de somenos que, em atrito com alguém que o obstaculizava nas pretensões internas, na sua busca de fornecimento aos Correios, estaria direcionando toda a sua ira... e, aliás, é o que ele confessa e, portanto, é uma versão. A versão de Arthur Wascheck é uma versão que a Comissão precisa investigar e ela se limita a uma empresa insatisfeita, direcionada a um funcionário de quarto escalão.

Mas no discurso, S. Exª também, no plenário, fez referência à possibilidade – possibilidade – de que houvesse grandes empresas em conflito. Até fez referência a contrato, na época, de 35 milhões. É uma versão possível.

Nós podemos ter, a par disso... e aí pegamos a degravação e constatamos que, de certo modo, ressuma das manifestações do próprio Marinho um desentendimento, talvez uma briga de poder – aliás, também remarcada até por informações que o próprio depoente também nos trouxe no sentido de que 70% praticamente das licitações estão concentradas numa diretoria. Então, pode ser que estejamos com a possibilidade de que tudo que aconteceu, a origem, ser um conflito de diretores por espaço. Conflito de partidos – também já se aventou –, que se espraiava, se instrumentalizava internamente nas empresas estatais, disputando espaços. Qual a versão verdadeira? Cada um de nós, cada um que compareceu aqui deu uma versão. E uma delas – e pode ser essa a de S. Exª – pode ser a que conduziu a que nós nos agregássemos e nos esforçássemos juntos, neste plenário, para que conseguíssemos aportar a uma solução que, repito, apesar de todo esse desenho, essa vitrine que nos envergonha, nos ensinou muitas coisas.

Sou professor de universidade, dessa área de direito administrativo, e, em poucos dias, me espantei com muita coisa que acontecia numa empresa do nível dos Correios. E aqui está o meu companheiro, professor da mesma cadeira, o Deputado José Eduardo Cardozo.

Vimos aqui empresas que são virtuais, que vendem de tudo e que não têm nada. Quando se verifica a lei que disciplina isso, a Lei nº 866, tão exigente para não se colocar o órgão público numa aventura de contratar com alguém que amanhã não tenha como garantir o que ofereceu. E, aliás, o Sr. Arthur Wascheck trouxe até informações nesse sentido, de que estava vendendo coisas importadas e que estava tendo dificuldades – capas de chuva e tal. Vimos isso. Nunca imaginei que isso ocorresse. Em Brasília temos empresas virtuais.

Vimos também – eu desconhecia isso também – que há uma prática de se conversar, precedentemente à elaboração do edital, com os interessados para se detalhar o que possa amarrar; não digo que o seja, mas que permite que o seja, de forma que o edital, quando trazido a lume, já venha direcionado. E não adianta nada alguém examinar o procedimento licitatório, porque ele já nasceu ocultando os fato.

Enfim, vimos hoje a referência à pesquisa de preços. E, quando olhamos os contratos, o que vemos? Nas licitações, antes de se emitir um edital, para se dar um parâmetro àqueles que pretendam participar da licitação, a empresa estabelece um valor referencial. E o que assistimos? Repetidas vezes, relativamente ao valor referencial, as propostas vencedoras correspondiam a até 50% do valor. Que pesquisa de mercado é essa? É direcionada também? E as revogações? Não tenho essa confirmação, mas alguém, em algum lugar, afirmou, ou está registrado em algum documento ou algum depoente reportou que há mais de 140 revogações. Revogações?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Peço silêncio, por favor, para darmos andamento aos trabalhos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Revogações, quem conhece, repito, se há um princípio geral que autoriza, que rege o direito administrativo, da revogabilidade dos atos administrativos, hoje avançamos muito, e aquilo que era tão generalizado, hoje é tão afunilado que a revogação exige um fato novo. Não é a discricionariedade inicial que desencadeia a competência para editar o ato? E vai permanecer até o momento em que ele é posto em concreto. Então, vamos examinar se essas revogações – por isso, estamos aqui juntos – foram, de fato, a título de interesse público ou se visavam a dificultar aqueles que, vencedores nas licitações, eram posteriormente alijados, afastados. De forma que só essas lições dos primeiros dias já vão ensinar, com certeza, a esta Comissão a diligenciar no sentido de que nossa legislação se aperfeiçoe, pelo menos no trato desses assuntos.

Agora, caio no mundo real da nossa investigação e volto a dizer que precisamos nos apequenar, porque também existem versões apequenadas. E Deus queira que cheguemos à conclusão de que, a despeito de tudo o mais que deve ser corrigido, na verdade, a República não foi manipulada, de sorte a colocar um cadáver nos braços do nosso depoente.

Ilustre Deputado Roberto Jefferson, V. Exª insiste em dizer que se trata de uma orquestração da Abin. Dessa forma, gostaríamos que V. Exª nos desse mais elementos para que pudéssemos aferir e avaliar, avançando, enfim, nessa nossa investigação.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sr. Relator, a matéria publicada na revista Veja foi publicada no site no dia 14 de maio de 2005. Nós acessamos o site da revista, e lá só aparecia o Marinho. A fita tem 1 hora e 54 minutos. Só o Marinho, petequeiro, pegando lá R$3 mil. Volto a advertir a Rede Globo, para que ela não erre mais: ele é chefe de departamento; não é diretor. Não errem mais nisso, porque é ruim. Pegando R$3 mil, de peteca.

Passei a fita, olhei, vim embora para Brasília. Liguei para o Antônio Osório, diretor dos Correios, que esteve hoje aqui pela manhã, meu amigo, que honra o Partido, homem digno, correto. Eu assinei sua indicação e o faria novamente. E, pelo meu companheiro, Roberto Salmeron, ex-Presidente da Eletronorte, há 20 anos filiado ao PTB, um dos melhores quadros que temos no Partido. Perguntei-lhes: vocês viram a fita? “Não.” Então, eu vou para Brasília... Disse-me o Salmeron: “eu recebi aqui através de um motoboy”. Falei: então, vou para sua casa, vou almoçar com você. Quero ver. Antônio Osório, vamos nos encontrar lá.

Passei no meu apartamento, tinha chegado, em um envelope amarelo, a fita, que mandei reproduzir em 600 cópias e dei a toda a imprensa e a todo o Congresso Nacional. Assisti durante 1 hora e 54 minutos àquela fita. Comparei com o que havia no site da Veja e com a matéria da Veja. A Veja chegou ao cúmulo de tentar conspurcar a imagem virtual do diretor que ocuparia o cargo do Sr. Eduardo na diretoria de informática. Coloca lá: o Sr. Ezequiel, indicado do Senador Fernando Bezerra... Os outros estão certinhos. Roberto Jefferson indicou Antônio Osório; Michel Temer indicou o Sr. João Bezerra – vem assim, na seqüência. Aí, vem assim: o Senador Fernando Bezerra indicou Ezequiel... Falei: espera aí. Não é isso. É o Silvinho Pereira, com quem se negociava no PTB, para substituir o Sr. Eduardo, diretor de informática. Eles esconderam o real e puseram o virtual, que nunca foi nomeado. Eu falei: tem dedo do Governo nessa matéria. Aí, lendo depois o jornal O Estado de S.Paulo... No dia 21 de maio, o Estadão diz que a Abin já possuía a fita há 20 dias, antes de ela ser publicada. O jornal O Globo do dia 11 de junho diz que a Abin já estava com agentes infiltrados há muitos meses nos Correios: “Abin infiltrara agentes na ECT” – sábado, 11/6.

Qual foi a minha leitura? Depois que eu disse ao Presidente Lula sobre o mensalão, caí na desgraça. Tentei tirar o meu PTB do mensalão desde agosto de 2003. Ficava este jogo: “Vai ser nomeado diretor da empresa, não vai ser nomeado diretor da empresa”. Passavam-se os dias e nunca o PTB tinha acesso ao poder, nunca o poder era repartido conosco.

O mensalão funcionava para dois outros partidos que compõem a base governista. E não são todos os deputados, quero deixar isso claro, não estou generalizando: nem todos os deputados desses partidos recebem o mensalão. Muitos recebem, mas nem todos recebem.

Percebi que a tentativa era sempre nos levar para o mensalão – a conversa que tive com o Martinez, que ele recebeu do Delúbio; a conversa do Delúbio comigo; a conversa do Pedro Henry; a conversa do Bispo Rodrigues, que agora não é mais bispo, é simplesmente Carlos Rodrigues; com o José Múcio, ele o Pedro Henry e o Valdemar Costa Neto.

Vocês vão dizer: “Roberto, o Múcio não está afirmando isso”. Ele não é obrigado a comprar minhas lutas, não é obrigado. Ele quer preservar relações que eu já rompi, mas essa conversa vem lá de trás – que nós aderíssemos ao mensalão. Eu não aderi; o PTB não aderiu. Levei isso ao Ministro Walfrido, disse-lhe: “Walfrido, tem essa proposta de desencravar unha todo mês. Você quer essa proposta?” “Eu não tenho como olhar nos olhos do Presidente se isso acontecer”.

Numa conversa informal com a minha Bancada, no princípio da legislatura passada, disse: “Gente, vocês estão falando desse mensalão...” Isso era voz corrente, desconfie de quem não ouviu falar no mensalão: ou se omite por medo de enfrentar o que estou enfrentando aqui, ou recebe. Não tem saída. Isso é conversa comezinha na Casa; o mensalão é comezinho. Até quando daquela sindicância que o João Paulo mandou fazer, que abriu às 10 horas e fechou às 10 horas e 40 minutos, uma sindicância de brincadeira só para constranger o Jornal do Brasil, já se sabia que havia o mensalão. Aliás, o Governador de Goiás já vinha dizendo isso desde maio do ano passado.

Como eu não aderi ao mensalão e choquei o Presidente Lula quando ele soube, percebi nitidamente que o meu Partido caiu em desgraça. O meu Partido caiu em desgraça: fomos colocados, aos olhos da opinião pública, como responsáveis por uma corrupção que o PTB não praticou. Então, essa é a convicção que eu tenho, é intuitiva.

No dia 17 de maio, Sr. Relator, o Presidente da Câmara, o Deputado Severino Cavalcanti, me permitiu usar a tribuna da Casa para que pudesse me defender das acusações que a revista fazia. No sábado, a revista traz acusações em relação ao IRB, que não são verdadeiras, e elenca um outro grupo de informações que caminham na verossimilhança, que é pior que a mentira. Pessoas de alguma relação comigo, mas que jamais participaram de qualquer ação em favor do PTB ou pelo PTB, são alinhadas e colocadas num grande esquema do Presidente do PTB, Roberto Jefferson, desconstruindo a minha imagem. No sábado, dia 21 de maio, O Estado de S. Paulo diz: “A Abin já sabia há mais de quinze dias e possuía a fita”.

Na terça-feira, dia 24 de maio, convoquei a Executiva Nacional do meu Partido. Cheguei a Brasília no domingo, dia 22. Na noite do dia 23, na minha casa, eu estava sentado na sala, eu, o Deputado Fleury, que se recupera de uma cirurgia de três hérnias – saúde, Fleury, Deus o abençoe; está em casa, fez três hérnias grandes esta semana –, e o Deputado José Múcio. Estávamos conversando sobre essa crise que se abatia sobre o PTB – na segunda-feira à noite.

Foi convocada uma reunião para a terça-feira para que todos os companheiros do PTB assinassem a CPI, como eu assinara no dia 17, quando saí da tribuna. De repente, me vira o Fleury e diz assim: “Robertão, aqui embaixo estão cinco Ministros – Paulo Bernardo, Ciro Gomes, José Dirceu, Aldo Rebelo – e querem subir para falar com você”. Eu disse: eu não vou falar não, porque o Governo está jogando contra nós. Não vamos fazer isso. Não vou retirar assinatura. Vamos, amanhã, fazer uma reunião da Executiva com as assinaturas. E estou sentindo a tensão porque metade do meu Partido é governista e a outra metade quer sair. O PTB está assim como o PMDB: metade dentro, metade fora. E metade quer sair.

No dia seguinte, me liga o Múcio às 10 horas da manhã. Eu tinha sentado, lido a mídia e me preparado para a reunião, quando o Múcio me diz: “Eu preciso falar com você”. Eu disse: eu vou tomar banho e em meia hora você chega aqui. Quando chego na sala, às 10h30, 11 horas, estão sentados: os Ministros José Dirceu e Aldo Rebelo, que falam: “Roberto, você não vai assinar essa CPI, você não pode fazer isso com a gente. Essa CPI é contra o Governo. Essa CPI é para paralisar o Governo. Essa CPI é para atingir o Governo do Presidente Lula e vai-nos atingir”. Eu falei: não tenho dúvida, Zé, porque eu sou escada, sou ponte. O alvo é você, o alvo é o Delúbio, o alvo é o Silvinho Pereira. A CPI vai atingir vocês, mas não posso sair disso sem alma, não vou virar zumbi. Está atingindo a minha honra pessoal.

Nesse ínterim, chega o Dr. Itapuã a minha casa, levando já um boletim da Polícia Federal, onde o Marinho, Maurício Marinho, dissera que não conhece o Roberto Jefferson a não ser de contatos superficiais; que não foi o Deputado Roberto Jefferson que o nomeou para os Correios, foi outro Deputado; que é homem e assumiu de público isso. Foi para a tribuna e disse que foi ele e que ele usou levianamente o meu nome para receber aqueles R$3 mil que o flagrante ilegal, feitos por agentes ligados à Abin, mostrou por meio da revista Veja.

De posse disso, eu, o Deputado Múcio, o Ministro Aldo e o Ministro José Dirceu, àquela época, começamos a conversar e eu disse: não tenho problema de recuar. Não tenho nenhum problema em recuar. Tiro a assinatura, mas você tem que me dar uma saída honrosa. Estou sendo linchado nisso. Quero que você me ajude na Veja. Ele disse: “Na Veja, eu não posso”. No Globo? Ele falou: “Vou tentar”. Não quero usar expressões aqui, pois a minha assessoria de imprensa fica toda hora me chamando a atenção, dizendo que não devo usar aquelas expressões que usei... Mas aquela história que vocês já conhecem e que repito, mas não quero mais colocar de público aqui.

Você tem como me ajudar? “Vou tentar te ajudar, Roberto”. Falei: então, tá bem. Vou atravessar a rua e digo à imprensa que tiro a assinatura. Foi o meu maior erro, Senador César Borges. Cheguei no Partido, reuni e falei: tiro a assinatura e peço aos companheiros que retirem. Estava toda a imprensa lá.

A partir daí, foi um linchamento que não parou mais. Retirei a assinatura no dia 25 de maio. Na sexta-feira, dia 3 de junho, começo a ver os saques, começo a acompanhar... começo a ver o meio eletrônico, e estou vendo em todas as agências – Estado, Folha, O Globo – S. Exª o Ministro da Justiça dizendo que faria um comunicado à Nação na segunda-feira, 6 de junho, desmontando o esquema da corrupção, que estava na Eletronorte, nos Correios e no IRB.

Falei: é no colo do PTB. Eu cometi um erro: tirei a assinatura, a mídia já está envenenada, já envenenou o PTB e a mim, tem que ter sangue para chacal, e vai o PTB. E o que vamos fazer? Enterrar a CPI e vamos ser destruídos no Partido, e eu, pessoalmente. Aí liguei para o Walfrido e falei: Walfrido – ele estava na cidade de Ouro Preto, estava rouco –, o Ministro da Justiça vai atirar no PTB na segunda-feira. Ele, rouco, falou: “Vou falar com ele; ele não pode fazer isso...” Eu falei: mas é o que está claramente para mim, Walfrido. O Walfrido não me deu mais retorno.

No dia 4, sábado, a mãe dos meus filhos e avó dos meus netos, a Ecila, me liga do Rio, às 2 horas da tarde. Ela tinha comprado O Globo, porque O Globo de domingo sai no sábado às 2 horas da tarde. Ela falou: “Você já leu? Você já sabe de O Globo?” Eu falei: “Eu não”. Ela disse: “Está destruindo você”. Estavam mentindo e mentindo gravemente, atribuindo a mim coisas que jamais fiz: Buião, Saião, do INSS, gente que nunca vi na minha vida. Compareci a eventos da Anfip – Associação Nacional de Fiscais da Previdência, porque presidi, por duas vezes, a Comissão de Seguridade e Família, da Câmara dos Deputados. E, num jantar, onde essas pessoas estavam presentes, O Globo disse que eu tinha relação com Buião, Saião, João, os caras que tinham fraudado a Previdência Social. Uma matéria desconstrutiva em cima de mim, violenta.

Mais tarde, acesso o site da revista Época, e a desconstrução é familiar. Colocam a mãe de meus filhos e avó de meus netos de baby-doll na revista, abrem a porta do banheiro e colocam-me sentado na privada, e um amigo meu, meu irmão preto, o Durval, como laranja de uma rádio que arranjei para um cara, há vinte anos, no Governo do Presidente Sarney, à época Ministro das Telecomunicações, Antonio Carlos Magalhães, para umas pessoas. Isso porque antigamente era assim: você influía. Hoje, os critérios são diferentes. Mas antigamente você influía para que essas rádios fossem liberadas, e eu influí em favor de grupos do interior do Estado do Rio de Janeiro. E, para proteger o Durval, que era pobrezinho, coloquei ele no contrato social de duas rádios, que devem dar R$500,00 a R$600,00 reais por mês de renda. E a revista diz que ele é o laranja do Roberto Jefferson. A Época, O Globo, desconstrutiva dessa maneira, e esta semana a Comissão de Justiça vai votar o fim da CPI, é nítido que vão colocar isso no colo do PTB.

Então, percebi, pelas informações que vazavam, por exemplo, Roberto Maia, que é um homem de bem, sei que é, um homem sério, numa interpretação de decisão que tomou, ele é colocado como sendo indicação minha sem ser. Ele foi indicado por um Deputado que saiu do PTB, o Luís Piauhylino. Eu, como Presidente, tinha a célula. Essas indicações são assim: o Deputado manda ao Presidente, que chancela e manda para a Casa Civil. Assinam o Líder e o Presidente e vai para a Casa Civil.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Tem uma pessoa passando mal. Por favor, o Serviço Médico do Senado.

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, aproveito para me dirigir a V. Exª, enquanto o Serviço Médico atende a pessoa que necessita de atendimento.

Respeitando o direito do investigado de usar da palavra, o Brasil evidentemente quer ouvi-lo, mas tenho certeza de que o Brasil também quer nos ouvir, aqueles que vão questioná-lo. Se a cada pergunta, o Deputado tiver 10 ou 15 minutos, como está tendo agora, e basicamente repetindo tudo o que falou no Conselho de Ética, não teremos possibilidade de inquiri-lo como gostaríamos.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS-RJ) – Sr. Presidente, o tempo é do próprio depoente. O tempo só é cortado contra nós, que indagamos. O depoente tem o tempo que julgar necessário.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com certeza, Deputada Juíza Denise Frossard, vamos encerrar a fase das perguntas do Relator ao Deputado Roberto Jefferson e, depois, seguiremos a lista de inscritos. Eu serei absolutamente severo no tempo. Os Parlamentares terão 10 minutos cada um, e quando faltar um minuto iremos interromper.

Tem a palavra pela ordem a Senadora Ideli Salvatti.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Sr. Presidente, estou atentamente ouvindo as respostas do Deputado Roberto Jefferson, mas ainda não consegui encontrar nenhuma resposta efetiva à pergunta feita pelo Relator.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – Sr.Presidente, não cabe a pergunta feita pela ordem pela Senadora Ideli Salvatti. Não concordo com o que está sendo feito, porque o depoente está com a palavra e, devido a um acidente, foi retirada a palavra do depoente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado ACM Neto, vamos prosseguir.

Com a palavra o Deputado Roberto Jefferson.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sr. Presidente, vou encerrar brevemente.

No dia 7 de junho, O Globo diz que a Abin infiltrara, há seis meses já, um agente na Empresa de Correios e Telégrafos.

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – No dia 14, vou à Comissão de Ética. Estou realmente repetindo o que falei, mas esqueci de falar uma coisa importante. Quando, nesse dia...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Insisto: por favor, silêncio!

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Quando percebi, Presidente, esse noticiário no dia 5, falei: é a hora de eu enfrentar isso; tenho de romper, não tenho de negociar, apesar de, na véspera, na sexta-feira, eu ter recebido o Líder do Governo na Câmara, Deputado Chinaglia, que me propusera, não em nome do Governo – ele foi muito enfático nisso –, mas em seu nome pessoal, que eu assumisse tudo, para que pudéssemos encerrar esta CPI: uma investigação rápida acabaria com a crise política. Eu disse que não confiava no Governo e no PT, para poder fazer esse acordo, mesmo porque eu não tinha nada a ver com isso. No dia 14/06 fui depor na Comissão de Ética, dia do meu aniversário. Aliás, dizem que o inferno astral e zodiacal do homem começa um mês antes do seu aniversário: começou em 14 de maio, e, em 14 de junho, eu estava depondo na Comissão de Ética.

Nesse dia, a Juíza da 10ª Vara Federal de Brasília, Sr. Presidente, Sr. Relator, Srs. Senadores, Srs. Deputados, manda invadir duas residências em Petrópolis, de forma leviana. Que ela esteja me ouvindo, para eu repetir isso para ela ouvir: leviana, solerte. Primeiro, invade a casa de um menino que mora no Valparaíso, chamado Marcos Silva Vasconcelos, que trabalha no Rio com a esposa, em frente à Beneficência Portuguesa, ao lado do metrô. Arrombaram a porta, levaram tudo. Só que esse rapaz não é o meu genro. Meu genro mora no Retiro, do outro lado da cidade. No dia em que eu estava depondo, a ordem judicial tão leviana não sabia onde era a casa de minha filha – tão leviana, tão açodada, tão solerte, tão desonesta, tão comprometida com o Governo, como estava o inquérito da Polícia Federal e o civil do Ministério Público.

Uma hora da tarde, recebo uma ligação da mãe de meus filhos. Fabiana estava em casa, ela... Os marginais: minha filha de 28 anos, meu neto de um ano de idade, o Bernardo, o caseiro, a empregada. Seis homens de colete e metralhadora da Polícia Federal, mais um Procurador e um Delegado arrombaram o portão e invadiram a casa – helicópteros, um cerco de helicópteros – da minha filha, na hora em que eu ia sentar para depor.

Foi bom, que me deu equilíbrio para fazer o que fiz e definir o caminho que tinha que tomar. Foi bom. Foi melhor para mim. Ficou claro. Tomei o caminho que tinha que tomar. Eu estava indo assim meio... vou ou não vou tão fundo? Não volto mais. Tem coisa que não pode... Um homem não faz concessão com a honra; pessoal ou familiar, não dá para fazer. Foi bom. Quero agradecer a atitude leviana da Justiça da 10ª Vara Federal de Brasília, que me deu força para fazer, enquanto eles estavam dentro da casa da minha filha e de meus netos pequeninos, aquilo que fiz na Comissão de Ética. Muito obrigado à senhora. Eu esqueci de lhe agradecer, como agradeci a Valdemar Costa Neto naquele dia.

Saíram de lá às 19 horas. Passou. Mas me deu plena convicção, Sr. Presidente, Sr. Relator, da mão do Governo tentando colocar só o PTB nisso e tirar o outro Partido, que é o principal e que está envolvido nisso até os cabelos. E vi que funcionou a inteligência do Governo não em favor da sociedade, não em favor do Governo, mas para bater naquele que ousou contar um esquema que para mim é claro que foi montado pela cúpula do PT. Não quero acusar o PT integralmente. É a cúpula: o Presidente do PT, José Dirceu; o Vice, José Genoino; o Delúbio; o Silvinho Pereira. Isso é uma inteligência. É mais fácil alugar o Deputado, do que dividir um compromisso político. É mais fácil o exército mercenário mensalão, do que distribuir cargos e dividir poder. É claro que é uma jogada socialista para pagar à burguesia corrupta, só que eles não me conheciam e pensavam que o PTB ia fazer esse mesmo jogo, ia aderir a essas mesmas práticas.

É isso tudo, Sr. Relator, e peço desculpas; na próxima, vou procurar ser bem sintético; não quero mais incomodar a Senadora Ideli, apesar de não estar preocupado com o julgamento que ela faça de mim; não é para ela que falo, falo para o povo que me vê; disso eu já passei, não é para ela que estou preocupado em falar, porque ela não é melhor do que eu, nem V. Exª é. Os que aqui se arrostam juízes, vou questionar um por um. Vamos ver se as práticas são diferentes daqueles que vão querer levantar a voz contra mim.

Muito obrigado, Sr. Presidente. Muito obrigado, Sr. Relator.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Relator Osmar Serraglio.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Para não fugir da matéria da Abin, V. Exª acha que é um raciocínio equivocado ou é possível que tenha havido um primeiro momento em que, de fato, houve uma integração de personagens pequenos, e um segundo momento, em que apareceu envolvido um líder, ou algo assemelhado – ainda hipótese –, e então seria admissível esse seu raciocínio de que teria havido uma interferência da Inteligência? Ou acha que a Inteligência é desde o primeiro momento?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sr. Relator, o Marinho foi filmado, pelo que vi aqui, no dia 14 de abril, naquela fita de 1h54min que distribuí...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Dia 12 de abril, mas tudo bem.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – No dia 12 ou 14, me perdoe, no dia 12 de abril. Falei ao Presidente Lula no final de janeiro sobre o mensalão, quando ele teve aquela reação que contei ao Brasil. E eu, vendo aquelas fitas, a indução era contra o PTB. “E o Roberto Jefferson, e o Roberto Jefferson, e o Roberto Jefferson?! Meu amigão, é doidão, é doidão!” Não me conhece! Não me conhece. Não me conhece... Não entendo o riso de escárnio. Posso ter sido, no passado, um cara assim mais atirado, mas procuro pautar a minha conduta com muito equilíbrio e muita serenidade, Sr. Presidente. Não me conhece, não tinha convivência comigo. Me vendeu, infelizmente me vendeu!

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Nós tivemos um depoente que deu uma versão um pouco diferente em relação àquele momento em que V. Exª foi abordado, acho que no seu gabinete, quando lhe levou a notícia da existência da gravação.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – O Molina, que não é comandante.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Ela foi amistosa ou ela foi de cunho de achaque?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Os senhores entrevistaram aqui o Molina, não entrevistaram?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Entrevistamos.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Ele é até uma figura frágil, não é uma figura assim truculenta. Eu o conheci em Belém do Pará, numa sexta-feira, 4 de março, num evento do Ministério do Turismo, com o prefeito Duciomar, de combate ao turismo sexual de menor. Ele veio falar comigo. Sentou-se, à noite, para jantar comigo e começou a dizer que uma empresa, que ele representava nos Correios, estava tendo os interesses contrariados na Diretoria do Dr. Antônio Osório, de Administração. E que ele queria uma solução que seria boa para todos. Eu falei: espera aí, Dr. Molina, só um momentinho, Comandante - eu achei que ele era comandante; naquela época, eu o chamei de comandante. O que o senhor está me propondo aqui é negócio, e eu não gosto de tratar negócio com ninguém. Eu sou político, sou Deputado Federal e presidente de Partido. Não converso negócio com o senhor. Se o senhor está tendo problema, eu ligo para o Dr. Antônio Osório, e o senhor vai lá e acerta com o Dr. Antônio Osório, que é o diretor da empresa.

Ele tentou falar comigo, Sr. Relator - quero lhe passar aqui o relatório disso -, várias vezes. Eu tenho uma folha dobrada aqui em que está escrito Molina; está aqui debaixo. Várias vezes ele tentou falar comigo. Eu quero lhe passar esse relatório da agenda do meu gabinete. Ele me ligou:

- 10 de março, quinta-feira, duas vezes;

- 15 de março, terça-feira, duas vezes;

- 5 de abril, terça-feira, duas vezes; ligou duas vezes, e eu atendi na ligação de 19h17;

- 6 de abril, ligou de novo, e eu não falei;

- aí, no dia 27 de abril, quarta-feira, 18h05, o Senador Suassuna me ligou várias vezes, pedindo para atendê-lo;

- no dia 28 de abril, de novo; e estou dizendo: “Senador, deixa isso para frente, já vou atender”; e me ligou de novo; pediu que eu falasse com ele às 9h35min, às 9h48min, às 10h16min; o Senador Suassuna me ligou: “Roberto, atende. É companheiro meu de farda” - eu nem sabia que o Senador Suassuna teria sido militar. Falei: “Eu atendo”.

Marquei com ele no meu gabinete, 3 de maio.

Recebi o Sr. Molina em 3 de maio, por volta das 17 horas. Ele se sentou à minha frente e veio com a mesma conversa lá de Belém, só não falou o nome do Fortuna. Porque, em Belém, ele me falou em Fortuna; nessa vez em que esteve comigo, em 3 de maio, terça-feira, não falou mais em Fortuna. E disse que estava sendo prejudicado, que uma empresa que ele representava estava sendo prejudicada e que ele queria acertar, que era bom para todos. Digo...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Ele chegou a nominar a empresa?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não, não nominou a empresa.

Digo: “Amigo, nossa conversa está encerrada. O senhor pode se retirar. Não tenho mais nada a tratar. Essa conversa o senhor já falou comigo em Belém”. Ele falou: “Mas tem uma segunda coisa, Deputado”. Eu digo: “O que que é?” “Essa empresa tem uma fita do Sr. Marinho pegando dinheiro em seu nome e em nome do PTB e quer negociar com o senhor.” Eu falei: “Já não negocio com empresa de maneira direita e correta, ainda mais assim, com essa conversa, meu irmão! Você faz um bom uso da fita e, por favor, se retire daqui”.

Mas ele não chegou a chantagear, a me ameaçar, nem eu dei dimensão de ameaça, porque não acreditei. Eu achei tão frágil a conversa dele, assim tão... Não botei fé. Mandei ele embora, e ele foi embora. E, depois, aconteceu o que aconteceu.

No dia 11 de maio, quarta-feira, às 14h50min, Molina ligou no gabinete, dizendo que queria o e-mail do Deputado, porque não queria passar para o e-mail do gabinete, que era assunto pessoal do Deputado. “Eu quero passar a V. Exª esse relatório de meu gabinete.” Ele queria me passar já alguma coisa da fita que a revista Veja publicou no dia 14 no site e no dia 15 nas bancas.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Além dessa referência que Molina...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – O senhor quer que eu assine?

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Embora V. Exª já tenha declinado no próprio microfone...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Eu assino aqui.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – V. Exª se reportou a que Molina teria mencionado Fortuna. O que evoca Fortuna nas suas lembranças?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Na primeira reunião em Belém, ele disse que tinha um amigo, Coronel Fortuna, que tinha interesses nos Correios com ele. Em Belém, ele falou isso na conversa comigo, sentado no restaurante do hotel. E que queriam conversar comigo, que seria uma coisa boa para todo mundo...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Essa foi a única vez que...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Foi a única vez... Ele esteve pessoalmente comigo duas vezes, lá em Belém e, depois, aqui, no meu gabinete.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – E V. Exª não teve mais informações outras a respeito desse Fortuna, se ele teria cruzado alguma vez...?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Tive depois. Recebi informações do Sr. Fortuna depois. O Sr. Fortuna é amigo do Deputado que indicou o Dr. Maurício Marinho para a função que ele ocupa de chefia de departamento nos Correios. O nome saiu dele. E, pelo que me informou o Antônio Osório, pelo que me informou, naquela época, o Godoy, que são companheiros do PTB, ele havia tido um entrevero com o Marinho e ameaçado o Marinho: “Você está me prejudicando, e eu vou te derrubar dessa cadeira! Vou acabar com a tua carreira”.

Mas isso eu ouvi falar depois, Sr. Relator. Não conheci o Sr. Fortuna antes.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – V. Exª fez referência a duas empresas: a Novadata e a Skymaster. Poderia esclarecer um pouco o conhecimento que V. Exª tem sobre eventuais equívocos ou vícios nos contratos, na execução?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Superfaturamento. A Skymaster, não. Ela domina todas as licitações da área de informática. Não tenho informação... A Novadata...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Quem teria dado a V. Exª essas informações?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Esse grupo do PTB dos Correios. Quando nós sentamos... Onde tem problema aí? Antônio Osório, onde é que tem problema? Ele falou: “Olha, quem domina aqui a área toda de informática é a Novadata, ligada ao grupo do Silvinho Pereira”. Não me disse que havia superfaturamento. Mas, no que toca ao Correio Aéreo Noturno – inclusive, tem outras empresas, Total e uma outra do Nordeste, que não sei o nome –, há superfaturamento grave! Aviões que são para dezoito toneladas vão com quatro toneladas de carga, e o Correio paga as dezoito, porque ele voa... O contrato é pela capacidade, não é pela carga que ele leva. O contrato está com o dólar equivalente a R$3,00. Baixou, o contrato tinha que baixar para R$2,40. Continua pagando a R$3,00. Então, eu soube dessa informação e coloquei publicamente nos meus discursos.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Segundo essa informação, eles lhe detalharam quem é que tinha o poder de assim proceder?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Na diretoria da Skymaster, tinha o Madureira; e, na diretoria onde estavam os negócios da Novadata, o Sr. Eduardo.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Ou seja, segundo esse seu informante, essas pessoas estavam praticando...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Meus informantes são os companheiros meus, o Antonio Osório, que é do...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Segundo o Antonio Osório... E quem mais?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – O Godoy.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – O Godoy, Fernando Godoy?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Fernando Godoy, que é companheiro do PTB do Distrito Federal.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Segundo eles, a informação que eles lhe deram é que essas pessoas estavam praticando os atos...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sim, na hora em que nós vimos tudo, onde tem problema? O problema está aqui. Quem domina 70% de tudo o que acontece aqui na área da informática é a Novadata. Inclusive a briga dessa pequena empresa que faz a gravação a mando, é porque ela perdeu uma concorrência para a Novadata. Foi a informação que eu... HHP ou HPP.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – HHP.

Também em uma passagem V. Exª fez referência a que apenas a diretoria administrativa estava sendo investigada pelo Ministério Público, pela Controladoria, pela Polícia Federal. Efetivamente, ficou visível isso?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Para mim, ficou. Agora, depois que as coisas começaram a caminhar, depois que, no jornal Folha de S.Paulo, aquela entrevista com a jornalista Renata Lo Prete saiu – a primeira, no dia 06 – é que a Polícia Federal começou a perseguir as provas daquilo que eu contei naquelas informações. Mas eles já sabiam. Procuraram colocar só em cima do PTB. Invadiram a casa do Salmeron, a casa da minha filha e do meu genro. A juíza da 10ª Vara Federal, tão leviana a atitude dela! Nós já pedimos cópia do despacho, e ela não entrega, para ver em quê ela fundamenta.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Isso V. Exª afirmou lá atrás. Ainda hoje não?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Até hoje não temos a cópia do despacho. Eu pediria à CPI que tivesse essas... Porque todo despacho dela é Segredo de Justiça, e as pessoas são escrachadas. O despacho de S.Exª togada é Segredo de Justiça, mas as pessoas são escrachadas de público, algemadas, as casas invadidas. Ela mandou invadir o escritório do Henrique Brandão no Rio, Assurê – que é a maior corretora privada do Brasil –, a casa dele no Rio e em Teresópolis, quando se trata de IRB com jurisdição na cidade do Rio de Janeiro, Justiça Federal do Rio de Janeiro. Não é Correio, jurisdição Brasília. Mas ela mandou fazer por aqui. Tudo foi feito rapidamente para colocar... tentar descobrir alguma coisa contra o PTB, botar no colo do PTB e encerrar a investigação, como se o PTB fosse o responsável pela corrupção da República. Nitidamente, eu vi isso, Sr. Relator.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – V. Exª fez referência a que teria recebido uma fita no seu apartamento. Quem entregou no seu apartamento?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Um motoboy. Deixou-me receber junto com a minha correspondência. Quando cheguei em casa, no domingo... domingo... que saiu a fita foi sábado... No domingo dia 15, eu recebi na minha correspondência, junto com meus jornais, com as minhas revistas, um envelope pardo, e tinha uma fita para mim. Eu não sei se eu deixei com o Salmeron ou mandei a do Salmeron para o General Chefe da Casa de Segurança Institucional. Porque ou eu mandei copiar a fita do Salmeron, que recebeu também...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Essa era uma pergunta. Então, o Salmeron também recebeu...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Recebeu.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Sabe a origem da que chegou, enfim?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Chegou por um motoboy, que colocou na caixa de correio na casa dele.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Mais ou menos no mesmo dia ou muito próximo...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Eu não fiz essa pergunta ao Dr. Salmeron, mas quero crer que no mesmo fim de semana que eu, sexta-feira, sábado...

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – V. Exª fez referência a que muita gente estaria entrando em contato com o Deputado para anunciar outros casos de corrupção nos Correios. Foi abordado ou por pessoas ou por correspondência?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Essas coisas vêm. Eu, por exemplo, recebi... Empreste-me aqui, por gentileza? Hoje, em meu gabinete... Agora, a gente tem que peneirar. Eu recebi o contrato da Sky Master e passei para frente; acabou na imprensa. Eu recebi hoje, de um moço chamado Ricardo, um e-mail, dirigido ao Deputado Roberto Jefferson: a SMP&B Comunicação Ltda., do Sr. Marcos Valério, tem dois registros no CNPJ; a mesma empresa com dois registros, todos os dois com o final 1 (um), que significa “matriz”. Um, de 02/12/1998, ativo até 16/10/2004 – e tenho aqui o número; outro, de 10/07/1996, ativo até 23/04. As certidões foram emitidas em 28/06/2005. Estão aqui, e quero passar às mãos de V. Exªs. Em todos os dois, o número da inscrição é 0001. O endereço muda: um, município Rio Acima; outro, município Belo Horizonte.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Só uma curiosidade. Talvez V. Exª possa até confrontar já, porque parece que ela tem três denominações diferentes com um segmento um pouco diferente: há a SMP&B Comunicação, a SMP&B Publicidade e SMP&B outra coisa.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Aqui temos SMP&B Comunicação Ltda., agência de publicidade e propaganda; e SMP&B Comunicação Ltda., agência de publicidade e propaganda. Ou seja: é a mesma coisa. E vou assinar para deixar com V. Exª, porque recebi... E tenho recebido coisas assim. Há coisas que eu filtro.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – O Presidente já anda me censurando porque sei que muito do que ainda posso perguntar, com certeza, ainda virá à baila; mas, enfim, muito rapidamente, se me permitirem, gostaria de indagar: V. Exª conhece ou ouviu falar de José Gerardo Ponte Pierre?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Nunca ouvi falar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Não tem nada a ver com o PTB? É filiado ao PTB?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Nunca ouvi falar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Sobre o Alemão?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Nunca ouvi falar. Quer dizer: estou lendo, vejo a CPI, leio os depoimentos da Polícia Federal, mas nunca antes ouvir falar.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Fernando Godói é indicado do PTB nos Correios?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – É companheiro do PTB há quarto anos aqui no Distrito Federal; é membro da Executiva Nacional do partido.

Antônio Ozório é meu amigo há 23 anos. Coloco a mão no fogo por ele, Sr. Presidente. Fui eu que indiquei. É um homem de bem.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Que não signifique que nós não pudéssemos avançar. Tenho procurado corresponder às expectativas do nosso Plenário, dando oportunidade a que muitas das perguntas que ainda estão por ser realizadas que os parlamentares as possam traduzir, ainda porque nós podemos, a qualquer momento, interferir e, ao final, solucionar as dúvidas que eventualmente temos.

Dirigindo-me à opinião pública, apenas esclareço um aspecto técnico. Provavelmente gostariam que eu tivesse abordado o assunto do mensalão. Como sou Relator de uma CPMI que tem, ainda, por enquanto, fatos determinados e podendo sobrevir a instalação de uma outra CPMI, cuja abrangência pode vir a ser delimitada, tecnicamente me abstive de qualquer questionamento, o que, para encerrar, esclareço que não significa que tenhamos receio de adentrar no tema, mais à frente, se essa competência nos for atribuída.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Muito menos porque haverá limitações...

O SR. ASDRÚBAL BENTES (PMDB-PA) – Sr. Presidente, pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MT) – Pois não, Deputado Asdrúbal Bentes.

O SR. ASDRÚBAL BENTES (PMDB-PA) – Indago de V. Exª qual será o tempo destinado aos Parlamentares aqui presentes.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MT) – Deputado Asdrúbal Bentes, concederemos, inapelavelmente, dez minutos.

O SR. ASDRÚBAL BENTES (PMDB-PA) – Mas quero saber, Sr. Presidente: esses dez minutos são para as nossas indagações e respostas do Deputado inquirido ou apenas paras as nossas indagações?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MT) – Não; são dez minutos para as indagações. Todavia, peço aos Srs. Parlamentares que façam as sua indagações num tempo menor do que esse, porque temos 31 Parlamentares inscritos e vamos controlar o tempo rigorosamente.

O SR. CARLOS SAMPAIO (PSDB-SP) – Sr. Presidente, pela ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT-MS) – Concedo a palavra ao Deputado Carlos Sampaio.

Por favor, peço silêncio a todos.

O SR. CARLOS SAMPAIO (PSDB-SP) – Nesta semana, quando da indagação minha e também do Deputado ACM Neto ao Sr. Joel, autor da gravação, perguntamos a ele se haveria a primeira fita, e até solicitei a V. Exª que requisitasse a tal primeira fita de gravação, na qual se poderia estar tratando de um assunto que daria a todos os membros desta CPMI a informação correta sobre o que pretendia o Sr. Arthur com aquela gravação.

Chegou às minhas mãos, na data de ontem, o teor integral, e agora já possível de ser aberto por esta CPMI, da primeira conversa mantida entre o Sr. Maurício Marinho e o Sr. Joel. Nessa fita, fica claro o interesse não só de envolver diretamente o PTB com questionamentos sobre quem era quem dentro do PTB, como interesses comerciais que poderiam estar por trás ou, talvez, interesses aqui declinados pelo Deputado Roberto Jefferson relacionados à Abin.

Reputo muito importante essa fita e acho que todos os membros desta CPMI devem ter ciência do seu teor. Passo-a à mão de V. Exª, pedindo que cada um dos membros tenha uma cópia.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Será reproduzida.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sr. Presidente, peço uma cópia.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Pois não, Deputado Roberto Jefferson, será providenciada também.

Passo a palavra ao primeiro orador inscrito, Senador Alvaro Dias, por dez minutos. Pediria aos Parlamentares que pudéssemos reduzir esse tempo, por favor.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Sr. Presidente, desculpe-me Senador, mas tínhamos uma ordem, e não era o Senador...

O SR. ALVARO DIAS (PSDB-PR) – Falo por cessão do Senador Demóstenes Torres.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Por cessão do Senador Demóstenes Torres, que precisou viajar para Goiânia, com urgência.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Mas Presidente, eu gostaria que V. Exª...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Será seguida a listagem, a ordem de inscrição, meu caro Deputado Onyx.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Mas o Senador Demóstenes era o quarto?

O SR. ALVARO DIAS (PSDB-PR) – Não, o primeiro.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Não.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – O Deputado Murilo fez a cessão para ele?

Obrigado, Presidente. Está encerrada minha questão.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Muito obrigado, esse tempo será descontado de V. Exª.

Concedo a palavra ao Senador Alvaro Dias.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB-PR) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Congressistas, pretendo ser rápido. O Deputado Roberto Jefferson é um homem corajoso, sempre foi e tem sido, e, certamente com arte, a verdade alcança ainda mais, atinge uma profundidade superior.

Reanimado com essa expectativa, com essa perspectiva, quero expor o que penso e ouvir sua análise sobre o que esse momento significa como explosão de um escândalo. Vejo a arquitetura de um projeto de poder. Na arquitetura desse projeto de poder, vários componentes de comunicação, administração, relação com a sociedade, entidades, partidos, com o Congresso. Mas vamos apenas nos restringir a esse componente que é deploravelmente o mais sujo nisso que imagino um projeto de poder arquitetado por algumas lideranças políticas que assumiram o poder há dois anos e meio.

Essa parte de captação de recursos para a sustentação material desse projeto de poder é, sem dúvida, a parte suja dessa arquitetura, que começa com esse modelo espúrio de relacionamento do Poder Executivo com parte do Congresso Nacional, invadindo especialmente os partidos da base aliada com a barganha que se estabeleceu.

O partido evidentemente estabelece uma competição em relação aos cargos mais apetitosos, porque movimentam maior soma de recursos públicos. O partido nomeia, e o nomeado é encarregado de mensalmente captar recursos supostamente para manutenção da estrutura partidária. E é evidente que, para alguns, o fim justifica os meios. O fim é um projeto arquitetado; os meios escusos da cooptação de Parlamentares de partidos, através da captação de recursos que tem uma fonte específica aqui, que discutimos Correios, mas, não é única. E evidentemente a barganha, ao final, no chamado “Mensalão”.

Gostaria, farei outras indagações, quero fazer, Sr. Presidente, rapidamente todas elas, porque confio na memória do depoente, Deputado Roberto Jefferson, que tem uma memória indiscutível. E destacando apenas a importância da contribuição que ele pode oferecer nesse momento a essa CPMI e ao país. Talvez a contribuição mais importante pode advir exatamente do Deputado Roberto Jefferson.

Nesse loteamento do Governo, como parte dessa arquitetura de um projeto de poder, há a nomeação para cargos centrais, para diretorias. Hoje, V. Exª quase não citou o nome do Ministro José Dirceu. Mas, quem batia o martelo por último para essa nomeação? Quem dava a última palavra. V. Exª fez referência ao Sr. Sílvio Pereira, mas, tem outros nomes como: Waldomiro Diniz, que era assessor e chefe da Assessoria Parlamentar da Presidência da República; Marcelo Sereno; Sílvio Pereira; Delúbio Soares; etc.

Então, gostaríamos que ficasse claro quais são os responsáveis finais pelas nomeações, pelo atendimento aos Partidos da Base Aliada.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – O ex-Ministro José Dirceu e o Sr. Sílvio Pereira.

V. Exª, Senador, inclusive vai ver na Revista Veja, que foi publicada.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB-PR) – Se preferir, Deputado, farei todas as perguntas, aí V. Exª responderia ao final.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – No dia 28 de maio, que o próprio Líder de Governo, meu companheiro de Partido, Fernando Bezerra, coloca claramente que a negociação para nomear o Diretor de Informática nos Correios, o Ezequiel, passava pelo Sr. Sílvio Pereira. Ele coloca isso na entrevista. E era assim que funcionava. Toda estrutura era montada com o Sr. Sílvio Pereira e quem batia o martelo era o Ministro José Dirceu. Foi assim em todos os cargos que o PTB nomeou.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB-PR) – Ok. Gostaria de saber se é real que o PT concordava com a indicação do PTB, por exemplo, no caso dos Correios, mas, calçava, abaixo do ocupante do cargo maior, com integrantes do próprio PT.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sim. E o Sr. Sílvio Pereira dizia que era o jeito do PT governar. Dava a cabeça e tomava o corpo. A expressão que sempre usei: dava a cabeça e tomava o corpo.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB-PR) – Nessa questão de nomeações e V. Exª participou diretamente, não só em nome do PTB, no episódio Correios, mas, também Furnas. Gostaríamos que...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Furnas, DNIT, ELETRONORTE, todos já devolvidos, mas, sempre assim. Até a PETROQUISA, o atual presidente foi nomeado pelo Sr. Sílvio Pereira.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB-PR) – Furnas, vamos por partes.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não conseguimos fazer o Presidente, porque o Sílvio não abriu mão do presidente da PETROQUISA, que é dele.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB-PR) – O que quero saber, e certamente essa Comissão, é mais detalhes sobre esse esquema de repasses de recursos mensalmente da ordem de R$ 3 milhões, com a seguinte divisão: R$500 mil para a diretoria; mais R$1 milhão para o PT; outro R$1 milhão para o PT de Minas Gerais; e mais R$500 mil para a direção...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Para o ex-diretor financeiro.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB-PR) – Exato. Esse era o esquema, então, de Furnas. Furnas era tido, no meio político do “Mensalão”, como uma espécie de coroa da rainha, porque com esse valor mensal certamente despertava muita cobiça. E é exatamente isso que V. Exª percebeu quando tentou substituir o diretor de Furnas.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Vou inverter isso com V. Exª. Não tentei substituir.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB-PR) – Foi oferecido a V. Exª pelo Presidente da República?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – E o Presidente ofereceu pelo seguinte: o Dr. Dimas, ex-diretor, porque foi exonerado hoje, repassou para a Cemig...

O SR. ALVARO DIAS (PSDB-PR) – Apenas interrompendo, V. Exª merece os maiores aplausos. O Presidente Lula não consegue fazer reforma ministerial, mas V. Exª já derrubou um Ministro, diretores dos Correios, do IRB e hoje três diretores de Furnas. V. Exª é o maior reformador do atual Governo. Apenas para quebrar o gelo, Sr. Presidente.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – O Presidente, logo no início do ano, quando conversava comigo e o Ministro Walfrido dos Mares Guia, colocou esse cargo para nomeação pelo PTB. Eu disse ao Presidente: Presidente, eu não tenho nome para isso. Ele falou: vocês me consigam um bom nome porque eu quero tirar esse moço. Ele é incorreto com o Governo. Falei: mas por quê, Presidente? Ele transferiu quase R$1,5 bilhão para a Cemig, em Minas Gerais, para fazer um programa popular de iluminação chamado Luz para Todos. E o Governador de Minas, que tem feito a má ausência do Governo Federal – o Presidente nos disse isso naquela época –, colocou placas em todas aquelas áreas carentes para onde ele levava aquela iluminação: Obra Governo de Minas Gerais; e uma tirazinha embaixo, inelegível: Apoio Governo Federal. Então o Presidente se sentiu traído por isso e nos ofereceu indicar um nome. Procurei o Dr. Roberto Salmeron, que já havia sido diretor financeiro da Eletrobrás e era o Presidente da Eletronorte, e disse: Salmeron, você tem um nome para que a gente possa levar para o Presidente Lula? Ele deu o nome de um técnico da empresa de vasta experiência: Dr. Espirandel. Eu levei o nome ao Presidente junto com o Ministro Walfrido dos Mares Guia. O Presidente olhou o nome; a Ministra Dilma aprovou, disse que era um técnico de altíssimo gabarito; a Casa Civil, a Sandra Cabral aprovou o nome; a área de informação aprovou o nome; só não saiu a nomeação.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB-PR) – V. Exª citou alguns nomes...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senador Alvaro Dias, concluindo V. Exª...

O SR. ALVARO DIAS (PSDB-PR) – É que o meu tempo foi muito curto, Sr. Presidente. É que o depoente usou...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Mas se interpretarmos assim, Senador Alvaro dias, vamos falar aqui durante vinte minutos cada Parlamentar.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB-PR) – Eu queria fazer todas as indagações para ele responder depois. Eu vou sintetizar. Só duas perguntas.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – O senhor quer que eu ouça primeiro?

O SR. ALVARO DIAS (PSDB-PR) – Só duas perguntas e depois responde, então, o Deputado Roberto Jefferson. A primeira delas: eu vi, numa entrevista sua, alguns nomes como beneficiados pelo esquema Furnas. V. Exª tem mais detalhes sobre isso? Certamente, não seriam apenas dois ou três Parlamentares. V. Exª fez referência a Parlamentares que teriam deixado o PSDB para ingressar em Partidos do Governo...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senador Alvaro Dias, por favor, eu pediria, senão vamos...

O SR. ALVARO DIAS (PSDB-PR) – Ok. Eu vou concluir. Essa está formulada. A última pergunta: V. Exª fez referência, em entrevista a uma rádio em Minas Gerais, a uma suposta relação da morte do Prefeito Celso Daniel, de Santo André, com o escândalo do “mensalão”. Gostaríamos que V. Exª esclarecesse essa relação. Que relação existiria entre o episódio de Santo André e o “mensalão”.

Depois, Sr. Presidente, vou encaminhar alguns requerimentos exatamente como conseqüência do depoimento de hoje do Deputado Roberto Jefferson. Não farei referência em função do tempo, mas ouço com satisfação.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senador Alvaro Dias, se V. Exª quiser, novamente, fazer questionamentos, V. Exª poderia se inscrever como 34º colocado na nossa relação de inscritos.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB-PR) – Vou poupá-lo, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Deputado Roberto Jefferson.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Assumo a entrevista e assino. Facilita para V. Exª. Eu assino o jornal. É a expressão da verdade.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB-PR) – Exatamente porque aqui passa a ter valor.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – A jornalista Renata Lo Prete traduziu ipsis verbis o que falei. Então assino o que está publicado no jornal Folha de S.Paulo.

A outra pergunta diz respeito... Eu fui procurado, quero dizer a V. Exª, pela família. Não é que eu faça conexão com o “mensalão”. Estou dizendo forma de financiamento porque lá são empresas de lixo e de ônibus que são um sistema que acaba levando a esse tipo de corrupção. Então fui procurado pela família, que fez um contato, me pedindo inclusive para advogar o processo na assistência de acusação. Isso é que eu quero dizer a V. Exª. E a informação que já recebo é que há uma conexão com financiamento, financiamento que viria de empresa de ônibus, financiamento que viria de empresas de lixo daquele Município. Não coloco isso vinculado ao mensalão. É que, no meio dessas questões do mensalão, saiu essa pergunta e respondi da forma como respondo a V. Exª.

O SR. ALVARO DIAS (PSDB-PR) – Só faltou V. Exª responder à primeira pergunta sobre a arquitetura de um projeto de poder que seria a razão maior de todo esse modelo de relação política.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – O senhor me pede para fazer uma avaliação política, então vou dizer a V. Exª o que eu penso. O Partido do Governo não tem um projeto político claro; tem um projeto de poder, porque não nos constrangeu apoiar o mesmo sistema econômico que foi, durante oito anos, o do Fernando Henrique. A política neoliberal esposada hoje até de forma mais ortodoxa pelo atual Governo foi a que nós apoiamos oito anos no Governo Fernando Henrique. E eu vi até no plenário, porque sou velho Deputado, tenho 23 anos de mandato, cenas de pugilato, de radicalismo total do Partido que ora é o Partido do Governo contra a política que era levada a cabo pelo Malan e pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso. Então, para mim não é um projeto político o projeto que tem o PT no Governo; é um projeto de poder. E entendeu alugar uma burguesia que entendia corrupta para não partilhar, primeiro, o processo decisório. Não chama ninguém para o processo decisório. Não somos chamados a pensar a concepção de uma medida provisória, que tem posto de cócoras o Congresso Nacional – essa quantidade de edição de medida provisória nos desmoraliza. A concepção de um projeto econômico que afeta até o agricultor na ponta de cá –estamos aqui sitiados por tratores da agricultura – vem tudo pronto dos técnicos legislativos que estão lá no Ministério da Fazenda. Eles não são feitos aqui por nós. Então, entendo isso. Não há um projeto político, há um projeto de poder e não quer partilhar poder com ninguém. Há uma concentração. O PT fez 20% das cadeiras no Congresso Nacional e detém 80% do poder na Esplanada dos Ministérios.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Obrigado, Deputado Roberto Jefferson.

Com a palavra o Deputado Murilo Zauith.

O SR. MURILO ZAUITH (PFL/PRONA-MS) – Obrigado, Sr. Presidente.

Deputado Roberto Jefferson, V. Exª tem passado nesta Comissão, nas outras a que o senhor foi, como na tribuna da Câmara, que V. Exª usou, toda uma experiência de vida como parlamentar – seis mandatos –, como advogado. Eu queria indagá-lo, porque V. Exª está pautando hoje o Brasil. Eu vou usar alguns termos que V. Exª senhor usou na tribuna, usou na Câmara, quando disse: “Provas não tenho, mas conto o que vivi esses anos”. E o que me deixa perplexo e me leva a fazer uma reflexão maior é que V. Exª pauta o Governo.

O Presidente Lula tem dois Ministros que foram indiciados pelo Supremo Tribunal Federal mediante o Procurador-Geral da República, Procurador-Geral de Justiça. E sobre esses dois o Presidente disse à imprensa que não era a imprensa que ia pautar o Governo dele para tirar Ministros. Até que eles fossem condenados, ele não teria nada para condená-los.

V. Exª, que tirou o Ministro José Dirceu, sente essa força que V. Exª teve de tirar o Ministro José Dirceu da Casa Civil? Porque logo que ele tomou posse aqui como Deputado Federal, no seu discurso na tribuna, ele disse que não tem processo nenhum na vida dele e ele foi demitido do cargo de Ministro da Casa Civil.

Hoje V. Exª mencionou, e está estampado nos jornais, que a diretoria de Furnas foi toda afastada. Foi V. Exª que deu o caminho para essa CPI aqui, quando disse: “Vocês vão conhecer um carequinha, de pombo-correio, chamado Marcos Valério, que é publicitário lá em Minas Gerais, repassa dinheiro, o chamado “mensalão” a partidos que compõem a base de sustentação do Governo.” Foi aí que o senhor criou a palavra “mensalão”.

A primeira pergunta seria essa: o senhor está agendando o Governo?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não, o Presidente Lula não é um homem que se deixa pautar. É um homem de bem, é um homem honrado, é um homem correto e tem hoje, na Casa Civil, uma mulher vertical.

Acho que o Ministro Gilberto Gil foi infeliz ao dizer que ela era uma mulher de dotes masculinos. Ele não conversou com ela sobre os dotes musicais. Ela conhece profundamente música clássica. A Ministra Dilma Rousseff é uma guerreira que nunca perdeu a sensibilidade. Conhece Puccini, Mozart, Wagner, conhece profundamente música lírica. É que ele não teve oportunidade, julgou pela imagem, não conversou com a Ministra que honra a Casa Civil do Presidente Lula. Não tenho condições de pautar o Governo, nem tenho essa veleidade.

O SR. MURILO ZAUITH (PFL-MS) – Por que o senhor julga que o Ministro José Dirceu foi substituído na Casa Civil e voltou a cumprir seu mandato de Deputado Federal, sem ter nenhum processo...?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Eu entendi e vou dizer a V. Exª o que disse a ele, que foi motivo de desentendimento entre nós lá no passado: ele deveria ter saído com o Waldomiro. Ele era a crise. Ele ficou e fragilizou a Casa Civil.

O SR. MURILO ZAUITH (PFL-MS) – O senhor disse na tribuna da nossa Casa: “José Dirceu, se você não sair daí rápido, você vai fazer réu uma pessoa inocente. Rápido, sai Zé.”

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Deputado, é porque as conversas mantidas com ele lá na Casa Civil eram republicanas e não-republicanas. Não era lugar de se conversar isso o quarto andar do Palácio do Planalto.

Tudo o que eu tratei na Presidência do PT, lá no prédio da Varig, na W3 Norte, foi homologado por ele na Casa Civil, até dinheiro de campanha. O não-financiamento de campanha, essa história de Furnas, tudo isso foi tratado com ele lá. Então, eram conversas republicanas e não-republicanas, incompatíveis com a função que ele ocupava. Agora, o Presidente está protegido, tenho certeza de que ele sai disso com toda a tranqüilidade.

O SR. MURILO ZAUITH (PFL-MS) – Outra pergunta: quando o senhor fala da fita... O senhor assistiu a fita num domingo à noite...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não, à tarde, na hora do almoço.

O SR. MURILO ZAUITH (PFL-MS) – Com o Dr. Salmeron...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Antônio Osório, na casa do Dr. Salmeron em Brasília.

O SR. MURILO ZAUITH (PFL-MS) – E ele pode confirmar isso aqui hoje.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – E eu digo o dia que foi. No dia 15 de maio, domingo, almoço com Salmeron e Osório. Assistimos à fita.

O SR. MURILO ZAUITH (PFL-MS) – Para entender o seu raciocínio, o senhor confirma que foi a Abin que fez essa gravação. Por que ela se tornou pública, essa gravação, se foi a Abin que fez? O senhor confirma também que a Diretoria de Informática dos Correios detém 60% das atividades bilionárias, que é comandada pelo...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – É o orçamento da empresa. A estrutura de poder toda da empresa é a Diretoria de Informática e de Transportes, aquelas operações.

O SR. MURILO ZAUITH (PFL-MS) – Por que gravou o diretor do PTB e essa fita foi divulgada à imprensa?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Tenho que perguntar isso para a Abin. Pegou o “petequeiro” e deixou de fora o Marcos Valério, o grande esquema. Isso eu não entendi. De um serviço de inteligência desse o Brasil não precisa! É um prejuízo para nós mantermos isso aberto.

O SR. MURILO ZAUITH (PFL-MS) – Mas o Governo publicando isso, a Abin tornando isso público, não traria prejuízo para o próprio Governo, como está trazendo?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não tenho dúvida. O próprio delegado da Polícia Federal que preside esse inquérito está questionando esses métodos da Abin. Estou vendo na mídia uma queda de braço do delegado titular do inquérito na Polícia Federal com a Agência Brasileira de Inteligência.

O SR. MURILO ZAUITH (PFL-MS) – Muito obrigado, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Muito obrigado, Deputado Murilo Zauith.

Concedo a palavra ao Deputado Onyx Lorenzoni.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Sr. Presidente, Sr. Relator, Deputado Roberto Jefferson, eu gostaria que o senhor retornasse à situação do Banco Rural, da agência de Brasília, e o senhor, rapidamente, nos dissesse desse local, já que...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Nono andar do prédio do Brasília Shopping tem uma agência, que é um escritório, para fazer pagamentos e saques. Recebi a informação de que ali tem sido operado o pagamento, desde que as coisas ficaram claras e as malas de dinheiro não puderam mais entrar aqui. Então, assessores de deputados têm ido ao prédio pegar 30 mil, 40 mil, 50 mil reais.

O SR.ONYX LORENZONI (PFL-RS) – O que eu quero perguntar para o senhor é o seguinte: desde que houve a revelação pública da existência do “mensalão”, as malas pararam de chegar, até porque Marcos Valério passou a ser monitorado. A manutenção do processo se dá nessa agência?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não sei se no presente, mas até há pouco tempo, no passado, sim. É a informação que tenho.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Sr. Presidente, queria sugerir a V.Exª, na ausência do nobre Relator, que fossem requeridas à administração deste prédio todas as identificações diárias de janeiro de 2003...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Vá mais atrás.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – ...até a presente data. E, também, após a identificação das pessoas e a conexão com Parlamentares, a identificação visual. É feito fotografia?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Há identificação, na portaria, das pessoas e quem leva o dinheiro tem que assinar.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – OK. Então, seriam os relatórios de presença diários.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Será requerido, Deputado Onyx Lorenzoni.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Obrigado, Sr. Presidente.

Deputado Roberto Jefferson, o senhor sabe dizer da existência, da utilização de influência política na montagem de esquemas de corrupção no sistema de publicidade do Governo?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não sei lhe dizer não, Deputado, não posso lhe informar isso.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – A Lei nº 10.683, que o Presidente Lula emitiu em 28 de maio de 2003, dispõe sobre a organização da Presidência da República, dos Ministérios e dá outras providências. Estabelece, no art. 4º, que “à Secom cabe a coordenação, a normatização, a supervisão e o controle da publicidade e de patrocínios dos órgãos e das entidades da Administração Pública Federal, direta e indireta, e de sociedades sob controle da União”.

Depois, no Decreto nº 4.799 (complementar), de 4 de agosto de 2003, que dispõe especificamente sobre a área de comunicação lá, no seu art. 10, § III, diz o seguinte: a Secretaria de Comunicação do Governo e Gestão Estratégica – Secom indicará a maioria dos membros da Comissão Especial de Licitação. Ou seja, haverá dois membros do órgão, e haverá, onde a licitação é feita na área de publicidade, três membros por indicação da Secom.

Na questão dos Correios me chama a atenção – e eu vou perguntar para o Sr. Antonio Osório, para os Presidentes que virão aqui, o senhor raciocine comigo – o seguinte: em 2003, foi feita uma licitação de R$72 milhões, onde a SMPB, é uma das empresas. Há mais a BEG e a Giovanni FCB. Corre todo o ano de 2004. No ano de 2004, o Sr. Marcos Valério, da conta da SMPB, saca R$16 milhões na boca do caixa. No final do ano de 2004 é assinado um termo aditivo, empurrando esse contrato – dentro da lei, é 25%, dezoito milhões – até o final de 2005. Por que os Correios podem operar o seu sistema de publicidade e propaganda com uma dotação orçamentária de R$18milhões, em 2005? Os Correios não diminuíram as suas agências, os Correios não diminuíram os seus funcionários e precisaram de R$72 milhões para 2004? Será por que era ano eleitoral? Qual a sua opinião sobre isso?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não sei avaliar isso, Deputado Onyx, não sei. Não posso lhe dizer, não sei, não tenho noção.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – O senhor acompanhou a ação do Ministro Gushiken em algumas das discussões que o senhor fez com a alta cúpula do PT?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Nunca. Nunca esteve presente conosco nessas tratativas políticas o Ministro Gushiken.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – No tema dos fundos de pensão, o senhor sabe de alguma influência ou controle de algum membro do Governo Federal?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Infelizmente, não, Deputado. Não posso lhe ajudar nisso.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Nas questões que envolvem Furnas, o senhor poderia relatar sinteticamente este caso de que o senhor recebeu a informação do Dr. Dimas para que isso conste dos autos desta CPMI?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Pois não. Para tratar do assunto com o Presidente Lula, nós levamos o currículo à Ministra Dilma, à Srª Sandra Cabral, que faz a seleção dos currículos na Casa Civil, e ao Ministro José Dirceu – três cópias. O currículo começou a transitar. Todo mundo dizia que era um técnico espetacular, um grande nome para substituir o Dr. Dimas. Mas a coisa não evoluía. Uma pressão grande de vários Deputados sobre mim, sobre o Ministro Walfrido, “não tira o Dimas, não tira o Dimas”. E eu percebi que o próprio Ministro José Dirceu não queria tirar. Toda hora, ele dizia: “Tem muita pressão. Tem pressão do Aécio; tem pressão do Papa, de gente lá de Roma. Quando houve o enterro do Papa, gente que está em Roma pressionou”. Entendi claramente que era o ex-Presidente Itamar Franco para não tirar.

E eu disse ao Ministro José Dirceu, numa dessas conversas que não são republicanas, que eu não sou problema, que eu não estava colocando a faca no peito de ninguém, que isso era um oferecimento ao Partido feito pelo Presidente Lula. Ele disse: “Eu vou acionar o Delúbio, e o Dimas vai procurar você.” E me procurou. No dia 13, na madrugada do dia 14, à uma hora da manhã, ele chegou a minha casa e conversou comigo como funcionava o esquema de Furnas. Explicou-me o seguinte: que Furnas deixa, sem problema, R$3 milhões por mês, a Diretoria dele. E que ele fazia os seguintes repasses: R$1 milhão para o Sr. Delúbio, PT Nacional; R$1 milhão para o Dr. Rodrigo, PT de Minas Gerais; R$ 500 mil para o Dr. Cury, para uma diretoria de um grupo de Deputados, que havia constituído esse diretor no princípio do Governo com o Ministro José Dirceu; e R$500 mil ficavam na diretoria. Voltei ao Ministro José Dirceu, relatei essa conversa, e ele falou: “Então, nós nos acertamos por cima, sem problema”. Eu falei: “Eu não sou problema para você. Preciso do financiamento para o PTB, o que a gente acertar está acertado”.

Voltamos ao Presidente da República na terça-feira, 26 de abril, às 10 horas da manhã, eu e o Ministro Walfrido dos Mares Guia. Participou da reunião o Ministro José Dirceu. O Presidente falou assim: “O Jefferson, vocês estão fazendo acordo para manter aquele cara, o Dimas? Aquele senhor (não vou falar essa expressão ‘cara’), aquele senhor, o Dimas?” Falei: “Estamos sim, Presidente”. Ele falou: “Eu não quero não. Eu quero tirar. Vocês não vão fazer isso. Aquele senhor está traindo o Governo, está fazendo o jogo do Governador de Minas Gerais, e eu não quero a permanência dele.” Aí a minha ficha caiu. Falei: o Presidente está vendido nisso. Falei: “Então, está bem. Insisto com o Spirandel.” Falou: “Então, vou mandar nomear o Spirandel. José Dirceu, nomeia o Spirandel. Peça a Dilma para fazer o Spirandel. Já passou em tudo, nos órgãos de informação, como é nome? Perfeito, tem apoio. Tem apoio de segmentos do PT; tem apoio de segmentos importantes do PT. Então, eu quero o nome, quero atender essa posição para o PTB”.

Saindo de lá, o Walfrido, antes de entrar no carro, na garagem, falou: “gostei, cartada de mestre. Esse cara se relaciona com todo mundo, é de todo mundo. Você jogou bem, moralizou o esquema. Gostei, Roberto.” E fomos embora.

A assembléia da empresa, Deputado Onyx, foi convocada para o dia 16 de maio, segunda-feira. A assembléia de Furnas foi convocada. O Presidente do Conselho de Furnas é o Presidente da Eletrobrás. Na época, o Dr. Silas Rondeau. Fomos jantar em minha casa, na segunda-feira à noite, eu, o Dr. (Roberto) Salmeron e Antonio Osório, no arder da crise da primeira publicação da revista Veja. Deram 9 horas da noite, toca o telefone celular do Dr. Salmeron. Era o Dr. Rondeau, lá do Rio, de Furnas, para onde havia viajado de manhã cedo, levando com ele o Dr. Espirandel, para informar que a Ministra Dilma Rousseff ligara para ele naquela hora mandando suspender a assembléia. Isso foi no dia 16, segunda-feira, às 21 horas.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado Onyx Lorenzoni, seu tempo já está esgotado. Pediria, até em consideração aos demais Parlamentares que estão inscritos, por favor...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – A questão Ezequiel, na ECT, obedeceu ao mesmo grau de problema, na sua avaliação? E concluo com a seguinte pergunta: o Ministro José Dirceu, o Delúbio e o Silvio são a conexão e o cérebro desses tentáculos que se estabeleceram por Furnas, pelos Correios e outros órgãos que tendem a surgir?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Eu afirmo isso sem nenhuma dúvida. A cabeça do sistema de corrupção é essa.

O SR ONYX LORENZONI (PFL-RS) – O nome V. Exª está dando: corrupção. Mas o sistema funcionava assim, e era para financiamento partidário e compra de Deputado?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sem dúvida. Há cooptação inclusive de Deputados. Há vários Deputados que chegaram, inclusive, ao meu Partido com nomeações feitas pelo José Dirceu, para poder compor a base de meu Partido.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Só um adendozinho. Essa operação... Porque eu chego aqui, eu sou Deputado de primeiro mandato, eu conheço uma pessoa chamada Waldomiro Diniz...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado Onyx Lorenzoni, gostaria que V. Exª concluísse, por favor.

O SR ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Mas eu acho que é relevante, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Mas nós precisamos atender os demais Parlamentares também.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Concluirei, Presidente, disciplinadamente, da mesma forma com que tenho atendido a todo os seus pedidos.

O Sr. Waldomiro Diniz agia na sombra, aqui do Parlamento, em 2003. Eu assisti conversas de Parlamentares que se transferiram de partidos políticos. Nesse esquema, ele era o braço operativo do José Dirceu, aqui dentro da Câmara dos Deputados, e auxiliou na montagem, no seu entendimento?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não posso lhe dizer isso. O que eu tratei? A Diretoria do Dnit, a Diretoria Financeira do Dnit foi tratada com o Silvio Pereira. Nós fizemos o Diretor, o Carlos Cotta, e toda a estrutura em baixo, até o gerente, é do PT, indicada pelo Sílvio Pereira.

Quando nós fizemos a diretoria da Eletronorte, toda a estrutura, diretoria, presidência, em baixo, tratada com o Silvio Pereira, era do PT.

Quando nós fizemos, lá no Rio de Janeiro, o Delegado Regional do Trabalho, a Chefia de Fiscalização e a Chefia de Vigilância de Medicina do Trabalho, Acidente e Medicina do Trabalho, indicadas pelo Silvio Pereira, do PT.

Quando nós indicamos a estrutura lá na Eletronorte, foi o Dr. José Carlos Martinez, ainda vivo, e era o Rondeau o Diretor Administrativo da Eletronorte, toda a estrutura em baixo nomeada pelo Sílvio Pereira.

Quando nomeamos o Presidente do IRB, toda a estrutura foi costurada e montada pelo Sílvio Pereira.

Quando o Senador Fernando Bezerra, do PTB, tentou indicar o Dr. Ezequiel, e não conseguiu, quero deixar claro isso aqui, não foi nomeado para a Diretoria de Informática.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Tecnologia.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – A tratativa foi feita com o Sílvio Pereira.

Quando nós tentamos fazer a presidência da Petroquisa, a tratativa teria que ser feita com o Sílvio Pereira, que não concordou, porque o indicado era dele e continua lá.

Ele participava da indicação de todos os cargos do PTB. Quem batia o martelo era o José Dirceu, mas a costura para preenchimento das funções era feita com o Silvio Pereira, Secretário-Geral do PT.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Obrigado, Deputado Roberto Jefferson.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Muito obrigado, Deputado Onyx Lorenzoni.

Concedo a palavra ao Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto.

O SR. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – Sr. Presidente, Sr. Deputado Roberto Jefferson, Sr. Relator, Srªs e Srs. Parlamentares, antes de qualquer coisa, quero dizer que foi de fato a coragem do Deputado Roberto Jefferson de dar uma entrevista à Folha de S.Paulo que garantiu a constituição desta Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. Digo isso porque, como membro da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, fiz um esforço hercúleo para evitar uma manobra da Base do Governo, que tentava, infelizmente, enterrar a CPI. Só que, diante das declarações do Deputado Roberto Jefferson, a Base do Governo não teve força para evitar que esta CPI acontecesse. Dito isso, quero afirmar, Sr. Presidente, que as peças todas estão se encaixando. Vou começar pelos Correios. Parece-me que a motivação do Sr. Arthur Wascheck, de promover o ato de arapongagem, estava toda ela relacionada com a disputa pela indicação da diretoria de tecnologia dos Correios. O Sr. Arthur Wascheck não quis comprometer apenas o chefe de departamento, o Dr. Maurício Marinho. Ele queria muito mais e ele estava a serviço de pessoas muito mais importantes. Talvez não tenhamos ainda elementos para fazer uma ilação, mas quero aqui levantar uma suspeita. Talvez, Deputado Roberto Jefferson, V. Exª possa depois emitir alguma opinião sobre essa suspeita que quero levantar. Imagino que o Dr. Eduardo Medeiros, então diretor de tecnologia, percebendo que poderia ter o seu cargo ameaçado, percebendo que, por um acordo político, seria exonerado da diretoria de tecnologia, foi um dos grandes responsáveis por toda essa gravação que aconteceu. O Sr. Eduardo Medeiros envolveu outras pessoas. Quero chamar a atenção aqui para alguns nomes. O nome do Sr. Petri e o nome do Sr. Adauto, porque hoje eu soube que o Sr. Adauto, que era o então diretor administrativo dos Correios até o Sr. Osório assumir. O Sr. Adauto foi o chefe da Comissão Especial de Licitação dos Correios Híbridos. Então, as coincidências são muito grandes, mas quero voltar à ilação que estou levantando. O Sr. Eduardo Medeiros, amigo do Sílvio Pereira, indicado por ele – o Sílvio Pereira, para aqueles que não sabem, é o secretário do Partido dos Trabalhadores –, percebendo que perderia o seu cargo, que seria exonerado, armou, com o apoio extra-oficial da Abin, aquela arapongagem e só levou para a publicação o que lhe interessava, porque detonava o PTB e, automaticamente, impedia que a mudança da diretoria fosse feita. Protegia, assim, o seu espaço, protegia o espaço do indicado, do Sr. Sílvio Pereira, que é o secretário do Partido dos Trabalhadores. Quero que o Deputado Roberto Jefferson faça algum comentário, se essa ilação, que não passa por enquanto de ilação, pode ou não ter fundamento. Deputado, queria apenas concluir todas as perguntas, porque senão o meu tempo, infelizmente, vai ser esgotado. A segunda colocação que faço é de que o Deputado Roberto Jefferson trouxe ao conhecimento da Nação brasileira a presença de uma figura que muito mais que um publicitário, um dono de agência de publicidade, era um operador de um dos maiores esquemas de corrupção que já foi montado neste país. Refiro-me ao Sr. Marcos Valério. Poucos de nós... Eu, por exemplo, não conhecia o Sr. Marcos Valério, nunca sequer tinha ouvido falar do Sr. Marcos Valério. Diante das revelações, apareceu o Marcos Valério, que me parece ser um dos braços desse amplo esquema de corrupção que foi montado no Governo Federal. Então, uma indagação eu faria ao Deputado Roberto Jefferson. Existe ou existem outros braços? Se existe ou existem, quais seriam os seus principais cabeças? Quais seriam os principais operadores? Será que essa relação que estamos vendo clara, que foi estabelecida entre Delúbio, Sílvio, José Dirceu e alguns outros, será que essa relação pode ter acontecido em outros órgãos, em outras estatais, envolvendo autoridades políticas ou membros do Partido que governa este País? Então, eu faço essa pergunta. Mesmo, Deputado, que tenha sido por uma suposição de V. Exª ou por ouvir falar ou por comentários, eu queria que V. Exª, se possível, pudesse nos comunicar se tem ou não conhecimento desses fatos. E ainda com relação ao Sr. Marcos Valério – veja como são as coisas –, ele não é um simples publicitário. Ele reconheceu, no depoimento prestado à Polícia Federal – pelas informações que eu tive –, que tratava com o Sr. Delúbio, que tratava com o Sr. Silvio, de assuntos administrativos do PT. Ora, o que é que um publicitário tem de tratar sobre assuntos administrativos do Partido dos Trabalhadores? Eu não consigo entender. Com toda a honestidade, eu não consigo. Ele sequer é o publicitário do PT. Ele sequer tem a agência do Partido dos Trabalhadores. Mas tinha o hábito de ligar, de duas a três vezes por semana, para o Sr. Delúbio, segundo declarações do próprio Sr. Marcos Valério – não são minhas; tinha o hábito de se encontrar com ambos para tratar de assuntos administrativos do PT. Então, está configurado que o Sr. Marcos Valério era um verdadeiro operador, que já cai em contradição, porque ele disse que a destinação dos 20 milhões seria para comprar bois. Só que agora já refez a sua informação anterior e, neste momento, ele afirma que o dinheiro era para pagar fornecedores. Eu nunca vi você tirar dinheiro do caixa para pagar fornecedor. Emite-se fatura e contrafatura. Então, o dinheiro era para pagar fornecedores; o dinheiro era para dividir o pro labore e os dividendos entre os sócios e para comprar ativos financeiros. Mas, muito bem. Isso vai ser objeto do interrogatório do Sr. Marcos Valério.

Mas veja, Deputado Roberto Jefferson, que a máscara caiu. O operador do PT se auto-revelou. Agora, ele está se auto-incriminando, porque não tem jeito. Os fatos falam muito mais alto do que as versões que se pretende dar a determinados assuntos.

Mas eu queria ainda, Sr. Presidente, no tempo que me falta, perguntar ao Deputado Roberto Jefferson um assunto importante. O Deputado Roberto Jefferson disse que esteve duas vezes com o Presidente Lula. Isso procede, Deputado?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Mais.

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – Não, digo: pelo menos no ano de 2005. Tenho duas informações e eu queria que o senhor as confirmasse ou não. O senhor esteve com o Presidente Lula, no dia 05 de janeiro de 2005, uma quarta-feira?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – No Palácio.

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – E o senhor esteve com o Presidente Lula, no dia 23 de março?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Eu estive com ele no dia 27 de janeiro também. No dia 23 ou 27 de janeiro. Eu posso olhar a minha agenda. Eu estive com ele duas vezes em janeiro.

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – Eu perguntaria a V. Exª...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Em março, umas duas ou três vezes; e em abril também.

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – Eu perguntaria a V. Exª: V. Exª informou o Presidente do esquema do mensalão?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – No meu segundo encontro com ele, no dia 23 de janeiro.

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – No dia 23 de janeiro?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Isso.

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – Aí, eu pergunto...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Ou 27 de janeiro. Eu não quero errar nisso, porque depois ficam assim “Ah, ele disse que foi dia 23; e foi dia 27”. Eu lhe dou pelo meu gabinete, Excelência, por favor, toda a minha agenda, corretinha. Eu não trouxe a agenda das ligações, porque eu sabia que ia ser requerida. Entreguei ao Relator; mas se V. Exª me pedir, trago a minha agenda certinha.

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – Eu não exigiria tanto da memória de V. Exª, até porque talvez eu também não me lembrasse do que fiz no dia 23 de janeiro.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT-MS) – Deputado Antônio Carlos Magalhães Neto,...

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – Sr. Presidente, eu quero...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT-MS) –…V. Exª dispõe de 52 segundos para concluir.

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – Sr. Presidente, V. Exª foi benevolente com todos. Espero que seja comigo também. Estou concluindo.

Então, o Deputado Roberto Jefferson, em janeiro, informou ao Presidente Lula do mensalão. Voltou a estar com o Presidente Lula, não voltou, Deputado Roberto Jefferson? Em março, quando V. Exª esteve com o Presidente Lula e que estava presente o Deputado e Ministro Aldo Rebelo, V. Exª voltou a tratar do assunto com o Presidente, não voltou?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Voltei.

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – Então, está configurado que o Presidente foi informado em janeiro do esquema do mensalão; não tomou providências. O Deputado Roberto Jefferson foi obrigado a, mais uma vez...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não, não, não...

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – ...falar com o Presidente sobre o problema e aí é que o Presidente mandou parar.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não.

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – O que eu indago a V. Exª – nem eu quero aqui construir uma realidade que não tenha existido: V. Exª esteve duas vezes, pelo menos, com o Presidente tratando desse assunto?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sim.

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – Pelo menos duas vezes...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sim.

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – Tratou do assunto do mensalão. Houve uma primeira informação, suponho eu que V. Exª não viu nada avançar, e aí houve uma segunda informação ao Presidente.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Deixa eu lhe falar. V. Exª me faz várias perguntas...

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – Se V. Exª me permitir, vou concluir, Sr. Presidente, para ouvir todas as respostas do Deputado Roberto Jefferson.

A última pergunta que faço – e quero também deixar V. Exª muito a cavaleiro, não quero constranger V. Exª de forma alguma.

Houve alguns acordos eleitorais nas eleições de 2004, nas campanhas municipais, onde o PT e todos os partidos disputavam as eleições com candidatos a prefeito pelo País? Se V. Exª se achar no dever ou se tiver condições – quero deixar V. Exª absolutamente confortável –, mas se V. Exª puder nos dar detalhes sobre os acordos feitos para as eleições de Belo Horizonte e Salvador, em que dois candidatos do PT disputaram as Prefeituras Municipais, eu agradeço e também encerro, Sr. Presidente.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Começo fazendo um preâmbulo por essa última pergunta de V. Exª. Não passou nenhuma tratativa de dinheiro nessas campanhas. Salvador era uma troca de cargo, um companheiro do PTB seria nomeado, preencheria uma vaga que existia numa outra diretoria do IRB, no Rio de Janeiro. Esse foi o acordo feito e não passou por dinheiro. Foi feito primeiro no prédio da Varig, na W-3 Norte, na sede do PT nacional, depois homologamos isso com o Ministro José Dirceu.

Um companheiro nosso da Bahia não sairia candidato, eu conseguiria retirar a candidatura dele, nós negociaríamos isso, para apoiar o candidato do PT e, em contrapartida, ele ocuparia um cargo na administração do IRB, no Rio de Janeiro.

Quanto ao Presidente Lula – acho que é a pergunta mais importante: quando o Presidente Lula me perguntou, em janeiro, o que era o mensalão falou: “Roberto, esclarece para mim o que é isso”. Quando eu esclareci ele tomou um baque.

Quando voltei a estar com ele em março – e aí estava o Ministro Aldo Rebelo, o Líder Chinaglia, o meu companheiro de Partido, o Deputado José Múcio – o Presidente falou: “Roberto, o que você está achando? Por que está esse envenenamento nas relações?” Eu falei: O mensalão matou.

As relações ficaram as piores do mundo, elas ficaram fisiológicas a ponto de troca-troca de dinheiro. Acabou. O mensalão está minando gravemente a nossa relação política com os partidos da base. É isso que vejo na má vontade da Câmara dos Deputados.

Mas eu já percebia, Deputado, que o Presidente ao saber, em janeiro, puxou o freio. Alguém do partido...porque temos que separar partido e governo. Ele, apesar de ser do PT, não é o Presidente do PT. Eu percebi que a coisa minou, porque as pressões cessaram sobre os meus Deputados.

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – Mas V. Exª entende – só para completar a pergunta – que foi necessário, mais uma vez, falar com o Presidente para que derradeiramente...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não, aí a conversa foi política, porque ele me perguntou por que estavam minadas as relações, a que eu atribuía a derrota do Greenhalgh, e sobre a iminente vitória que poderia vir do Tribunal de Contas de outro candidato que não era do PT. Era uma conversa política de espectro mais amplo, já não era uma coisa fundada no mensalão.

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente... (Inaudível) ...que eu gostaria que o Deputado respondesse pois tem tudo a ver com a CPI dos Correios. A primeira é com relação à disputa da Diretoria de Tecnologia e um possível envolvimento do Sr. Eduardo Medeiros nesse processo todo de “arapongagem” com a Abin, e a outra é do Sr. Marcos Valério.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não quero dizer que ele é responsável, mas quero chamar a atenção de V. Exª para a revista Veja. Quando ela saiu com esta informação do Marinho, esta reportagem que a Abin fez: “Roberto Jefferson indicou Antonio Osório”, está perfeito, irrefutável, fui eu mesmo e ele honra o PTB. “Michel Temer indicou João Henrique Almeida de Souza”. Perfeito! “Senador Hélio Costa indicou Carlos Eduardo Costa como diretor comercial”; “Ney Suassuna indicou Robson Viana da Silva, diretor de recursos humanos”; “José Borba indicou Ricardo Kadá, diretor econômico e financeiro”; PT... Bota PT, mas aqui é Sílvio Pereira. “PT indicou Maurício Coelho Madureira, diretor de operações”. Aí vem aqui, Fernando Bezerra indica Ezequiel Ferreira. Aqui a mentira da revista, aqui é que vi que houve uma acordo da revista com o governo. Porque a revista, para dizer a verdade, teria que ter dito: Sílvio Pereira, diretor Dr. Eduardo. Colocou aqui um cara que nunca foi diretor, que é o Ezequiel. A revista participou disso. E há depoimentos na Polícia Federal que mostram que o repórter que fez essa... Li vários depoimentos da Polícia Federal, não sei se do Jairo, do Joel, de ele junto, no carro, na hora da entrega da fita, de apanhar a fita. Está aí nos depoimentos da Polícia Federal, que V. Exªs podem requisitar. Suspeito claramente disso. Não sei se esse é o motivo, mas que a negociação passou pelo Sílvio Pereira, passou, não sei se foi aprovada.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral – PT-MS) – Obrigado, Deputado Roberto Jeferson.

Com a palavra o Senador Jefferson Péres.

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT-AM) - Boa noite, Deputado.

O SR. ROBERTO JEFERSON (PTB-RJ) – Boa noite, Senador.

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT-AM) – Vou ser muito breve, Deputado Roberto Jerferson, por dois motivos: Em primeiro lugar, evito questionamentos que geram muito calor e pouca luz. Segundo, não sou seu juiz, a avaliação ética da sua conduta está sendo feita no órgão competente, que é o Conselho da Câmara. E, em última instância, o seu julgamento será feito pelo tribunal da História. V. Exª quando...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral – PT-MS) – Pediria, por favor, silêncio, o Senador Jefferson Péres está com a palavra.

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT-AM) – V. Exª, quando fez as suas denúncias, dizendo que naquele momento tinha prova, sabia que ia para o julgamento da História. Ou as provas não apareceriam, e V. Exª ficaria como um grande mitômano, ou apareceria, e V. Exª passaria a ser um benfeitor do País, por ter trazido à tona todo esse lodo que realmente corre no fundo da política nacional, infelizmente.

Mas, Deputado Roberto Jefferson, eu nem ia lhe fazer essa pergunta, mas a farei a partir de uma resposta que V. Exª deu ao Deputado Onyx, e é en passant mesmo.

V. Exª respondeu ao Deputado Onyx que não tinha nada a dizer com relação a fundos de pensão. Mas creio – salvo engano meu, traição de memória – que, no programa Roda Viva, V. Exª fez uma referência e pediu que se investigassem os fundos de pensão. V. Exª se lembra dessa passagem da sua entrevista no Roda Viva?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Recordo-me, sim, Exª.

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT-AM) – Mas V. Exª não tem realmente conhecimento de fatos? É apenas uma intuição?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não sei quem opera. É uma intuição, mas não tenho nenhuma informação de operador.

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT-AM) – Muito bem.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Ele me perguntou o operador. Lá no Roda Viva – eu já revi a fita três vezes –, a pergunta foi a seguinte: se eu poderia dizer quais eram as áreas mais cobiçadas para a nomeação de cargos. Aí eu disse “inclusive fundos de pensão”.

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT-AM) – Deputado Roberto Jefferson, V. Exª, na verdade, é o criador desta CPI. Esta CPI não se justificaria apenas por aquela fita de um funcionário de terceiro escalão dos Correios recebendo propina. Foi V. Exª quem revelou um suposto esquema gigantesco de corrupção, que passaria pelas empresas estatais, que se irradiaria para o Congresso, com a compra de parlamentares, e que seria comandado do coração do poder pelo Sr. Delúbio Soares, que freqüentava o Palácio, com o pleno conhecimento do então Ministro José Dirceu. V. Exª tem certeza de que o então Ministro José Dirceu tinha conhecimento desse esquema todo ou é apenas um palpite de V. Exª?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não. Tudo o que tratei, tratei com José Dirceu: tudo o que conversei, até de negócios, de política, de campanha eleitoral, R$20 milhões, Senador. Tive uma reunião no PT, eu, José Múcio, Emerson Palmieri, Delúbio, José Genoino e Marcelo Sereno. Fechamos uma planilha de custos para financiamento das campanhas do PTB nacional – a eleição de vereador e prefeito, como é nacional, é mais cara que eleição de Deputado Federal –, de todo o Brasil. Vinte milhões de reais, volto a lhe dizer isso, que seriam pagos em quatro vezes de R$4 milhões. A primeira parcela chegou no princípio de julho, final de junho, princípio de julho. Foi aí que não mencionei do Banco Rural. E chamo a atenção de V. Exª para o seguinte: eu não contei, mandei botar no cofre e no armário – porque o dinheiro não cabia só no cofre, que é pequeno. Mas 70% das moedas não eram só do Banco Real, eram do Banco do Brasil. O esquema se amplia. Há saques no Banco do Brasil. Vejo que o Coaf mandou a lista de saques no Banco Rural, mas eles correspondem, vamos dizer, de R$4 milhões a R$1,5 milhão, R$1,2 milhão, se tanto; o resto é Banco do Brasil. Eu vi pela fita que envolvia o dinheiro, aquelas notas de cinqüenta e cem mil reais. Tudo isso era tratado com o José Dirceu. Essa operação inteira de Furnas foi tratada com José Dirceu; até os números, quero dizer isso a V. Exª.

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT-AM) – Quem levou o dinheiro ao PTB foi o Sr. Marcos Valério?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Marcos Valério.

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT-AM) – O próprio Marcos Valério?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Marcos Valério. Estive com ele duas vezes com certeza e uma vez no princípio deste ano, quando começou a crise grave do PTB, em setembro, pela falta do recurso assumido. Ele foi mandado pelo Delúbio ao PTB. Eu o recebi à tarde. Posso olhar a data para lhe dar com certeza. Vocês vão ver aqui - ele fala escrevendo num papel – que ele pega uma folha de papel em branco e começa a escrever.

Ele queria que eu propusesse no IRB a transferência dos depósitos do IRB de 600 milhões num banco na Europa, não sei qual, acho que na Suíça, para o Banco do Espírito Santo, em Portugal. E vinha fazendo números no papel. Estava ao meu lado o Emerson. Eu falei: “Ó Emerson, esse cara é maluco. Ele fala de dinheiro como se fosse um negócio assim banal, uma coisa assim... Ele fala como se a coisa caísse do céu”.

Aí, depois, liguei para o Genoíno e falei: “Zé, o cara é doido. Não é possível que isso...” Porque levar a mala é uma coisa, mas ir falar em negócio, propor um negócio pela direção do PT, pelo Delúbio e pelo Genoíno... Então, falei: “Ó Zé, esse cara é doido”. E ele falou: “Não, não, não, pode confiar”.

Então, eu entendo que ele era o PC Farias do sistema – ele operador. Ele não fazia só as contas de publicidade.

Foi V. Exª que me fez essa pergunta?

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT-AM) – Fui eu.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Ele não fazia só, a meu ver, operação na publicidade, não. Ele avançava em outras áreas.

Penso que respondi a V. Exª.

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT-AM) – Sim, mas V. Exª também disse - creio que numa das suas entrevistas - que contou, não sei em que data, ao então Ministro... Falou ao então Ministro José Dirceu sobre o “mensalão”...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Várias vezes.

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT-AM) – Várias vezes?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Várias vezes. Várias vezes. Várias vezes. Falei com o Zé Dirceu seis ou oito vezes sobre o “mensalão”.

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT-AM) – Sr. Presidente,...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Eu sentava com ele e dizia assim: “Zé, está levando à desgraça a nossa relação na Câmara. A crise está no ‘mensalão’. A pressão que eu recebo diariamente no meu Partido é por causa do ‘mensalão’, que os que recebem ficam dizendo aos meus que recebem, e alguns dos meus querem o ‘mensalão’. E o meu problema é mantê-los no PTB”.

Falei isso com ele várias vezes. Não foi só com ele, não. Disse isso a outros Ministros, mas com ele, várias vezes.

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT-AM) – Sr. Deputado, eu estou satisfeito com suas respostas. Agora eu quero me dirigir ao Presidente da Comissão e ao Relator.

Sr. Presidente, esta Comissão foi criada para investigar um fato determinado, suposta corrupção dos Correios. Mas, a partir da entrevista do Deputado Roberto Jefferson, uma entrevista sem provas, como ele mesmo disse, os fatos foram aparecendo e se concatenando.

O Sr. Marcos Valério tem um contrato com os Correios, milionário. Não importa se houve fraude ou não - isso é um fato a investigar. Prova que ele tinha... Recebia dinheiro do Correio com um contrato muito alto. Ele se confessa amigo, amigo mesmo do Sr. Delúbio Soares. Confessa que foi quatro ou cinco vezes à Casa Civil e conversou com uma Srª Sandra sobre banalidades, o que é inverossímil. Está provado que o Sr. Marcos Valério retirava dinheiro vivo, comprovando o que lhe havia dito o Deputado Roberto Jefferson. Mesmo que sejam R$21 milhões, nenhum empresário sério deste País movimenta tal quantia em dinheiro vivo. Nenhum! Isso é uma evidência do que disse o Deputado Roberto Jefferson.

Então, não vou falar nem no depoimento da secretária, que deixa muito a desejar, mas o Sr. Delúbio Soares tinha um contrato com o Correio, retirava dinheiro vivo, milhões, tinha... Era amigo do Sr. Delúbio Soares, apontado pelo Deputado como o grande operador do esquema, e teve contatos com o Deputado, com o então Ministro José Dirceu.

Sr. Presidente, esses fatos todos são de suma gravidade. É preciso que uma pessoa seja insensível, irresponsável para não concluir que, se verdadeiros, são de extrema gravidade.

V. Exª, Deputado Roberto Jefferson, aceitaria uma acareação?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – A hora que o senhor..

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT-AM) – Com Delúbio e Dirceu?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – A hora que V. Exª marcar.

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT-AM) – Sr. Presidente, meu caro amigo Senador Delcídio Amaral, esta Comissão vai ouvir depoimentos de pessoas que já depuseram na Polícia Federal e no Ministério Público. Entretanto, o que é importante e relevante para a sociedade brasileira toda é saber se é verdade - e até que ponto - que o Ministro José Dirceu, no coração do poder, comandava ou supervisionava esse esquema. Se não fizermos isso o quanto antes, Sr. Presidente e Sr. Relator, esta comissão vai caminhar celeremente para a irrelevância.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Obrigado, Senador Jefferson Péres. Se entender como oportuno, V. Exª poderia encaminhar esse pedido numa reunião interna, numa reunião administrativa da comissão, e analisaríamos essa solicitação.

O SR. JEFFERSON PÉRES (PDT - AM) – Farei isso, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Meu caro Senador César Borges, V. Exª tem a palavra por dez minutos.

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, pela ordem.

Estou vendo que o depoente está sendo assistido.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não, não. Estou prestando atenção. Sem problema.

O SR. (Orador não identificado) – Está sendo assistido. Talvez fosse melhor...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sem problema. É só que inchou um pouquinho.

O SR. (Orador não identificado) – Isso. Poderíamos aguardar o tratamento, Sr. Presidente.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não, não, vamos tocar.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PTB-MS) – O Deputado Roberto Jefferson já tinha me dito que seria, ao longo desta reunião...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – É que eu ainda não tirei os pontos. Só isso.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PTB-MS) – É que ele não tirou os pontos do ferimento; então, dá um pouquinho de secreção.

Meu caro Senador César Borges, V. Exª tem a palavra.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Sr. Presidente, V. Exª poderia restabelecer meu tempo, porque ele já é pouco e...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PTB-MS) – Eu pediria aos técnicos do Senado Federal que tomassem essa providência, inclusive com uma diferença de vinte segundos.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Muito obrigado, Sr. Presidente. Agradeço o ágio concedido ao meu tempo.

Sr. Presidente, Sr. Relator, Srªs e Srs. Senadores, Srªs e Srs. Deputados, Deputado Roberto Jefferson, acho que V. Exª entende muito bem a sua presença hoje no cenário político brasileiro – é inegável -, a partir das suas declarações.

Tenho uma convicção, Deputado Roberto Jefferson, de que tentaram atingir o seu Partido, PTB, e a sua figura. Para mim, por meio de depoimentos aqui, ficou bastante claro que houve uma armação e que lhe fizeram de alvo. Acontece que o tiro, na verdade, foi dado no alvo que estava fixado num paiol de pólvora, que foi a conseqüência desse tiro feito contra o seu Partido e a sua figura. V. Exª tem, repetidas vezes, declarado que sentiu que havia essa armação. A partir daí, tomou uma posição, que sua consciência lhe ditou, de escancarar para a Nação tudo o que V. Exª sabia.

Acho que é isto que queremos aqui, efetivamente, no dia de hoje: a sua total e completa sinceridade para expor aquilo que V. Exª sabe. No depoimento, por exemplo, na Câmara dos Deputados, V. Exª não falou em Furnas, mas hoje lemos, na Folha de S.Paulo, que V. Exª trouxe elementos novos a toda essa situação triste para o País - eu diria esse mar de lama – com a questão de Furnas, que já teve, aliás, conseqüências.

Então, o que eu perguntaria, bem objetivamente: na entrevista da Folha de S.Paulo, V. Exª afirma que o dinheiro para pagar o “mensalão” vem de operações de empresas do Governo com empresas privadas; o senhor acredita, tem certeza de que a Empresa de Correios e Telégrafos é uma dessas empresas?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não posso lhe afirmar isso, mas o Marcos Valério opera com os Correios.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Então, é uma ilação ou uma suspeição que V. Exª faz?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sim, porque a pergunta é se o dinheiro sairia de empresa pública. Não, não sai da empresa pública; sai da empresa privada na relação com a empresa pública, mas não sai da empresa pública. Essa é a minha resposta, Senador.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Sim, mas existiria, por exemplo, um superfaturamento para as empresas do Sr. Marcos Valério, que seria feito a partir dos contratos com as empresas públicas estatais?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não posso dizer isso a V. Exª. Não sei dizer isso a V. Exª.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Muito bem.

V. Exª sabe de outros esquemas que poderiam estar por trás disso, acontecendo em outras estatais, com outra contratação de empresas privadas que tivessem relação com estatais que estariam repassando recursos?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Senador, penso que V. Exª vai... a CPI vai precisar investigar o Sílvio Pereira, porque na área de petróleo quem manda é ele. Toda decisão que tem que ser tomada – nomeação da Transpetro, da Petrobras, da Petroquisa – passa por ele. Toda operação nessa área é ele que faz. Então, ele tem que vir aqui explicar como é que funciona isso, qual é o controle que ele tem, o que ele detém de poder. Não posso lhe dizer.

Posso relatar a V. Exª... O que relatei foi desse acordo político feito na sede do PT. O Deputado Genoíno me disse, e o Delúbio também, que eu seria procurado por esse rapaz, o Marcos Valério, esse senhor. E ele não me procurou. Levou lá a primeira parte, que foi tratada. Desse eu sei falar porque eu conheci. Depois, ele voltou ao PTB – vou lhe dar certinho, na agenda. Ele voltou este ano para tratar desse assunto, IRB, a transferência de depósitos. Mas as outras áreas eu não posso lhe informar.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Mas V. Exª, hoje, citou suspeições sobre outras estatais. Falou em Eletronorte, em Furnas, em Dnit...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não, isso foi... Não, o Dnit... tem um ex-funcionário...

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Quais são os elementos que V. Exª possui com relação ao Dnit?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Eu gostaria de indicar um nome. Mandarei para cá um dossiê de um ex-funcionário do Dnit que foi diretor da área, sabe como é que se opera toda a estrutura e quer vir depor.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – V. Exª pode declinar o nome?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – José Pimentel.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Eu gostaria de que o Relator anotasse para que pudéssemos ouvi-lo.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Está registrado, Senador César Borges.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Ainda tenho cinco minutos, Sr. Presidente.

V. Exª, em seu depoimento na Câmara, também falou de ter recebido os R$4 milhões, que o PT lhe deu, mas que, conversando com o ex-Ministro José Dirceu, hoje Deputado, ele disse: “A Polícia Federal é meio tucana e meteu em cana 62 doleiros.”

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Confere, é verdade.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – “A turma que ajuda não está podendo internar o dinheiro no Brasil.”

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Confere, é verdade, Senador.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Então, eu pergunto: além do esquema de operações com empresas do Governo e com empresas privadas, há também um esquema de internalização, de doações que venham de outros países, de paraísos fiscais? Porque V. Exª falou: “podendo internar o dinheiro no Brasil.” Quer dizer, há uma conexão externa para a vinda desses recursos?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não posso lhe dizer.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Mas V. Exª afirmou, Deputado.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não. Isso foi a minha conversa com ele ainda Ministro. Quando chegou o ápice da crise, em setembro do ano passado, em que o Deputado Luiz Piauhylino fez aquela denúncia à Veja, em que eu cheguei a uma situação de crise absoluta na Presidência do Partido, tive uma reunião da executiva em que quase caí. Todo mundo reclamava o cumprimento do acordo que não foi feito. As palavras eram as mais ásperas possíveis, Senador. Só encontrei defesa no Deputado Eduardo Seabra. Foi o único que me defendeu.

Aí, fui ao Ministro José Dirceu. Falei: Zé, está esgarçando ao ponto de eu não conseguir mais controlar o meu Partido. O que foi tratado não foi cumprido. Ele falou: “Roberto, não está dando. Os doleiros foram presos. Não há como internar dinheiro. A turma que ajuda não está podendo ajudar.” Isso é que ele me disse e eu repito.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Isso leva à conclusão de que poderia estar vindo dinheiro, lavagem de dinheiro externo, entrando no País para isso. Inclusive, V. Exª terminou dizendo que o ex-Ministro José Dirceu informou que “a turma que ajuda” não podia mais internar o dinheiro no Brasil.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sim.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – É isso?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Foi a frase dele para mim.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Muito bem. Agradeço-lhe.

Mais uma pergunta. V. Exª falou também muito em encontros que se dariam a partir de uma sala que haveria no Palácio do Planalto. Declarou, inclusive, quando se referiu à questão dessas reuniões: “Genoíno, Marcelo Sereno, Delúbio Soares, José Dirceu, que sempre soube de tudo. Várias conversei com Genoíno e com Delúbio no gabinete do Ministro José Dirceu. Tudo era tratado com o conhecimento dessas pessoas e do Sílvio Pereira.”

Pergunto-lhe: de quantas conversas o senhor se lembra de ter participado naquela sala do Palácio do Planalto com aquelas pessoas? Sabe mais ou menos o período, Deputado?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Umas dez, umas doze. No primeiro ano de Governo, em 2003, na montagem de toda essa estrutura que falei a V. Exª, umas doze conversas. É um salinha no fundo, no quarto andar, onde ficava, no início, o Sílvio Pereira; depois, foi ocupada por Marcelo Sereno. Em várias reuniões, fizemos ali a composição, quem faria o diretor de quê. O PP indicaria um; o PL, outro; o PT, outro; o PTB, outro; a turma de baixo do PT. Sempre com o Sílvio Pereira ali. O Genoíno participava dessas reuniões, batia o martelo ali e depois íamos para a sala do José Dirceu.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – V. Exª não estranhava que pessoas dirigentes de um Partido político despachassem dentro do Palácio do Planalto sobre essas questões?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – É um critério subjetivo meu. É um critério subjetivo meu, mas eu estranhava, sim.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Por fim, o que tenho notado nas suas declarações é que V. Exª teve o cuidado de falar com várias autoridades do Governo sobre o suposto do “mensalão”. Falou com o José Dirceu.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Várias vezes.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Que não se importou e não tomou providências. Falou com o Ministro do PTB, Walfrido Mares Guia. Falou com o Presidente do PT, José Genoíno.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Um, hum!

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Falou com o Ministro Ciro Gomes.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Um, hum!

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Falou com o Ministro Palocci.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Falei.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Dentro da sua declaração.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Falei.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – E falou também com o ex-Ministro Miro Teixeira.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Falei.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Muito bem. Nenhum tomou nenhuma providência efetiva?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não, senhor.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Aí, V. Exª resolveu por bem falar com o Presidente da República e disse a ele sobre o mensalão. Tenho aqui a sua transcrição: “Eu tenho contra mim essa tentação do mensalão que o negocio está enfraquecendo o senhor na Casa”. Ele falou: ‘Mas que é mensalão, Roberto?’ Quando eu contei: ‘Eu sou um homem vivido. Tenho mais de 200 júris feitos na minha vida. Tenho uma trajetória. Tenho 23 anos de mandato”, a reação do Presidente foi de facada nas costas: ‘O que é isso?’ Eu contei, as lágrimas desceram dos olhos dele”.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – É verdade o que eu estou falando ao senhor.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – É verdade. Muito bem. Mas eu sinto que V. Exª conduz sempre para isentar o Presidente Lula de qualquer responsabilidade. Mas, a partir daí, ele não tomou nenhuma medida efetiva para coibir, para denunciar à nação, para acusar aqueles que estivessem fazendo uma prática tão delituosa para as instituições?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Acusar à nação, não. Mas instaurar inquérito na Polícia Federal eu tenho informação.

O SR. CÉSAR BORGES (PFL-BA) – Sim, mas nós não sabemos publicamente de nenhuma medida, tanto que a imprensa sempre faz uma análise: ou o Presidente é inepto, porque deixa ocorrer um fato tão grave no seu Governo sem providências, ou comete crime de prevaricação, de irresponsabilidade. Então, não há como isentá-lo, uma vez que foi V. Exª que trouxe à cena a participação do Presidente da República e ele reconheceu. Ele reconheceu que V. Exª nunca desmentiu a sua assertiva.

E eu encerraria, Sr. Presidente, dizendo isso é muito grave, porque envolve o primeiro mandatário da República. O Presidente disse que o Deputado Roberto Jefferson era seu parceiro e que daria a ele um cheque em branco. Eu só dou à minha mulher. Se eu não der, ela briga comigo. Mais do que isso, não dou a ninguém. Mas o Presidente disse que daria ao Deputado Roberto Jefferson. Então, não venham agora o Presidente ou os seus correligionários do Partido dos Trabalhadores tentar desqualificar as declarações do Deputado Roberto Jefferson, que, neste momento, está tendo credibilidade, porque os fatos estão-se ligando. As correntes estão-se encadeando, mostrando à nação, infelizmente, como é que ela foi assaltada neste atual Governo. Muito obrigado, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Concedo a palavra à Deputada Juíza Denise Frossard, por dez minutos.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS-RJ) – Poderia colocar o meu counter ali, Presidente?

O SR. (Orador não identificado) – O que ela pediu? Senhora?

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS-RJ) – Não, não. Não comecei.

Deputado Roberto Jefferson...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Pois não, Juíza.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS-RJ) – Cumprimentando-o, devo dizer-lhe, iniciando as minhas perguntas, que só quem conhece e tem coragem é que fala o que V. Exª acabou de falar agora.

Vou fazer algumas perguntas ao senhor. Não vou fulanizar. Ouvindo aqui esse esquema, eu anotei o seguinte: como é que era decidido que um Partido ficava com este cargo e o outro Partido ficava com o outro? Por exemplo, quem ficava com a diretoria ou aquele ficava com a Presidência ou ficava com aquele cargo que fura poço e sai petróleo.

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

Enfim, qual a lógica que havia nisso? Eu queria saber o seguinte: Quem decide? É por número de votos? É pelo valor do cargo? Como é que era isso, a lógica disso? Porque o desenho já está feito, V. Exª fez com uma precisão perfeita, mas a lógica é que eu queria que V. Exª me explicasse.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Quem construía embaixo, Juíza Frossard, a organização e a distribuição das diretorias, era o Silvio Pereira, e o martelo era batido depois, na Casa Civil, pelo Ministro José Dirceu e, mais tarde, com o Ministro da Pasta. Quem construía, por exemplo, o IRB? O PTB fez a Presidência, o PP fez a diretoria comercial, a diretoria administrativa foi feita pelo ex-Ministro Delfim Netto, o Vice-Presidente era homem do Ministro Palocci; o diretor financeiro, homem do Ministro Palocci. Toda essa costura embaixo, assim, quem fazia era o Silvio Pereira. Depois ele levava à Casa Civil, o Ministro José Dirceu fechava e comunicava ao Ministro da área para poder executar aquelas nomeações.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS-RJ) – Mas a minha pergunta da lógica, Deputado, é: por que se quer um cargo que fura o poço e sai petróleo? Como é isso? Que lógica é essa? Me perdoe, eu sou...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Mas esse não entrou no PTB, esse não passou pelo meu Partido.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS-RJ) – Não, não. Eu iniciei dizendo que o senhor conhece, que o senhor tem coragem. E mais: eu acho que o senhor pode prestar um serviço à Nação de abrir esse esquema para, depois que se verificar tudo isso, mudá-lo, porque, senão, vamos viver de crise em crise – o senhor mesmo diz isso. É apenas esperar a próxima crise. É isso.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – O que eu entendo da pergunta de V. Exª? V. Exª quer me perguntar se esses cargos ajudam ao financiamento dos Partidos. É isso?

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS-RJ) – Isso.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Ajudam. E vou explicar a V. Exª como, a regra que eu tenho no PTB. Primeiro, a empresa pública. Disse isso sempre aos meus companheiros diretores. Segundo, o interesse da empresa privada que se relaciona; se é possível, na relação, a empresa privada ajudar por dentro, no caixa, o Partido, fazendo doações. É assim que funciona há anos, sempre foi assim. Essa é a discussão que eu gostaria de abrir aqui, e V. Exª, com muita sapiência, o faz. É assim que funciona. Toda essa disputa, Juíza Frossard, passa por aí.

Por que os Partidos buscam nomear os cargos de Governo? Para ter um homem numa área importante de decisão, que estabeleça uma relação com as empresas privadas que gravitam em torno dessa área para, na seleção de algumas – isso respeitando parâmetros éticos –, pedir àquele empresário que possa contribuir com o caixa do Partido que representa aquela pessoa. É assim que funciona, Juíza Frossard.

O SR. PEDRO SIMON (PMDB-RS) – É muito difícil.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS-RJ) – Agora, o senhor acha...

O SR. PEDRO SIMON (PMDB-RS) – É muito difícil, Deputado. Na prática...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Concordo com V. Exª, Senador. Já ouvi discurso de V. Exª denunciando isso várias vezes.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS-RJ) – Eu também.

Deputado Roberto Jefferson, o senhor acha que, diante disso que o senhor acaba de me dizer, seria conveniente aqui para nós, que estamos nesta CPI, ouvirmos os Presidentes dos Partidos? O senhor acha? Isso aqui é uma orientação que eu lhe peço.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Eu acho que sim. A senhora pode perguntar...

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS-RJ) – Seria conveniente?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Se a senhora quiser, eu venho discutir com eles os critérios, como foram.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS-RJ) – Pois não. E, finalmente, Sr. Deputado Roberto Jefferson, devo lhe dizer que tudo o que estou vendo e ouvindo aqui é muito novo para mim. Eu venho de uma área onde as coisas... E o senhor a conhece muito bem, embora nós nunca estivéssemos estado juntos, o senhor na tribuna e eu presidindo um júri – fui Presidente do Quarto Tribunal do Júri – mas...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – A senhora foi depois da minha época, um pouquinho depois...

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS-RJ) – Exatamente.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – ... das minhas atuações.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS-RJ) – Essa área é uma área muito definida, mas é uma área em que todas as pessoas têm que falar, como V. Exª faz, a verdade, seja ela qual for, e é uma área em que se tem que ter coragem. Eu confesso para o senhor que, depois de tudo isso que ouvi aqui, estou estarrecida. Quero fazer-lhe uma pergunta de quem não tem essa vivência, de quem chega a essa cadeira nova. Eu lhe disse isso a primeira vez que nos encontramos aqui. Eu lhe disse: “Eu não tenho... eu não sou do ramo; eu não sou do ramo”. Pois bem. V. Exª tem mais de vinte anos de mandato. Sempre foi assim em todos os Governos?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sempre foi assim, Juíza Frossard; sempre foi assim.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS-RJ) – Obrigada.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sempre foi assim, Juíza Frossard.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Concedo a palavra ao Deputado Henrique Fontana pelo prazo de 10 minutos.

O SR. HENRIQUE FONTANA (PT-RS) – Agradeço a V. Exª, Sr. Presidente.

Cumprimento o Deputado Roberto Jefferson, todos os colegas Deputados e as Deputadas.

Existe um problema,...

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

O SR. HENRIQUE FONTANA (PT-RS) – ... na minha opinião, Deputado Roberto Jefferson, do qual não podemos fugir. Podemos falar de muitos assuntos: do sistema político brasileiro, dos vinte anos de mandato de V. Exª, dos problemas gravíssimos de como se financiam campanhas no nosso País – por isso, sou um defensor absolutamente convicto do financiamento público exclusivo e republicano de campanhas. No entanto, não podemos deixar de analisar que chegamos a esta CPMI porque há uma acusação. Nos Correios, há um foco de corrupção. Levantam-se teses sobre quem teria gravado a fita e com que objetivo, mas não podemos levantar teses sobre o que está escrito ou dito na fita. Ali podemos ler claramente, como o fiz na transcrição, Deputado Roberto Jefferson, que V. Exª, na minha opinião,...

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

O SR. HENRIQUE FONTANA (PT-RS) – ... tem uma forte proximidade com o Sr. Maurício Marinho. Com toda a franqueza, Deputado Roberto Jefferson, ele diz quatro, cinco, seis vezes: “Nós somos um time. Ele sabe tudo. É o nosso Partido, é o nosso Presidente. Está para cair fulano, vai nomear beltrano”. Ou seja, acreditar que tudo isso era um conjunto de bravatas parece-me ser uma das grandes fragilidades da fala de V. Exª. Talvez para ter coragem mesmo, V. Exª deveria assumir que participou daquele esquema de corrupção nos Correios.

A minha convicção é de que estou na frente de um homem que está falando muitas coisas sobre a história política deste País; em algumas tem razão. Quero investigar todas, mesmo aquelas que acho em que não tem razão. Mas estou na frente de um homem – tenho muita convicção de dizer – que já mentiu muito ao longo de sua vida e está mentindo também em muitos momentos neste processo. Estou na frente de um homem contra o qual pesam indícios fortíssimos de envolvimento com corrupção naquele foco que estamos investigando nos Correios.

V. Exª foi explícito ao dizer: “Eu procurei falar com o atual Governo. Falei com A, falei com B, falei com C. Eu estava disposto a fazer um acordo. É possível segurar a mídia?” V. Exª queria, mais uma vez, a proteção para acobertar um processo de corrupção. E estou orgulhoso do meu Governo, porque não houve esse acobertamento. V. Exª não encontrou a proteção que queria, e a investigação foi adiante, e V. Exª, ao estar cada vez mais perto de se encontrar envolvido, evidentemente diz: “Agora, vou trocar de lado. Vou trocar de lado mais uma vez”, porque V. Exª trocou de lado muitas vezes na sua vida pública. É verdade que sempre no mesmo Partido, mas já apoiou, com muita convicção, um Governo que foi o mais corrupto da história deste País: o Governo Collor.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Só perde para o atual, Excelência.

O SR. HENRIQUE FONTANA (PT-RS) – O mais corrupto da história deste País.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Só perde para este.

O SR. HENRIQUE FONTANA (PT-RS) – V. Exª tem sua opinião, e eu tenho uma diferente. V. Exª foi, como diz, da tropa de choque do Governo mais corrupto deste País. E pergunto: por que nunca disse nada, Deputado Roberto Jefferson? Por que nunca ajudou a cidadania deste País a enfrentar a corrupção? Por que, agora, diante de tão graves acusações, V. Exª procurava as reuniões reservadas para negociar proteção? V. Exª não procurou o Ministério Público para falar um terço do que diz saber. V. Exª não procurou a Polícia Federal nem foi pedir investigação no Governo.

Agora, Deputado Roberto Jefferson, segue outro problema: V. Exª virou acusador geral da Nação – mas depois de estar sob forte acusação. E vou investigar tudo. O PFL já reage, o PSDB, dizendo: “Ainda bem”. Também estou feliz. Quero apurar tudo, porém pretendo evidentemente investigar V. Exª e quebrar o seu sigilo bancário para verificar se V. Exª não participou de nenhum desses tantos atos ilícitos que está narrando.

Custo a acreditar, Deputado Roberto Jefferson, que, se há um esquema de “mensalão”, como V. Exª diz, o seu Partido esteja absolutamente preservado – é o Partido das santidades nesta política tão difícil. V. Exª chega a dizer, Deputado Roberto Jefferson, sobre questão das mentiras. Ouvi uma entrevista sua, afirmando, numa rádio do Rio Grande do Sul, que não houve dinheiro do PT para o PTB; depois, que houve dinheiro do PT para o PTB. Fico me perguntando quando V. Exª mente e quando diz a verdade. Quando lhe convém? Conforme a circunstância? Para se proteger melhor? Ou há realmente um interesse republicano de combater a corrupção?

Deputado Roberto Jefferson, fico pensando numa passagem da sua fala no Conselho de Ética, tratando da nomeação do Dr. Lídio para a Presidência do IRB: “Disse que sentaria na Presidência do IRB e ajudaria o PTB; que iria juntar um grupo de cinco ou seis brockers”. Repare bem, Deputado, disse-se que há diferença quanto a Partidos e que cada um daria R$60 mil. Essa era uma espécie de mesada para o PTB, usando cargos públicos, ou para V. Exª? É o que está por trás do que V. Exª mesmo falou durante o depoimento?

Há também outra passagem muito interessante de V. Exª quando fez a primeira defesa na tribuna da Câmara; na época, V. Exª dizia o seguinte: “Que conversou com o Presidente Genoino e que, de fato, o dinheiro não veio até porque o Presidente Genoino teria dito que não está dando nem para sustentar as nossas campanhas, quem dirá a sua”. Foi o que V. Exª disse. V. Exª afirmou ali que o Sr. Maurício Marinho era um excelente servidor e deu toda uma explicação – que não vou ler, porque o meu tempo é muito curto –, defendendo o Sr. Maurício Marinho, que hoje alega mal conhecer. Será que, quando aparece essa fita, tudo o que o Sr. Maurício Marinho diz é bravata e tudo o que V. Exª fala é verdade? É muito maniqueísmo, Deputado Roberto Jefferson.

V. Exª tem uma longa história, como disse. Foram cerca de 20 anos de mandato e de política. E tentou, inclusive, intimidar os Deputados, dizendo que queria ver que Deputado faria, de fato, uma inquirição porque V. Exª alega ter todo mundo na mão.

Deputado Roberto Jefferson, também penso como V. Exª, ou seja, que o Presidente Lula é um homem digno e honrado. Meu Partido não é perfeito. Estou há 20 anos construindo o PT, mas é um Partido honrado, digno, que conquistou credibilidade nesta sociedade com bastante trabalho, combatendo muito a corrupção inclusive no tempo em que V. Exª não estava muito interessado em combatê-la.

Houve outras questões, Deputado Roberto Jefferson, que V. Exª afirma em suas falas: “Tentei tirar o PTB do mensalão”. Mas, afinal, o PTB estava no tal “mensalão” se é que ele existia? Só tiramos alguém de um lugar em que está.

Deputado Jefferson, V. Exª tem acusado muitas pessoas num forte ambiente de denuncismo no País; e investigaremos tudo porque a única maneira de combater as denúncias é punir os culpados e dar o atestado de idoneidade para quem não tem culpa. Não é V. Exª, evidentemente, que vai julgar cada um dos casos. E aí lhe pergunto: Nesse processo de tantas entrevistas, etc., V. Exª esteve no Roda Viva e ali V. Exª disse que o ex-banqueiro José Eduardo Andrade Vieira foi um dos financiadores, por dentro e por fora, da primeira campanha de Fernando Henrique Cardoso em 1994. “Tinha caixa dois, sim, senhor, e vocês sabem disso”, disse V. Exª aos jornalistas no Programa Roda Viva”. Num primeiro momento, houve repasse do PTB para o PSDB na campanha do Presidente Fernando Henrique. Uma parte foi declarada. A outra parte, segundo Jefferson, não foi declarada ao Tribunal Superior Eleitoral. Mais tarde, segundo ele, o PSDB destinou dinheiro ao PTB sem registro na Justiça Eleitoral.

Eu pergunto se V. Exª reafirma essa acusação que fez e, se reafirmar, se V. Exª pode nos explicar os detalhes desse processo. Quanto dinheiro foi? Como foi? Quem entregou? E assim por diante.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – V. Exª apenas tenta desqualificar meu depoimento, mas penso que, na minha trajetória de vida, fui mais coerente que V. Exª.

O meu Partido jamais teve financiamento de bicheiros. O do Rio Grande do Sul foi um escândalo que o PT recusou a fazer a CPI, porque varreu para baixo do tapete o envolvimento do Sr. Olívio Dutra com os bicheiros do Rio Grande do Sul.

O SR. HENRIQUE FONTANA (PT-RS) – Vou pedir ao Presidente para usar da palavra depois de ouvir...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – V. Exª vai me escutar agora!

O SR. HENRIQUE FONTANA (PT-RS) – Eu vou, lógico! Só quero usar da palavra depois de V. Exª. Só depois. Existe réplica.

(Tumulto no recinto.)

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não tem Cachoeirinha no PTB, não, Deputado, nem Valdomiro Diniz!

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra, o Deputado Roberto Jefferson e, então, concluímos e vamos passar a palavra ao próximo orador, Deputado Asdrúbal Bentes.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – No meu Partido, não tem Cachoeirinha, não, Deputado, nem Valdomiro Diniz, aliás, essa intimidade zoológica é do Partido de V. Exª.

Quanto à coerência, eu sou mais coerente que V. Exª, porque eu não cuspo nas minhas bandeiras de luta. Apóio o modelo neoliberal esposado pelo Ministro Palocci, que V. Exª combatia ao paroxismo quando era o Ministro Malan. É fácil apoiar o PT, porque a política econômica é mais ortodoxa que aquela neoliberal do Governo do Presidente Fernando Henrique. Eu não mudei. Quem mudou foi V. Exª e o Partido de V. Exª. De campeonato de corrupção, o PC Farias é pinto perto do que eu estou vendo hoje! Pinto! Advoguei para o Presidente Collor.

Eu não o suportava pessoalmente, Deputado Henrique Fontana, de quarto mandato: dois de Vereador, lá no Rio Grande do Sul; e agora, dois de Deputado Federal. V. Exª não é nenhum neófito. É um político de carreira. Eu não o suportava pessoalmente. Achava-o arrogante, pedante. E era Líder do Bloco PTB/PFL o Deputado Luís Eduardo Magalhães, meu amigo pessoal. Eu, advogado criminal, professor de Processo Penal. Ele me pediu que fosse para aquela CPI e eu me apaixonei pelo processo, porque tudo que via escandalizado na CPI, que o Partido de V. Exª era um dos que mais barulho fazia e ontem tentou impedir – e V. Exª ajudou – quebrar as contas do Marcos Valério. A ética de V. Exª funciona em mão única! V. Exª, ontem, nove horas, tentou impedir as quebras do sigilo das contas de Marcos Valério. E não vai me dar lição aqui de ética e de moralidade! E eu quero dizer a V. Exª que, no total como advogado, eu vi movimentados naquelas contas fantasmas do PC Farias R$64 milhões, a conta dos fantasminhas. Só por dentro nas contas do Sr. Marcos Valério no Rural tem R$45 milhões! Meça o tamanho do que vai acontecer! Eu depois vou ter outro encontro com V. Exª para esse campeonato de ética e moralidade que V. Exª arrosta. Não estou aqui para levar lição moral de V. Exª nem de comportamento político. V. Exª não quis me fazer pergunta, quis me desqualificar, mas não aceito a desqualificação de V. Exª porque não há um filete de água pura em um cano de esgoto e V. Exª não é o único limpo do PT.

Devolvo a V. Exª as increpações que me fez, de mentiroso, de desonesto e de corrupto.

O SR. O SR. HENRIQUE FONTANA (PT-RS) – Sr. Presidente, só para esclarecer que a CPI que ocorreu no Estado do Rio Grande do Sul, quando foi analisada pelos Tribunais Superiores e pelo Ministério Público, todas as acusações feitas contra o nosso Governo estão arquivadas, e o Deputado ... (Tumulto no Plenário. Interrupção no som.) ... o Deputado ACM Neto também pode pedir a última pergunta e quero a resposta sobre a questão do financiamento da campanha de Fernando Henrique Cardoso, que o Deputado Roberto Jefferson não respondeu. Eu quero a resposta. Ele disse que eu não fiz pergunta e não respondeu. A questão que ele falou no Roda Viva...

O SR. PRESIDENTE (Delcidio Amaral. PT-MS) – Com a palavra...

Deputado Roberto Jefferson, somente a pergunta sobre a ...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Eu Não tenho mais nada a dizer a S. Exª. Nada a dizer.

O SR. PRESIDENTE (Delcidio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Deputado Asdrubal Mendes.

O SR. ASDRUBAL BENTES (PMDB-PA) – Sr. Presidente, Sr. Relator, Deputado Roberto Jefferson, Srs. Deputados, Srs. Senadores, depois da alta temperatura a que chegou este plenário com a intervenção do Deputado Fontana, espero, com a minha tranqüilidade cabocla da Amazônia, trazer um pouco da calmaria que as águas do rio Amazonas transferem para os cidadãos e que o verde das florestas traz para o espírito de cada um de nós.

Não estamos aqui, penso eu, para prejulgar ninguém. Não estamos aqui para incriminar quem quer que seja. Estamos aqui para apurar com seriedade e com profundidade, mas com muita serenidade – esta é a tônica do meu Partido –, os fatos que estão denunciados às escancaras por toda a imprensa nacional.

Conheço V. Exª desde a Assembléia Nacional Constituinte, quando nós, muitas vezes, noites adentro, estivemos no plenário da Assembléia Nacional Constituinte defendendo pontos de vista que, àquela altura, nos eram comuns e que continuam sendo até hoje, como o direito de propriedade e tantas outras coisas. V. Exª demonstrava àquela altura, já no segundo mandato, muita visão, tinha o dom da oratória, da eloqüência e um grande poder de persuasão.

Diz V. Exª que não veio aqui hoje a esta Comissão nem na condição de advogado nem na condição de político, mas na condição de cidadão. Mas o que V. Exª demonstrou é que veio nas três condições, de cidadão, de advogado e de político, porque, a exemplo do que fez na outra comissão, na Comissão de Ética, em que V. Exª deixou estarrecida e embevecida a população brasileira pela sua eloqüência, pela sua oratória, pelo seu poder de persuasão, enfim, V. Exª conseguiu, desde aí, mudar o roteiro. V. Exª, que entrou na Comissão como acusado, passou a ser o grande acusador e o grande responsável pela existência desta Comissão. Daí porque é muito importante que V. Ex.ª esteja aqui para prestar estes esclarecimentos que toda a sociedade brasileira quer conhecer. V. Exª pertence ao PTB há muitos anos, já o conheci nesta Casa no PTB, como V. Exª me conheceu no meu velho PMDB. Então, V. Exª, aqui, disse que participou também do Governo passado. É claro, o PTB apoiava também o Governo passado de FHC, como o PMDB também apoiava. V. Exª me parece que, no último mandato, era líder do PTB na Câmara, enquanto o saudoso Martinez era o Presidente.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Correto, Deputado.

O SR. ASDRUBAL BENTES (PMDB-PA) – Então V. Exª deve ter participado de muitas reuniões do Governo FHC para a divisão dos cargos com que o PTB foi aquinhoado.

Pergunto eu: os critérios para a divisão dos cargos eram os mesmos de atualmente?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – V. Exª quer que eu responda imediatamente?

O SR. ASDRUBAL BENTES (PMDB-PA) – Se puder ser breve, porque nós estamos diante da ditadura do tempo.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Deputado Asdrubal, deixe-me falar a V. Exª. No segundo governo do Presidente Fernando Henrique, o PTB não participou do Governo. Nós participamos do primeiro. Nós tínhamos o Ministro da Agricultura, que era o Dr. José Eduardo Andrade Vieira, depois o Senador de Minas Gerais, cujo nome está me fugindo, Arlindo Porto, e tivemos o Ministério do Trabalho, com Paulo Paiva. Tivemos integralmente esses dois ministérios. Os ministérios, suas secretarias e suas delegacias.

No segundo governo do Presidente Fernando Henrique, nós tomamos a decisão, a partir de mim, Líder, de José Carlos Martinez, Presidente, meu irmão, que Deus o guarde, do Ministro Walfrido dos Mares Guia e do meu companheiro Luiz Antonio Fleury, de não participar com cargos no Governo do Presidente Fernando Henrique.

Para quê? Havia sobre nós, Deputado Asdrubal Bentes, uma pecha muito forte de fisiologismo. Nós queríamos virar um pouco a folha desse passado, que muito nos marcou, de fisiologismo.

Fomos ao Palácio e o Ministro da Articulação Política, naquela época, era o Deputado Luiz Carlos Santos. Estivemos reunidos com o Presidente Fernando Henrique, toda a nossa Bancada, comunicamos a ele o seguinte: que íamos apoiar integralmente o seu Governo, porque acreditávamos nas idéias que ele esposava na globalização, e não queríamos cargos na administração pública. Por quê? Para podermos construir o que construímos depois, do que todo mundo duvidou. A imprensa duvidou. O único jornal que não duvidou do PTB foi a Folha de S. Paulo, quando nós dissemos que apoiaríamos a candidatura de Ciro Gomes a Presidente do Brasil.

Nós não participamos, por isso eu não posso responder a V. Exª sobre critério. Porque nós não ficamos no Governo, apoiamos Ciro Gomes e, no segundo turno, a candidatura do Presidente Lula. Nós não participamos com cargos, com critérios de nomeação de cargos, no Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso. No segundo governo.

O SR. ASDRUBAL BENTES (PMDB-PA) – Mas no primeiro, sim.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Mas aí eu já não articulei. Eu não era líder, não era comigo a articulação.

O SR. ASDRUBAL BENTES (PMDB-PA) – Tudo bem. Então gostaria de fazer algumas indagações. E como o tempo urge e a Mesa vai cumprir os 10 minutos, eu gostaria de indagar e V. Exª teria tempo suficiente, depois, para responder.

V. Exª fez referência rápida, aqui, a conseqüências do dito “mensalão” na eleição da Câmara e, depois, na eleição de Ministro do Tribunal de Contas. Poderia explicitar melhor? É a primeira pergunta.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Explicito.

O SR. ASDRUBAL BENTES (PMDB-PA) – Permita-me fazer todas as indagações, para que eu possa aproveitar o meu tempo.

A outra indagação é com relação à verba para campanha que o PTB recebeu, e que não adianta reprisarmos, porque todos já sabem quem trouxe recursos, de onde vieram, e que V. Exª acha que, em conseqüência desses recursos que outros partidos recebem, ocorreu o mensalão.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Pela ordem, Sr. Presidente. Os advogados não podem se comunicar durante o depoimento.

O SR. ASDRUBAL BENTES (PMDB-PA) – Sr. Presidente, restitua-me o tempo, por favor.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não, não foi o advogado. Isso aqui me veio do Deputado Arnaldo Faria de Sá. Posso mostrar.

O SR. ASDRUBAL BENTES (PMDB-PA) – Por favor, Sr. Presidente, restitua-me o tempo. Garanta-me a palavra.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senadora Ideli, é direito dele esse suporte dos advogados.

Meu caro Deputado Asdrúbal Bentes.

O SR. ASDRUBAL BENTES (PMDB-PA) – Fui interrompido por uma questão de ordem. Quero que me restitua o tempo.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Senador, entenda, chegou do Deputado Arnaldo Faria de Sá.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – É um texto do Deputado Arnaldo Faria de Sá, da própria palavra do Deputado Arnaldo Faria De Sá.

Deputado Asdrubal Bentes.

O SR. ASDRUBAL BENTES (PMDB-PA) – Deputado Roberto Jefferson, V. Exª falou que o PTB recebeu R$4 milhões, de um total de R$20 milhões, para campanha política.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Certo, Deputado.

O SR. ASDRUBAL BENTES (PMDB-PA) – Esses recursos seriam divididos com candidatos a prefeitos de vários municípios do País? Chegaram a ser divididos? Com que municípios...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – O senhor quer que eu responda agora, ou tem mais perguntas?

O SR. ASDRUBAL BENTES (PMDB-PA) – A seguir, porque está terminando meu tempo.

Com que municípios e se houve a prestação de contas na forma da lei. Porque entrou o recurso para a campanha política, deve ser aplicado em campanha, então deveria ter a contrapartida dos recibos eleitorais. Mas me parece que V. Exª falou aí, em outro depoimento, ou em uma entrevista, que precisaria o PT dar a origem dos recursos, ou ele se encarregou depois de, numa outra reunião, passar o recibo ou coisa que o valha para que V. Exª pudesse comprovar junto ao Tribunal a origem do recurso, não é isso?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Já é para responder?

O SR. ASDRUBAL BENTES (PMDB-PA) – Essa é a penúltima pergunta.

A quem V. Exª atribui a ação da Abin, segundo V. Exª manipulada por segmentos do Governo, já que V. Exª isenta integralmente o Presidente Lula? Quais seriam esses segmentos que estariam influenciando na Abin ou até junto a uma rede de rádio, jornal e televisão – que V. Exª diz que noticia e que certamente é a responsável por muitas das acusações que lhe são feitas, inclusive por parte dessa denúncia de corrupção nos Correios, que foi a Abin que fez, segundo V. Exª, a “arapongagem”? A quem V. Exª atribui, a quem ou a que segmentos do Governo, já que o Presidente Lula está totalmente isento, segundo V. Exª?

São essas as perguntas, já que o tempo esgotou.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Começo pela última.

Sr. Deputado Asdrubal Bentes, minha convicção é de que toda matéria que vazou contra o meu partido saiu da Casa Civil, com a ajuda da Abin. Toda verossimilhança dos cargos, das indicações estavam arquivadas na Casa Civil. Aquilo tudo vazou para o jornal pela mão da Casa Civil num concerto com a Abin. Não tenho nenhuma dúvida de lhe afirmar isso.

Quanto aos R$4 milhões, recebi para o PTB e para as coligações do PTB em São Paulo, em Belo Horizonte, em Goiânia, em Rio Branco, no Acre, e em Curitiba. Só que, como conheço a regra e fechei com o Deputado José Genoíno, no final, a legalização da doação e ele não me deu, não posso admitir isso e não vou admitir, como Presidente do PTB, sob pena de cancelar o registro de meu partido. Se V. Exª me perguntar doou, talvez, mas não digo nem amarrado na árvore, levando “facãozada”, nem amarrado na árvore, levando “facãozada”, eu conto a respeito disso. Quero lhe dizer isso. Morre comigo a informação. Não vou prejudicar inocentes, não vou prejudicar. Recebo na pessoa física e assumo a responsabilidade civil e criminal disso. Quero dizer isso a V. Exª por lealdade a pessoas inocentes que não podem ser envolvidas nisso por omissão do Presidente do PT e erro meu, Presidente do PTB.

V. Exª me fala do “mensalão” da Presidência da Câmara e no TCU. Eu vi claramente a insatisfação instalada, porque o “mensalão” tratado em 30, ora era 15, ora era 20, e havia um comentário que havia grupo de 50. Foi a pior Legislatura que vivi na minha vida.

Sou Deputado Federal desde o Presidente Figueiredo. Nunca tinha ouvido falar em financiamento de partidos da base pelo Partido do Governo. Foi só nesta Legislatura. Foi a maior provação que vivi. A Presidência do PTB não me deu felicidade. Ela me honrou porque culminou com a minha trajetória, vinda de Presidente do PTB da minha cidade, Petrópolis, onde fundei o Partido com meu pai. Fui vereador duas vezes pelo PTB. Lá, presidi o PTB do Estado do Rio durante oito anos. Fui vice-líder do Gastone Righi aqui na Câmara dos Deputados, sete; vice-líder do Deputado Nelson Marquezelli, um ano. Fui líder da Bancada cinco anos, e presidi o Partido por dois.

O momento mais infeliz da minha atuação parlamentar foram estes dois anos como Presidente do PTB, porque a pressão era brutal, Deputado, porque alguns levantavam a mala assim para os Deputados do PTB. E pena que não tenha deputados com coragem no meu partido, que não querem fazer a ruptura que fiz. E eu dizia: “Ô cara, vai lá e avisa àquele malandro que se ele tomar deputado do PTB na mala, dando essa luva e esse mensalão, eu vou para a tribuna e vou contar a história da maçã”. Mas não têm coragem de vir a público e dizer isso para V. Exªs.

Então, quando capenga a minha versão, capenga dentro de Casa, porque para fora estou mostrando que sabia, e as coisas vão se casando. Eu percebi nitidamente que essa queda de braço contaminou a Câmara. Primeiro, o candidato foi ruim, o candidato que o PT... Não pela qualidade moral. Um homem de qualidade moral, o Greenhalgh, mas não dava bom dia a ninguém. Quando resolver disputar a eleição, começou a cumprimentar as pessoas no corredor.

Funciona com a gente assim: quando a gente vai a uma cidade no interior, anda de carro fechado, com ar refrigerado e Insulfilm, depois volta para pedir voto, não vai ter. E ele fazia isso aqui. Andava com a cabeça baixa, pelo canto, é timidez, entendo. Foi Presidente da Comissão de Justiça, todo projeto importante ele se nomeou relator. Então, só tinha prestígio, ele só aparecia, plim, plim: “Vai falar o Greenhalgh!”. Ficaram 50 deputados contra S. Exª lá, trabalhando contra. Nós dissemos isso ao Presidente: “Presidente, vai perder. O candidato é horrível. Vossa Excelência tem o Virgílio, que dá uma lavada. Vossa Excelência tem o Chinaglia, que vai dar uma lavada”. Sua Excelência vai com um homem para perder. Sua Excelência insistiu. “Vossa Excelência manda um candidato que era fraco, não moralmente, politicamente, quero insistir aqui, Vossa Excelência manda isso!” Essa conversa do “mensalão” que permeava a disputa entre os partidos para ver quem tirava do outro, para poder somar, para fazer mais número na Mesa, ter mais comissão, indicar os cargos de comissão, um troço terrível que acabou levando naquela insatisfação à eleição do Presidente da Câmara. E o TCU. Vi aquela articulação brutal para se derrotar o PT.

Eu, eu, Roberto Jefferson, chamei todo companheiro meu que dependia de uma relação afetiva comigo há mais tempo, não alguns que foram colocados mais recentemente pela mão do Deputado e ex-Ministro José Dirceu, a esse não tinha como pedir, mas aos que eram mais próximos a mim pedi que votassem no candidato do PT. Está aqui um candidato que disputou a eleição do Tribunal de Contas e é o Relator desta Comissão. Amigos nossos no Paraná me ligaram pedindo que votasse em S. Exª. E eu respondi, com toda a sinceridade: “Vou votar no candidato indicado pelo PT para respeitar a nossa aliança com o Governo”. Chamei todos os meus companheiros lá na Liderança do Partido, todo mundo querendo votar no Severino. Digo: “Gente, aqui, se vocês vão votar, não alardeiem, vocês vão desmoralizar a mim e ao Líder. Temos uma aliança com o Governo. O meu candidato é o Greenhalgh. Está aqui. Meu voto é de S. Exª. Quem é meu irmão vem comigo nisso. Quem votar no Severino não precisa alardear, porque vai desmoralizar o Presidente e o Líder do Partido”. Foi assim. O “mensalão” influenciou porque desagregou a relação dos partidos da base com o Partido do Governo.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Relator.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – A propósito da primeira pergunta levantada pelo Deputado Asdrubal Bentes, muito rapidamente, ainda sobre a Abin. Não sei se V. Exª, Deputado Roberto Jefferson, chegou a perceber ou, enfim, teve a informação de que quem estava por trás, filmando, era o mesmo Jairo Martins que filmou o episódio que causou todo aquele transtorno para o Deputado José Dirceu. Quem filmou Waldomiro foi o mesmo que instrumentalizou e fez tudo agora, para pegar o Marinho. Como V. Exª atribui isso a uma indústria, a um engenho do José Dirceu, será que tanto lá ele foi vítima quanto aqui ele teria sido vítima junto com V. Exª?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Os analistas de informação da Abin não são os homens de campo. Os homens de campo são como fortuna. Pode ser na época do Curió, na época do SNI, ou da Abin, bastou pagar, vai e faz. O Jairo é a mesma coisa. Esse jogo sujo da inteligência não é a inteligência que faz, ela contrata.

Eu vi aqui, no depoimento na CPMI daquele Wascherck, que ele transferiu dinheiro para conta do Molina. Depois, o sócio dele veio dizer que discordava dessa atitude dele. Eu tenho assistido aos trabalhos da CPMI. Estou em casa e estou ligado aqui, estou monitorando, estou vendo.

Esse jogo sujo não é o agente da Abin, o funcionário da Abin que é qualificado que faz, o que analisa a informação. Isso é dinheiro que eles pagam. Ouvir um empresário ou o sistema de financiamento para essas informações por dentro das contas do Governo, eu não sei se são secretas, não sei como funciona. Mas a Abin não se expõe nisso, põe seus ex-agentes, que ora servem a um lado, como servem ao outro. Ora serviram ao Governo do Fernando Henrique, agora servem ao Governo do Presidente Lula.

O SR. RELATOR (Osmar Serraglio. PMDB-PR) – Obrigado, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PTB-MS) – Com a palavra o Deputado Eduardo Paes.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares, Deputado Roberto Jefferson, passamos as duas últimas semanas aqui, ouvindo depoimentos de figuras que, supostamente, seriam os autores daquela gravação feita ao Sr. Maurício Marinho. Confesso a V. Exª que, o tempo todo, tínhamos que pressionar essas figuras que aqui estiveram, porque estava claro que essas figuras mentiam. Elas mentiram o tempo todo e não mostraram, em nenhum momento, que tivessem qualquer tipo de ligação no processo de gravação.

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

Não mostraram, em nenhum momento, se conheceram ou tenham se reunido para fazer aquela gravação. Portanto, o que ouvimos aqui, nas duas últimas semanas, foram mentiras.

O Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, quando indagou V. Exª, desenvolveu aqui uma tese sobre um conflito interno, já que o Sr. Maurício Marinho, apesar de ser um funcionário de terceiro ou de quarto escalão, tinha a possibilidade de transitar em vários contratos de outras diretorias dos Correios.

O que eu quero dizer, Deputado Roberto Jefferson, é que, no seu primeiro depoimento, ainda na Comissão de Ética, as pessoas contestavam a veracidade das suas afirmações. Eu me lembro de que, naquele dia, muitos de nós dissemos: “O Deputado Roberto Jefferson confessa algumas irregularidades, confessa erros cometidos e, ao mesmo tempo, aponta erros cometidos pelos outros”. Portanto, as informações que V. Exª apresentava naquele momento já continham, para boa parte dos Parlamentares desta Casa e para a opinião pública que tem lhe assistido, um altíssimo grau de veracidade.

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

V. Exª esteve aqui há duas semanas, Deputado Roberto Jefferson. É incrível como, ao longo dessas duas semanas, boa parte ou quase a totalidade das denúncias que V. Exª fazia vai sendo confirmada. A verdade vai surgindo.

Hoje, V. Exª volta aqui, consolida algumas informações prestadas ali e traz uma informação nova e importante, que é a informação do suposto local ou agência bancária onde se buscava o tal do “mensalão”.

Portanto, Deputado Roberto Jefferson, faço essas considerações, porque penso que todos nós aqui, diante dos fatos que vêm se repetindo a partir das declarações e informações que V. Exª presta, os Deputados, os Senadores que querem a verdade, que querem investigar, o que vão é aproveitar a oportunidade da sua presença aqui diante das câmeras, e diante dos seus depoimentos, e tentarão identificar mais informações para que possamos nos aprofundar nessa investigação e, aí sim, encontrar a verdade. E, pelo que consta até o momento, parece que V. Exª tem tido e tem trazido, o tempo todo – os fatos vêm se confirmando –, a verdade em seus depoimentos.

Aliás, V. Exª confirma a verdade quando fala, pede a cabeça de alguém do Governo e essas pessoas são demitidas. O Governo acredita certamente nas suas informações e sabe muito bem a que V. Exª está se referindo. Mas eu quero aproveitar esta oportunidade, Deputado Roberto Jefferson, para lhe indagar algumas outras informações.

V. Exª trouxe à luz a figura do Marcos Valério como um dos operadores do mensalão. Eu gostaria de indagar se V. Exª conhece o empresário – talvez eu faça as indagações, Deputado Roberto Jefferson, todas de uma vez...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – O senhor quer que eu vá respondendo?

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Se o Presidente me permitir ter um pouco de tempo a mais... (Pausa.)

Perfeito, então, eu vou perguntar e, depois, V. Exª responde.

O senhor conhece o empresário Fernando Moura, amigo de Silvio Pereira?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – O senhor tem conhecimento de algum favorecimento à empresa de informática Cobra em contratos com o Governo ou estatais?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Qual é – se V. Exª tem ciência disso – a ligação do ex-Presidente do Banco Popular, o Sr. Ivan Guimarães, e outros diretores do Banco do Brasil com o Sr Marcos Valério?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não sei.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – V. Exª não tem noção.

Além de Furnas, que V. Exª aponta hoje na entrevista à Folha de S. Paulo, e das agências de publicidades, quais seriam essas outras fontes do chamado mensalão? V. Exª teria outras informações? Tem desconfiança ou informações?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Eu tenho desconfiança, porque o esquema da agência de publicidade do Sr Marcos Valério era o de Furnas, e o recurso que eu recebi para o PTB, 70% dele era do Banco do Brasil. Ele não retirou só de Furnas os recursos dos 4 milhões.

Vamos dizer, Deputado – eu não contei os maços de dinheiro quando mandei guardar no cofre, no armário –, que tenha um 1,2 milhão do Banco Rural e os outros 2,8 milhões eram do Banco do Brasil, e eu não vi na lista da Coaf, na matéria da revista ISTOÉ, neste final de semana, nenhuma alusão a essa movimentação altíssima, elevadíssima de recursos do Banco do Brasil. Isso é coisa que a CPI vai ter de apurar.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Ok. Na entrevista que deu ao Jornal do Brasil, no domingo passado, V. Exª fez referência a uma operação da Telmex. V. Exª se recorda?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Telmex... Eu não me recordo não. V. Exª pode esclarecer para mim o que é?

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Eu estou sem a matéria aqui, Deputado Roberto Jefferson, mas é a operação da compra da Telmex, parte da Telefônica, Embratel...

O Senador Heráclito Fortes me deu a informação de que V. Exª teria feito referência a essa empresa na sua entrevista.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Deputado Roberto Jefferson, V. Exª tem tido, nesta Comissão – aliás, em todos os seus depoimentos –, uma postura muito franca e aberta no sentido de dar as informações de que esta CPI necessita.

Quero dizer, Deputado Roberto Jefferson... Talvez o Senador Heráclito Fortes queira complementar...

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Eu disponho de tempo ainda. Talvez o Senador Heráclito Fortes possa me complementar aqui.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Estou mandando pegar a matéria para tirarmos a dúvida.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Perfeito. O Senador Heráclito Fortes está inscrito.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS. Fazendo soar a campainha.) – Eu pediria, Deputado Eduardo Paes, para não dividir assim, porque, dessa forma, será muito difícil de administrar...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Eu disponho de 03 minutos e 13 segundos... 12 segundos neste momento, Sr Presidente.

Deputado Roberto Jefferson, V. Exª – e aí é mais uma afirmação do que uma indagação – deve estar percebendo, e acompanhou muito bem durante o dia de ontem, que há, como parece praxe no Partido dos Trabalhadores, uma estratégia divercionista. Em vez de assimilar alguns dos episódios tristes da história do Partido e procurar resolver esses problemas, vimos, por exemplo, o Senador Eduardo Suplicy, que ali está, por ter assinado a CPI dos Correios, ser imediatamente retirado de uma chapa eleitoral do Partido dos Trabalhadores – diz aqui o Senador Sérgio Guerra que já teria sido devolvido. Vi figuras, como a Senadora Heloísa Helena, passarem por um processo de expulsão. O que temos visto, o tempo todo, é isso. Quando se fala de figuras que, já de certa forma, os indícios mostram que há envolvimento com o Sr. Marcos Valério, com o mensalão, com diversos desse episódios, essas figuras são intocáveis, Senadora Heloísa Helena. Lá permanecem e ninguém diz nada. Permanecem sendo defendidas, com unhas e dentes, pelo Partido dos Trabalhadores.

Quero dizer isso, Deputado Roberto Jefferson, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares, porque essa estratégia diversionista utilizada, por exemplo, pelo Deputado Henrique Fontana demandando questionamentos acerca do Governo passado, é para reafirmar, em nome do PSDB, que não temos e não teremos o menor problema em analisar todas essas questões relativas ao Governo passado. Essa é uma estratégia do Partido dos Trabalhadores que, ao invés de assimilar esses equívocos, esse erros, de tentar corrigi-los, enfrentá-los, entender que essa crise é do Governo, que foi feita pelo Secretário-Geral do Partido, pelo Ministro Chefe da Casa Civil, pelo Presidente do Partido, quer pôr a culpa na Oposição. Na verdade, a Oposição tem agido com responsabilidade e continuará buscando apurar os fatos desta Comissão Parlamentar de Inquérito, Sr. Presidente.

Obrigado.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Concedo a palavra ao Deputado Maurício Rands.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT-PE) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Deputados, Srªs e Srs. Senadores, Sr. investigado, Deputado Roberto Jefferson, Sr. Relator, estamos aqui em uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar denúncias que surgiram a partir da gravação de uma fita em uma empresa pública federal em que, segundo as evidências, V. Exª, Deputado Roberto Jefferson, estaria envolvido no esquema a partir da utilização de cargos públicos, que não são do quarto escalão, mas do primeiro escalão. São de diretoria administrativa – indicação de V. Exª – e de segundo escalão, chefia de departamento. Aliás, houve o relato do Sr. Maurício Marinho, que aqui veio, e mostrou profundo conhecimento dos esquemas de irregularidades que estão acontecendo nos Correios.

V. Exª passa uma versão que, talvez, o vitime por um paradoxo do sucesso.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Peço à assessoria do Senado que cronometre. O Deputado Maurício Rands está há uns três minutos falando. Peço a atenção da assessoria.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT-PE) – Três não. Dois minutos.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Nós cronometramos aqui. Peço a atenção da área técnica do Senado, por favor.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT-PE) – Vão descontar, não é? Eu recebi a palavra agora. São 6h:50.

Sr. Presidente, o Deputado Roberto Jefferson é acusado. Está sendo investigado por um episódio de corrupção. É reconhecidamente um político dotado de grande capacidade de oratória. Sua versão, já que papel aceita tudo, já que microfone aceita tudo, Deputado Roberto Jefferson, começa a ser fraca a partir do paradoxo do sucesso. Suas qualidades oratórias permitem a V. Exª, aparentemente, achar que basta desviar o foco das acusações em uma manobra diversionista, como falou o Deputado Eduardo Paes. Suas qualidades, Deputado Roberto Jefferson, permitem que V. Exª, aparentemente, ache que basta lançar acusações contra tudo e contra todos que essas acusações tornam-se verdadeiras. Só que V. Exª, até agora, não fez prova de quaisquer das acusações lançadas contra pessoas e contra instituições.

No depoimento de V. Exª, assim como em outras falas, já há uma série de contradições que cabe a esta CPMI investigar, uma série de conflitos entre o que V. Exª afirma e o que foi afirmado aqui em outros depoimentos e em fatos coligidos por esta Comissão Parlamentar de Inquérito.

Eu lembraria, por exemplo, o Sr. Molina afirma que, em nenhum momento, fez chantagem a V. Exª. E V. Exª afirma que foi chantageado pelo Sr. Molina, lá naquela reunião, na Câmara dos Deputados no dia 03 de maio.

O Sr. Maurício Marinho diz que, uma vez abordado pelo Sr. Molina, o Senhor determinou a entrega da fita.

O Sr; Wascheck disse que foi ele quem fez as gravações porque tinha interesses contrariados contra uma pessoa que participava das articulações que o Senhor tinha nos correios. O Sr. Arthur Washeck afirmava que ele tinha contratado o Sr. Joel Santos, o Jairo Martins, para fazer a investigação, e não a Abin como o Senhor está alegando

O Líder do seu Partido contraria a sua versão, Deputado Roberto Jefferson, em pelo menos três pontos desta história muito bem articulada por V. Exª, quando diz que houve um repasse de quatro milhões para membros do seu partido, o líder do seu partido nega e outros deputados também o fazem nos corredores do Congresso, como o Deputado José Múcio, em depoimentos prestados em outros órgãos investigatórios aqui da Câmara.

O seu Líder nega a acusação que o senhor faz de ter submetido a proposta de mensalão a uma deliberação da sua bancada, outros deputados também negam.

O seu Líder nega ter sido abordado pelos Deputados, Waldemar Costa Neto, Pedro Henri, Bispo Rodrigues, e que tenha falado com o seu Delúbio sobre o mensalão.

Há uma série de contradições que eu não mais tempo para continuar insistindo neste ponto que se chocam com a história trazida aqui para V. Exª.

Eu no final foi fazer ainda algumas perguntas para ajudar a esclarecer. É uma pena, Sr. Presidente, que nós não temos tempo suficiente para esclarecer uma série de questões.

Uma delas é que eu queria que o Senhor narrasse melhor como foi a conversa com o Sr. Molina no dia 3. Exatamente o que ele falou para V. Exª porque há um conflito muito grande. O que vai ficando claro, Deputado Roberto Jefferson, é que V. Exª que ficou fazendo criticas ao sistema político brasileiro, a reforma eleitoral, mas cujo partido, eu posso dar esse testemunho, quando ocupei a Presidência da Comissão de Constituição e Justiça aqui da Câmara, coloquei o projeto de reforma política para avançar e quando chegou no momento derradeiro que foi a votação pelos 54 membros da Comissão, entre outros partidos, o partido de V. Exª bloqueou aquela votação porque não tinha conseqüência o ato de V. Exª, com a retórica de V. Exª de dizer que quer modificar o sistema político. O Senhor participa há 23 anos e nunca tomou qualquer iniciativa para modificar a questão do financiamento das campanhas, o sistema eleitoral brasileiro que o senhor agora se arvora em defensor da mudança. Antes tarde do que nunca!

Faz V. Exª, Deputado Roberto Jefferson, acusações sem prova, contra deputados de PL, do PP; faz acusações contra dirigentes de partido e tudo o que começa a aflorar, começa a levar uma conclusão já muito forte entre as pessoas que estão acompanhando atentamente os acontecimentos Deputado Roberto Jefferson. V. Exª que tinha uma vontade e uma ambição muito grande por cargos, até o momento derradeiro. Ainda há pouco o senhor estava lutando para fazer uma indicação para a diretoria de furnas. O senhor que ocupou tantos cargos, o senhor participava dessa ocupação de cargos? É isso que está sendo investigado com a finalidade de arrecadar recursos para as suas campanhas e para o seu partido, como o Senhor aliás já declarou em depoimentos.

E quando foi pego pela investigação, pela fita que foi feita na investigação do Sr. Arthur Wascheck, o senhor queria que o Governo do Presidente Lula, que o senhor sabe é um homem honrado, é um Governo honrado, o senhor queria acobertamento, como não teve o senhor resolveu partir para a ofensiva, atendendo ao velho adágio popular, que a melhor defesa é o ataque. E acusou, Deputado Roberto Jefferson, muitas pessoas e instituições, sem trazer uma prova sequer. Agiu com muito ressentimento, com muito ódio, contra alguns dirigentes do Partido dos Trabalhadores porque não teve acobertamento e porque a sua ambição de fazer a ocupação de cargos públicos para arrecadar recursos na administração não teve avanço.

Então esses ressentimentos todos fazem com que a sua versão, Deputado Roberto Jefferson, comece a se tornar frágil. É uma versão de quem, só no momento derradeiro, porque não teve proteção, quis agora ir para a contra-ofensiva e desviar o foco, porque V. Exª é investigado no Conselho de Ética, é investigado aqui na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. E V. Exª não esclareceu, por exemplo, de onde vem esses recursos, esses três milhões de Furnas, quais são as empresas. O senhor não perguntou na época.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PTB-MS) – Deputado Maurício Rands, por favor conclua.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT-PE) – Eu vou concluir, Senador Delcídio Amaral.

O senhor, só no momento derradeiro, querendo partir para o contra-ataque porque sabe que a sua posição é frágil, o senhor nunca fez denúncias, o senhor acusa irregularidades em “n” instituições. Por que quando houve irregularidades em furnas, o senhor não foi à Ministra, não foi ao Ministério Público, não foi à Polícia Federal?

Por que o senhor não compareceu para depor na sindicância aqui em setembro, na Câmara dos Deputados, do mensalão?

Eu concluo dizendo por que o senhor sabedor, durante tanto tempo, não tomou qualquer providência em defesa...

O SR. CARLOS SAMPAIO (PSDB-SP) – Presidente, uma questão de ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – V. Exª tem a palavra.

O SR. CARLOS SAMPAIO (PSDB-SP) – Sr. Presidente, ontem eu estava no Conselho de Ética, quando fiz a pergunta ao Deputado José Múcio, que participou da reunião onde o Deputado Roberto Jefferson cobrava do Presidente Genoíno a parte restante daquilo que fora combinado.

E perguntei a ele...

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Sr. Presidente, isso não é questão de ordem.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado Carlos Sampaio, eu vou cortar...

Deputado, quando V. Exª estiver inscrito, V. Exª falará.

O SR. CARLOS SAMPAIO (PSDB-SP) – A afirmação é inverídica.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Deputado Roberto Jefferson.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Nem preciso responder Sr. Presidente.

Não tenho o que dizer.

São vazias as palavras dele.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT-PE) – Sr. Presidente, eu tenho direito às respostas das questões que fiz. Quero saber os detalhes do Sr. Molina, quero saber das provas para todas as acusações, quero saber de onde vem esse dinheiro, esses três milhões, que ele disse que surgiu de Furnas, porque a tática do Deputado Roberto Jefferson é atacar sem qualquer prova, lançando dúvida contra todas as pessoas e contra as instituições.

Então eu queria ouvir as respostas, Sr. Presidente.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sr. Presidente, mais ataques do que ele me fez?

V. Exª lê nos jornais e nas revistas o que está me perguntando. Não tenho nada a dizer a V. Exª. Não estou preocupado.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT-PE) – Porque o senhor não tem prova de nada do que fala.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – É problema de V. Exª acreditar ou não. Não estou preocupado com V. Exª.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT-PE) – Esta CPMI está aqui para investigar e para adquirir as provas do esquema de corrupção de que o senhor é acusado, e o senhor não tem nenhuma prova contra as acusações.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – E cuidado para V. Exª não ficar de rabo preso nela, hein?

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT-PE) – Eu quero as respostas.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Muita gente da sua patota vai ficar de rabo agarrado aqui.

O SR. MAURÍCIO RANDS (PT-PE) – Ninguém tem rabo preso, não tenho rabo preso.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT-MS) – Eu vou cortar a palavra.

Com a palavra a Senadora Ideli Salvatti.

O SR. ÁLVARO DIAS (PDT-RN) – Sr. Presidente, uma questão de ordem.

Pelo art. 22, Sr. Presidente, do Regimento Comum, a reunião terá uma duração de quatro horas e, para ela continuar, qualquer membro da CPI, ou mesmo o Presidente, pode propor uma votação ao Plenário e prorrogar a reunião.

Agora eu queria indagar, Sr. Presidente, quando eu estava no Plenário da Câmara Federal, ouvi alguns Deputados falando sobre a criação da CPI de Furnas e queria saber se essa CPI pode alargar...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. Bloco/PT-MS) – Deputado Álvaro Dias, com todo o respeito que tenho por V. Exª, essa questão é absolutamente fora de propósito.

Com a palavra a Senadora Ideli Salvatti.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Citado como?

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Fui citado pelo Deputado.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Não, Senador Heráclito. Se eu começar a dar a palavra para cada Parlamentar citado, não vamos acabar com isso hoje.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Sr. Presidente, art. 14. Eu fui citado.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senador Heráclito. V. Exª terá a palavra.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Sr. Presidente, eu queria pedir a compreensão de V. Exª.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Inscreva-se, Heráclito.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra a Senadora Ideli Salvatti.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Sr. Presidente...

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Sr. Presidente, eu fui citado e gostaria...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Várias pessoas, meu caro Senador, foram citadas aqui e eu não posso fazer isso.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Uma informação na qual foi usado o meu nome, Sr. Presidente. Eu gostaria que V. Exª...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senador Heráclito, por favor.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – V. Exª agora, por menos disso, concedeu a questão de ordem, Sr. Presidente. Era muito mais simples.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senador, V. Exª está inscrito logo em seguida aqui, Senador Heráclito.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Em um minuto. Em um minuto eu resolvo. Abro mão da minha palavra.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Na sua inscrição, Senador Heráclito.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Sr. Presidente, é uma questão de momento, uma citação recente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senadora Ideli Salvatti.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Em primeiro lugar, recomponha meu tempo.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Quero registrar aqui o tempo que perdemos com algumas discussões absolutamente fora de contexto. Vamos suspender durante alguns instantes, porque o Deputado Roberto Jefferson...

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Neste vazio, Sr. Presidente, V. Exª me concede uma questão de ordem?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Fale, Senador Heráclito, rapidamente.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Sr. Presidente, depois V. Exª me concede a palavra para uma questão de ordem?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado Onyx, por favor.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Mas é pertinente. Depois do Senador. Isso não é ordem.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Suspende, porque, se abrir o precedente, vai ter que ser para todos.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Não, Senador Heráclito, não é isso não, ninguém quer mandar na vontade. Existe uma regra de inscrição que vamos cumprir. (Pausa.)

Senador Heráclito, V. Exª está inscrito logo em seguida, quando terá oportunidade de colocar suas posições.

Senador Heráclito, se V. Exª falar, posso retirá-lo aqui da lista de inscrição?

Então, por favor, esclareça, Senador Heráclito.

Senador Heráclito, só registre, por favor, e nós encerramos.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Sr. Presidente...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Pronto, Senador, enquanto o Deputado Roberto Jefferson não vem. Essa é a exceção.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Sr. Presidente, no questionamento feito pelo Deputado Eduardo Paes, ele fez uma pergunta – até por sugestão minha – baseada numa entrevista que o Deputado Roberto Jefferson deu ao Jornal do Brasil. Essa entrevista saiu no Jornal do Brasil de 19 de junho.

Sr. Relator, numa das perguntas feitas, a repórter diz a ele: “O senhor acha que uma operação como a da Telmex pode internalizar dinheiro de campanha?” E ele responde: “Não tenho dúvida, pode”. O que é a Telmex? É a empresa de telefonia mexicana que adquiriu a Embratel, frustrando um consórcio das empresas nacionais montado especialmente para essa operação. De uma maneira rápida, houve a decisão de um grupo de trabalho chefiado pela Casa Civil, que transferiu a direção da Embratel para a Telmex, daí por que, quando foi feita a pergunta, o Deputado Roberto Jefferson disse que não se lembrava. Estou apenas rememorando exatamente o que...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Ok, Senador Heráclito.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Sr. Presidente, mil desculpas por ter envolvido a telefônica, o nome da telefônica...

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Daí por que eu gostaria de prestar esse esclarecimento, para que não parecesse uma invenção minha.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Ok, Senador Heráclito. Está registrado.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Pode ser até que o Deputado tenha sido pego de surpresa e respondido o que não sabia exatamente o que fosse Telmex, mas quero apenas que fique o registro para todos que estão assistindo.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Ok, Senador Heráclito. Registrado.

Concedo a palavra à Senadora Ideli.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Desculpas à telefônica, Sr. Presidente, porque a citei aqui indevidamente.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Sr. Presidente, quero que, antes de começar a contar o meu tempo, se restabeleça a calma.

Quero o meu tempo integral.

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Dez minutos.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Sr. Presidente, em primeiro lugar gostaria de colocar que houve uma observação feita pelo Deputado Roberto Jefferson citando o meu nome, e eu não levantei o art. 14 porque queria falar na minha inscrição. Aqui ninguém é melhor ou pior do que ninguém, só que a posição é diferente. O senhor está senado na cadeira como investigado. Essa é a diferença.

O senhor está colocado na cadeira como investigado por causa de uma fita gravada onde temos...

Sr. Presidente, vou interromper, porque ou ele vai ter o atendimento ambulatorial ou ele vai prestar atenção no...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – O Deputado Roberto Jefferson está prestando atenção, Senadora. Ele só pediu um colírio.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Já perdi tempo com isso.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Então, por favor, Senadora Ideli.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Porque na fita gravada são várias as citações. Várias. Não vou repetir porque todo mundo já ouviu à exaustão: de que era uma equipe, que ele participava, que ele acobertava, que ele se comunicava permanentemente, que era ele orientava, tudo isso está à exaustão naquela fita de quase duas horas.

Deputado Roberto Jefferson, o senhor não tinha relações com o Marinho? O senhor não tinha relações com o Marinho? Estou perguntando.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – (Inaudível. Fora do microfone.)

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Não, não. Quero que o senhor me responda já.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – (Inaudível. Fora do microfone.)

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Não, senhor. Aqui o senhor responde às minhas perguntas.

Então, Sr. Presidente, vou fazer como? Eu preciso dessa resposta para dar continuidade às minhas perguntas.

Ele pode até dizer que não quer responder. Agora, ele não vai responder na hora em que ele quiser!

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – (Inaudível. Fora do microfone.)

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Sr. Presidente, isso é inadmissível. Ele pode se recusar a responder, ele pode fazer o que bem entender, mas ele não pode responder na hora que quiser.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senadora Ideli, gostaria que V. Exª continuasse, apresentasse as perguntas, e aí o Deputado Roberto Jefferson responderia.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Sr. Presidente, já que o depoente se recusa a responder, porque a relação está colocada à exaustão na fita, vou fazer mais uma pergunta: ele se encontrou, em dezembro de 2003, no aeroporto, com o Sr. Salmeron e o Sr. Maurício Marinho? (Pausa.)

Estou fazendo a pergunta. (Pausa.)

Quero as respostas, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senadora Ideli, faça as perguntas, e aí o Deputado Roberto Jefferson responde a todas elas.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Está anotando... Interessante.

No Ministério Público Federal o senhor disse que o seu genro, Marcus Vinícius, trabalhou com Henrique Brandão na Assurê Seguros, que ainda mantém relações comerciais e que é filiado ao PTB. Pergunto: quais são os negócios do Marcus Vinícius com Henrique Brandão? Marcus Vinícius nunca lhe falou do Molina? Nunca falou do Francisco Arrighi?

O senhor conhece Armando Virgílio dos Santos Júnior?

Quais as relações do Molina com o seu filho?

O senhor confirma o encontro com o Molina em Belém e que, nesse encontro, o Molina teria feito referência ao coronel Fortuna?

V. Exª conhece Marcelo Campos Neves?

Qual foi o dia que o senhor recebeu o Molina? Foi no dia 3 de maio? Foi nesse dia que houve a chantagem, a ameaça, o achaque por causa da fita? O Sr. procurou informações junto a Antônio Ozório sobre o Coronel Fortuna? Por que o Sr. não procurou o Marcos Vinícius, seu genro, que é amigo de Cristiano Brandão, que é sócio de Marcelo, que trabalhou em três gabinetes de Deputado do PTB e que é filho do Coronel Fortuna? V. Exª confirma que o Coronel Fortuna fez ameaças a Sr. Antônio Osório por ter perdido uma licitação nos Correios?

Agora quero as respostas, Sr. Presidente.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – O Fortuna nunca ameaçou o Dr. Antônio Ozório. Eu não recebi nenhuma ameaça, nem achaque do Molina. Não conheço Marcelo Campos Neves. Conheci Molina em Belém, através de meu filho, que trabalha na Prefeitura com Duciomar, e ele não é amigo de meu filho. Meu filho é um menino de 27 anos, e ele é um homem de 60. Não tem nenhuma relação de amizade. Ele prestava uma assessoria em nome da Fundação Getúlio Vargas ao Governo do ex-Prefeito Duciomar do Município de Belém. Armando Virgílio é meu companheiro do PTB e foi indicado para a direção da Susep num acordo que fiz com Delúbio e Genoíno, para a Prefeitura de Goiânia. Armando Virgílio foi indicado por mim, por Jovair Arantes num acordo que fiz com José Genoíno, Delúbio Soares e José Dirceu para a eleição a coligação do PTB/PT no Município de Goiânia. O meu genro trabalhou durante 6 ou 8 anos, 6 anos como corretor com Henrique Brandão, que é meu amigo há 30. O Henrique foi padrinho dele de casamento e é meu amigo dileto, do peito, um amigo de quem gosto muito.

Se eu me encontrei com Salmeron e Maurício Marinho no aeroporto em 2003, sinceramente, Senadora, não me recordo disso.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Mas o Sr. usou isso no seu discurso no dia 17 de maio.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – A Srª falou Salmeron e Maurício Marinho.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Salmeron e Maurício Marinho.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Já me encontrei uma vez no aeroporto com Maurício Marinho, mas ele não estava com Salmeron.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Mas isso está no seu discurso.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não pode estar.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Sr. Presidente, não quero fazer mais nenhuma pergunta. Quero apenas fazer uma leitura de um documento, que depois vou encaminhar oficialmente, para que a CPI possa fazer a triagem, se tudo que está aqui, que me chegou é verdadeiro, porque, se isso daqui tiver pelo menos um percentual, 70%, de verdade, as relações do Sr. Marinho com o Sr. Roberto Jefferson, direta ou muito próxima a ele, poderá ficar comprovada. Peço um pouco de paciência.

“O Sr. Maurício Marinho freqüentou durante cerca de dois anos o curso de Administração Postal, administrado pela PUC do Rio em convênio com a ECT. Concluído o curso, foi admitido na ECT em 11/12/1978 na Diretoria Regional do Rio de Janeiro e transferido de imediato para a Diretoria Regional de Mato Grosso do Sul.

Trabalhou na regional de Mato Grosso do Sul até 9 de julho de 1980, quando foi transferido para a diretoria regional do Pará, onde foi chefe da Assessoria de Planejamento e Gerente de Serviços Gerais. Como Gerente de Serviços Gerais do Pará acabou se envolvendo em irregularidades administrativas com malversação do dinheiro público ao ser flagrado em 1984 utilizando uma equipe de empregados dos Correios, subordinados seus da área de Engenharia, Manutenção Predial, efetuando serviços de reforma na sua residência. Consta também que foi encontrado na sua residência, na mesma ocasião, aparelho de ar-condicionado da ECT, contendo a placa que o identificava como patrimônio da empresa. Em vista disso, para evitar situações ainda piores, rapidamente pediu demissão, desligando-se em 30 de dezembro de 1984. Passado mais de oito anos fora da ECT, acabou retornando aos quadros da empresa via acordo judicial, promovido pelo então Diretor Regional do Pará Waldemir Freire, ligado ao PTB, graças à sua vinculação pessoal e política a Roberto Garcia Salmeron, que naquela oportunidade ocupava o cargo de vice-Presidente da ECT. A vice-Presidência, órgão que desde 1997 deixou de existir na ECT, era responsável pela coordenação administrativa das diretorias regionais da empresa. Logo, o Sr. Salmeron, como Vice-Presidente, era o chefe imediato de Valdemir.

Marinho ficou no Pará de 3 de fevereiro de 1993, data de sua readmissão, até fevereiro de 1996, quando retornou para Mato Grosso do Sul, seu Estado de origem. Porém, depois de pouco mais de quatro meses, foi levado de volta para o Pará pelo Valdemir, ainda diretor naquele Estado, onde ficou como gerente comercial até outubro de 1997. Em novembro de 1997, foi transferido para Brasília e colocado à frente do Departamento Nacional de Treinamento da ECT, função em que permaneceu até abril de 2001.

Em 2001, o Valdemir, até então diretor regional do Pará, foi designado diretor regional da ECT no Rio de Janeiro, por indicação política do PTB, sob influência do Roberto Garcia Salmeron, ligado pessoal e politicamente ao Deputado Roberto Jefferson, que, na época, era diretor da Eletrobrás, cuja sede era no Rio.

De imediato, em maio de 2001, o Valdemir, novamente, levou o Marinho para trabalhar diretamente com ele na Diretoria Regional da ECT.

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, o tempo.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senadora Ideli só gostaria...

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Sr. Presidente, é relevante.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Acho importante que ela fale tudo, porque a Abin descobriu agora quem eram essas pessoas. É importante.

O SR. (Orador não identificado) – Tudo é relevante.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Continua com a palavra a Senadora Ideli, concluindo.

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, discordo, acho que a Senadora tem que cumprir o tempo. É um currículo, chega!

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado, já estamos concluindo. Também dei espaço para alguns parlamentares.

Continue, Senadora.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – De imediato, em maio de 2001, o Valdemir, novamente, levou o Marinho para trabalhar diretamente com ele na Diretoria Regional da ECT do Rio na função de coordenador regional de negócios, que é uma das funções de primeiro escalão nos Estados.

Durante sua passagem pelo Rio, Valdemir mantinha contatos regulares com Roberto Garcia Salmeron e com o Deputado Roberto Jefferson, encontro dos quais Marinho eventualmente participava.

Além de Marinho, Valdemir levou mais dois empregados para o Rio: o Sr. Fernando, que coordenava a área de tecnologia e engenharia, e o Sr. Paulo Maurício, para coordenar a área de licitações.

Durante sua estada no Rio de Janeiro, estava em andamento no Pará, origens do Sr. Valdemir, Fernando e Paulo Maurício, uma sindicância para apurar irregularidades em licitações e obras de engenharia. Essa sindicância culminou com a demissão em 8 de outubro de 2001, por iniciativa da empresa do Valdemir.

Marinho retornou para Brasília e permaneceu por três meses sem qualquer função de confiança. Valdemir retornou para a ECT em 4 de fevereiro de 2003 e, por decisão judicial, imediatamente foi cedido a Câmara Federal, onde atuou como assessor do Deputado Roberto Jefferson. Atualmente, Valdemir está cedido para Prefeitura Municipal de Belém.

Em 6 de agosto de 2003, por indicação do PTB, Deputado Roberto Jefferson, Marinho foi designado para coordenador nacional da Universidade dos Correios pelo Diretor de Recursos Humanos à época, Antônio Osório. Quando Antonio Osório foi transferido para a Diretoria de Administração, levou de imediato Marinho para o departamento de contratação e administração de material, onde ficou até 11 de maio de 2005.

O SR. (Orador não identificado) – É melhor trazer os arapongas da Abin, Sr. Presidente.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Portanto, Sr. Presidente, vou oficializar, por meio de documento, o requerimento, para que todo esse histórico possa ser confirmado.

O SR. (Orador não identificado) – É assinado por quem, Sr. Presidente?

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Eu vou assinar e solicitar para que possam ser verificadas todas essas informações.

O SR. (Orador não identificado) – Quem lhe mandou? A Abin?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra, a Senadora Ideli.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Sr. Presidente, esse tipo de provocação não leva a nada se quisemos, efetivamente, investigar. Volto a dizer que esta CPI...

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente a Senadora já leu o documento que tinha que ler.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senadora, conclua.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Se eles me deixarem falar, eu posso concluir.

O SR. (Orador não identificado) – A Senadora já tinha que ter concluído.

O SR. (Orador não identificado) – A Senadora nunca respeita o tempo, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senadora, conclua, por favor.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Esta CPI, o fato originador, aquele que lhe deu origem, é exatamente a fita, em que há uma suspeita, colocada na gravação, de envolvimento de um esquema relacionando o Sr. Roberto Jefferson e o Sr. Marinho. Portanto, não sei se isto aqui é verdade ou não. Estou pedindo que a CPI investigue, porque, se pelo menos uma boa parte disso for verdade, fica confirmada a relação do Sr. Marinho com o Deputado Roberto Jefferson.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Encaminhe então à Mesa da CPI, por favor.

Com a palavra o Senador Sérgio Guerra.

O SR. SÉRGIO GUERRA (PSDB-PE) – Sr. Presidente.

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

O SR. SÉRGIO GUERRA (PSDB-PE) – Sr. Presidente, só conta o tempo quando começar o silencio. Senão não conta.

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

O SR. SÉRGIO GUERRA (PSDB-PE) – Sr. Presidente, Deputado Roberto Jéferson, meus Srs. Deputados e Deputadas, Senadores e Senadoras.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Por favor, assessoria técnica do Senado marcando tempo.

O SR. SÉRGIO GUERRA (PSDB-PE) – A partir de agora.

Sr. Presidente, estamos hoje num momento importante desta CPI, por mais que se deseje, por mais que se deseje desqualificar o depoente, o Deputado Roberto Jéferson, essa tentativa é absolutamente inócua. Não sou é, não é a Senadora Ideli e nem o Deputado Maurício Hands ou o Deputado do Rio Grande do Sul que falou de forma incisiva, Henrique Fontana, nenhum de nós está em condições de desqualificar a personalidade e a presença, nesse processo, do Deputado Roberto Jéferson, por uma razão muito simples, porque a sua presença e a sua palavra já desequilibrou muita coisa.

Vamos ser sinceros, não adianta ficar tapando o céu com o peneira, não fosse a palavra do Deputado do Roberto Jéferson não haveria esta CPI, não haveria toda essa confusão instalada, um Governo perdido, rigorosamente perdido, um Presidente que diz uma coisa hoje, outra amanhã, uma desordem política integral. Sem dúvida, para tudo isso, podem gostar ou não do Deputado Roberto Jéferson, isso aconteceu em face por conta do que ele disse. Como desqualificar a palavra do Deputado Roberto Jéferson se eu compro o jornal de manhã, leio uma acusação à diretoria de uma empresa estatal de grande porte, e no outro dia ou no mesmo dia o Presidente da república demite essa diretoria? Não terá sido porque ele confia na diretoria, mas seguramente porque ele desconfia que o Deputado Roberto Jéferson trem razão. No mínimo. Ele pode saber que o Deputado Roberto Jéferson tem razão, como ele sabia do mensalão e não fez coisa alguma.

Esses são os fatos. Não adianta querer fazer em torno deles uma cortina de fumaça. Percebo um esforço enorme de reduzir tudo isso a uma fitinha. E ao Sr. Maurício que depois aqui, de uma maneira deplorável. Não é isso. Basta perceber o movimento que vem das ruas, o que estamos ouvindo nos aeroportos, em todos os lugares, por onde a gente anda. O que o Deputado Roberto Jéferson disse sobre o Congresso, de uma maneira especial sobre a Câmara, o que o Deputado Roberto Jéferson disse sobre administração de empresas estatais no Brasil foi relevante à vida pública brasileira.

Se tivermos juízo, se tivermos juízo um mínimo de compreensão, se enxergarmos um palmo além do nariz vamos atrás de dar conseqüência ao que ele disse e não a desqualificá-lo.

É uma atitude precária, elementar e pouco inteligente que vai afundar o Governo do Presidente Lula se o Presidente Lula, que acredito ser uma pessoa honesta, se o Presidente Lula quer governar o Brasil, como é o desejo da Oposição, do PSDB, do PFL, não tem golpista aqui, se o Presidente quer governar o Brasil, não permita esse tipo de encaminhamento.

Essa raiva precária, essa indignação para inglês ver, falsa indignação, não tem indignação nenhuma nessa atitude aqui. Tem que dar esclarecimento ao que foi dito, como desqualificar uma palavra que todos nós sabemos é real, essa história do mensalão. Qual o parlamentar que não sabia ou que não ouviu falar disso? Por que tanta hipocrisia? Querer explicar a atitude dos que vão para essas empresas estatais para fazer financiamento de Partido político. Onde termina, a gente sabe, o partido político e começa o patrimônio pessoal. Quem disse que isso é apenas para financiamento político, de Partido político?

E como é esse negócio? Eu nomeio um diretor, no outro dia eu consigo financiamento para o meu partido. Não é bem assim. Eu nomeio um diretor, consigo financiamento para o meu Partido, mas eu vou ter que tratar bem esse fornecedor que me ajuda depois. Poderei tratá-lo de forma correta ou incorreta. Temos que investigar isso; aprofundar isso. Agora, ficar aqui na fitinha, numa manobra pra reduzir esta CPI a nada, não vamos ficar.

Onde vamos botar essa tal diretoria de Furnas? Aqui? Nesta CPI restrita? Vamos ter que ampliá-la, queiram, ou não, petistas de todos os tipos, os bons e os maus. Porque há petistas nos quais eu acredito. Temos que trazer para cá essa questão de Furnas. Onde ela vai ficar? Não é relevante? Como não é? A diretoria foi demitida. Vamos ficar calados como se nada tivesse acontecido? Como se tudo fosse uma ficção? É apenas uma tentativa, uma manobra das elites. Quais elites? Que conversa é essa de elite?

Eu estava ontem aqui na rua. Eu fui para rua e vi aqui produtor rural. Pequeno produtor rural. O que eu ouvi de todo mundo foi: “Mensalão”! E um político respeitável quando apareceu lá, eu ouvi com muita intensidade o que não desejo ouvir: “Fora Lula!” Foi isso que eu ouvi de duas, três, quatro, cinco mil pessoas. Vamos fechar os olhos a isso? Fechar os nossos ouvidos?

Que grandeza é essa do PT? Que coragem cívica é essa? Quem é esse Dr. Delúbio, essa personalidade esquisitíssima no nome e na prática? Esse Dr. Silvinho? Esses caras estão fazendo o quê? Qual é o papel deles?

Como explicar as campanhas milionárias do PT da última eleição? Eu as denunciei aqui no plenário do Senado porque eu vi em todo lugar. Que conversa é essa? Vamos aos fatos e deixar desqualificar quem contribuiu. Eu não reclamo pelo que disse até hoje o Deputado Roberto Jefferson; eu reclamo pelo que ele ainda não disse porque eu tenho certeza, não estou prejulgando, que se ele quiser dizer mais saberá o que dizer e vai dizer, como disse até agora, coisas verdadeiras.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Deputado José Eduardo Cardozo.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Sr. Presidente e Sr. Deputado Roberto Jefferson, inicialmente eu gostaria de dizer a V. Exª que eu me surpreendi com a interessante análise feita pelo nobre depoente relativamente ao sistema eleitoral e à estratégia com que os partidos desenvolvem a ocupação ou a indicação de pessoas para cargos públicos. Realmente acho que foi bastante reveladora até porque o Deputado Roberto Jefferson, de certa maneira, já havia revelado essa estratégia.

Na entrevista para Folha de S.Paulo ele revela que utilizou a indicação do Presidente do IRB, pelo Partido que comandava, para solicitar que pessoas contratadas pelo IRB fizessem uma arrecadação de campanha para o partido que ele, Deputado Roberto Jefferson, preside.

A primeira pergunta que faço ao nobre depoente é a seguinte: a nomeação do Sr. Osório para os Correios seguiu essa mesma estratégia, ou seja, captar recursos financeiros para campanha?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Segunda pergunta, Deputado.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Sr. Presidente, questão de ordem, sem a contagem do tempo.

Sr. Presidente, é pacífico, na jurisprudência, que o depoente, quando investigado... 131, Deputado. ... que ... V. Exª confia no Regimento que tem, Deputado. Aliás, o Deputado Antonio Carlos Magalhães parece que quer tomar o lugar de V. Exª.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Se for por Regimento, V. Exª já cria um problema porque é suplente. Então vamos acabar com o Regimento e deixar todo mundo falar.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Os suplentes podem falar, Deputada, pelo Regimento. Desculpe.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Mas todos estão falando.

Senadora Heloísa.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Não. Primeiro os titulares.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Desculpe.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Mas todos estão falando.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Não foi o acordo que fizemos, inclusive com a presença de V. Exª.

O SR. (Orador não identificado) – Presidente?

O SR. (Orador não identificado) – Garanta a palavra para o Deputado, Presidente!

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Por favor! Deputado Eduardo Cardozo, por favor!

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – A questão de ordem que faço... Não, o tempo, eu peço que descontem porque estou levando a questão de ordem.

É pacífica a jurisprudência, Sr. Presidente, que o investigado pode se recusar a responder. É verdade. Nesse ponto pode se recusar a responder. Porém, nunca pode o depoente definir o momento em que responde. Porque, é óbvio, aquele que faz a argüição define a estratégia da argüição; ele não pode dizer que responde depois, que responde antes. E não é porque o Deputado Roberto Jefferson tem mandato que ele deverá ser tratado diferentemente de qualquer depoente. A Lei é igual para todos.

Portanto, a admitir-se essa tese de que o depoente escolhe a hora que responde, Senhores, paremos com as CPIs, porque todo aquele que vai argüir terá que previamente revelar sua estratégia à Comissão. É a questão de ordem que faço a V. Exª e encaminho no seguinte sentido...

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Para contraditar questão de ordem, Sr. Presidente.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Só um minuto, Senador. Não acabei ainda.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Deputado José Eduardo Cardozo.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – A questão de ordem, Sr. Presidente...

O SR. (Orador não identificado) – Questão de ordem, Sr. Presidente, art. 53 da Constituição.

Uma questão de ordem, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Deputado José Eduardo Cardozo.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Não há questão de ordem sobre questão de ordem. Estou fazendo questão de ordem.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Não é questão de ordem; é Regimento.

O SR. (Orador não identificado) – Não há questão de ordem sobre questão de ordem.

Sr. Presidente, é o art. 53. Se V. Exª não aceitar...

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Estou fazendo uma questão de ordem, Sr. Presidente. O Deputado...

O SR. (Orador não identificado) – Mas, é uma questão de ordem...

O SR JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Sr. Presidente?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-AM) – V. Exª pode contraditar, não levantar questão de ordem.

O SR. (Orador não identificado) – Garante a palavra do Deputado José Eduardo Cardozo.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado José Eduardo Cardozo com a palavra.

O SR JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – O legítimo de defesa permite a recusa a falar, mas, não a definição do momento em que se responde.

Nessa linha, Sr. Presidente, a minha questão é a seguinte: se o Deputado não quiser responder na hora em que faço a pergunta, que conste que ele se recusou a responder, e o Relator fará a avaliação do sentido probatório da recusa da resposta. Mas, não se pode obrigar ao argüidor ou inquisidor que revele todas as perguntas, se ele assim não o quiser, para uma resposta global.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado José Eduardo Cardozo, ficará registrado. Caso o depoente não responda, ficará registrado.

Concedo a palavra ao Deputado José Eduardo Cardozo, para que continue com a argüição.

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, peço a palavra para contraditar.

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, questão de ordem, art. 53 da Constituição.

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, garanta a palavra ao Deputado José Eduardo Cardozo. Há Deputados que não querem deixá-lo falar.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado José Eduardo Cardozo, continue a argüição.

O SR. (Orador não identificado) – É questão de ordem, Sr. Presidente. Isso é regimental.

O SR. (Orador não identificado) – Ele fez uma questão de ordem...

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, garanta a palavra ao Deputado José Eduardo Cardozo. Há Deputados que não querem deixá-lo falar.

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, a contradita é regimental.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Pelo amor de Deus!

(Intervenções simultâneas.)

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra ao Deputado José Eduardo Cardozo, para continuar a argüição.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Obrigado, Sr. Presidente.

O SR. (Orador não identificado) – É uma questão de ordem, Sr. Presidente. V. Exª pode não aceitá-la, mas, é questão de ordem, Sr. Presidente.

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, a Oposição não quer que o Deputado José Eduardo Cardozo fale.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado José Eduardo Cardozo com a palavra.

Por favor, peço a Vossas Excelências...

Estamos conduzindo os trabalhos com muito cuidado. Ainda há muitas pessoas para falar. As coisas estão colocadas, estão esclarecidas, e a palavra está com o Deputado José Eduardo Cardozo.

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, é regimental....

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, V. Exª pode não aceitar, mas é regimental.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra assegurada o Deputado Eduardo Cardozo.

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, é cerceamento de questão de ordem. É matéria constitucional, é regimental.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Agradeço, Sr. Presidente.

Sr. Presidente, não falo na vez de ninguém. Por que interrompem quando eu falo? Sou tão quieto, tão paciente. Não é justo que não possa falar.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Deputado José Eduardo Cardozo.

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, é para esclarecimento do Deputado José Eduardo Cardozo...

O SR. (Orador não identificado) – É uma tática. Sr. Presidente, para não deixar o Deputado José Eduardo Cardozo falar.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral, PT-MS) – Deputado Eduardo Cardozo com a palavra.

O SR. (Orador não identificado) – Essa é a tática da Oposição. Não querem que ele fale.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Agradeço, Sr. Presidente.

Deputado Roberto Jefferson,...

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, registrado o protesto, É o segundo protesto contra a direção do trabalho a V. Exª.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – A pergunta que faço ao depoente é a seguinte: Deputado Roberto Jefferson, a nomeação que V. Exª fez do Sr. Osório atendeu a essa estratégia revelada por V. Exª de buscar captar recursos eleitorais?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Está registrado, vou responder depois.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Peço que conste, então, que não foi respondida a pergunta, Sr. Presidente.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Eu vou responder.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Desculpe, mas, a argüição está comigo.

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, está...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral) – Por favor, Deputado José Eduardo Cardozo prossiga. Não foi respondida. Por favor.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Agradeço, Sr. Presidente, a pergunta.

O SR. (Orador não identificado) – Será respondida posteriormente.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – A segunda pergunta que faço, Sr. Presidente, é se o depoente tem um genro chamado Marcus Vinícius. (Pausa.)

Não respondida, Sr. Presidente.

A terceira pergunta que faço: qual a razão pela qual o Sr. Marcus Vinícius dirigia telefonemas ao Sr. Marinho para que ele atendesse empresários. Se ao ver do depoente isso está dentro dessa estratégia de captação de recursos para a campanha, para um atendimento privilegiado de certos empresários. (Pausa.)

Pergunta não respondida, Sr. Presidente.

Pergunto se o genro do Deputado depoente é sócio ou não da Assurrê, com o Sr. Henrique Brandão, que é, na verdade, pertencente também ao Sr. Henrique Brandão. Quero saber se ele é sócio, porque essa empresa está sendo acusada de ser beneficiada pelo IRB, na perspectiva de, obviamente, haver algum tipo de remuneração indevida a esta empresa, que é um broker. Disse o próprio Deputado Roberto Jefferson que tinha pedido ao Presidente do IRB que reunisse uns brokers para conseguir capitação de recurso de campanha. O broker é quem faz a intermediação do resseguro. Para meu espanto, porque eu não conhecia isso, o IRB escolhe livremente os brokers, sem nenhum tipo de critério isonômico, e são operações de milhões que são feitas.

Portanto, a questão que faço ao Deputado Roberto Jefferson é a seguinte: essa obtenção de recurso de campanha feita a partir de brokers não é uma forma de corrupção escancarada no IRB? Pergunta não respondida, Sr. Presidente.

Outra pergunta. Do ponto de vista objetivo, legal e ético, não há nenhuma diferença entre o “mensalão”, dito pelo Deputado Roberto Jefferson, e os R$4 milhões recebidos por ele. Vamos dar por verdadeira a versão dele, porque, do ponto de vista legal, o pagador é o mesmo, o banco é o mesmo, o financiador é o mesmo, e o propósito do “mensalão” não sei se é eleitoral ou não, pode até ser. Portanto, entre “mensalão” e os R$4 milhões, efetivamente, parece que não há grande diferença. Poderia até chamar os R$4 milhões de “semestrão”, porque aquilo que, na versão do Deputado Roberto Jefferson, alguns querem receber em parcelas, ele conseguiu receber no todo.

Então, a pergunta que faço, Deputado, é a seguinte, tomando-se por pressuposto... Eu falei claramente, Deputado Antonio Carlos Magalhães, tomando-se a versão dele... A partir da versão dele, o Sr. Múcio disse que não foi repassado... O Sr. Múcio disse que não foi repassado para nenhum Deputado do PTB o “semestrão”... Líder do PTB... A pergunta que faço é: o senhor Múcio mentiu ou V. Exª, dentro da sua versão, ficou com o dinheiro? Pergunta não respondida, Sr. Presidente.

A outra pergunta: o Sr. Múcio negou que tenha havido uma votação na Bancada do PTB sobre se deveria receber o “mensalão” ou não. O Sr. Múcio mentiu? Porque o Deputado, na Comissão de Ética, declarou, textualmente, que houve uma votação da Bancada do PTB. Mente o Líder do PTB ou mente o depoente? Pergunta não respondida, Sr. Presidente.

O Sr. Múcio declarou que nunca foi pressionado por Pedro Henry e Valdemar Costa Neto a aderir a um suposto “mensalão”. Mente o Sr. Múcio ou mente o depoente? Resposta não feita, Sr. Presidente.

O Deputado Roberto Jefferson disse, quando perguntado por mim, na Comissão de Ética, que não depôs na Comissão de Sindicância da Câmara, aberta pelo Deputado João Paulo Cunha, a partir de denúncia feita pelo...

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – (Inaudível. Fora do microfone.)

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – É isso o que eu vou falar, Deputado. V. Exª pode deixar que o Deputado Roberto Jefferson responde... V. Exª responder fica ruim, Deputado, antes. Disse que não depôs na sindicância porque houve 45 minutos, apenas, a sindicância. Eu tenho aqui, em mão, a cópia da sindicância, e não demorou 45 minutos, Deputado Roberto Jefferson. Lamento informar que V. Exª faltou com a verdade. Ela foi aberta no dia 24 de setembro, pelo Presidente João Paulo Cunha, e foi encerrada ou houve a proposta de arquivamento no dia 6 de outubro. Houve, portanto, tempo suficiente para que V. Exª subisse as escadas da Câmara dos Deputados e pudesse, evidentemente, prestar o depoimento. V. Exª tem algo a comentar a respeito? Pergunta não respondida, Sr. Presidente.

O Sr. Declarou que o senhor Osório é amigo e companheiro...

O SR. (Orador não identificado) – O tempo, Sr. Presidente, o tempo...

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – ...e que, freqüentemente...

Sr. Presidente, foi a questão de ordem que eu fiz...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Não, não foi passado. Houve várias interrupções. Eu dou mais dois minutos.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Obrigado.

O Sr. Roberto Jefferson disse ser amigo do Sr. Osório, a quem nomeou e eu me recordo de ele ter dito que encontra com ele freqüentemente. O Sr. Osório soube da fita no dia 3 de maio....perdão, o Deputado Roberto Jefferson soube da fita dia 3 de maio. O Sr. Osório disse que soube da fita no dia 13, às 17 horas. Entre o dia 3 e o dia 13, o Deputado Roberto Jefferson não teve nenhum contato com o Sr. Osório? Não falou da fita para o seu amigo?

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Pergunta não respondida, Sr. Presidente.

Há uma clara descoincidência entre o depoimento do Sr. Molina e o do Deputado Roberto Jefferson. O Sr. Molina disse que esteve com ele duas vezes... perdão, quatro vezes. O Deputado Roberto Jefferson disse que esteve duas. O Sr. Molina disse que esteve, além das vezes reveladas pelo Deputado Roberto Jefferson, uma vez em Belém – perdão, uma vez em Belém, confere com o Deputado Roberto Jefferson; no dia 3 em seu gabinete, confere com o Deputado Roberto Jefferson, mas disse que esteve uma vez em seu gabinete discutindo uma situação que envolvia a Prefeitura de Belém, que o Prefeito, na verdade, não recebia bem deputados etc, e uma outra vez que esteve na sua casa, no Rio de Janeiro, à noite, lhe entregando charutos.

A pergunta é: mente quem, o Sr. Molina ou o Deputado Roberto Jefferson?

Pergunta não respondida, Sr. Presidente.

Eu tenho mais perguntas a fazer, mas, infelizmente, eu respeito o tempo e a vez dos meus colegas. Portanto, deixo de fazê-las e vou me reinscrever ao final, talvez para fazer as perguntas e ouvir o silêncio do Deputado Roberto Jefferson, que, pelo jeito, teme responder perguntas quando lhes são incômodas.

O SR. (Orador não identificado) – Uma questão de ordem, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Muito obrigado, Deputado José Eduardo Cardozo. Com a palavra Deputado Roberto Jefferson.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sobre a primeira pergunta, Sr. Presidente, se o Dr. Antonio Osório soube de mim essa estratégia de arrecadação, soube. Eu pedi a ele que, se possível, na relação com algum empresário privado, que é uma coisa que tem que ser selecionada, amadurecida, ele pudesse, no final, nessa relação, ajudar o caixa oficial do meu Partido, o Partido Trabalhista Brasileiro.

Marcus Vinícius é meu genro, casado com minha filha Fabiana, já me deu três netos: o Vítor, com 6 anos; o Arthur, com 4 anos; e o Bernardo, com 1 ano de idade. Se ele dirigia telefones à Marinha, V. Exª é que está dizendo, eu não tenho nenhuma informação disso. “Seu genro é sócio da Assurê.” Nunca foi. Ele foi empregado do Henrique Brandão durante seis anos. “Brokers de livre escolha do IRB.” É verdade. O IRB é que escolhe. Isso é o forte da democracia. A democracia é social e econômica. Se os grupos forem sempre os mesmos...por exemplo, os banqueiros que eram do Fernando Henrique continuam agora no PT. Isso é que está ruim. Por isso é que temos essa passeata de agricultores aí, porque mandavam no Governo do Fernando Henrique os banqueiros, continuam mandando no Governo do Presidente Lula. Essa é a desgraça.

Se a gente pudesse influir para tirar os banqueiros e botar um capitão de indústria no Ministério da Fazenda, era melhor para o Brasil. Essa é uma tese que temos que enfrentar aqui. E no IRB é de livre escolha. Nos Correios, não. E a Novadata, empresa do amigo do Presidente Lula, manda lá. É corrupção, Deputado? Esse pessoal não enxerga o rabo.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Não respondido.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Livre escolha do IRB – palavras de V. Exª. É verdade, o Henrique Brandão cresceu 3,6% naquele contexto.

Gostei que V. Exª admitiu o “mensalão”. Pelo menos foi o primeiro do PT que teve coragem de dizer isso aqui. Gostei. Foi a primeira vez que alguém do PT assumiu. Eu não sei se são ecos da Veja que “O Mensalão da perua’,denúncia de suborno de Vereador paulistano durante gestão de Marta Suplicy, pedido de instalação de CPI”... Se a Veja vale para mim, vale para o Partido de V. Exª também.

O Múcio. Não foi repassado semestrão. Está absolutamente combinado comigo. Ele não sabe para quem eu dei e se dei. E eu não digo a ninguém, nem a ele porque não vou prejudicar meu Partido e companheiros inocentes. Ele tem razão quando afirma isso. Não houve uma votação na minha Bancada. No princípio do legislativo passado, quando essa questão do mensalão tomou conta da Casa – e há aqui ex-Deputados, companheiros meus, que estão em outros partidos, mas que são homens de bem –, coloquei isso em debate. Eu estava na reunião e começou: ah, o pessoal do PP tem, do PL. Eu digo: “Aqui, não. Eu não vou dar. Aqui, não vou dar. Não vou me chafurdar nisso. O mensalão escraviza e desmoraliza. Não vou fazer.” Acordo com o PT, financiamento para as nossas coligações, eu fiz. Não é Deputado Bittar? Eu fiz. É claro que fiz. Não é, Senadora Ideli? Fiz acordos com ela também lá em Santa Catarina. Fiz acordos lá no Rio com o Sr. Bittar. Na coligação, fizemos mesmo.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Que tipo de acordo que envolveu dinheiro?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Político.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Ah, político.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Com V. Exª, não.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – O senhor apoiou a minha candidatura, é isso?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sim, mas com V. Exª, não. Estou só esperando V. Exª chegar. Estou ansioso que V. Exª venha me fazer perguntas. Eu, aqui, na expectativa de encontrá-lo.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Estou absolutamente tranqüilo, Deputado Roberto Jefferson. Já ouvi de V. Exª muitos elogios à minha retidão de princípios.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sim, ansioso por ouvi-lo.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Deputado Roberto Jefferson.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não, deixa eu terminar...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Eu disse Roberto Jefferson com a palavra.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – ...para ele não achar que eu não respondi, porque senão ele vai chorando para casa: “Não fui respondido”. Aquele choro que a gente conhece do PT.

O Deputado José Múcio declarou não ter sido pressionado. Eu digo que foi. Só que o Múcio não sou eu. Ele não quer romper com as relações que tem. Ele já me disse que, depois, não sabe como encontrar com essas pessoas e conversar. Eu rompi. É um problema dele. Eu afirmo o que disse: “O Osório é amigo e companheiro do peito.” “Encontra freqüentemente?” “Sim.” “Falou sobre a fita com o Osório?” Não falei, porque, nesse interregno, até a publicação dela, não encontrei o Osório e não maldei a conversa do Molina. Eu o achei 171.

Deputado, respeito V. Exª, professor universitário, procurador municipal. Tem currículo. E faço o seguinte: eu distingo os erros da direção dos homens do partido. Não sou como V. Exª, que generaliza.

Quando conversei com o Osório, foi na véspera da publicação da revista. Já estava no site; nós tínhamos a informação. Vim para Brasília, fui para a casa do Salmeron e assisti com ele à fita, no domingo, detalhadamente. Não tratei da fita antes com ele. Por quê?

Quando conheci o Sr. Molina, que não esteve no meu apartamento – ele mandou pela portaria uma caixa de charutos, que não fumei, porque não fumo –, quando conversei com o Molina em Belém, ele usou o pior expediente que existe para se aproximar de uma pessoa. Ele quis falar de intimidade de mulheres. O tipo do cara escroto, me perdoem o termo não-regimental. Escroto! Sentou-se comigo e quis falar de uma pessoa pela qual sempre tive respeito e consideração. Insinuante. Morreu para mim. Morreu. Eu vi que era boquirroto, lobista, aqueles caras que querem vender facilidades e entrar na intimidade das pessoas. “Sou comandante”. A única coisa respeitável que ele ostentava para mim era ser consultor da Fundação Getúlio Vargas e comandante da Marinha, que ele dizia que era. Já descobri que comandante da Marinha ele não é. Mentira. É falso. Tenho aqui um manifesto da Marinha, dizendo que ele foi professor da escola de 2º Grau, de 1978 a 1980, e usa a carteira de ex-professor para se dizer comandante. É não é.Então, achei uma figura horrorosa!

Quando ele veio conversar comigo pela segunda vez, não me extorquiu. Tudo dele é insinuado. Não botei fé, Deputado. Não botei. Achei ele tão frágil, tão vagabundo, tão sem essência, que não botei fé. Por isso não fui ao Osório tirar o sossego dele: “Osório, me apareceu aqui um tal de comandante Molina.” Não fiz isso! Como não chamei a Segurança da Câmara para prendê-lo... Poderia ter feito, mas não me ocorreu, porque achei tão inconsistente... Ele não me achacou, ele não me extorquiu, ele não me chantageou. Pelo contrário, ele disse: “Esses empresários têm uma fita e querem negociar com o senhor”. Eu usei termos não regimentais com ele para ele fazer um uso da fita, e pedi que saísse do meu gabinete. Achei que era um lobista vagabundo, como outros lobistas vagabundos já me procuraram, e tratei assim. Só o recebi porque o Senador Ney Suassuna me ligou cinco ou seis vezes pedindo para recebê-lo: “Osório é amigo, companheiro, pepepé...”.

Molina, duas vezes no gabinete. E a caixa de charutos, ele não esteve na minha casa, deixou. Moro no Hotel Barra Leme, na praia do Pepê, no Rio de Janeiro, e ele deixou na portaria do prédio. Ela foi levada ao meu apartamento com um cartão dele, e sequer devolvi a ligação para agradecer.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB-PR) – Uma questão de ordem, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Questão de ordem, Deputado Gustavo Fruet.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB-PR) – Sr. Presidente, invocando o art. 403, V. Exª pode não aceitar a questão de ordem, mas..

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Aqui, uma informação que saiu no Jornal Nacional, agora: o Sr. Marcos Valério, no dia 19 de agosto, sacou R$150 mil do Banco Rural, no Brasília Shopping. Agora, acabou de sair no jornal. No Banco Rural, no Brasília Shopping, o Sr. Marcos Valério, no dia 19 de agosto do ano passado, sacou R$150 mil em dinheiro. É a primeira informação sobre essa agência.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado Gustavo Fruet.

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB-PR) – Quando pedi a questão de ordem, Sr. Presidente, com todo respeito e urbanidade, e por isso faço o segundo registro de protesto, com todo respeito a V. Exª, foi porque, ontem, eu já havia protestado. Falei com V. Exª após a reunião, e, hoje, eu o faço em público.

Não se pode admitir que se vença no grito. A questão de ordem, V. Exª pode não aceitá-la, mas não pode cercear a possibilidade de ser questionada. E era oportuna, como é agora, porque há razão quando se afirma que a pessoa que está depondo aqui, seja na condição de investigado, testemunha ou indiciado – e não é o caso do Deputado Roberto Jefferson, que está aqui na condição de testemunha, como todos que estão sendo chamados e convocados a esse depoimento –, seja como for, é Deputado Federal e, portanto, aplica-se a possibilidade do direito ao silêncio, a possibilidade de se recusar a falar, mas, além disso, leio o art 53 da Constituição: “Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos.”

Sem entrar no mérito da posição por ele tomada, ele é inviolável. Isso é imunidade parlamentar, e é inadmissível transformar isso numa Santa Inquisição. Os questionamentos podem ser duros e contundentes, mas jamais no aspecto inquisitorial e de Santa Inquisição, e cerceando a possibilidade de um Deputado parlamentar usar da sua imunidade. Irá responder politicamente por isso, mas não pode ser pressionado e ser obrigado a dar a resposta.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Questão de ordem, Sr. Presidente.

A questão de ordem... Agora, houve uma questão relevante.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Qual é o artigo? Pergunte o artigo, Presidente, porque vai ficar brincadeira. Qual é o artigo?

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – É o mesmo artigo 131.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Qual é o artigo? Pergunte qual é o artigo.

O SR. (Orador não identificado) – Estão usando esse 131 sem fundamento, Sr. Presidente.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Virou brincadeira!

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – É o 131, Sr. Presidente.

O SR. (Orador não identificado) – V. Exª me desculpe, mas o Deputado José Eduardo Cardozo está abusando do art. 131.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Não, me permita. Houve uma questão suscitada.

O SR. (Orador não identificado) – De novo.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – No começo, pelo que eu bem depreendi, V. Exª disse que ele estava depondo na condição de investigado.

O SR. (Orador não identificado) – Não, não.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Não, não foi dito isso.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Não? Então é testemunha?

O SR. (Orador não identificado) – Não disse nada. Não houve nenhuma afirmação.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Então, terá que assinar o termo de testemunha.

O SR. PEDRO SIMON (PMDB-RS) – Nem pode dizer.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Não foi dito, Deputado.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Me perdoe, Senador Pedro Simon. Na verdade, na definição de uma CPI, se a pessoa é investigada ou testemunha, conforme já debatemos aqui, é de condição fundamental para o enquadramento.

É bem verdade que o Deputado Roberto Jefferson goza de imunidade quanto à palavra. É verdade.

O SR. (Orador não identificado) – Ele não é investigado, não.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Porém, a condição...

O SR. PEDRO SIMON (PMDB-RS) – O Deputado está sendo investigado na Comissão de Ética da Câmara. É uma coisa.

O SR. (Orador não identificado) – Aqui, não.

O SR. (Orador não identificado) – Exatamente.

O SR. PEDRO SIMON (PMDB-RS) – Aqui, ele está como testemunha. Uma coisa não tem nada a ver com a outra coisa.

O SR. (Orador não identificado) – Exatamente. O Senador Pedro Simon está corretíssimo.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Então, que o Presidente defina. Que o Presidente defina a condição para que nós saibamos a que título ele comparece aqui.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Aqui, ele está como testemunha, Deputado José Eduardo Cardozo.

O SR. (Orador não identificado) – Aqui, como o homem que entregou o “mensalão” do PT.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Veja por que, Presidente.

Há uma questão, Senador Pedro Simon: testemunhas não podem ser orientadas por advogados durante o depoimento. De acordo, Senador Pedro Simon? Ele está conversando com o Deputado o tempo inteiro.

O SR. (Orador não identificado) – Ele está aqui como o homem que entregou o “mensalão”.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Eu não levantei essa questão...

O SR. (Orador não identificado) – O Deputado José Eduardo Cardozo quer impedir o funcionamento desta reunião, Sr. Presidente.

(Tumulto no recinto.)

O SR. (Orador não identificado) – Já estiveram aqui acompanhados. Todos já estiveram aqui. Todos já estiveram aqui.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Ele não pode conversar. Testemunha... Senhores, é uma questão legal. Testemunha não pode ser orientada por advogado. Depoente, quando é investigado, no exercício de defesa, pode. Foi porque tive a impressão falsa de que estava sendo investigado que não argui o fato de o Deputado Roberto Jefferson conversar o tempo inteiro com os advogados. E cobrei à Deputada inclusive quando levantou; o depoimento será nulo, se for testemunha, porque conversou com os advogados o tempo inteiro, inclusive consultou.

O SR. (Orador não identificado) – Deputado José Eduardo, tem que ser anulado o depoimento do Deputado Roberto Jefferson.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – O que disse o Deputado Roberto Jefferson até agora? O Brasil não ouviu nada; é nulo o depoimento.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado Gustavo Fruet.

O SR. (Orador não identificado) – Suspende a demissão de Furnas; suspende a demissão de José Dirceu.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Deputado Gustavo Fruet.

O SR. GUSTAVO FRUET (PMDB-PR) – Sr. Presidente, primeiro, mais um esclarecimento. Há uma preocupação muito grande com a intervenção de advogados. Não vejo o porquê desse receio. Não há restrição constitucional. Pelo contrário, há alegação inclusive de inconstitucionalidade de vários regimentos e de vários procedimentos em comissões parlamentares de inquérito...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado Gustavo Fruet, quero registrar que V. Exª está com a palavra mesmo, por dez minutos.

O SR. GUSTAVO FRUET (PMDB-PR) – Sr. Presidente, eu reconheci e comecei com isso. Entendo, e estou entrando nesse dispositivo para deixar registrado, que não se pode cercear e não se pode ter medo de os advogados intervirem, até para não caracterizar cerceamento. Não há por que esse receio.

De forma objetiva, uma pergunta e uma observação que cabe o registro político: peço ao Deputado Roberto Jefferson para explicar mais uma vez a questão do despacho que permitiu à Polícia Federal entrar ou invadir – como foi a expressão que V. Exª utilizou – a residência da sua filha, e pergunto se essa decisão foi emanada pela 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Tenho a cópia do mandado.

O SR. GUSTAVO FRUET (PMDB-PR) – V. Exª tem o nome do Juiz ou da Juíza?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – É a Juíza. Tem o Juiz Substituto que começou. Na casa da minha filha, foi a Juíza Titular – não me recordo do nome dela. Quero dizer a V. Exª que ela teve a leviandade de, não sabendo onde morava a minha filha, mandar invadir, por homônimo, o apartamento de um rapaz, em Petrópolis, que trabalha no Rio com a esposa, no Valparaíso, que é do outro lado da cidade onde mora minha filha, que mora no Retiro. O rapaz chama Marcos Silva Vasconcelos; meu genro: Marcus Vinícius Vasconcelos Ferreira. Ela mandou arrombar o apartamento desse Marcos Silva. Quer dizer, uma atitude açodada, não investigada. Um absurdo! Quando a Polícia Federal viu que não era o apartamento do Marcus Vinícius saiu e foi para a casa da minha filha, aí, sim, no Retiro . Chegaram lá à uma hora da tarde.

O apartamento desse rapaz Marcos Silva Vasconcelos foi invadido às 11 horas. Quando constataram o absurdo do mandado ... Porque ela está em Brasília, quer fazer gracinha lá em Petrópolis... Devia pendurar uma melancia no pescoço. Aí o que ela fez? Foram à casa do meu genro: seis policiais federais, o delegado e um procurador. Estavam em casa: minha filha, o Bernardo, o caseiro e a empregada. Uma hora da tarde, eu ia chegando para depor e a mãe dos meus filhos me ligou dizendo: “Vou para a casa da Fabiana que tem uma turma da Polícia Federal lá”. Saíram de lá às 19 horas, à noite. Foi bom porque me deu mais força para fazer o que fiz naquela Comissão de Ética. Eles me ajudaram. Agradeço a ela a atitude leviana que tomou, porque ela me deu força para aquele depoimento que fiz na Comissão de Ética, dia 14. Obrigado, doutora. Quero agradecer ao Valdemar, e quero agradecer à colega do Valdemar agora.

O SR. GUSTAVO FRUET (PMDB-PR) – Sr. Presidente, essa informação é muito grave. Partindo do pressuposto – não tenho o nome da Juíza que deu o despacho – é o primeiro requerimento que faço, para que seja solicitado pela CPMI esse despacho, porque a titular da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília é a Drª Maria de Fátima de Paula Pessoa Costa. Falo isso com o maior respeito ao Judiciário, com muito cuidado. Não podemos colocar em dúvida as decisões do Judiciário e a ação da Polícia Federal no Brasil, que têm que estar a serviço do Estado e do interesse público e não de governo. Mas, coincidentemente, se for essa Juíza, o esposo dela é o Dr. Álvaro Ribeiro da Costa, Advogado Geral da União, nomeado pelo Presidente Lula. Isso é muito sério. Se se confirmar, é mais do que uma coincidência que merece averiguação, com todo respeito à Justiça Federal do nosso País.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Mas é ela mesma, da 10ª Vara. Vou trazer o mandado.

O SR. GUSTAVO FRUET (PMDB-PR) – Esse é o primeiro requerimento.

A segunda observação é para o registro político, também fundamental numa CPI. Aqui não se trata do bem contra o mal, é ter algo meio sartriano; há vítimas e cúmplices nesse processo, e o Governo por vezes insiste num erro de querer legitimar, com erros do passado...

O SR. (Orador não identificado) – É o aparelho de Estado.

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

O SR. GUSTAVO FRUET (PSDB-PR) – ...querer legitimar um ato de desvio ou até de corrupção, por ter acontecido no passado; querer desqualificar o Deputado Roberto Jefferson por ter sido denunciado ou, supostamente, estar envolvido com pessoas que foram denunciadas por atos de corrupção no passado. Um erro não legitima outro erro. Uma corrupção não vai legitimar outra corrupção. Nenhuma quadrilha criminosa no mundo foi desmantelada se não fosse por denúncia de um de seus membros e componentes. Por isso, inclusive, o Brasil aprovou a delação premiada e a proteção de testemunhas. É quando se quebra o código de silêncio da máfia, a lei da omertà. E, neste momento, estamos vendo uma sucessão de coincidências nessa corrente da alegria denunciada pelo Deputado Roberto Jefferson. Na primeira vez, quando ele citou o nome de Marcos Valério e essa operação, foi uma tentativa de desqualificação brutal em cima de um Deputado Federal no uso da imunidade parlamentar e com direito à exceção da verdade e à exceção de notoriedade. Depois dessa denúncia, passado pouco mais de duas semanas, está-se estabelecendo um elo com uma série de seqüências, denúncias e testemunhos que estão confirmando, em parte ou totalmente, as denúncias formuladas pelo Deputado Roberto Jefferson. Destaco isso, porque, em momento algum, ele está adotando um discurso hipócrita de que não soubesse, ou não tivesse conhecimento, ou de que o PTB não tivesse alguma relação junto ao Governo, que passasse também – sem entrar no mérito se isso é equivocado ou não – de indicação de pessoas para ocuparem cargos públicos no Governo Federal. É até algo para ser repensado diante da denúncia do Deputado Roberto Jefferson, diante da possibilidade de ser um divisor de águas, inclusive com a reflexão inteligente, aqui provocada por ele, do sistema político, do sistema eleitoral brasileiro e da necessidade de uma reforma política.

Portanto, não é o bem contra o mal. Não é 8 ou 80. É necessário que o Governo também tenha auto-crítica e faz-se necessário humildade junto ao PT, para passar por um processo de purificação. Na política, há uma tendência à mistificação e a trabalhar com ufanismo, e achar que as críticas aos outros são todas procedentes. No entanto, quando criticam a nossa família, os nossos amigos, os nossos companheiros, estabelece-se uma barreira, achando que estamos blindados, não sendo necessária uma investigação. O mal – caso se confirmem essas denúncias, que começam com a investigação nos Correios – que o Sr. Delúbio Soares e o Sr. Silvio Pereira estão fazendo ao PT e à democracia brasileira é brutal. O PT é fundamental para a democracia brasileira. O PT tem uma das histórias mais bonitas na vida partidária brasileira e não pode ser prejudicado e contaminado por um processo dessa natureza, que fica, de forma muito objetiva, na denúncia do Deputado Roberto Jefferson, restrito à sua direção e com o conhecimento do seu presidente nacional. Tanto que, ontem, o Deputado José Múcio Monteiro foi taxativo e foi a segunda pessoa a confirmar que o Deputado Roberto Jefferson teve a reunião em junho do ano passado e em março deste ano. O tesoureiro, ou secretário do PTB, Sr. Emerson Palmieri, também confirma as denúncias do recebimento do recurso.

Fiz uma conta muito grosseira neste início, mas, dos 14 testemunhos públicos já realizados, 12 dão procedência às afirmações do Deputado Roberto Jefferson. Inclusive o ex-Ministro Miro Teixeira, que disse que recebeu a consulta e a manifestação do Deputado Roberto Jefferson. A partir dos testemunhos, estamos vendo fechar o quebra-cabeça, numa sucessão de fatos que se vão somando e completando uma história. Ou é uma coincidência fantástica, que o melhor roteirista do Brasil não seria capaz de escrever ou, efetivamente, o indício é muito forte e está-se confirmando a partir das investigações.

Ouvimos a Fernanda Somaggio, cujo sigilo bancário foi quebrado hoje por esta CPI, proposta do Governo, ampliando o foco dessa investigação. Por meio da agenda dela, dos depoimentos de uma série de pessoas que aqui estiveram, inclusive os arapongas, efetivamente, verifica-se que a investigação dos Correios, foco desta CPMI, não se restringe à denúncia contra o Sr. Maurício Marinho. Parece ter algo maior, não só na sua diretoria, mas a possibilidade de uma arapongagem, que pode estar funcionando há muito mais governos do que somente o Governo atual. É muito sério.

A manifestação e o requerimento do Deputado Carlos Sampaio, hoje, vêm reforçar a possibilidade de que ali havia uma disputa comercial, não específica dessa diretoria, e permite supor que havia uma tentativa de chantagem, quer seja contra o Deputado Roberto Jefferson ou contra a diretoria demissionária dos Correios do Brasil.

Da mesma forma, ampliou-se a investigação para outras diretorias dos Correios, e novas denúncias merecem investigação. No entanto, esse fato se confunde em determinado momento ou com o Conselho de Ética, ou com a Corregedoria da Câmara, ou com a possibilidade de instalação da chamada CPI do Mensalão ou da compra dos votos. Em determinado momento, será necessária a convergência desses fatos, mas, até este momento, com muita responsabilidade, reafirmando o que disse o primeiro depoimento do Deputado Roberto Jefferson, que consegue inverter o foco da investigação, que consegue trazer outros atores e personagens a esse cenário, que provoca uma profunda reflexão, sem hipocrisia e sem receio do efeito bumerangue para qualquer dos Partidos ou para qualquer dos Governos, e que começa a ter consistência a cada dia que os atos vão sendo formulados.

Aqui não vai prejulgamento contra ou a favor do Deputado Roberto Jefferson, mas entendo que é preciso assegurar a S. Exª os seus direitos como cidadão e, mais do que isso, é preciso que lhe sejam assegurados os seus direitos de Parlamentar, que tem imunidade justamente para fazer denúncias. Se não forem comprovadas, a responsabilidade é dele – e ele tem muita consciência, como já demonstrou ao longo de todas as suas manifestações.

Sr. Presidente, estamos a reboque da imprensa – falo no lado positivo. Estamos trabalhando com as informações que são publicadas antes de chegarem ao conhecimento desta Comissão. Boa parte das manifestações da Comissão se dão em função das denúncias veiculadas pela imprensa, como a de que o Sr. Marcos Valério esteve, no dia 19 de agosto de 2003, no Banco Rural do Brasília Shopping, no banco citado hoje como fato novo no depoimento do Deputado Roberto Jefferson, com registro de ingresso às 14h57 e, nesse mesmo dia, de acordo com dados do Coaf publicados pela revista IstoÉ aos quais não tivemos acesso ainda – já pedimos, inclusive, uma reunião secreta com o Coaf –, a empresa DNA sacou R$150 mil. Coincidentemente, no mesmo dia, no mesmo banco que foi denunciado hoje pelo Deputado Roberto Jefferson!

Ou seja, começa a ficar evidente a ligação e a se fechar o quebra-cabeças com este depoimento.

Portanto, Sr. Presidente, esta manifestação é para deixar claro que não se trata do bem contra o mal, não estamos aqui para uma santa inquisição, para colocar na fogueira quem quer que seja, inclusive um Deputado Federal. Queremos investigar. Ao final, se houver mais de um culpado, que sejam todos responsabilizados, sob pena desse maniqueísmo criar uma barreira, errada, contra a possibilidade de ser um divisor de águas nessas denúncias que merecem profunda reflexão, feitas ao longo dessas duas semanas e hoje reafirmadas pelo Deputado Roberto Jefferson.

O SR. HENRIQUE FONTANA (PT-RS) – Sr. Presidente, gostaria de dar uma informação aos colegas. Eu acabo de receber dois ofícios que me pediram que fossem lidos. Acho importante... São dos diretores de Furnas, que estão sendo...

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Pela ordem, Sr. Presidente. V. Exª tem de tratar todos igualmente...

(Intervenções fora do microfone. Tumulto.)

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – Sr. Presidente, qual é o dispositivo regimental?

O SR. HENRIQUE FONTANA (PT-RS) – Sr. Presidente, é um minuto apenas, lerei a pedido dos diretores de Furnas! Estão sendo citados como demitidos, mas eles pediram demissão.

O SR. (Orador não identificado) – Não, não, não.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS ) – Deputado, nós vamos dar seqüência e, depois, V. Exª, no final, se inscreve e fala.

O SR. ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES NETO (PFL-BA) – Sr. Presidente, qual é o dispositivo regimental?

O SR. HENRIQUE FONTANA (PT-RS) – Para facilitar, vou passar às mãos de V. Exª para que V. Exª leia. Não é justo que os diretores de Furnas sejam enxovalhados aqui e não tenham direito de verem lidas suas cartas de demissão.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – OK. Com a palavra o Deputado Carlos Abicalil. S. Exª dispõe de dez minutos.

(Intervenções fora do microfone.)

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Sr. Presidente, vou pedir que volte a ser contado o meu tempo. O Deputado Roberto Jefferson parece estar se medicando. Só um minuto.

O senhor está se medicando?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Estou, mas é rápido.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Eu aguardo. (Pausa.)

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado Carlos Abicalil.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Uma vez que o Presidente definiu a condição de V. Exª, Deputado Roberto Jefferson, como de testemunha... Não sou advogado, mas sei que há, para o processo...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – A propósito, gostaria de informar sobre o esclarecimento que me foi dado pela assessoria: o Deputado, com base nas denúncias da fita, está depondo aqui como investigado e tem direito a ter livre acesso aos advogados que estão ao lado dele.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Agradeço o esclarecimento e quero dizer que, até pelo princípio da isonomia, que tenho procedido em todas as audiências com este pré-requisito: de inquirir acerca da posição em que o depoente aqui se encontra.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Foi uma falha minha. A Mesa admite que não definiu claramente a posição do depoente, não usou da clareza que tem pautado a condução dos trabalhos desta CPMI em todas as oitivas.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Eu agradeço, Sr. Presidente, mas apenas para que não fique qualquer dúvida sobre maniqueísmo...

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Pela ordem, Sr. Presidente. Gostaria de aproveitar a oportunidade.

Para que fique bem claro, Sr. Presidente, no começo da argüição, V. Exª defina se é investigado ou testemunha.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com certeza, Deputado.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – E se for testemunha, advogados não podem orientar.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Já admiti que foi uma falha.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – E segundo, Sr. Presidente, apenas para meditação de V. Exª...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Já admiti que foi uma falha minha no início dos trabalhos.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – E me permita, Sr. Presidente, não é apenas para este depoimento, mas para qualquer outro.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com certeza absoluta.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Mas não é esse aspecto, é um outro aspecto. Penso que o fato de se permitir que o depoente responda ao final... Com a devida vênia, peço que medite sobre isso, pois dá o direito para que, daqui para frente, todos os depoentes possam assim proceder. Isso aniquila a estratégia de investigação. Peço que V. Exª medite sobre isso, pois foi um precedente gravíssimo que foi aberto esta noite. Que se medite sobre isso independentemente, Senadora Heloísa Helena, de ser...

O SR. (Orador não identificado) – Ele é um Parlamentar, Deputado.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Mas não muda...

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL – AL) – Mas você está se dirigindo a mim por que, cara pálida?

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Não muda. Não muda. A lei é igual para todos sob o ponto de vista da investigação. Peço apenas que medite sobre isso, porque, amanhã ou depois, a estratégia de investigação...

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Obrigada. Está certo.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – ... de qualquer um dos membros da CPI será prejudicada por isso.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Feito o registro para a reflexão, Deputado Eduardo Cardozo.

Com a palavra o Deputado Carlos Abicalil

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Vou pedir apenas que se restitua, Sr. Presidente, o tempo adequado de modo que eu possa usar exatamente os dez minutos. E vou fazer uma reflexão junto ao povo brasileiro, assim como fez a proposta de reflexão o depoente e investigado hoje, ilustre Deputado Roberto Jefferson.

Houve aqui algumas assertivas...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Gostaria que se restabelecesse o tempo do Deputado Abicalil.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Está difícil, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Deputado Abicalil.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Mas vou tentar recompor...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Nas próximas sessões, vamos servir maracujá para todos os Parlamentares.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Agradeço a oferta. Gostaria de ter garantido a minha palavra, pois ouvi aqui, pacientemente, todos os oradores e oradoras. Não fiz qualquer perturbação quando outros estavam fazendo sua investigação.

O Deputado Roberto Jefferson apresenta uma reflexão, a partir dos seus mais de 20 anos de experiência política e de mandatos consecutivos, em torno da composição de forças e da organização de governos dentro do Estado brasileiro. E fez questão de dizer, inclusive, que a experiência que ele tem até de composição de cargos, de repartição de espaço dentro de governo, é uma experiência que vem de muito além do exercício de 2003 até o ano de 2005.

Creio que, nesse sentido, é importante saber, toda a população, o povo brasileiro, que, de fato, neste País, nenhum partido governa isoladamente, sozinho. Estamos em uma democracia que é representativa. E em que pese, ainda, a dicotomia entre Legislativo e Executivo, optamos por um regime presidencialista. E que, evidentemente, nem todas as condições de eleger maioria para o Executivo se repercute nos Legislativos dos diversos âmbitos: Municipal, Estadual e Federal. E que, portanto, dentro da experiência do Deputado Roberto Jefferson, a repartição de poder dentro do Executivo busca, na composição de forças, pactuar um tipo de procedimento entre os partidos políticos.

Portanto – e é bom que a população brasileira saiba –, se estamos num exercício democrático de representação, evidentemente não é ilegítimo que haja uma composição política para levar adiante o Governo. Então, o ponto um é restituirmos isso, sob pena de não termos a validação do regime democrático e do pluripartidarismo. Senão, só valeria o partido que toma o poder, o partido de assalto, ou a Arena do período militar.

O Deputado teve experiência de Oposição no MDB, se não estou enganado, ainda no período de Oposição. Sucessivamente, depois, o Deputado viveu governos, mencionou aqui que houve um período em que deixou de ser Governo, com o segundo período do Presidente Fernando Henrique Cardoso, preparando, inclusive, sua Base, seu Partido, sua coalizão, para sustentar uma candidatura à Presidência da República. E disputou legitimamente as eleições, obteve representação popular e trouxe para cá mandatos, evidentemente.

O Deputado menciona também que há, no exercício dos mandatos, as influências políticas e que parte da influência política, ao longo da sua experiência, também era medida na participação em espaços de poder, mediante quantificação de quanto isso representaria de exercício, de Orçamento, de organização vinculada a prestadores de serviço, a fornecedores, a industriais, enfim, ao mundo econômico. Acho que nenhum de nós é ingênuo de saber que isso se faz em qualquer governo. O problema não está aí. O problema é saber de que maneira o exercício desses cargos, o exercício dessas funções, a repartição desse poder está ou não ferindo os princípios republicanos de gestão da coisa pública, de desvio de dinheiro, de prática de corrupção ativa ou passiva. Concretamente, o fato que estamos apurando se origina de corrupção. E é esta a razão de uma CPI: ter gerado um flagrante de corrupção. Ou estaríamos aqui fazendo o quê? Enganando a quem?

Outra vez, o Deputado menciona que estamos em um teatro político. Isso também é verdade, Deputado Roberto Jefferson. Nós estamos em um teatro político. E, no teatro político, nesta arena aqui, nós interpretamos os papéis que originam a nossa condição de mandatários e de representantes de interesses, de setores, de partidos políticos. Portanto, é evidente que o partido político que está no poder, nesta CPMI ou em outra, tenha o dever de defender o seu governo.

Quero dizer que o Governo do Presidente Lula, nesta repartição, que recebe uma herança política de tempos passados, evidentemente teve de negociar para conformar sua maioria. E o senhor é testemunha disso, não apenas o seu Partido, como também outros partidos da base aliada. Até aí, estou dizendo que não há nada de ilegítimo. O que ocorre de ilegítimo vem no momento seguinte.

O senhor menciona, Deputado Roberto Jefferson, que os postos que escolheu no Governo Fernando Henrique Cardoso, dois ministérios, se não estou enganado – Ministério do Trabalho e Ministério da Agricultura – e um outro que não me recordo. Vou usar aqui, com a licença regimental, o termo da rua “porteira fechada”, “cabo a rabo”, todos os cargos desses postos. Alguém já mencionou aqui que não há inovação e há uma queixa de inovação. Qual foi a queixa de inovação? Não teve porteira fechada no Governo do Presidente Lula. Aqui, há uma diferença notória dessa cultura dos anos anteriores. Segundo, o que lemos, segundo, o que ouvimos. Tanto é assim que, em diversos exemplos que V. Exª citou, há participação plural, às vezes com gente do PT, do PMDB, do PTB, do PP, do PL, do PDT, originalmente do PPS. Portanto, há uma história que foi rompida, foi modificada por este Governo.

Passo, agora, Deputado Roberto Jefferson, a fazer apenas duas ou três menções a declarações de suas, em 9 de fevereiro de 2004, para a revista Istoé.

Pergunta a IstoÉ:

“Os políticos pedem mais empregos, menos ortodoxia e juros menores, mas a área econômica continua mantendo os juros altos e o espetáculo do crescimento não aparece. O que está acontecendo?”

Resposta de V. Exª:

Há um erro gravíssimo no calendário eleitoral do País. [O senhor hoje inclusive falou sobre reforma política]. As eleições não poderiam se dar de dois em dois anos. Essa eleição de prefeito sempre coloca em xeque a posição do governo. Medidas econômicas surtem efeito antes de dois, três anos. A reforma da Previdência é a mais profunda que já vi, sem dar um tiro, sem revolução. Se o governo pudesse aplicar a política econômica em dois, três anos, e começasse a abrir na hora da eleição, ela seria mais palatável. Por mais que Palocci (Antonio) e Meirelles (Henrique) sejam ortodoxos, eles vão ter que abrir para as eleições. Não tem saída.

Contesta a IstoÉ:

Abrir como?

Responde V. Exª:

Irrigar a praça com dinheiro, abrir o Orçamento, investir em obras públicas, gerar empregos, contratar 40 mil pessoas, fazer o que todo governo faz, senão perde a eleição. Perde, porque vira plebiscito.

A experiência de V. Exª retratou, por essas palavras, mudanças de comportamento. Mudanças de um governo que faz pacto, sim, mas em outro molde, distinto daquele que era o anterior. E a pergunta que faço, Sr. Deputado Roberto Jefferson...

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Sr. Deputado Roberto Jefferson...

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Quero garantir a minha palavra.

Sobre as alianças e os métodos, o Sr. Roberto Jefferson já se pronunciou.

A pergunta que fica, Deputado Roberto Jefferson, é se essa estratégia de fazer composição sem porteira fechada porventura interditou os esquemas que, ao longo dos 23 anos anteriores, funcionavam tão perfeitamente, tão hermeticamente, tão vinculados a pactos com o instrumento A, B, C ou D, de forças políticas e de imprensa, que nunca vieram à tona.

E, por isso, quero dizer, como o Deputado Henrique Fontana falou aqui: tenho orgulho do governo que muda e que faz um pacto em que a interdição de determinados interesses aflora, para que sociedade conheça de que modo ele se move.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra, o Deputado Roberto Jefferson.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Quero cumprimentar o Deputado Carlos Abicalil, do PT do Mato Grosso. Quero dizer que recolho as palavras de V. Exª, extremamente elegantes, fecundas. Achei importante a sua colocação. V. Exª discrepou, não quis montar armadilha, não partiu para uma linha de desqualificação, não partiu para uma linha de confronto, de desmoralização; pelo contrário, V. Exª fez uma colocação construtiva.

Concordo com V. Exª. E quero dizer a V. Exª o seguinte: meu Partido... E só há um cargo que peço ao Cotta que devolva, que é o Vice-Presidente da Caixa Econômica Federal. Não queremos mais que você fique aí, Cotta. Você é o único que está agarrado. Entrega, por favor. Nós não queremos.

Nós queremos que ele entregue, porque é o único que está agarrado. Eu queria que ele entregasse. Está ruim isso. Nós queremos, com todo o respeito, continuar apoiando o Governo do Presidente Lula, sem participar de cargo no Governo. Então, estou pedindo ao companheiro Carlos Cotta, do PTB de Minas Gerais, que hoje está em uma Vice-Presidência da Caixa Econômica, que devolva. É o último que falta devolver. Se Deus quiser, que ele devolva o cargo, para que a gente possa fazer isto, a mesma coisa que fizemos com o Presidente Fernando Henrique no seu segundo Governo: um apoio com total independência, mas apoiando os projetos do Presidente Lula, que sei em favor do Brasil.

Obrigado a V. Exª, pela oportunidade que me dá de falar assim.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Deputado Nelson Meurer.

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – Sr. Presidente, Sr. Relator, Deputado Roberto Jefferson.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Deputado Nelson Meurer.

Peço silêncio aos parlamentares e a todas as pessoas que estão participando desta oitiva.

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – Deputado Roberto Jefferson, tenho algumas perguntas a fazer a V. Exª. Elas são simples, de rápida resposta.

A primeira pergunta que queria fazer é se V. Exª conhecia de quem foi as indicações dos demais cargos de diretores dos Correios ou se V. Exª só tomou conhecimento após a publicação da revista Veja.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Depois da Veja.

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – O senhor conhecia o Sr. Marinho antes das denúncias vinculadas na revista Veja?

O SR. ROBERTOJEFFERSON (PTB-RJ) – Sim.

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – O Sr. Marinho se encontrou com V. Exª no gabinete da liderança do seu Partido?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sim. Eu já disse isso.

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – O senhor lembra qual foi o assunto tratado?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Foi fazer uma visita junto com Antônio Osório à liderança. Eu era Líder.

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – Agora tenho aqui algumas confirmações, ou não, suas. Apenas uma: que o senhor, no final do depoimento à Polícia Federal, disse o seguinte...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Ao Ministério Público.

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – Ministério Público, desculpe-me.

O senhor disse o seguinte: que acredita que o Sr. Maurício Marinho tenha montado uma estrutura própria, com o objetivo de aumentar o seu rendimento. O senhor confirma?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Confirmo.

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – Confirma. Muito bem.

Agora, eu queria fazer duas perguntas, apenas, no caso de afirmação ou não, no depoimento do Dr. Osório. O Dr. Osório, quando tomou conhecimento da publicação da Veja, ele diz o seguinte: que ligou para o Presidente do PTB que ainda não havia tido conhecimento da matéria publicada pela revista Veja. O senhor confirma?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Nós falamos no sábado, eu cheguei em Brasília no domingo.

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – Acho que foi o dia 14, que é sábado.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Deixe-me olhar aqui...

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – Ele disse assim: que ligou para o Presidente do PTB, que ainda não havia tido conhecimento da matéria publicada pela revista Veja.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Dia 14.

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – Dia 14, é verdade?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – É verdade.

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – No dia 15, no domingo, ele diz o seguinte: que no domingo foi realizada uma reunião na residência do Dr. Garcia Salmeron, localizada no Lago Norte, de cujo endereço específico não se recorda, da qual também participou o Deputado Roberto Jefferson. O senhor confirma?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Confirmo.

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – Aqui diz o seguinte: que, quando assistiu à gravação, pela primeira vez, juntamente com o Deputado Federal Roberto Jefferson, este mencionou que Molina teria tentado fazer chantagem com a gravação. O senhor confirma?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não, ele pode ter interpretado errado a minha palavra. Não é chantagem. Ele quis negociar e eu estou dizendo isso desde o primeiro momento. Ele quis negociar, em nome de empresários, a fita comigo. Ele não tentou me chantagear.

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – Então, o senhor não confirma o que ele falou aqui. Ele deve ter entendido mal essa resposta.

Deputado Roberto Jefferson, última pergunta. O senhor me desculpe, mas farei essa pergunta porque há uma pressão muito grande no meu Partido Progressista quanto ao que está acontecendo neste momento.

V. Exª afirmou no Conselho de Ética e reafirmou no programa Roda Viva, ao qual tive o prazer de assistir, quando lhe perguntaram em relação ao meu Partido Progressista: “O senhor viu, ouviu ou lhe falaram sobre a distribuição de dinheiro?”, o senhor afirmou que deduziu. Esta foi a resposta nesses dois eventos: que o senhor tinha uma dedução sobre isso. V. Exª confirma aqui essa afirmação nesses dois eventos?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Quero pedir perdão a V. Exª. Não são todos, mas eu não tiro Janene da minha colocação. Afirmo que o Janene está na operação do “mensalão”, afirmo por ouvir dizer.

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – Por ouvir... Por isso que eu disse...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Espere... Até pela reação...

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – Pela dedução...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Estou respondendo. Deixe-me contar para V. Exª. Eu estava uma vez no gabinete com o Ministro José Dirceu e ligou um diretor da Petrobras dizendo que o Janene estava lá dizendo que era operador dele.

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – Quando foi isso?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – No ano passado. E ele reagiu violentamente a isso: “Meu operador, não... Se ele voltar aí com essa conversa você manda prendê-lo.” Por ouvir dizer, eu sabia das operações do Janene.

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – Não, não...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – O Genu li agora, o assessor dele. Eu não conhecia o Genu, mas, sobre o Janene eu posso afirmar... está de cabeça nisso.

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – Por dedução ou por ouvir dizer é a mesma coisa.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sim, claro, por dedução e por ouvir dizer. E reitero isso.

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – Por dedução do que ouviu dizer. Era isso apenas o que o senhor afirma?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Afirmo.

O SR. NELSON MEURER (PP-PR) – Obrigado.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Deputado Jorge Bittar.

O SR. JORGE BITTAR (PT-RJ) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Parlamentares, Sr. Deputado Roberto Jefferson, em primeiro lugar, eu gostaria de registrar que episódios como esses que ocorreram e têm ocorrido nos Correios, enfim, os fatos todos decorrentes desse episódio são situações graves que merecem ser devidamente apuradas, mas que colocam todos nós, Parlamentares, em situação delicada, difícil, já que somos obrigados a ouvir um Parlamentar e a interpelá-lo em função de fatos que justificaram a instalação desta CPI, que, aliás, foi movida também a partir da iniciativa de V. Exª em subscrevê-la. V. Exª insistiu que constituíssemos este fórum.

Em segundo lugar, quero fazer um registro político de caráter geral, porque o tempo não permite que eu estenda a minha fala.

Registro que tenho muito orgulho do nosso Governo. Penso que estamos conseguindo fazer com que a economia brasileira siga uma trajetória de crescimento sustentado, o que é importante para todos nós, estamos gerando empregos, estamos com absoluto equilíbrio fiscal, exportando. O Brasil não tem vulnerabilidade em relação às flutuações do mercado financeiro internacional. O barril do petróleo foi, agora, a U$61 ou a U$62, e a economia brasileira está bem. A nossa Petrobras está bem. A economia está muito bem, obrigado. Isso se deve a uma política séria no que diz respeito à economia do nosso País.

Orgulho-me muito também das ações de nosso Governo: as mudanças profundas na área da Educação, com o Fundeb e a reforma universitária; as mudanças na área das políticas públicas de saúde; o Bolsa-Família, que rompeu com a fragmentação dos programas de transferência de renda; e uma série de iniciativas fundamentais.

Estamos honrando a história do PT, que já foi citada aqui por muitos Parlamentares. E queremos apurar tudo, como disse o nosso querido Presidente da República, doa a quem doer. Se tivermos que cortar na carne, vamos fazê-lo, Deputado Roberto Jefferson.

Gostaria de ouvir os comentários de V. Exª sobre minha avaliação acerca desse processo como um todo.

Em primeiro lugar, ouvi de V. Exª uma avaliação de que tudo foi uma grande trama que envolveu a Abin, o PT, o ex-Ministro José Dirceu, Delúbio Soares, Sílvio Pereira, entre outros, e de que tudo iniciou a partir de uma matéria plantada na revista Veja. Sinceramente, custa-me acreditar na consistência desse cenário construído por V. Exª, porque, no caso da revista Veja, basta ver a forma verdadeiramente panfletária com que essa revista tem tratado o Partido dos Trabalhadores e o nosso próprio Governo.

Em segundo lugar, há, sim, suspeitas graves de vinculação de arapongas possivelmente da própria Abin, mas não há registro, até agora, que ligue esses arapongas a uma ação institucional do Governo, a uma ação iniciada pelo Governo.

Em terceiro lugar, que interesse teria, Deputado Roberto Jefferson, o nosso Governo em atacar V. Exª? Que interesse teriam os integrantes do nosso Governo em atacar V. Exª, Parlamentar integrante da base do Governo? E V. Exª declarou a mim – e declarou isso hoje aqui também – que tinha muito orgulho em apoiar o Presidente Lula, que queria participar do processo de reeleição do Presidente Lula, talvez até fornecendo o candidato a Vice. E V. Exª falava do Ministro Walfrido Mares Guia, que tem recebido muitos elogios do Presidente Lula, muitos elogios meus e de todos que acompanham o seu trabalho sério.

Minha avaliação, Deputado Roberto Jefferson, é que houve uma perda de controle desse processo. Houve grupos de alguma maneira contrariados nos seus interesses na diretoria de administração. São eles os grupos ligados ao Sr. Wascheck, são eles os grupos de fornecedores dos Correios ligados ao Sr. Fortuna e muitos outros, que se uniram. Não por acaso, em vários momentos, fala-se que o Sr. Wascheck é representante de um grupo de empresários, que acabaram se envolvendo com o Joel, o Jairo, o Alemão, o Molina, todos especialistas em extorsão, em arapongagem e nessas coisas que aí estão.

Parece-me muito mais consistente entender o que aconteceu a partir dessa avaliação, desse cenário que procuro construir para V. Exª, do que a partir do cenário que, a meu ver, sinceramente, é fantasioso, tal como está sendo elaborado por V. Exª.

Em segundo lugar, quero registrar, Deputado Roberto Jefferson, que a diretoria ocupada pelo Dr. Osório, pelo qual temos respeito e apreço, é a Diretoria de Administração, e ela está entre as diretorias com maior orçamento dos Correios, Deputado Roberto Jefferson. Não é verdadeiro...

Tenho aqui os dados sobre despesas de custeio e investimentos dos Correios e despesas de pessoal, que mostram que o orçamento da Diretoria de Administração, somados custeio e investimentos, é de R$840 milhões/ano. Não é de se estranhar, porque, afinal de contas, essa diretoria é responsável por todo o suprimento dos Correios. Aqui se falou de uniformes, botas, alimentação, material de escritório e tantas outras questões que são fundamentais para os nossos Correios.

A Diretoria de Infra-Estrutura, citada por V. Exª, não tem um orçamento muito maior que o da de Administração, não. A Diretoria de Infra-Estrutura tem um orçamento de R$928 milhões, e a Diretoria de Informática, o item informática, tem um orçamento de R$386 milhões. Então, repito: R$840 milhões, no caso da Diretoria de Administração; R$386 milhões, no caso da de Informática; e R$928 milhões, no caso da Diretoria de Infra-Estrutura.

Deputado Roberto Jefferson, o Sr. Maurício Marinho não era um funcionário qualquer dos Correios. Ele ocupava uma função muito importante. Ele era o todo-poderoso chefe de um dos grandes departamentos, o Decam. Está logo abaixo dos diretores. Não é um funcionário de quarto escalão. Ele é um funcionário de segundo escalão, abaixo do diretor. E tinha assim uma...

Não quero incriminar o Sr. Antônio Osório, mas os fatos revelados na fita são muito evidentes, Deputado. São muito evidentes. Ali, o Sr. Maurício Marinho estava à vontade, estava falando a verdade dos fatos, não estava submetido a nenhum tipo de constrangimento, conforme revela a transcrição dos diálogos ou aqueles que assistiram às gravações ali efetuadas.

Quero que V. Exª reconheça isto: houve um fato grave ocorrido nos Correios que merece a apuração de todos nós aqui. Aliás, a história do Sr. Maurício Marinho contém, em muitos momentos, estreiteza enorme, relações estreitas com o PTB, como aqui se viu. Primeiro, é um sujeito desqualificado, porque, já lá na origem, levou um aparelho de ar-condicionado para a casa dele, levou trabalhadores dos Correios, exonerou-se antes de ser demitido para fugir à sindicância; depois, voltou à época em que o Sr. Salmeron estava na Vice-Presidência dos Correios. Tem uma trajetória toda tortuosa nos Correios. Teve relações com o tal de Valdemir Cardoso, que também acabou passando pela assessoria da Bancada do PTB. Ou seja, há fatos evidentes que revelam...

Veja bem, nós temos que apurar. Esses fatos não significam que V. Exª tivesse conhecimento pleno deles ou que o Dr. Antônio Osório o tivesse, mas que há fatos evidentes aqui registrados, quanto a isso, não paira a menor sombra de dúvida, Deputado Roberto Jefferson.

Finalmente, Sr. Presidente, no último minuto que me resta, quero me referir a outras denúncias apresentadas aqui pelo Deputado Roberto Jefferson.

Seria muito importante que V. Exª desse consistência, comprovação às denúncias que faz, como a da Skymaster, como as da Novadata. Tenho aqui informações sobre a Novadata, que procurei, como Parlamentar zeloso que sou dos interesses públicos, sobre uma empresa tão importante como os Correios do Brasil, que neste momento passa por uma verdadeira execração pública.

Essa empresa é motivo de orgulho para todos nós brasileiros, porque ela tem um padrão de qualidade e de eficiência reconhecido mundialmente, meus companheiros. Ninguém faz falcatrua nos Correios, porque há governança. O Dr. Osório disse isso aqui, Deputado Roberto Jefferson. Há governança, há controle.

Claro que, aqui ou ali, algum sujeito poderá desviar recursos, mas V. Exª não pode se utilizar daquilo que eu chamo respeitosamente de “a teoria do gambá”, para espalhar o mau cheiro como um todo e, supostamente, defender, elidir ou esconder fatos graves ocorridos ali naquela Diretoria.

A meu ver, o erro de V. Exª foi exatamente esse: ter suposto que havia uma grande armação contra V. Exª e de ter, em decorrência disso, tomado uma série...

Agora, a partir daí, há informações que estão sendo comprovadas. Vamos apurar! Claro! Se houver fatos graves, que estão aí sendo registrados, vamos apurar, vamos identificar responsáveis e vamos puni-los.

Por fim mesmo, sinceramente digo: Deputado Roberto Jefferson, assim como V. Exª, Presidente do PTB, pôde participar das negociações para ocupação de cargos, eu não vejo por que o Presidente do PT, José Genoino, ou o Secretário-Geral do PT, Silvio Pereira, não pudessem participar de discussões sobre a ocupação de cargos. Parece-me absolutamente legítimo tudo isso. Não me parece, pois, conveniente que se lance um véu de suspeição sem que haja comprovação real sobre envolvimento de Sílvio Pereira e de Delúbio Soares.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Muito obrigado, Deputado.

Com a palavra o Deputado Roberto Jefferson.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Respeito o Deputado Jorge Bittar. Sem dúvida é um dos melhores políticos do nosso Estado. Tenho orgulho de tê-lo apoiado para prefeito de uma capital nas últimas eleições.

V. Exª repare uma cosa: não critiquei a Novadata; pelo contrário. Fiz uma comparação com a empresa do Dr. Henrique Brandão, que é a maior corretora privada de seguros do Brasil, uma grande empresa. A Novadata é uma grande empresa, e eu sempre disse, em outras ocasiões, até de público, pela televisão, independentemente de a sua direção ter vinculação com dirigentes do PT. A democracia é isso! Por que as outras ficariam lá nos Correios se a Novadata tem esse padrão técnico de qualidade, empata em todos os critérios objetivos, e, na hora de decidir os critérios subjetivos, vai dar para as empresas dos outros partidos? Isso é democracia! E entendo que tem de ser assim. Não estou criticando a Novadata não.

Mas, agora vou falar com V. Exª com toda a serenidade: onde há fraude à licitação do Marinho? O Marinho foi apoiado levando uma “peteca”. Trata-se de um “petequeiro”, amigo: levou R$3 mil de um; R$2 mil de outro. Onde é que há fraude à licitação? Cadê a fraude que estamos examinando aqui? Nós estamos aqui em uma CPMI que foi montada a partir de uma fita obtida por meio ilegal, e a Polícia Federal prendeu todo mundo que fez a fita por meio ilegal. Então, pergunto mais uma vez: cadê a fraude à licitação? Não quero ser o advogado do Marinho, não; um “petequeiro” que usou indevidamente meu nome, porque não tem intimidade comigo. Eu não o coloquei lá; não encomendei serviços a ele; não é das minhas relações. O Deputado que o colocou lá já disse que o colocou. E nós estamos aqui discutindo o quê? R$3 mil que ele recebeu num final de expediente, vendendo uma intimidade comigo que ele não tem. Se V. Exª analisar a fita, ele é tão leviano que ele diz que coordena dezoito empresas estatais do Governo. Nem o Presidente Lula tem tanto poder! E ele diz isso na fita. Quer dizer: só vale o que é para me ofender e ao meu partido; o resto não vale.

Deputado, qual é a fraude que estamos investigando aqui? Qual é o objeto da CPMI? Os R$3 mil que o Marinho levou? Cadê a substância? Qual foi a ação criminosa? O Marinho está absolvido, Deputado. A fita foi obtida por meio ilegal; a Polícia Federal já instaurou inquérito contra os arapongas que fizeram aquela prova viciada contra ele. Não há qualquer fraude a licitação. Foi um barulho político. E eu, quando procurei o José Dirceu, senti que ele colocou aqui ó... Ele só me dizia que a preocupação dele era o Silvinho e o Delúbio; ele não tinha nenhuma preocupação comigo ou com o meu partido, aliado firme, correto com ele.

Eu disse isso ao Presidente Lula: “Presidente, o PTB é diferente do PP, que pode lhe fazer mal porque tem o Severino? Diferente do PMDB, que pode lhe fazer mal porque tem o Renan? Diferente do PL, que pode lhe fazer mal porque tem o Vice que trombeteia contra a sua política econômica? O PTB só tem lealdade a lhe dar e tem dado..” Mas acho que essa moeda não tem valor. Vi que o Zé Dirceu lavou a mão no sangue do justo. Eu não. Eu não, Zé. Eu não, eu não Eu não vou sair pela porta dos fundos, nem com o rabo entre as pernas. Não tem cabimento isso, não tem saída. Fui correto, fui sincero, fui leal, apoiei o Governo, de peito aberto, aceitei todo o jogo que me foi posto e estou vendo que a CPI está reunida aqui porque, não havendo fraude... Digam-me a fraude, a licitação que estamos examinando aqui. Não tem. Não tem! Há ali o Marinho levando uma “peteca” de três mil reais. E bota na minha conta, Deputado! Era mais fácil eu ter acertado o “mensalão” lá atrás a viver este sofrimento que estou vivendo agora – e tive que viver um ano e meio sob pressão de alguns companheiros dentro do PTB. Respeito V. Exª, um valor excepcional do nosso Estado. V. Exª é um grande político, e agradeço as palavras de V. Exª, que somam muito para a elucidação dos fatos nesta CPI. Obrigado, Deputado Bittar.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Concedo a palavra ao Deputado Jamil Murad por 10 minutos.

O SR. JAMIL MURAD (PcdoB-SP) – Sr. Presidente, Srs. Deputados, Deputado Roberto Jefferson, temos que partir do princípio que a afronta à lei não depende do tamanho da afronta. Portanto, ter flagrado o Maurício Marinho pegando ilegalmente R$3 mil é uma irregularidade. E, graças à denúncia feita por uma revista, estamos aqui e temos que investigar, buscar a verdade, punir culpados. Essa é a determinação da lei e o anseio da sociedade. Muitas vezes a pessoa não leva um pão para casa porque não tem R$5 e, se surrupiar R$5, vai preso. Ou, ainda, se pegar uma bicicleta, que seria de grande utilidade para ele, vai preso. E já vi pessoas presas porque furtaram bicicletas.

Temos visto aqui o seguinte. Eu quero colocar o meu depoimento, a minha intervenção e o meu questionamento no leito político. As perguntas que tenho inicialmente são as seguintes: Deputado Roberto Jefferson, o senhor recebeu um telefonema do Salmeron, voltou para Brasília para assistir à fita juntamente com Salmeron e Antônio Osório. E. logo em seguida, o Sr. Antônio Osório se afastou da função.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – A meu pedido.

O SR. JAMIL MURAD (PcdoB-SP) – Por que mandou que Antônio Osório se afastasse da função? Essa é a pergunta.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Para ser investigado. Pedi a ele que se afastasse para ser investigado.

O SR. JAMIL MURAD (PcdoB-SP) – E é o que estamos fazendo aqui. Após ver a fita, o Salmeron também pediu demissão. Muito bem. Então não é o tamanho da irregularidade, mas a existência de uma irregularidade que ofende o patrimônio público, e somos obrigados, tomando conhecimento, a investigar e tomar providências de acordo com a lei.

Eu queria, como segundo ponto, Deputado Roberto Jefferson, dizer que V. Exª erra. É uma pessoa inteligente. Não preciso dizer isso porque o Brasil todo percebe. No entanto, erra redondamente quando fala que o Governo colocou a Abin para te investigar.

Veja bem: o Sr. Joel, em 1992, conheceu o Sr. Arthur Wascheck. Ele trabalhava no Ministério da Educação, e lá o seu Arthur Wascheck disse o seguinte: “Vamos investigar irregularidades de licitação”. Está certo? E ali já estava a arapongagem, já estava o jogo sujo, a extorsão, etc.

Segundo, o Sr. Joel, Deputado Roberto Jefferson, foi a São Paulo, na Prefeitura, na gestão da Marta Suplicy para fazer uma arapongagem e detonar uma licitação da compra de um milhão de uniformes, porque achava que Alpargatas ou outra, não sei quais as outras firmas, não poderia vender para a Prefeitura. Ora, Alpargatas é uma firma conhecida. Muito bem, ele, por orientação de uma pessoa da USP, entregou essa irregularidade – aliás, não é irregularidade, porque não tinha irregularidade – essa investigação que ele fez a um vereador do PSDB, chamado Marcos Zerbini. A Prefeita desfez a licitação, refez a licitação. Ele impediu a compra daquele um milhão de uniforme. O terceiro fato muito importante é que o Sr Joel e o Sr. Jairo estavam envolvidos e contratados por Carlinhos Cachoeira para investigar aquele processo do Waldomiro Diniz. E acabou dando na cassação do Deputado André Luiz, que ocorreu recentemente.

Então, esse grupo, Deputado Roberto Jefferson, age se colocando como empresário, mas age também num processo paralelo, porque, ao detonar a questão dos Correios, eles indispuseram V. Exª com o Governo. E o Governo precisava do seu partido e de sua intervenção como Parlamentar, mas os acontecimentos levaram a isso. O Governo ficou prejudicado. No caso do serviço que eles fizeram para o Carlinhos Cachoeira, o Governo era o alvo, o Governo Lula era o alvo. E no caso da Prefeitura de São Paulo, campo do Presidente Lula, porque ele apoiava Marta Suplicy, também era... Então, V. Exª declarou aqui que passou para o outro lado, inclusive, como um partido de tamanho médio. Diz que defende um enxugamento dos partidos, uma reforma política enxugando que pode acabar até com o partido de V. Exª. Portanto, quer dizer, precisamos de reforma política democrática, que dê mais liberdade sincera para o povo se organizar em partidos, e não uma restrição em dois ou três partidos.

Então, acho que existe um processo perverso, porque a partir daí desencadeou uma tempestade contra o Governo Lula.

O Governo Lula vinha discutindo crescimento, vinha discutindo como diminuir o juro, estávamos fazendo pressão para ver como distribuir renda, como se faz mais investimento, como se atende ao setor produtivo. E agora a agenda do Brasil virou combate à corrupção. O Brasil está mergulhado na corrupção, como a gente vê o setor conservador aqui, a oposição conservadora, fazer.

Portanto, Deputado Roberto Jefferson, eu acho que o Presidente Lula é uma experiência histórica do Brasil. V. Exª fala que não quer atingir o Presidente Lula, e eu acredito nisso. No entanto, não tem como não atingir quando a cada momento, acho que V. Exª escolheu um caminho... A cada depoimento que V. Exª vai fazer, faz uma nova denúncia. V. Exª escolheu um caminho da defesa, do ataque para se defender, e quem perde é o povo brasileiro, é o Brasil, que deseja ser um país desenvolvido. Chega! A oposição que temos do imperialismo... A Condoleeza Rice veio aqui para impedir um encontro com os árabes, que era bom para o Brasil. O Presidente Fernando Henrique disse: “O que o Presidente Lula vai fazer na África? Não tem nada para vender. Aliás, eles nem têm dinheiro para comprar”. Isso que ele disse. Como se relações exteriores fosse só dinheiro, não a cooperação, o entrelaçamento, a aproximação dos povos.

Portanto, achamos – falo aqui pelo PCdoB – que deve haver investigação, deve haver punição dos responsáveis, mas, fundamentalmente, temos que enfrentar essa onda conservadora que é uma tsunami, uma tempestade para destruir uma conquista, uma construção do povo. O Presidente Lula deve fazer uma reconformação do seu Governo, precisa das forças políticas sinceras na busca de desenvolvimento, distribuição de renda e defesa da soberania do Brasil, e a parte do PTB que V. Exª falou que está apoiando o Governo, essa parte deve permanecer, ou até se ampliar, porque não conseguimos fazer votação, faltando dois, três, cinco votos, na noite passada. Um Governo não pode sobreviver dessa forma. A Oposição conservadora parece um urubu esperando a carniça. Eu, que vi o Getúlio morrer, eu, que vi a destituição ilegítima de um governo como o de João Goulart, eu, que vi tanta desgraça atingindo o povo para manter uma ordem política perversa, uma ordem social perversa, atuo nesta CPI para defender aquilo que o povo deseja. O povo deseja um Brasil no caminho do desenvolvimento, do progresso, do bem estar para si. Nós não podemos ser instrumento; temos que investigar, temos que defender o nosso povo, temos que buscar o caminho de defesa de uma sociedade melhor. No entanto, não podemos nos conformar com o que está acontecendo.

Amanhã irei a Goiânia. Vai haver uma manifestação popular em defesa do Governo Lula. Logo falaram... Não tem vontade de golpe, não há golpismo. Mobilizaram Maria Vitória Benevides, mobilizaram Roberto Romano na GloboNews, mobilizaram artigos, articulistas, políticos para não dizer que não havia golpe. Mas eu ouvi, os senhores ouviram aqui um Senador, quando foi falar, procurar mostrar o caminho do impeachment do Presidente. Isto não está afastado. Ou o povo defende a sua conquista, que é o Governo Lula, ou vamos ser carniça para os urubus da democracia do Brasil voltarem a fazer o seu piquenique aqui.

Obrigado.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Sr. Presidente, pela ordem. Apenas para defender a honra e a independência – tenho certeza que o Senador Suplicy concorda comigo – de Maria Vitória Benevides. Dizer que Maria Vitória Benevides é usada para complô para derrubar Governo é um desrespeito. Maria Vitória Benevides é uma das pessoas independentes deste País.

O SR. JAMIL MURAD (PcdoB-SP)– Não é isso, ela assina a luta contra o golpe. Ela é muito lúcida e merece o respeito da Nação.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – É um delírio! Delírio!

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Eu acho este debate inócuo.

O SR. (Orador não identificado)– Tem que haver liberdade de expressão aqui, Sr. Presidente. Cada um diz o que acha...

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – (Inaudível. Fora do microfone.)

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Deputado Roberto Jefferson.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Deputado Murad, V. Exª, do PCdoB, do Estado de São Paulo, é um dos Partidos mais corretos desta Casa. Sou amigo pessoal do Ministro Aldo Rebelo, com muita honra, sou amigo de Renato Rabelo, Presidente do Partido de V. Exª, e quero dar uma explicação a V. Exª.

Quando saiu a matéria, pedi a Antônio Osório que se afastasse para ser investigado, ele e o Godoy. Quatro semanas de linchamento, não dava para segurar mais na Eletronorte. O sindicato da Eletronorte começou a publicar matérias questionando o Salmeron. E nós acertamos de ele pedir demissão também, porque aí acaba a condição completamente de governar, de ser respeitado. Você é apontado no corredor como suspeito de um grande esquema de corrupção que não havia. E eu quero dizer a V. Exª que o Salmeron quase morreu na saída dele da Eletronorte. Foi aplaudido por quinze minutos de pé, por todo o quadro de funcionários, na frente de toda a imprensa que estava lá. Ele já é um homem de 65 anos de idade, tem dificuldade de respiração, começou a ter um ataque cardíaco, quase morreu porque se despediu. Disse: “Eu saio, porque estou prejudicando, na presidência, esta companhia, a Eletronorte, e a Eletronorte é maior do que eu.” Foi aplaudido por um auditório lotado, porque todo cana-brava petista, do PPS e do PcdoB na empresa era assessor dele. Todo, todo cana-brava, tudo lá era firme e certinho. E ele foi aplaudido de pé quinze minutos. Quase morreu de emoção, mas estava na hora de sair. Estava na hora de sair, porque não tinha mais condições, como eu. Eu renunciei à Presidência de meu Partido, o PTB. Licença é uma expressão; eu saí, eu renunciei à Presidência do meu Partido – as convenções serão em dezembro –, porque eu não podia passar por isso com a bandeira do meu Partido nas costas. Onde eu fosse, ela seria conspurcada. Ela sairia arranhada, iria perder um pedaço. Então, me afastei também, para ser investigado e passar por isso que estou passando aqui.

Abraço V. Exª, saúdo V. Exª e quero lhe dizer que o Presidente Lula pode contar com o meu voto, com o meu apoio até o final do seu Governo.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Passo a palavra, na seqüência, ao Deputado Carlos Sampaio, ao Deputado Álvaro Dias e, depois, ao Deputado Geraldo Thadeu. Deputado Carlos Sampaio.

O SR. CARLOS SAMPAIO (PSDB-SP) – Sr. Presidente, caro Deputado Roberto Jefferson, colegas Deputados, colegas Deputadas, tenho percebido, ao longo desse processo, tanto no Conselho de Ética, que integro... Aguardo, Sr. Presidente.

(Conversas paralelas fora do microfone.)

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado Carlos Sampaio com a palavra.

O SR. CARLOS SAMPAIO (PSDB-SP) – Eu dizia, Sr. Presidente, que eu tenho percebido, pelo fato de integrar tanto o Conselho de Ética como esta CPMI, ao longo deste processo, deste procedimento investigatório, uma tentativa, ora por parte de integrantes do Partido dos Trabalhadores, ora por parte da Base aliada, uma tentativa inequívoca de desqualificar o depoimento dado pelo Deputado Roberto Jefferson no Conselho de Ética. No primeiro momento, afirmaram textualmente, lá no Conselho de Ética, que ele não tinha provas para afirmar aquilo que estava afirmando. E eu, naquele momento, fiz uma intervenção, dizendo que o depoimento dele inaugurava os trabalhos do Conselho de Ética, ao invés de concluir, cabendo ao Conselho de Ética apurar devidamente as graves denúncias feitas pelo Deputado Roberto Jefferson. Num segundo momento, tentaram desqualificá-lo e disseram isso a mim em um debate na televisão, um Deputado do Partido dos Trabalhadores: “Como é que V. Exª defende as denúncias do Deputado Roberto Jefferson, quando ele mesmo disse que mentiu, no ano passado, no episódio para proteger a então Prefeita Marta Suplicy?” Eu disse: Para mim, quem assume que mentiu, tem verdade na sua fala, porque não é qualquer um que assume que mentiu. Assumir que mentiu, para mim, é um ato de verdade e não um ato a referendar que ele é de fato uma pessoa que não deve ser qualificada pelo seu falar e pelo seu proceder.

Num terceiro momento, tentaram desqualificá-lo, e eu percebo claramente isso, dizendo que integrou a tropa de choque do Collor e defendeu PC Farias. O Deputado Roberto Jefferson, acho que é prova, nunca nos falamos, não o conheci pessoalmente, exceto pelos corredores, nunca conversamos sobre assunto nenhum. Mas, quando tentam desqualificá-lo, dizendo que, lá, no passado, ele fez parte de algo, eu me pergunto, porque daí eu confesso que não entendo mais nada. Quando é para integrar o Governo, ele é uma pessoa proba, útil, interessante, que recebe um cheque em branco e que é chamado pelo Presidente Lula de parceiro. Agora, quando ele denuncia a corrupção no Governo do Partido dos Trabalhadores, ele é desqualificado. Então, o Partido dos Trabalhadores o qualifica para chamá-lo para integrar o time, mas o desqualifica quando ele denuncia corrupção dentro do Governo do Partido dos Trabalhadores. Eu digo isso, Sr. Presidente, porque, para minha formação, como Promotor de Justiça, algumas pessoas me perguntam por que eu estou aqui mais exercendo a defesa do que o ataque. E eu explico: porque a minha formação me foi dada pelo meu pai e aprendi com ele que um bom promotor de justiça é aquele que nasceu com o dom de defender, porque aquele que nasce com o dom de acusar só pode ser um infeliz por excelência. E quando eu defendo as denúncias feitas pelo Deputado Roberto Jefferson é porque eu estou defendendo a sociedade, que quer a apuração. A minha função aqui é apurar a verdade real. É o que eu estou fazendo no Conselho de Ética e é o que eu estou fazendo aqui, sem partidarizar, buscando a verdade dos fatos. Eu sinto, Deputado Roberto Jefferson, sinceridade na fala de V. Exª. Confesso que sinto muita sinceridade e firmeza nas suas denúncias e na sua fala. O que o motivou a fazer essas denúncias, a mim, confesso, Sr. Presidente, não me importa. O que me importa é apurar as denúncias feitas.

Dentro dessa linha – e aí eu vou para o questionamento –, se não me importa...

Deputado José Eduardo, com licença.

Se, por um lado, não me importa a motivação, Deputado Roberto Jefferson, eu confesso que me importa e muito o que motivou essa gravação. Quando inquiríamos aqui o Sr. Joel, o araponga, eu fiz um questionamento a ele, e o questionamento foi muito objetivo, se ele sabia da primeira fita. Ele disse que a primeira fita foi dispensada. Ato contínuo o nobre Relator pediu a palavra e disse: “Aqui, o próprio Arthur disse que dispensou a fita.” E eu ainda disse: “Dispensou, mas quem sabe não a destruiu. Então, solicito que seja requisitada a primeira fita.” Porque eu entendia que aquela primeira fita podia evidenciar o real interesse do Sr. Arthur. Para mim, importa muito saber se o que motivou o Sr. Arthur foi realmente aquela nobreza de propósitos que ele mostrou para o mundo, que era apurar um sistema de propina dentro dos Correios, ou se havia interesses outros por trás. E daí o porquê da importância dessa primeira fita. Eu, saindo daqui, para minha surpresa, me liga o Dr. Sebastião dizendo o seguinte: “O senhor é Promotor de Justiça. Eu acabo de ouvir o senhor falar. Eu sou advogado do Sr. Maurício Marinho e sou juiz aposentado. Eu gostaria de entregar a fita em suas mãos.” Ele me entregou, e hoje passei a V. Exªs. Essa primeira fita é muito relevante, porque a história do Sr. Joel é uma história minimamente estranha em dois pontos: no primeiro, quando ele diz que foi movido, na verdade, pelo interesse de apurar o esquema de propina. Só que, eu lendo o depoimento dele, ele cai numa contradição brutal, porque ele diz que foi contratado para apurar o esquema de propina e, um pouco mais abaixo, ele diz assim, textualmente: “Fui chamado pelo Sr. Arthur porque quem estava dificultando as coisas no Correio era o Sr. Maurício Marinho.” Quem dificulta as coisas, obviamente, é porque não as facilitou. Então, poderia ter um interesse comercial, pensei eu. E, num segundo momento, como a Diretoria de Tecnologia de Informática é uma diretoria importante, perguntei a ele se nessa primeira fita havia a conversa sobre a Diretoria de Tecnologia e Informática. Ele disse: “Não. Conversamos por alto”. Falei: “Mas não se comentou sobre o assunto Diretoria de Tecnologia e Informática?”. “Não. Não comentamos com profundidade sobre esse tema.” As duas afirmações feitas por ele que me pareceram estranhas.

Quanto ao Sr. Molina, o depoimento dele foi uma coisa que me deixou assim surpreso. Ao longo de dezoito anos de Ministério Público, nunca vi tamanha “cara de pau”, desculpem-me a expressão. Ele afirmou que, indo para o gabinete do Deputado Roberto Jefferson, no dia 3 de maio, por coincidência, ele parou em frente a um telão. E, nesse telão, conversavam dois jornalistas, Deputado Roberto Jefferson, sobre o tal escândalo que ia acontecer nos Correios. E que esse escândalo envolvia o nome do Sr. Maurício Marinho e envolvia também, por tabela, o nome do Deputado Roberto Jefferson. Ele ali passando pelo corredor, a caminho do gabinete de V. Exª, e ouviu essas pessoas comentando. E daí chegou ao seu gabinete para conversar sobre Belém, segundo ele, e, nesse momento, resolveu comentar aquilo que ouviu ali embaixo: “Olha, ouvi dizer ali, naquele telão...” E peço licença aos colegas, afirmando ele, sem nenhum propósito extorsivo, sem nenhum propósito de tentar negociar, para tirar a expressão “extorsão”, eu acho que o propósito dele foi, sim, o de negociar. Daí por que criei a primeira fita. Só que quando vi a primeira fita – os colegas aqui ainda não tiveram a oportunidade de vê-la –, o que salta aos olhos, o que efetivamente marca, são duas questões: primeiro, ele entra falando sobre a Diretoria de Tecnologia e Informática, do começo da fita ao fim da fita. E, num determinado momento, o Sr. Maurício Marinho é obrigado a chamar um técnico chamado Eduardo Coutinho: “Essa área não é minha, eu não entendo disso, mas esse aqui entende, entende das licitações”. E o próprio Sr. Geraldo dizia: “eu também vou trazer os meus técnicos, porque também não é um assunto que eu entendo”. Tratou do assunto “Diretoria de Tecnologia e Informática” do começo ao fim da fita. Primeiro ponto interessante a ser apurado, o que demonstra que ele mentiu. Portanto, fica aqui um requerimento para que ele seja reinquirido. Tanto ele como o Sr. Molina e o Sr. Arthur.

E, num segundo momento, uma preocupação dele. O Deputado Roberto Jefferson afirmou aqui que queriam envolver o PTB. Do começo ao meio da fita, ele tenta, a todo momento, jogar nomes de Deputados do PTB para ver se colava: “Não, esse eu não ouvi falar; não, mas esse eu soube que estava no esquema; não, esse eu não tenho conversa”. Maurício Marinho dizia: “Por que?”. Porque queria, de qualquer forma, macular o PTB. E aqui falo com a isenção de quem é do PSDB: queria, de qualquer forma.

Aí vem a minha indagação ao Deputado Roberto Jefferson: quando V. Exª fala sobre a Abin, que ela poderia estar envolvida, eu pergunto: estaria ela envolvida na medida em que o Sr. Sílvio foi quem indicou?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado, já se passaram quase dois minutos.

O SR. CARLOS SAMPAIO (PSDB-SP) – Não, acabou de encerrar o meu tempo.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Não, é trinta e nove. Conclua, Deputado, por favor.

O SR. CARLOS SAMPAIO (PSDB-SP) – São duas perguntas apenas.

O interesse da Abin poderia estar voltado ao fato de o Sr. Sílvio ter indicado para Diretor de Tecnologia e Informática alguém do PT? E por que desqualificar o PTB? Porque, desqualificando o PTB, o PTB não pleitearia, por exemplo, aquela Diretoria, e ela permaneceria ainda no comando do PT. Pergunta um. Se poderia ser isso. É uma ilação que faço. Daí o porquê do envolvimento da Abin.

E, dois: se o interesse, talvez, não fosse realmente comercial, do Sr. Arthur, para tentar, numa ponta, extorquir ou – usando o termo que V. Exª usou – negociar com V. Exª e, na outra ponta, tentar negociar ou pressionar o Sr. Maurício Marinho.

São essas duas perguntas, Deputado Roberto Jefferson.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Deputado Carlos Sampaio, V. Exª é um dos maiores valores desta Casa. Eu tenho olho clínico, tenho vinte e três anos de vôo aqui. V.Exª é Deputado Federal pela primeira vez. Vem de Campinas, era do Ministério Público, tem futuro. V.Exª começa a nos substituir, começa a tomar o lugar de velhos Deputados que já estão se aposentando. V.Exª é uma grande liderança, um grande Parlamentar.

Essa informação que a Abin poderia estar tentando obstaculizar a substituição do Dr. Eduardo pelo Dr. Ezequiel quem deu à Veja foi o Líder do Governo, Fernando Bezerra. Ele dá uma entrevista sim à Veja. Ele denuncia isso à Veja, não é? porque quando ele negociava com o Silvinho - todos esses cargos são negociados com o Silvinho – ele achou que o Silvinho estava criando embaraços para que o Ezequiel assumisse essa diretoria.

Depois ele vai à minha casa, na véspera do discurso que fiz aqui no dia 17, no dia 16, o Senador Fernando Bezerra esteve comigo para ler uma carta anônima que a Veja publicou.

Eu disse: eu não vou embarcar, eu não estou acreditando nisso! Mas é uma suspeita. Mas aquilo já entrou no meu espírito, eu lhe confesso isso! Por que tanta ligação com a Abin assim? Por que a Abin já possuía a fita? Se eles são apenas comerciantes, desprovidos de caráter - e eu também não tenho dúvida que eles são pessoas sem caráter, pelo que eu assisti aqui nos depoimentos na CPI -, por que a fita foi para a Abin? Por que o Estadão já anuncia que quinze dias antes ou vinte dias antes da publicação da Veja a Abin já tinha a fita? Por que no momento em que a revista é publicada a diretoria de informática fica escondida pela Veja?

Então, essas coisas começaram na minha cabeça. Esperei uma semana, esperei duas semanas, três semanas, quatro... Linchamento violento! Eu comecei a ver que o PTB estava sendo isolado, para ser desmanchado. Era mais fácil jogar o PTB aos leões do que segurar o companheiro e enfrentar a situação. Foi quando eu parti para o ataque. A motivação é essa. Eu reagi atacando, porque eu estava quieto. Toda a minha assessoria de imprensa me dizia: espera! Espera! Espera! Um dia eu disse: eu não vou esperar mais nada, vou para a frente, porque não é possível continuar sendo vítima dessa campanha demolitória, que não nasceu das revistas. Aquela da Época, do dia 6, não é uma matéria da Época, aquela veio de dentro de casa mesmo. Eu leio ali assinado: Abin, Casa Civil, tem assinatura aquela matéria. Por que botam o Durval? Porque era meu irmão, preto, porque eu ajudei um pobrezinho a ter...

Eu vou contar uma coisa para V. Exª: em Petrópolis, nessa época, eu consegui uma concessão de rádio influir, não é que eu consegui influir para o Francisco de Orleans e Bragança, o Príncipe, dono do jornal A Tribuna de Petrópolis, Rádio FM Tribuna de Petrópolis, ele veio falou assim comigo: Roberto, quer botar o seu pai aqui na sociedade comigo? Eu falei: eu não! Senão papai seria o laranja. Eu falei você vai ajudar o Helmut Lauterjung, que é o editor do jornal A Tribuna de Petrópolis, é pobrezinho. Se você está me oferecendo, então que quero que você transfira para ele a participação na sociedade da Rádio. E ele que é rico, dono da Companhia Imobiliária de Petrópolis, não foi chamado pela revista Época de meu laranja. Também consegui a concessão para ele.

Tem outra Rádio lá em Paraíba do Sul que hoje o ex-Prefeito Rogério Onofre é o dono dela, e eu consegui a concessão para ele, ele dono de uma imobiliária, e quando ele conseguiu a concessão eu falei: olha, você bota o Miranda da Light que aposentou, que é pobrezinho, no contrato com você. E ninguém disse que o Rogério Onofre é o meu laranja.

Hoje, estava lá a Época em Paraíba do Sul, porque hoje ele virou meu inimigo político, aquele negócio, você ajuda e depois .. o criador e a criatura! Ele é que está monitorando a revista Época lá em Paraíba do Sul contra a Abin. Ele que poderia ser o meu laranja, rico! O pobrezinho que é meu laranja! São essas coisas... Eu olhei a matéria, quando li a matéria da Época, vi como veio O Globo no dia 6, aquelas matérias que mentiam a meu respeito, relações que eu nunca possui, Li a assinatura, porque O Globo não tem esse arquivo de memória, não é isso, não é do jornal O Globo, e vi que todas as informações sobre nomeação saíam de dentro da Casa Civil. Todas essas pessoas que eu assinei, que nem sempre são indicadas por mim, quero que V. Exª entenda isso, eu sou o Presidente do Partido, o Deputado, como fez o Piauhylino, que graças a Deus deixou o PTB, de tanto mal que nos fez, quando ele me mandou a indicação, eu não quis saber de currículo. O Deputado é meu companheiro, e eu chancelei. Fui para a revista Época um bandido, porque indiquei aquela pessoa que era indicada dele. Ele não teve a hombridade de ir para à tribuna para dizer que foi ele que indicou.

Já o José Chaves, que é muito mais humildezinho, que indicou o Marinho, foi para a tribuna e disse: “fui eu que indiquei o Marinho. O Marinho é meu amigo de muitos anos”. Eu não me lembrava de Marinho. Não sabia quem era Marinho. Eu era o Líder da Bancada. O Presidente era o Martinez. Ele mandou uma carta ao Martinez e a mim indicando o amigo dele, que realmente é um homem altamente qualificado e tem um currículo qualificado – não sei como ele é na vida pessoal porque não tenho convívio com ele – para ser o reitor da Universidade dos Correios. Ele não indicou o Marinho para ser chefe de departamento. O Marinho é um grande funcionário da área de seleção e treinamento dos Correios. Não deu certo nessa área de administração, de licitação. Não deu. Cresceu na cabeça dele. Viu passar.

Eu tenho certeza de que tem o dedo da Abin aí, porque o Governo quis sair rápido da crise e quis botar no colo do PTB.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Passo a palavra ao Deputado Geraldo Thadeu primeiro, porque cometi um equívoco aqui. S. Exª deveria ter falado antes.

Passo a palavra a V. Exª, Deputado Geraldo Thadeu.

O SR. GERALDO THADEU (PPS-MG) – Sr. Presidente, cedo a palavra ao Deputado Álvaro Dia; falarei em seguida.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – A Mesa pede desculpas a V. Exª, Deputado Geraldo Thadeu.

O SR. ÁLVARO DIAS (PDT-RN) – Sr. Presidente, inicialmente, acho importante parabenizar V. Exª pela condução dos trabalhos, pois tem demonstrado tranqüilidade, serenidade, equilíbrio e cautela. Além do mais, tenho o dever de fazer isso por não ter votado em V. Exª, mas afirmo que os trabalhos desta CPI vêm sendo conduzidos de maneira exemplar.

Mesmo assim, estou preocupado com o andamento dos trabalhos desta Comissão que investiga as denúncias dos Correios. Sei que, em plena vigência do Estado democrático de direito, não cabe censura a nenhum Parlamentar, a nenhum integrante da Comissão, mas, às vezes, alguns Parlamentares acabam tergiversando, cometendo redundâncias nas perguntas. Isso não contribui para o bom andamento dos trabalhos da CPI. Além do mais, há freqüentes interrupções. Ontem, por exemplo, durante todo o dia, nós praticamente não ouvimos ninguém. Hoje, devíamos ter ouvido os dois diretores dos Correios. Ouvimos um, parcialmente. Isso me preocupa. Temos que dar o máximo de celeridade possível aos trabalhos de investigação. Não é brincadeira. Temos instalada no Congresso Nacional a CPI dos Emigrantes, a CPI da Terra, a CPI da Privatização dos Serviços Elétricos, a CPMI dos Correios, a CPI dos Bingos, e será instalada a CPI do Mensalão. Isso, sem falar nas investigações que estão sendo feitas pela Comissão de Ética e pela Comissão de Sindicância.

Assim, Sr. Presidente, temos que dar celeridade aos trabalhos.

Além de todas essas CPIs instaladas, existem as grandes questões que não podem ser esquecidas e nem podemos deixar de debatê-las, como, por exemplo, a questão da política econômica, dos juros elevados, do arrocho salarial, da saúde, da educação.

Hoje, tinha três perguntas para fazer ao Deputado Roberto Jefferson, mas elas já foram feitas. Se eu for fazê-las novamente, vai ser uma redundância.

Assim, Sr. Presidente, como forma de contribuir para o bom andamento dos trabalhos, vou encerrar as minhas palavras repetindo o que disse no início: precisamos acelerar, agilizar os trabalhos desta CPI.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado Álvaro Dias, até repercutiu um pouco o que V. Exª falou porque o que se observa, o que, evidentemente, não é uma coisa generalizada, é claro, mas estamos vendo muitas intervenções que são reflexões e fugindo das questões efetivamente ligadas às perguntas, à investigação. Acho que precisamos aperfeiçoar os trabalhos da CPMI exatamente com esse intuito. Perguntas repetidas, várias. Então, quero deixar claro que os comentários de V. Exª são muito pertinentes e vamos procurar, ao longo dos trabalhos, nos disciplinar, fazer isso, respeitando evidentemente a independência, a biografia e a história de cada Parlamentar. Mas acho que o comentário é muito pertinente.

Passo a palavra ao Deputado Geraldo Thadeu.

O SR. GERALDO THADEU (PPS-MG) – Sr. Presidente, gostaria que ajustassem lá isso.

Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer que, realmente, o Presidente tem conduzido muito bem, juntamente com o nosso Relator, os trabalhos. Claro que tem os momentos de dificuldades, de debates. Isso é normal, mas acredito que o Deputado Álvaro Dias colocou muito bem aqui a questão dessas reflexões. E desejo dizer que estamos diante de um problema muito grave em nosso País. É um momento difícil, grave. É o meu primeiro mandato, venho pelo PPS. Apoiamos muito o Governo Lula porque acreditamos que o País precisa melhorar, crescer, gerar emprego, desenvolvimento, e acreditamos nas mudanças, nas reformas. O Deputado Roberto Jefferson está sempre na Liderança do PTB e nós lá, com o PPS, unidos, trabalhando, mas o Partido dos Trabalhadores é teimoso. Quantas vezes buscamos a reflexão? Queríamos ser ouvidos sobre a questão econômica, sobre os programas sociais, sobre as condutas dos trabalhos do Governo, mas nunca fomos ouvidos, nunca fomos levados em consideração. Esse foi um grave erro que o Governo cometeu por teimosia, por cabeça dura. E hoje a situação poderia ser bem diferente. Então, vejo que essa situação de agora é complicada e vejo, Deputado Roberto Jefferson, que V. Exª, com uma coragem muito grande, homem muito inteligente, grande orador que é, neste momento tem a oportunidade de ajudar muito este País, de contribuir muito com o nosso País. Já está contribuindo.

Lembro-me que quando entrei aqui, numa das primeiras sessões da Câmara, ouvi um discurso do Deputado Pompeo de Mattos. Ontem, ele deu uma escorregada feia lá, mas é um grande orador também. Ele dizia: “O que estamos vendo aqui? Quem era a favor hoje é contra e quem era contra hoje é a favor”. Mas não o espírito nacional de resolver os problemas do País, porque às vezes um é de um lado e o outro é de outro lado; mas nós tínhamos de ter o interesse nacional em primeiro lugar, o que não tem acontecido muitas vezes.

Muito bem, vamos a algumas questões, caro Deputado Roberto Jefferson.

Entendi muito bem, até não entendia muito isso antes, agora é que me clareou alguma coisa, a respeito de nomeação, indicação para uma estatal, para uma empresa, de nomes, geralmente, tendo um fundo de ajuda partidária. V. Exª colocou e eu só gostaria de saber o mecanismo, caro Deputado Roberto Jefferson: Como é que essa contribuição é feita? As empresas contribuem através de facilidades ou manobras nas concorrências, nos cumprimentos dos contratos através de aditivos, no superfaturamento das obras e serviços, através das agências de comunicações - que ficou evidente no caso de Marco Valério -, ou na boa vontade das empresas?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Deputado Geraldo Tadeu, a minha orientação no PTB é através da boa vontade.

Repare V. Exª que eu já passei por tudo nesta Casa, esta já é a terceira CPI. Com toda a tranqüilidade, porque há uma linha amarela. V. Exª diz é afrouxamento moral? Eu acho que é. É uma espécie de afrouxamento moral, mas sem se praticar a imoralidade. A relação tem que ser uma relação que leva a empresa a ajudar o partido, sem extorsão, sem superfaturamento, sem aditivo contratual, diferente da Skymaster. Quem tomou atitude digna em relação a Skymaster nos Correios foi o Ministro Miro Teixeira. Depois a coisa degringolou, porque a relação tem que ser muito sutil. Você não pode abrir para todo mundo. São dois, três empresários que te inspirem confiança lá e que possam, sem superfaturar, sem ganhar contrato aditivo, sem cometer irregularidade em relação à empresa pública, ajudarem o partido. Como a gente faz essa relação política? Aí, porque o dinheiro faz a política, a política não pode fazer o dinheiro. A democracia é financiada pelo dinheiro, mas os políticos não podem se financiar do dinheiro que recebem da democracia. É isso que é diferente. É uma linha sutil, mas que é complicado.

Qual a dificuldade que vejo de todos aqui. Estou olhando aqui a prestação de contas, a minha. Quando a gente recebe doação na campanha é aí que está o problema. O que acontece? O empresário dá, mas quer dar por fora. Por dentro com preocupação para não aparecer no jornal, no jornal de televisão: aquele ali deu para o fulano de tal, é bandido. Essas coisas que temos que debater aqui com muita clareza, porque o financiamento é a democracia. O financiamento político não me compromete com a empresa.

Eu, por exemplo recebo da Taurus há dez anos, Taurus Forjas Taurus. Por quê?Absoluta afinidade com a Taurus Forjas Taurus. Ele já me financiou em campeonato de trap, de skeet, de fossa olímpica, de PSC, eu atiro, agora não, mas eu atirei até dois anos, ano passado, fazia mil tiros todo o final de semana. Era o meu esporte. Tenho afinidade? Tenho. Então recebi financiamento dessa empresa. O dono é meu amigo fraterno, do peito, Murgel, o dono da Taurus. Meu amigo fraterno, está lá, mas sempre que querem enxovalhar aqueles que se opõem aos desarmamentos das famílias, eu não defendo revolver na cintura, na rua, mas quero ter em casa.

Roberto Jefferson, da bancada da bala, é vendido a Taurus a R$50 mil. Isso é uma corrupção do financiamento. Não é por isso meu alinhamento, não é por R$50 mil que vendi minha opinião, Deputado, eu tenho um alinhamento ideológico com a posição. Desde garoto, com vinte anos, que eu pratico tiro ao alvo, mas Roberto, o senhor pode olhar: bancada da bala, no Viva Rio, Roberto Jefferson financiado por R$50 mil da Taurus.

O que fizeram com a minha filha por causa do Henrique Brandão, sábado. Se eu sou empresário, eu não dou por dentro para ninguém. Jornal Nacional, Cristiane Brasil, filha de Roberto Jefferson, recebeu de Henrique Brandão, parece que é bandido, o maior corretor privado de seguros do Brasil, que não ajudou só a mim, não. Ajudou Carlos Wilson a vida inteira. Vive se hospedando na casa do Cali, em Porto de Galinhas, em Pernambuco; ajudou o pai dele, Wilson Campos, até aqui na eleição que o Wilson disputou para Presidente da Câmara, e o Cali é do PT, gente boa, meu amigo, fui financiado por ele quantas vezes? Nunca foi bandido, é um homem sério, amigo com “A” maiúsculo. No momento bom e no momento ruim da vida da gente. Mas está lá: o Henrique Brandão é bandido, porque deu, por dentro, declarado na Justiça Eleitoral, R$90 mil para Cristiane Brasil. Se eu sou empresário e estou em casa, olho e digo: “Não dou nunca mais ajuda para deputado nenhum. Não dou; para aparecer assim na televisão?”.

É essa a discussão que vamos ter que travar daqui para frente. E a relação é essa mesmo que V. Exª me perguntou, Deputado Geraldo.

O SR. GERALDO THADEU (PPS-MG) – Muito obrigado, Deputado Roberto Jefferson. Acho que a sua resposta foi muito importante.

Gostaria de fazer algumas perguntas; depois V. Exª pode responder. É que eu perguntei por dois minutos, e ele deu uma resposta muito importante, muito esclarecedora, que levou tempo, é claro; até agradeço.

Quanto ao valor de R$45 milhões administrado pelo Marcos Valério, que acha que é pouco, que tem muito mais, V. Exª tem notícia e/ou indícios ou alguma pista de outros operadores de outras estatais, como o Marcos Valério?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não tenho não, Deputado.

O SR. GERALDO THADEU (PPS-MG) – Temos provas evidentes do Marcos Valério. São provas evidentes. Não adianta questionar, porque são evidentes. As contas de publicidade com as empresas estatais, os saques dos bancos, a agenda da secretária Karina, as ligações pessoais dele; e aí quero perguntar a V. Exª: os R$4 milhões entregues a V. Exª e ao tesoureiro do PTB foram entregues pelo Marcos Valério ou por outra pessoa?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Pelo Marcos Valério.

O SR. GERALDO THADEU (PPS-MG) – A questão das fitas, nós ouvimos aqui: o Maurício Marinho, o Arthur... Tivemos até um Mr. M aqui, Deputado Roberto Jefferson - acho que o Presidente Delcídio lembra-se bem, o Relator também -, de tão estranho que ele era: era o Sr. Molina. O Joel, o Osório... Olha, são muitas contradições. E a gente vê, claramente, que muitos deles não estão falando a verdade. Então, isso leva a crer que vamos encontrar problemas.

E considero que esta CPI não vai acabar em pizza não. Ela vai apurar, e o povo está esperando que apure. E para nós, do Congresso Nacional, é questão de moral apurar. E sabemos a questão do “mensalão”, das estatais... Estou muito preocupado.

Quando vejo Furnas, uma grande estatal que responde por 50% da energia elétrica do nosso País, fundada em 1952 pelo ex-Presidente Juscelino Kubitscheck, hoje administrada, inclusive, por um homem digno, que é o Dr. José Pedro, que tem uma ficha das mais exemplares no Brasil, ela está hoje colocada do jeito que está. E esperamos que tudo isso seja esclarecido.

Estou preocupado com a Petrobras. Caro Deputado Roberto Jefferson, se tiver alguma pista, fale para nós da Petrobras.

Tenho informações, às vezes, e gostaria de perguntar a V. Exª de políticos, ex-políticos que são colocados nas estatais em cargos de relevância, que inclusive usam de influência política para fazer campanha durante o tempo todo, não estando no mandato, por meio de campanhas, de doações, de patrocínio dessas grandes empresas, fazendo lá sua política, usando o cargo nas estatais como tráfico de influência. V. Exª tem conhecimento disso?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – E concorrem depois deslealmente com a gente. Inauguram obras em cima de nós, fazem extensão de obras em cima de nós. Eu sei disso sim.

O SR. GERALDO THADEU (PPS-MG) – Então, vamos ter a oportunidade de apurar tudo isso. Temos que ir fundo nessas investigações e apurar tudo isso.

Sr. Presidente, recebemos aqui as cópias dos contratos, mas gostaríamos de recebê-los por completo, com processo de instrução, o processo licitatório acompanhado, a execução e os aditivos todos, de todos os contratos que aqui estão.

E gostaria de dizer a V. Exª, Deputado Roberto Jefferson, que V. Exª tem hoje a oportunidade de ajudar este País a diminuir as desigualdades sociais que temos, que são gritantes. Existe muita gente passando dificuldades, e precisamos enfrentar essa realidade e amenizar o problema do nosso povo.

Muito obrigado.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Agradeço a V. Exª, mas nós temos oportunidade, todos nós.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PTB-MS) – Concedo a palavra ao Deputado Nélio Dias.

O SR. NÉLIO DIAS (PP-RN) – Sr. Presidente, eu, na realidade, não vou questionar mais quase nada aqui, nem fazer nenhuma pergunta sobre esse problema dos Correios. Tudo aqui já foi perguntado. Foram feitas diversas perguntas, diversos questionamentos, mas a minha conclusão é que realmente o sistema político brasileiro chegou ao final esta noite. Ele está literalmente falido. Não só por conta das denúncias de corrupção, não só por isso, porque esse é o sistema usado em todos os governos passados, mas pelo que acabei de ver e de ouvir hoje à noite, na introdução do Deputado Roberto Jefferson, quando ele adentra aqui esta comissão com uma mala e ameaça os 32 membros desta comissão, dizendo: “Aqui tenho as prestações de contas de todos vocês”. Como se fossem uma ameaça aquelas prestações de contas que foram aprovadas pelo Tribunal de Justiça, que nos diplomaram, com que este Congresso nos empossou.

Aí está a constatação de que precisamos é de uma reforma política urgente. Não de mais tantas CPIs, mas, sim, de uma reflexão destas duas Casas, para que essa reforma política chegue rápido, porque não adianta. De que adianta instalarem-se vinte, trinta CPIs, se o sistema continua o mesmo? Trinta e dois membros de uma comissão que foram diplomados, foram empossados. Um colega nosso chega aqui e diz: “Tenho os 32 membros na mão”.

Acho que essa contribuição que o Deputado Roberto Jefferson nos deu hoje à noite foi fantástica. Deputado Roberto Jefferson, penso que V. Exª contribuiu, mais uma vez, para com esta Nação, não só com as denúncias que fez, que serão apuradas, mas muito mais pelo sistema político nosso, que está falido, absolutamente falido. Chegamos ao fundo do poço, Sr. Presidente; chegamos ao fundo do poço. Que vergonha temos nós de apresentar uma prestação de contas que foi aprovada no Tribunal de Justiça? Quem está sub judice é o sistema político brasileiro, não nós, que já prestamos as nossas contas. Esse sistema político brasileiro, esse sim está sub judice.

Parabenizo, mais uma vez, o Deputado Roberto Jefferson, porque tirei a lição de hoje sem lhe fazer nenhuma pergunta, muito mais por essa reflexão que temos que fazer. Temos que apressar nossa reforma política, e não só mudar procedimentos políticos. Temos que fazer uma reforma, porque o povo brasileiro está precisando saber. É preciso que se dê uma resposta à nossa sociedade.

Só isso, Sr. Presidente.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Sr. Presidente, queria apenas dizer ao companheiro que, para político, fundo de poço tem mola.

O SR. NÉLIO DIAS (PP-RN) – Não, o sistema político...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Deputado Nélio Dias, compreendi bem V. Exª, mas não o ameacei. Eu disse que a raiz da crise está no financiamento político-eleitoral. A minha declaração também não condiz com a realidade – ela é muito menor do que o que recebi. Só que quem me deu não quer que eu declare. Essa é a verdade. E todos nós ficamos escravos desse sistema aqui. Até o PT ficou escravo desse sistema, porque quem doa não quer aparecer, porque tem medo de ser esculachado pelos formadores de opinião. Isso vamos ter que discutir mesmo. Não é que eu queira ameaçar as pessoas que aqui estão. Não interprete assim, porque a minha é igual a dos senhores: não condiz com a realidade; não porque eu não queira que ela seja real, é porque quem doou não permite que eu coloque a doação na minha declaração à Justiça Eleitoral. Agradeço a V. Exª.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Concedo a palavra à Senadora Heloísa Helena.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores e Deputados, Deputado Roberto Jefferson, primeiro, quero fazer uma consideração até porque não me senti nem um pouco agredida pela observação que V. Exª fez.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Eu queria que fosse corrigido o tempo da Senadora Heloísa Helena, porque não são cinco minutos. Ok.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Obrigado, Exmº, Ilmº Presidentíssimo.

A reunião de hoje é realmente sui generis. Estou até impressionada com a minha paciência, porque todos sabem que sou extremamente intolerante, mas, às vezes, o jogo de cinismo e dissimulação chega a tal ponto que, em vez de você ficar intolerante, você vai ficando nauseado, você vai ficando mais cansado. Hoje estou falando baixo, né? Estou falando bem baixinho. Tá bom.

Ao contrário de alguns que se sentiram agredidos com as considerações do Deputado Roberto Jefferson, quero dizer que é tudo igual. Isso é só pose de Senador e Deputado.

Sinceramente, Deputado, não me sinto nem um pouco atingida. Eu não tenho os “por fora”. Quando V. Exª disse que ninguém presta suas contas corretamente das suas campanhas eleitorais, eu recebi um monte de recadinho, de brincadeiras de pessoas que são meus amigos, que sempre me ajudaram em campanha, ou dos meus filhos, dizendo “mas não chegou nem o ‘por dentro’, imaginem o ‘por fora’”.

Tenha certeza V. Exª. Não quero ser a santinha do altar. Agora sou absolutamente responsável. Desafio qualquer um para dizer onde entrou o “por fora”, quem veio “por fora”. Isso realmente não dá. Para mim, não dá. É exatamente por isso que eu me sinto mais infeliz com todo esse processo não apenas de degeneração moral, burocratização que vejo no PT. Sinceramente, acho que ninguém fica mais triste do que eu. Não fica.

O dia em que V. Exª deu aquela declaração na Folha de S.Paulo foi justamente o meu aniversário. Todas as pessoas que ligavam para mim, no dia 6 de junho, diziam “que presente de aniversário”. É evidente que sei que essas pessoas que foram sendo citadas por V. Exª foram aquelas – algumas delas ainda não o foram – que comemoraram os açoites, as humilhações do verdadeiro tribunal do santo ofício, que, tal e qual o outro, de santo nada tinha, para me expulsar do Partido a que dediquei os melhores anos da minha vida para ajudar a construir. Como não posso pegar de volta os melhores anos da minha vida, não fico alegre. Gostaria de ficar muito alegre ao ver essa tristeza que está sendo estabelecida hoje aqui.

Mas estou absolutamente triste. Por quê? Porque o mesmo balcão de negócios sujos que condenávamos com veemência quando patrocinado pelo Governo Fernando Henrique, que fazia isso, o verdadeiro balcão de negócios sujos de distribuição de cargo, prestígio, liberação de emenda, poder e “mensalão”, porque “mensalão” é um dos componentes do balcão de negócios sujos, então, a mesma metodologia, os mesmos argumentos fraudulentos... Quando vejo aqui alguns Parlamentares, fico pensando: Deus do céu, a paixão realmente me cegou ao longo da minha vida, que eu não fui capaz de desvendar os mistérios sujos da alma de alguns. Porque nós passamos a vida dizendo que a partilha do aparelho de Estado não podia estar a serviço de gangues partidárias. Nós passamos a vida dizendo quem eram os delinqüentes de luxo do Brasil.

Eu fico impressionada, absolutamente impressionada, quando vejo aqui... Era V. Exª falando e o burburinho atrás: “desmoralizado”, “não tem autoridade”, “vigarista”! Mas um dia desses entregaram a V. Exª o aparelho de Estado para ser ocupado em postos-chaves, absolutamente em postos-chaves! Então, como é que um dia uma pessoa é uma coisa, é parceiro, é companheiro, dá cheque em branco, pode usar o aparelho de Estado e, no outro dia, não serve mais? É porque esse mundo da política, realmente... Que mundinho desmoralizado! Aqui não se tem amigos, aqui não se tem companheiros, aqui tem oportunistas, só, unicamente oportunistas.

É por isso que toda vez que V. Exª vai falar, Deputado Roberto Jefferson, vira um pandemônio – nesta Casa e em outras Casas também –, dos pequenos, que já foram denunciados, ficam torando aço, morrendo de medo de V. Exª denunciar mais alguma coisa, e dos que fingem que são “alto clero” dos grandes Partidos também. Eu não boto a mão no fogo pelo Senado para não virar churrasco. Não! Eu não boto a mão no fogo pelo Senado, porque tem muita gente no Senado e na Câmara que posa de “alto clero” com a estatura moral da “ralé clero”.

Então, por quê? Porque, se não é “mensalão”, deve ter outra coisa, porque, para mim, é a mesma coisa: se distribuí cargos, prestígio e poder; se eu entrego uma diretoria, que vem um contrato de milhões. Para mim é exatamente a mesma coisa. Agora alguns são mais sofisticados, falam melhor, falam mais organizado, ocupam melhores mansões no Lago, mas tudo à custa do dinheiro público também.

Então, eu só tenho dois questionamentos a fazer a V. Exª. Eu também estou absolutamente... Cada vez que eu vejo os depoimentos aqui, da arapongagem ou qualquer nome que seja dada à sabotagem, chantagem ou qualquer que seja, eu sempre fico muito irritada.

O Sr. Marinho já foi execrado moralmente e publicamente. Eu não sei por que essa reunião toda foi para falar do Sr. Marinho. Ele já foi execrado moralmente e publicamente; já foi execrado. Se vai ser punido na Justiça, se a gravação é ilegal, se a prova é ilícita, mas já foi execrado moralmente, já foi punido moralmente.

A diretoria de administração não é a única diretoria dos Correios. Ela não é a única. Ela tem um grande orçamento. O Dr. Osório – caso sejam identificados crimes contra a Administração Pública nas outras diretorias –, até pela responsabilidade solidária, ele será penalizado também. Eu inclusive insisto, antes que sumam, Sr. Relator e Sr. Presidente, que todas as atas cheguem aqui e também a nota jurídica, porque nós identificamos a nota jurídica que impedia a contratação, impedia de se fazer um contrato de publicidade com o Sr. Marcos Valério. Houve a nota jurídica, no dia 12 de junho de 2003, dizendo que contrariava a Instrução Normativa nº 07, de 1995, e a Secom fez lá o arranjo de trambicagem explícita, para que ele pudesse ser contratado.

Então, quero que V. Exª nos auxilie, já que estamos aqui dizendo que vamos investigar os crimes contra a Administração Pública ou indícios relevantes de tráfico de influência, intermediação de interesses privados, exploração de prestígio em relação aos Correios.... Aqui já se passou o dia todo falando da diretoria administrativa, do Sr. Marinho, da degravação que foi feita. Qualquer pessoa com um mínimo de racionalidade, que não queira fazer vigarice política, com um mínimo de racionalidade, quando vê a degravação em todas as fitas... Eu não entendo como é que um negociante contrata alguém para fazer um serviço sujo e todo o debate do serviço sujo que é feito não serve para nada para o contratador da operação. Nunca vi um negócio desse. Porque o homem vendia galocha, botinhas camufladas, capas de chuva e não sei o quê mais. Os arapongas, que foram fazer a contratação, não falavam nada disso, só falavam de Skymaster, Novadata, tecnologia, as brigas do PT, PMDB e PTB. Só falavam sobre isso. Então, não sei que contratação foi essa que eles fizeram. Como sei que a Abin é capaz de tudo... Aliás, não sei como essas pessoas foram contratadas. Estou impressionada com a declaração aqui lida do Sr. Marinho. Como ele foi contratado? Como ele foi contratado? Como ele tinha uma ficha podre e foi contratado para ser agente público? Realmente não consigo entender como isso é feito. Todos sabem que a Abin monta dossiê, cria, inventa, esclarece, mente e faz qualquer outra coisa porque é o velho mecanismo da chantagem explícita.

Então, são dois os questionamentos que tenho a fazer a V. Exª. Primeiro, já que passou o tempo todo falando da diretoria administrativa, como todos sabemos, o chamado gestor operacional dos Correios é dividido em sete diretorias, sendo uma delas o próprio Presidente. A diretoria administrativa já foi falada à tarde toda. Não há Freud que explique essa idéia fixa. Já falou; vai quebrar sigilo bancário, fiscal e telefônico; o processo de instrução virá; acabará sendo esclarecido. Mas há outras diretorias que quero que V. Exª possa nos subsidiar em relação aos indícios relevantes de crimes contra a administração patrocinado nas outras diretorias. Aí vai: Diretoria de Tecnologia, de Operações, de Recursos Humanos, Financeira, Comercial e Presidência. Nem vou entrar no debate de quem indicava cargo porque todos sabem que era assim mesmo. Aliás, todos sabem, não. Não foi o Deputado Roberto Jefferson que disse, não. Foi o Senador Fernando Bezerra. Não disse na Veja, não. S. Exª disse para a gente e, inclusive, teve a coragem de dizer que, se fosse preciso, ele diria em qualquer outro lugar porque ele procurou o Sr. Sílvio Pereira, nosso ex-Silvinho – porque não conhecemos mais ninguém –, e Sílvio Pereira disse a ele: “Eu tenho um cargo para lhe dar. É cargo meu e do PT”. E era o cargo do Ezequiel. Depois, o Sr. Eunício comunicou a ele que já não podia porque, a essa altura, já devia estar a briga do PT, do PMDB, do PTB para ver quem se apropriava mais das melhores estruturas de lá. Peço a V. Exª que nos ajude em relação a indícios. Aí entra tudo: Novadata, Skymaster, Xerox versus Canon, Correio Híbrido, HP, todos esses detalhes que são muito importantes para o nosso procedimento de investigação.

Sobre o outro ponto, que é fato relevante, não sei se V. Exª tem condição e precisão de nos dizer: logo no início, V. Exª informou aqui que foi procurado – e sai na imprensa até com as notas no painel sobre o comentário que V. Exª fez em relação à visita dos Ministros José Dirceu e do Aldo Rebelo. Gostaria de saber exatamente o dia – se V. Exª tem condição de lembrar – em que eles procuraram V. Exª e o horário com o documento ou verbalizando que o Sr. Marinho já tinha tirado V. Exª.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Foi na terça-feira, dia 24 de maio de 2005, na minha casa em Brasília, no apartamento funcional que moro na 302 Norte. Eles chegaram à minha casa por volta das 10h30min. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Olha, essa informação é muito precisa. Qual foi o horário em que eles comunicaram a V. Exª, Deputado Roberto Jefferson, que o Sr. Marinho tinha declarado que V. Exª não estava sendo citado por ele? V. Exª se lembra disso?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Vou pedir licença a V. Exª. No transcurso da conversa, por volta das 11h30min, meu advogado, Dr. Itapuã, levou, porque já havia, no site, no meio eletrônico, um boletim da Polícia Federal, comunicando isso.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Mas essa Polícia Federal é danada! Tenho o maior respeito...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Assessoria de Comunicação da Polícia Federal.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – E aí é que é grave! Veja, tenho o maior respeito pela Polícia Federal. Aliás, quando o Ministro José Dirceu e o Presidente Lula colocaram aquela tropa de choque da Polícia Federal para bater em mim dentro do INSS, a Polícia Federal do Brasil todo, por meio dos sindicatos e das federações, fizeram uma nota de protesto em solidariedade a mim. Agora, é absolutamente estranho que isso tenha acontecido, que tenha sido divulgado isso.

Veja, o Sr. Marinho estava prestando depoimento das 10 horas da manhã às 17 horas. Havia claramente medidas cautelares que foram determinadas pelo juiz para que fosse em sigilo. Se ele estava depondo das 10 horas da manhã às 17 horas, é óbvio que o delegado e a Polícia Federal jamais poderiam, na primeira hora que ele falou, com 40 minutos, divulgar isso, porque divulgar significaria um recado para V. Exª, porque ele podia se contradizer à tarde. Ele podia se contradizer até o final. Por que eles divulgaram antes? Para que o seu advogado, ou qualquer um outro, pudesse chegar para V. Exª e dizer: “Olha, pode abrir mão”, ou publicamente tivesse dito.

É um absurdo isso que aconteceu. É um absurdo, porque é um mecanismo absolutamente... é uma manobra da Polícia. A Polícia Federal não podia fazer isso. Ele ainda estava depondo até 16 horas e ficou lá até as 17 horas – os advogados sabem que o delegado termina de assinar o parecer no final –, e o estranhíssimo é porque foi um entra-e-sai desse delegado! Impressionante! A cada uma hora que falava o Sr. Marinho, saía ele ou era para atender telefonema ou era para fazer não sei o quê, como se estivesse tudo montadinho para dizer assim: “Na hora em que ele falar, manda para a imprensa para que o Deputado Roberto Jefferson amanse, e aí, portanto, não faça”.

Isso objetivamente tem que ser investigado, porque é uma coisa muito grave. Agora, apelo a V. Exª que nos auxilie em relação a esses indícios.

Além de uma outra coisa, que é importante. Acho que o Deputado Eduardo...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senadora Heloísa, conclua, por favor.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Estou terminando. Homem, fiquei com uma paciência gigantesca hoje.

O SR. (Orador não identificado) – E nós ficamos com paciência para esperar a vez de falar.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Hoje não se preocupe V. Exª. V. Exª não se preocupe...

O SR. (Orador não identificado) – Tivemos tempo, inclusive com o protesto dos outros que estavam na fila.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Eu estou só terminando. São 23 horas, ninguém está mais nem nos assistindo. Somos nós aqui, cumprindo nossa obrigação.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – É que o Senador Heráclito Fortes, o Senador Pedro Simon e o Senador Ney Suassuna estão nervosos aí, esperando.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Não, estão não. Quem está é V. Exª. Não bote para eles, não; eles não estão, não. Estão todos aqui obrigados a trabalhar, muito salário.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Estou embevecido, Sr. Presidente, para falar a verdade, ouvindo Heloísa Helena.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Nada, pode ficar. Não tem mais ninguém assistindo, não. Quem queria deixar por último para ninguém assistir, já não tem mais, não; só nós aqui, os queridos da TV Senado. Não tem nenhum problema, não. A questão é outra.

Uma outra coisa é se V. Exª, Deputado Roberto Jefferson, teve conhecimento – não sei se V. Exª já teve oportunidade de responder isso, porque acabei tendo que sair um pouco, em função de uma questão particular – de o Sr. Marcos Valério ter intermediado depósitos ou solicitado que V. Exª intermediasse um depósito no Banco Espírito Santo de mais de 600 milhões. Não sei se V. Exª já respondeu isso...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Falei disso sim. Mas eu volto a falar para a senhora.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Mais detalhes, por favor.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Ele me procurou em nome do Delúbio, quando surgiu esse impasse, agora no princípio do ano. Teve até um jantar na minha casa, que eu não sei se foi 27 ou 28 de março – eu, Múcio, o Emerson Palmieri, Genoino e o Delúbio, para a gente fechar a conta da campanha, que não fechava de jeito nenhum, e uma crise instalada, monstruosa no Partido. Como o Delúbio disse que não tinha recurso para atender, ele mandou, em princípio de abril, Marcos Valério falar comigo no PTB. Ele vem, ele tem uma mania, Senador, de escrever assim: ele vai fazendo contas no papel, me pedindo que fizesse uma intervenção junto ao Presidente do IRB para transferir a conta do IRB de um banco, que não sei qual é na Europa, para o Banco do Espírito Santo. São 600 milhões de dólares. Eu não sei onde é o banco, eu não me lembro onde é o banco.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Espírito Santo.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Espírito Santo é Portugal. Banco Portugal. Banco Espírito Santo é o terceiro banco da Europa, mas é em Portugal. Esse banco onde tem o depósito do IRB desde o Governo passado, já há uns cinco anos, não é o Banco Espírito Santo, é um banco inglês.

O SR. (Orador não identificado) – Mas o Marco Valério pediu para que banco?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Ele queria que eu entrasse em contato e eu falei que não vou fazer isso. Mas ele fala em números assim? Aí, liguei para o Genoíno e disse: Zé, esse cara é doido. Ele fala em números que não é possível, dinheiro não cai do céu, não existe isso, amigo. Ele falou: “Não, ele é firme”. É isso que quero dizer a V. Exª.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Mas ele solicitou alguma estratégia específica?

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senadora Heloísa, concluindo.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Eu imagino, Sr. Presidente.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não, ele queria que eu fizesse uma intervenção.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Porque, imagine, depositar 600 milhões, transferir 600 milhões. Imagine o que se pode ganhar em relação a isso? É por isso que estou perguntando a V. Exª.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – É isso que estou respondendo a V. Exª, as contas são mirabolantes.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Em relação às outras diretorias, V. Exª tem mais algo que possa acrescentar para nos ajudar na investigação?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não. A informação que eu tinha clara era a da Skymaster. Eu sabia dessa intervenção do ex-Ministro Miro Teixeira, reduzindo a cona. Tinha informação, depois daquela remajoração(?) dos preços, tanto que tenho dito desde o início: por que não vão investigar a Skymaster? São aviões de 18 toneladas que são pagos por terem 18 toneladas e que vão com 4 toneladas. Os contratos são em dólar, o dólar cotado a R$3,00, quando a moeda está sendo cotada no dia a R$2,45 e o Correio vem pagando à Skymaster no dólar a R$3,00.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – É só, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Senador Pedro Simon, depois o Senador Heráclito, Senador Ney Suassuna, Eduardo Suplicy e, para encerrar, reinscritos os Deputados Onyx Lorenzoni, Eduardo Cardoso e Eduardo Paes.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – E Senadora Heloísa Helena, inscreva-me novamente.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Mas são falas muito rápidas, Senadora Heloísa.

Vou sugerir que, na segunda fala, 5 minutos. Então, 3 minutos na segunda fala.

Com a palavra Senador Pedro Simon, por 10 minutos.

O SR. PEDRO SIMON (PMDB-RS) – Nós nos conhecemos de longa data, Deputado. Aqui nesta sala eu, participando de uma CPI e V. Exª de um lado defendendo o ilustre Presidente Collor de Mello.

Eu tenho dito, fale-se o que falar de Collor, a nossa CPI aqui atou com a mais absoluta liberdade. O Presidente colocou a Procuradoria, o Ministério Público e a Polícia Federal à nossa disposição para fazer as investigações. Eu coordenava aquela CPI, não conheço um Parlamentar que tenha sido acuado, recebido promessas de favores e coisa que o valha.

É verdade que, no seu estilo, na sua vaidade, o Collor não imaginava que a CPI chegaria nele, como nós também não imaginávamos. Talvez, por isso, ele tenha dito que, apurem o que apurarem, vou cumprir. Mas é importante. A CPI foi criada, funcionou, andou sem nenhuma pressão.

Mas agora estamos vendo CPIs em que não se está procurando atingir o mandato de ninguém. Há hoje um sentimento no Brasil defendendo que devemos fazer o máximo possível para que o Presidente se recomponha, reestruture seu Governo e caminhe para o fim. Mas, nessas CPIs que se criaram aconteceram fatos lamentáveis, retirada de assinatura. Se, quando entramos com a CPI, tivéssemos, no caso Waldomiro aqui no Senado, em que o Presidente... Os Líderes da Maioria recusaram-se a indicar os nomes, e o Presidente Sarney, que deveria indicar os nomes, não o fez. Entramos no Supremo, ganhamos por dez a um, e ontem foi instalada essa CPI. Se a CPI do Waldomiro tivesse sido instalada há um ano e meio, talvez seria o mote para que esses fatos que ocorreram depois não tivessem ocorrido. Se o Governo, em vez de forçar o Senado a proibir a CPI, tivesse liberado a sua criação, talvez a CPI não ocorresse.

Discordo muito de V. Exª. Defendo o financiamento público de campanha como grande saída. Acho essa proposta viável, junto com o voto distrital e com uma reforma partidária em que haja realmente a diminuição de Partidos aliada a uma política cujas verbas sejam públicas. V. Exª perguntou: “Mas de onde vem o dinheiro? Do povo, da comida, da escola?” Mas de onde vêm as verbas dos empresários? Da bondade deles? Do que sobra deles? Ou entra no custo da produção? É evidente que as verbas que eles destinam aos políticos entram no custo da produção, sem desconto de imposto, e sai muito mais caro.

Na minha opinião, os meus bravos amigos do Governo, do PT e companhia estão cometendo um equívoco muito grande.

V. Exª está sendo julgado na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, onde o seu mandato está em jogo. Naquela Comissão, discutirão o que é e o que não é, mas, nesta CPMI, V. Exª é testemunha, uma testemunha da maior importância, a mais importante. Diga o que disser, não devemos analisar que V. Exª esteve lá e agora está aqui; V. Exª esteve distribuindo cargos com o PT e agora está aqui; V. Exª era amigo íntimo do Lula e agora está aqui. Esse problema não interessa a esta Comissão. Esta Comissão não tem nada a ver com isso. Esta Comissão precisa examinar o fato de que V. Exª, a rigor, se formos analisar, não tinha motivo para romper com o Governo porque, ficando do lado do Governo, ganharia algumas coisas; ficando contra não ganhará nada. V. Exª teve o gesto de romper e falar. O mais importante não é o fato de V. Exª estar lá, romper e falar; é que V. Exª foi à Comissão, falou durante muito tempo. Mas onde estão as provas? “Eu não tenho prova”. Ficou aquela interrogação, e os homens do Governo dizendo: “Mas ele não tem prova”. Porém as provas foram surgindo naturalmente; elas vieram naturalmente. Apenas hoje, foram duas. Numa reportagem ao jornal Folha de S.Paulo, V. Exª disse que os diretores de Furnas estavam metidos na questão, e o Presidente da República demitiu os três. Hoje, V. Exª fala, às 20 horas aqui, que, além do Banco Rural em Minas Gerais, também aqui, no 9º andar do Shopping, na sede, há um esquema. E o Jornal Nacional noticiou logo depois o fato. Portanto, os fatos estão sendo provados, e V. Exª deve ser respeitado.

O equívoco dos meus amigos do Governo é querer desmontar V. Exª, desmoralizar V. Exª, ridicularizar V. Exª, dizer que V. Exª está errado. Não temos nada a ver com a vida de V. Exª. Não estamos discutindo a ética de V. Exª, a dignidade de V. Exª; se V. Exª é ou não é; os erros que fez ou não fez e o que deixou de fazer. Para quem quer apurar, V. Exª é o que temos de mais importante para buscar o esclarecimento e os elementos e, com isso, encontrar o caminho. Vejo pessoas brilhantes por quem tenho a maior admiração, companheiros do PT, que estão equivocadas. Não é assim! Mesmo que eles queiram ajudar o Governo, eles não o estão fazendo. Eles não estão prestando nenhuma ajuda ao Governo porque, desmoralizando o Deputado Roberto Jefferson, não somam dois mil réis para o Governo. O que importa é ver e analisar os fatos. O Governo deve se compenetrar de que tem a obrigação de ver, analisar, interpretar os fatos e decidir sobre a situação. No início, quando apareceram os fatos com relação ao Ministro da Previdência, que nunca podia ter sido nomeado, porque tudo o que se fala hoje do Ministro da Previdência já se falava antes de ele ser nomeado, dois anos antes. Então, não é dizer: nomearam e depois falaram. Não. Já se sabia de tudo. Mas quando saiu no jornal a matéria depois da nomeação dele, o Presidente Fernando Henrique disse: “Mas eu não vou demitir por causa de notícia de jornal”.

(Intervenções fora do microfone.)

O SR. PEDRO SIMON (PMDB-RS) – O Presidente Lula disse... O que eu falei?

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – É tudo igual.

(Intervenções fora do microfone.)

O SR. PEDRO SIMON (PMDB-RS) – É que Fernando Henrique também... Só espero que não seja praga para voltar.

Mas quando ele foi para o Supremo, o Procurador-Geral da República denunciou. A denúncia foi aceita, só falta ele ser condenado. Pela lógica, está aqui uma juíza que diga se não deve ser afastado um cidadão do cargo quando ele está sendo processado no Supremo Tribunal, afastado para que possa se fazer com isenção a apuração. E mesmo o Presidente do Banco Central, o Ministro e o presidente do Banco Central. As contas deles estão sendo analisadas. As vísceras dele estão colocadas a nu no tribunal, e, no entanto, esse cidadão... Diz-se que não pode mexer no Banco Central porque teme a Nação, e o Presidente não faz nada. Eu acho que aí é que o PT devia entrar. Aí é que os aliados do Governo deviam entender. Quer dizer, o que tem de ser feito, meus irmãos, é um choque de ética no Governo. O Governo tem que aproveitar esse fato não para desmoralizar o Deputado, que não resolve nada; não para querer esconder as coisas, que não resolve nada. Andando por aí, lá pelo Rio Grande, sentimos que há uma tristeza, uma mágoa profunda com relação ao País e à nossa realidade. Eu acho que aqui – falo de coração – nós tínhamos de nos juntar, nós que tínhamos de nos juntar para buscar o que está acontecendo, o próprio Lula deu o caminho: “Descubram, se tiver que cortar na própria carne, eu corto na própria carne”. Ele disse. Eu acho que devíamos partir desse princípio. Eu acho que tínhamos que caminhar neste sentido: deixar de lado o Sr. Jefferson, aproveitar e até dizer ao Sr. Jefferson que nem se estivéssemos numa Corte de Justiça americana, faríamos até um acordo: olha, Jefferson, conta tudo o que tu sabes, mas conta tudo mesmo, e nós vamos facilitar tua vida lá no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados. Mas não podemos fazer diferente, falando de coração.

Outra coisa que se podia fazer é, à margem dessas Comissões de Ética que estão aí, nos reunir para conversar. Não pode continuar. Não pode continuar. Nós não podemos continuar com uma, duas, três, quatro Comissões de Ética, brigando para instalar esta, brigando para instalar aquela, fazendo isso, fazendo aquilo; nós temos que tomar posição. Eu já propus a um grupo que vamos ao Presidente Lula, vamos debater, vamos analisar. Temos de sair dessa situação em que nos encontramos. É ridículo o Presidente Lula fazer um acordo com o PMDB, achando – coitado de meu velho MDB, ainda se fosse o velho MDB –, que se se juntasse ao PMDB ia salvar o Brasil. Mas não salva a pele dele coisa nenhuma. Não é por aí. Não é por aí. É um pacto de ética, de dignidade, de seriedade. É um chamamento geral. É bater na culpa: “Estive equivocado, eu reconheço que as coisas não são por aqui”, e mudar. Porque a maioria dos companheiros que vejo, do PT, estão magoadíssimos com o PT. A maioria das pessoas que conversam comigo, do PT, por onde ando, estão magoadíssimas com essas questões, com essas coisas que eles nunca imaginavam que iam acontecer. Acho que mudar é importante. O PT tem uma saída: mudar, mudar, e vamos ver o que fica, ou ficar nessa tese que está ficando aí, botando a cabeça para baixo e querendo arrumar um bandido e não sei o quê. E o povo vai dar um resultado muito triste.

Um abraço, Jefferson, pela tua competência.Eu disse que aquela tua manifestação lá naquele dia na Câmara, no Conselho de Ética, foi a peça mais bonita que vi em toda a minha vida no Congresso Nacional. Não entrando na análise da ética, mas no conteúdo, no brilhantismo, foi sensacional. E o fato de estares contando essas coisas, e se contares mais as outras que souberes, estará prestando um bom serviço a este País.

Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Senador Ney Suassuna, por dez minutos.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB-PB) – Muito obrigado.

Sr. Presidente, Srs. Senadores, Srªs Senadoras, Deputados, Deputadas, nobre Deputado Jefferson, V. Exª tem mais de vinte anos de militância nesta Casa, vinte e três anos.

Impressiona a mim a coordenação, a eloqüência, a inteligência de V. Exª. E não é só a mim que impressiona. Hoje, o clima nos corredores do Senado era de copa do mundo. Em frente de cada telão, as exclamações eram dessa ordem: todo mundo impressionado com a coordenação, com a inteligência e com a eloqüência de V. Exª.

V. Exª, em vinte e três anos de Casa, sabe como ninguém da hipocrisia que rola no nosso meio, que reina no nosso meio e também sabe como ninguém do preconceito que muita gente tem em relação a políticos. O público nos ama nas eleições, briga por nós. Depois, parece que vem uma tsunami e bota todos os políticos na mesma vala, como se fossem todos iguais e ninguém prestasse. Estamos em uma dessas ocasiões.

Eu acho que V. Exª exagerou até na dose porque V. Exª injetou nitroglicerina pura nas veias da Nação. É impressionante o teor explosivo das suas denúncias. Elas são tão fortes, que, no bojo da citação de V. Exª, basta citar um nome para que pareça que também tem corrupção, sujeira, ladroeira e tudo o mais, tão forte foi a mensagem de V. Exª.

V. Exª também é um grande criminalista. Advogou muitos anos, é bom de júri. Até lhe faço uma pergunta. Imagine que alguém procure V. Ex.ª e converse com V. Ex.ª sobre um assunto qualquer e uma semana depois cometa um crime. Que culpa tem essa pessoa com quem se conversou generalidades? A citação de V. Exª em dizer “o Senador Suassuna pediu que eu atendesse fulano” me parece uma coisa normal, simples. No meu Estado, por exemplo, a Oposição se valeu disso e disse “foi citado, foi citado no meio da corrupção”. Fiquei impressionado como a Oposição, imediatamente, aproveitou o alto teor explosivo das suas declarações.

O senhor assistiu ao depoimento do Sr. Molina?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Assisti a um pedaço, Senador.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB-PB) – Ele diz, no depoimento dele, eu indaguei e perguntei: o senhor me conhecia? Ele disse “não”. “Tinha alguma relação de amizade comigo?”. Ele disse “não”. “O senhor, quantas vezes foi em meu gabinete?” “Duas”. “Mas o senhor só falou comigo uma”. E o Sr. Molina disse “não, eu falei como senhor uma vez”. E eu não sabia, até o depoimento dele, que ele só tinha falado com o senhor uma semana depois. Eu achava que ele tinha falado.

Quando V. Exª dá ênfase e diz “mas o Senador me ligou várias vezes”, eu tenho certeza que o senhor, como eu, quem deve fazer as ligações é a secretária. Eu pedi para que ela fizesse e ela só passou para mim quando conseguiu. Se tentou uma, duas, três, quatro, e eu só falei uma vez. Não é verdade?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – É verdade.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB-PB) – Então, me causou espécie também quando o senhor, hoje, falou sobre a brutalidade e a incoerência dos mandatos como estão sendo cumpridos. Eu fiquei pasmo. Agora, a Senadora Heloísa falava ali uma outra coisa e me causava espécie também, porque foi a primeira vez – e reclamei do Diretor-Geral da Polícia Federal – que só porque um assessor meu que, da segunda vez que o Sr. Molina passou, eu não estava, mas ele encontrou e convidou para ir ao gabinete de V. Exª, ele teve um mandado de busca na casa dele, mas o mandato de busca só ocorreu no dia seguinte, porque a publicação nos jornais foi no dia anterior.

Eu dizia “eu não estou entendendo, Diretor-Geral: a Polícia Federal primeiro anuncia no jornal, vinte e quatro horas de antecedência, que vai fazer uma batida no dia seguinte? Parece polícia portuguesa”. Sem nenhuma ofensa aos portugueses. Mas, na brincadeira e fazendo aqui uma frase jocosa, eu nunca vi ninguém anunciar que vai fazer. Mas eu fiquei mais impressionado ainda quando esse mesmo cidadão foi chamado para depor no Ministério Público e perguntavam a ele sobre o IRB. E ele não sabia nada sobre o IRB, porque ele estava sendo acusado, entre aspas, de ter ido até o gabinete de V. Exª.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – O seu secretário?

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB-PB) – Assessor.

Então, eu fiquei impressionado. Quando V. Exª estava falando, eu pensei que realmente está havendo exageros. Exageros da imprensa, exageros do Ministério Público, exageros da Polícia Federal, e tudo para fazer divulgação, ora pintando com cores leves, ora pintando com cores demoníacas. É uma coisa impressionante.

Eu acho que V. Exª está prestando um grande serviço à Nação. A exemplo de Pedro Simon, eu acho a mesma coisa. E o PMDB quer muita firmeza nas investigações. O que V. Exª tem denunciado, lamentavelmente, para o Brasil, está se mostrando realidade. E temos que aprofundar.

Eu me regozijo aqui com o Presidente da CPMI, porque ele não tem sido parcial. Como um magistrado, ele e o Relator têm feito tudo para esclarecermos isso.

E eu queria dizer que, embora não sendo advogado do Sr. Molina, eu já vi o senhor dizer que houve uma acusação, depois ouvi o senhor dizer: não, acho que foi uma sugestão. Até achei jocosa a maneira como o senhor falou. Em vez de dizer foi uma sugestão, o senhor disse que foi uma sugesta. Disse duas vezes. E hoje o senhor disse que não foi nem achacado, tampouco ameaçado por ele.

Diga alguma coisa sobre esse assunto, porque esse assunto tem me angustiado. Hoje foi um dia terrível. Estou vendo que o seu dia foi muito pior do que o meu; além disso, ainda está aí acidentado. Mas o dia nosso hoje foi duro. Cheguei em casa, comecei a ver pela televisão, e disse: Eu não posso deixar de ir lá. E vim para dizer isso, da minha surpresa com a sua eloqüência, com a sua coordenação. Aliás, não é surpresa. Nós já sabíamos que o senhor é realmente um Deputado muito inteligente, muito atuante.

Agora eu o vejo como uma pessoa que, embora se defendendo, está tentando jogar luz sobre uma porção de lugares que precisavam de luz. Mas me faça alguma consideração sobre isso que acabei de falar com o senhor.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Primeiramente eu vou repetir o nosso diálogo ao telefone, quando eu o atendi: atenda um companheiro meu de farda.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB-PB) – Permita-me só dizer que eu nunca fui da Marinha. Farda porque, do mesmo modo que pareceu ao senhor um comandante, ele também me disse que era um comandante.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sim, mas ele mentiu para nós dois, Senador. Ele mentiu para o senhor, porque ele não é comandante da Marinha. Como o senhor é um velho amigo, o senhor diz que eu sou bom orador. Bom orador é meu pai, que é seu amigo. Papai consegue fazer uma coisa que eu jamais consegui: discursar em versos. Papai é formado em Matemática e Português, e fala em verso. Ele faz o caco do homem culto. E tem aquela voz dele de baixo barítono. Uma vez eu perguntei: Papai, como é que você consegue fazer isso, discursar em verso, criando assim? Ele olha uma criança e começa discursar sobre a criança, fazendo verso. Fala no céu, que vai para o céu, fala em...

V. Exª conhece papai, ele discursa em verso.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB-PB) – Claro.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – E ele diz, com aquela voz de barítono: Meu filho, ou é fácil ou é impossível. Eu digo: Para mim é impossível. O maior orador que eu conheço é o meu pai, o Professor Roberto Francisco, lá em Petrópolis. E o que eu disse, eu repito. V. Exª me ligou de espírito aberto, absolutamente de alma franca, e me disse: Atenda um companheiro de farda. E eu atendi o Molina. E ele sentou na minha frente e não falou em seu nome não. Ele usou o senhor para furar o bloqueio do meu gabinete, porque eu não queria falar com ele. Eu não gostei da maneira como ele se referiu a pessoas sérias: sem seriedade. Achei que ele era um cabra horroroso. Achei ele uma pessoa horrorosa. Ele se apresenta como comandante e não é comandante.

E eu quero dizer a V. Exª que o único crime que V. Exª cometeu foi ter sido gentil com um homem da Fundação. Porque aí, sim. Ele é consultor da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB-PB) – E trabalhando para um amigo comum nosso, Duciomar Costa.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Duciomar. Então, quando o senhor me ligou eu o atendi em meu gabinete. Não achei, Senador, que estava me ameaçando. Eu o achei tão vagabundo, tão vagabundo, tão inconsistente, que não levei a sério a conversa. Tenho uns amigos que têm uma fita do Marinho. Falei: piorou, agora. A Conversa já era ruim. Faça-me um favor, guarde a fita no cofre. Creio que fui um pouco indelicado com uma figura tão doce. Se foi da Marinha, não saiu do barril. Aquele não saiu do barril.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Concedo a palavra ao Senador Heráclito Fortes.

O SR. HERÁCLIO FORTES (PFL-PI) – Sr. Presidente, Srs. Senadores, Deputado Roberto Jefferson, o Brasil inteiro ouve o depoimento de V. Exª.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Por favor, que a assessoria técnica do Senado marque os dez minutos, por favor.

O SR. HERÁCLIO FORTES (PFL-PI) – Não me importa o adiantado da hora.

O velho Ulysses Guimarães, com quem tive a oportunidade de aprender muito, dizia que em uma CPI, em uma crise, o que havia de mais importante era sua excelência “o fato”. Estamos vivendo, esse dias, por um fato criado por V. Exª, que foi a coragem de rasgar um tumor que se sabia existir no Brasil, uma prática que estava sendo usada. Evidentemente, ninguém sabia com grandes detalhes, ninguém sabia a fundo como a coisa era operacionalizada. Mas até um cego via, Deputado Roberto Jefferson, pelo comportamento diferenciado que o PT apresentou nas duas últimas campanhas. Na primeira houve aquela expectativa pela eleição do Lula. Sua Excelência sempre lá na frente das pesquisas. Na segunda, a de prefeitos do Brasil inteiro, não. Essa campanha foi vergonhosa. Enquanto se procurava, em Estados pobres como o meu, resolver problemas de palanques com pequenos conjuntos regionais, eles ostentavam bandas. No Brasil inteiro. O Partido se vangloriava de ter uma dupla sertaneja dessas para fazer shows três ou quatro vezes por dia. Havia um jato para a banda, outro para o conjunto. Eram dois ou três jatos voando pelo Brasil inteiro na maior ostentação que se poderia ver nos últimos tempos. Em alguns casos misturou-se o público com o privado. Dou um exemplo, levou-se Arthur Moreira Lima a Teresina para fazer shows pagos pelo Banco do Brasil. Paralelamente, fazia shows em cidades próximas na campanha do PT. Tudo isso foi denunciado.

Mas parece que a opinião pública, de repente, fica anestesiada. Aprendi que defeito de Governo só começa a aparecer quando dobra o cabo da Boa Esperança, do segundo ano em diante.

Conversei com várias pessoas, meses antes, prevendo a derrota do candidato do PT, que depois ficou definido que seria o Sr. Luiz Eduardo Greenhalgh. Mas previa porque sentia, como V. Exª declarou depois, aquele ambiente de insatisfação que reinava entre a base de apoio do Governo.

Estou nesta Casa há vinte e cinco anos. Converso com todo mundo. Tenho essa liberdade. Ouvíamos. Não sabia a maneira, não sabia o modo.

Sr. Presidente, o homem público tem que ter cuidado quando vê a mudança das pessoas. Infelizmente, tiraram o Presidente Lula de sua origem no dia de sua vitória, os maus companheiros. O Presidente Lula foi comemorar a vitória na Avenida Paulista, Deputado Roberto Jefferson, saiu lá da sua região, da cidade dos trabalhadores, em um helicóptero Rolls-Royce. Naquele mesmo dia teve dois encontros de comemoração, antes de ir à Avenida Paulista, em dois hotéis de multinacionais, nas proximidades. Deixou o hotel Maksoud, que é um hotel nacional em processo de decadência e crise financeira, no esquecimento.

Se você comparar a origem de vida dele e a do Collor, representa, a meu ver, o que representou para Collor aquela viagem às ilhas Seichelles. E, de lá para cá, tudo mudou.

O PT era um Partido fiel ao velho e decadente Hotel Torre, em Brasília. Mudou para o Blue Tree. Aquela mania da pinga foi trocada por whisky, selo azul, de não sei quantos anos, complementado com o mal gosto que é tomar um whisky dessa idade com guaraná. A Casa Colombo, que vestia a maioria do PT com seus blazeres mal cortados, foi substituída pela do Sr. Ricardo Almeida. Até o Porcão foi criado. O PT passou a viver uma nova vida. E ninguém procurava saber de onde isso veio, por que mudou de costume, e as coisas foram se sucedendo.

Na campanha de 2002, houve a primeira denúncia, que foi abafada por uma revista, de encontros de arrecadadores do PT com empresários em hotéis de São Paulo. Isso tudo foi abafado.

Mas é isso, a panela de pressão vai ganhando corpo, vai ganhando corpo, e estoura. O PT paga um pouco pelo muito que fez com os outros no passado. V. Exª se lembra que por se encontrar no cabeçalho de uma agenda o nome do Sr. Henrique Hargreaves, que era chefe da Casa Civil de Itamar Franco, esse homem foi execrado pelo Partido dos Trabalhadores como se corrupto fosse, em uma injustiça que se cometeu. Ele teve que se afastar da Casa Civil, e voltar posteriormente.

Com o Sr. Eduardo Jorge foi a mesma coisa, a mesma campanha de massacre. Se compararmos os erros do atual Governo com os do Governo do Presidente Collor, a partir do vôo do helicóptero até a presente data, vamos ver as semelhanças.

Umas das coisas, Sr. Presidente, que mais desgastaram o Governo Collor foi ter montado um esquema paralelo para fiscalizar fundo de pensão pelo então chefe da Abin no Palácio do Planalto, o Sr. Pedro Paulo. Criou grandes prejuízos ao sistema, desenquadrando e fazendo com que investigações fossem feitas.

Hoje, fundo de pensão que é vinculado à Presidência Social é administrado, como o Brasil todo sabe, pela Secretaria de Comunicação. São os mesmos erros. Há mais de dois ou três meses, fala-se que há irregularidades na Cobra. O Governo não toma providências. Fala-se em uma transação entre essa Cobra e o Banco do Nordeste. E que há, no Banco do Nordeste, um diretor com ligação familiar a um grande dirigente nacional do PT. Não sei quem é o dirigente, mas é preciso que essas coisas sejam apuradas para que se preserve a biografia do Presidente Lula.

V. Exª disse uma coisa, Deputado Roberto Jefferson, que merece uma reflexão, principalmente da Justiça Eleitoral. Na campanha de 2002, eu era candidato a Senador. O que mais me assombrava era fazer alguma coisa errada. O candidato a Governador foi nosso ex-colega aqui, o Sr Wellington Dias, que, quando Deputado, denunciou 148 prefeitos. Vários desses prefeitos pagaram o pão que o diabo amassou. Eu disse: “Vou fazer tudo direitinho!”. Fiz minha campanha, e a minha declaração foi em torno de dois milhões e seiscentos. Mais ou menos isso. Fui denunciado pelo Presidente do Partido, Deputado João de Deus, de que eu tinha feito uma campanha milionária, que eu gastava mais do que a de São Paulo.

Realmente, Senador Eduardo Suplicy, gastei mais do que a candidatura de José Genoíno e do Senador Aloizio Mercadante. Não sei que tipo de milagre fizeram em São Paulo para gastar tão pouco, mas tenho certeza de que fiz aquilo com a minha consciência.

Sabe quanto o Deputado João de Deus declarou em sua campanha para Deputado estadual no Piauí? Vinte mil reais. Imagine. Isso em um Estado com 222 Municípios. Imagine.

Se examinarmos a prestação de contas do candidato a Governador, não há nem combustível. Aí se justifica: “Mas o Partido tem uma estrutura de arrecadação”. Mas cadê essa estrutura? Quem arrecada? Como arrecada? É uma caixa preta.

Essa realidade eleitoral, essa hipocrisia é que é preciso ser combatida com recursos públicos de campanha ou com recursos privados. Até o momento, tenho minhas dificuldades de aceitar o recurso público pelos mesmos motivos que o Deputado Roberto Jefferson e que outras pessoas. Em primeiro lugar não temos fidelidade partidária. Um partido financia com recursos públicos e, no dia seguinte, o eleito troca de partido por um interesse imediato. Você está recebendo recursos de campanha em um Estado em que não se tem sequer escola para as crianças. Tenho minhas dúvidas.

Sr. Presidente, o Deputado Roberto Jefferson disse-me uma coisa que precisa ser analisada com seriedade e dedicação com dois aspectos. Falo dessa solicitação de aplicação de recursos do IRB em um banco português. Primeiro, isso aconteceu, Senadora Heloísa Helena, no exato momento em que a gente lutava aqui com uma CPI que combatia a evasão de recursos. O PT, como paladino da verdade, fez acusações contra homens públicos. E, inclusive com a ajuda de um servidor da Polícia Federal, assacou contra a honra de quatrocentos políticos. Essa lista nunca apareceu. Ficou reduzia a três ou quatro pessoas, que já respondiam a processos. Eram o Sr. Maluf, o Sr. Celso Pitta e mais uns dois ou três. Quando foi-se fazer a checagem eram homônimos. Era coincidência, era erro do CPF. Essa CPI acabou no dia em que se chegou em uma ferida chamada PT. Quando chegamos a uma questão envolvendo o Partido dos Trabalhadores tivemos uma confusão, comandada pelo Senador Arthur Virgílio e o Partido dos Trabalhadores. O PT dizia que qualquer dinheiro mandado para fora era “lavanderia”. Encheu-se de dignidade. Dois meses depois, descobriu-se que o Presidente do Banco do Brasil e do Banco Central tiveram empresas que funcionavam nas ilhas que condenavam e fazendo aplicações do mesmo jeito, Srª Juíza.

Creio que isso vai servir de lição. Na véspera da eleição municipal, Sr. Presidente, fui visitar o Município de Barreirinhas, no Maranhão, levando uns amigos de fora. Fui acusado pelo candidato do PT a prefeito de Barreirinha de estar na cidade levando dinheiro para a campanha do Maranhão. Não tinha dinheiro nem para a campanha do Piauí. Passei por um constrangimento. Tive meu carro seguido, minhas malas revistadas. Exigi que o juiz desse declarações de que não havia nada. O juiz, no dia, escondeu-se. Tive que acionar o tribunal. Depois, vi que o juiz tinha ligações – inclusive de invasão de terras em Barreirinha – com o irmão do candidato a vice-prefeito.

Causou-me surpresa uma jornalista de São Luis, de nome Jaqueline Rauli ou qualquer coisa assim...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral.PTB-MS) – Senador Heráclito Fortes, pediria a V. Exª...

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Sr. Presidente, esperei tanto tempo! Gostaria de concluir só para mostrar isso.

Deputado Roberto Jefferson, essa moça mandou correspondências, e-mails, para a imprensa de Teresina. O que me salvou foi que quando a notícia chegou à Brasília, para ganhar foro nacional, na central de apuração montada, estavam os Deputados Greenhalgh e Sigmaringa. S. Exªs imediatamente me localizaram. Solidarizaram-se comigo e deram outra curso aos fatos. Vejam como a Justiça tarda mais não falha. Essa moça, eu não sabia, é filha da candidata à Deputada Estadual do PT de São Luís, que agora é acusada por ter recebido uma mala de US$150 mil, que nunca chegou ao Maranhão. Se chegou ninguém a recebeu, mas saiu de lá. Só espero que essa senhora, que não conheço, seja tão inocente quanto fui. E que sua filha, a jornalista Jaqueline, aprenda agora a ser responsável com o exemplo que teve com a mãe. Quando outro fato como esse acontecer que tenha, pelo menos, a dignidade de ligar para o acusado para, ao menos, ouvir a sua versão.

O PT jogou um seixo de pedras para cima, Sr. Presidente, e elas estão caindo sobre sua cabeça. Espero até que essa seja uma lição pedagógica. Ainda há tempo. Virgem não é mais. Antigamente, o PT exaltava a honradez de todos os seus membros. Hoje, vi a Senadora Ana Júlia, com muita insistência, defender, pelo menos, a do Ministro Patrus Ananias. Mudou muito, se nivelou! Mas eu acho que isso faz parte do jogo político de quem assume o poder. E o PT está vivendo essa nova realidade.

Sr. Presidente, a Senadora Heloísa Helena disse aqui uma coisa correta: esse Marinho é apenas um diretor. Chamo a atenção para um fato. Nas diretorias colegiadas dos Correios, esse chefe de departamento tem um orçamento razoável, mas pulverizado, porque as diretorias de todo o Brasil têm autonomia, diferentemente das outras diretorias que têm os orçamentos centralizados na sede, e as grandes compras, diferentemente das administrativas, são feitas na sede e distribuídas nas agências: é grande quantidade e computador e outras coisas mais.

Pedi, aqui, no primeiro dia, que se chamassem todos os correlatos que ocupassem funções iguais a do Sr. Marinho, para serem ouvidos aqui. O Sr. Marinho teve o azar de ser gravado. E os que não foram gravados, como é que se comportaram? É preciso que essa coisa seja apurada para que possamos, pelo menos, ....

O SR. PRESIDENTE (Delcidio Amaral. PT-MS) – Senador Heráclito, por favor!

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Vou encerrar apenas.

A minha vida toda pautei com coerência e fiquei muito nervoso achando que tinha criado uma saia justa para o meu amigo Eduardo Paes, quando citei uma matéria do Deputado Roberto Jefferson no Jornal do Brasil. E o primeiro registro que quero fazer é quanto à correção com que ele agiu aqui. De repente, alguém tenta colocar o Mercadante na questão. Ouviu o nome do Senador Mercadante e disse: “Com esse, eu nunca conversei! O Mercadante nunca esteve nessas conversas! O Genoíno e o Dirceu estiveram, várias vezes...”

V. Exª sabe que todos nós, inclusive V. Exª, o seu partido, temos dificuldade de conviver com o Mercadante. É um prepotente, embora inteligente! É um arrogante, embora trabalhador! E que faz uma coisa que não dá nenhum lucro na vida: bota bom-dia, boa-tarde e boa-noite na poupança. No fim do ano, não rende nada! Mas temos que lhe fazer justiça!

Nesse fato, quando li isso, a minha primeira certeza era de que o Deputado Roberto Jefferson estava coberto de razão.

Mas, mais adiante, se fala sobre fonte de dinheiro que é dinheiro estrangeiro, e ele cita a nobre Deputada Juíza Denise Frossard: “Vi uma matéria da Deputada Denise Frossard. Ela acompanha uma movimentação desse dinheiro através de uma off shore que já existe e estaria ligada a esse movimento de pessoas ligadas ao PT”. É um pingue-pongue de perguntas e respostas.

Aí vem a pergunta a que me referi: “O senhor acha que uma operação como a da Telmex pode internalizar dinheiro de campanha?”

Aí vem a resposta de V. Exª: “Não tenho dúvidas, pode.”

A Telmex foi uma das transações mais misteriosas que houve, ano passado, comandada por um daqueles grupos de trabalho da Casa Civil. Chamaram as empresas telefônicas para fazer um pool, para que assumissem a Telebrás. E, de repente, numa ação diplomática muito arrojada da Embaixadora do México no Brasil, que já tinha convivência anterior com o Ministro José Dirceu – daquela época do exílio, que foi quem o acolheu no México. Estou-lhe dizendo isso, porque tenho matéria de jornal da época que retrata esse fato. Ela foi mandada aqui pelo Sr. Fox, e a Telmex comprou a Telebrás. Por isso é que fiz essa pergunta a V. Exª. Se V. Exª tiver algum dado a acrescentar, tenho certeza de que prestará informações importantes para o País.

A última pergunta: V. Exª vem-se queixando, desde o começo, que a fita foi editada, que a fita não está completa. Então, o que mais poderia ter nesta fita, Deputado Roberto Jefferson?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não. A fita que eu vi no site da Veja, não é a fita que eu distribuí, aquelas 600 cópias; por isso eu fiz questão de colocar as 600 cópias para fora, porque quando eu fui ao site da Veja, no sábado à tarde, a fita de 1h54 foi reduzida a 5 minutos e só atacava ao PTB. Ela era circunscrita ao PTB. Ou seja, ela não falava nada mais a não ser acusações contra o meu Partido e contra mim. Eu disse: “Espera aí, essa fita tem 1h54, tem um monte de informações. Isso aqui está armado!” Aí eu peguei e mandei fazer 600 cópias e distribuí para todos os Deputados e todos os jornalistas.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senador Eduardo Suplicy, eu vou passar a palavra ao Deputado Arnaldo Faria de Sá, que é titular da Comissão, e passaria a palavra a V. Exª. E depois existem mais quatro reinscritos, que, acredito, devam falar em três minutos.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Aguardarei, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – V. Exª não terminou, meu caro Senador Heráclito Fortes?

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Esqueci. V. Exª quer que eu...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Não, não. (Risos.)

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – V. Exª me despacharia...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Não, eu reinscrevo V. Exª.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Eu só peço a V. Exª para...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Tem a palavra o Deputado Arnaldo Faria de Sá.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB-SP) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Deputados, eu tinha tomado por decisão não fazer nenhuma intervenção até por ser do Partido do Deputado Roberto Jefferson, mas ao final resolvi pedir ao Senador Delcídio Amaral a inscrição porque vi vários depoimentos aqui que demonstram a postura, a decisão, a lealdade e a determinação do Deputado Roberto Jefferson. Alguns estranhando de maneira positiva a postura do Deputado Roberto Jefferson, e outros, embora poucos, na tentativa de desqualificá-lo, sabemos nós o porquê: na vã vontade de achar que com isso se safarão dos problemas que estão metidos. Mas o que quero dizer é que essa postura do Deputado Roberto Jefferson, eu a acompanho há vinte anos com ele no Partido. E faço questão de dar um depoimento extremamente importante.

Quando o PTB resolveu apoiar o PT eu me coloquei na posição de dissidente, lamentavelmente eu estava certo, não é Deputado Roberto Jefferson? Mas o que eu quero dizer é que nunca, em momento nenhum, o então Líder Roberto Jefferson, depois o Presidente Roberto Jefferson, cobrou de mim uma posição diferente; sempre apoiou e sempre permitiu que dentro do Partido houvesse a democracia. O muito que ele pode ter me pedido, durante todo o período foi: “Essa daí não vota, vê se não comparece”, mas nunca pediu para que eu me violentasse. Esse é o Deputado Roberto Jefferson. Por isso que eu tenho certeza que ele tem o respeito de todos nós.

Quando houve o acordo do PT com o PTB no qual o nosso Partido apoiaria a candidatura do PT em várias cidades nessa eleição que o Deputado Heráclito Fortes coloca como megaeleição, a principal capital que o PT queria era São Paulo, e eu seria candidato de São Paulo e V. Exª pediu-me que deixasse de disputar a convenção, porque se não fechasse o acordo em São Paulo atrapalharia o acordo no Brasil como um todo. E eu entendi a posição do Deputado Roberto Jefferson. É por isso que eu fiz questão de pedir ao Senador Delcídio Amaral a oportunidade de, primeiro, fazer esse registro; e segundo, porque as tentativas de desqualificação do Deputado Roberto Jefferson quando falou do tal “Careca”, o Marcos Valério, está aí provado tudo. O que falou de Furnas, ao longo do dia, está provado; o que falou do Banco Rural, aqui de Brasília, agora à noite foi provado.

Fica demonstrado que o Deputado Roberto Jefferson está numa cruzada, imolando seu próprio mandato, sabendo do que está fazendo, de forma consciente.

Queira perguntar ao Deputado Roberto Jefferson, por conhecer coisas extremamente importantes e que poderão colaborar com esta comissão e com o País como um todo, V. Exª acha que o Delúbio deve vir depor rapidamente nesta Comissão?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Claro que sim, Deputado.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB-SP) – E o Silvio Pereira?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – O Sílvio Pereira, o Delúbio e o Marcos Valério têm que vir depor.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB-SP) – Esse já está convocado, depois de uma longa briga ontem, conseguimos aprovar o Marcos Valério, mas o Delúbio e o Sílvio Pereira não estão querendo aprovar Deputado.

Por que será que não estão querendo aprovar, Deputado Roberto Jefferson?

(Intervenções fora do microfone.)

Não está marcado. O Delúbio, não.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Todo o esquema de arrecadação passava por eles.

Desde que o Martinez era Presidente e o líder, nós íamos ao Palácio, toda a estrutura que foi montada foi montada com eles, todo esquema de financiamento, depois, foi tratado com eles. O Múcio se refere ao almoço, quando nós fechamos a primeira conversa sobre o financiamento das eleiçõe, o Silvinho estava junto. O Múcio não nega isso. Ele tem cuidados, ele é diferente de mim. Não quer fazer essa ruptura que eu fiz, mas ele não nega.

Ontem na Comissão de Ética eu prestei bastante atenção ao depoimento do José Múcio e ele afirma, estava lá o Silvinho Pereira, o Marcelo Sereno, o Delúbio e o Genoino, quando nós tratamos a primeira vez do financiamento da campanha.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB-SP) – Eu também quero trazer um dado que considero importante.

Houve uma reunião, um pouco antes da eleição da Presidência da Câmara, em que as bancadas estariam definidas para a questão das composições das comissões de participação e, nessa reunião da nossa bancada, V. Exª advertiu que alguns partidos estavam querendo tirar parlamentares do PTB para aumentar suas bancadas e que o zunzum é que tinha a história do mensalão. V. Exª falou isso para toda a bancada reunida e eu estava presente.

Naquela época, início de fevereiro deste ano, ainda não havia acontecido todos esses problemas.

E quando eu falei daqueles fatos que se tornaram realidade, ao longo da tentativa desqualificada das suas posições, a o do Zé Dirceu foi logo daí que saiu.

Para encerrar, eu queria fazer uma pergunta que todas as pessoas me têm feito na rua. Por que o Deputado Roberto Jefferson acusa Delúbio, Sílvio Pereira José Dirceu, José Genoino, Marcelo Sereno...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não acuso o Marcelo Sereno, não.

Não é acusação, é uma conversa anormal com ele. Não é acusação.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Então suprime esse. E procura sempre ressalvar a figura do Presidente Lula?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Porque o Presidente Lula está acima disso.

Em duas oportunidades eu pude medir, nessa de Furnas e a do mensalão, eu vi nitidamente que o Presidente Lula não sabia nada disso.

Bateu a ficha na hora. A conversa de Furnas...

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB-SP) – Mas está dando a impressão de que o senhor está tentando defender o Presidente Lula.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não é isso, mas eu não posso fazer a irresponsabilidade de acusar um inocente. Porque ele que insistiu que nós nomeássemos. Eu tinha voltado atrás, tinha acertado com o Zé Dirceu de não mais trocar o Dr. Dimas na Diretoria de Engenharia.

Quando sentamos eu, o José Dirceu, o Ministro Walfrido e o Presidente Lula, ele disse: Oh, Jefferson, por que vocês mudaram, rapaz? Eu não quero manter esse cara lá. Por que vocês não vão fazer a nomeação do PTB?

Aí a minha ficha caiu. O Presidente não sabe de nada daquela conversa que eu tive, dois ou três dias atrás com o José Dirceu. Bateu na hora a ficha. A maneira dele, sincera, desabrida, ele não estava encenando um jogo comigo. Estava me cobrando por que eu tinha recuado.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB-SP) – Essa conversa foi a de março?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não podemos errar. Foi em abril. Foi a última vez que eu estive com o Presidente, 26 de abril de 2005, terça-feira de manhã, Lula, José Dirceu, Walfrido e eu. Foi a última vez que eu estive com o Presidente Lula para tratar desse assunto, e foi Furnas, 26 de abril de 2005.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB – SP) – Então, nessa data o Presidente Lula já sabia que tinha alguma coisa errada em Furnas?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não. Ele queria, desde o início, em janeiro, ele queria tirar o Dr. Dimas – só um instantinho –, porque o Dr. Dimas só prestigiava o Aécio. A reclamação do Presidente conosco em janeiro, foi a seguinte: o Dr. Dimas pegou R$1,5 bilhão e repassou para a Cemig, para fazer um programa de luz popular chamado Luz para Todos. O Governador Aécio meteu placa em Minas inteiro, iluminando a casa das pessoas mais humildes.Botou lá: “Governo de Minas Gerais”. Embaixo, invisível, botou: “Governo Federal”. Isso deixou o Presidente Lula chateado. E o Governador Aécio, a essa época, vivia fazendo má ausência do Governo Federal. Eu percebi que o Presidente queria tirar de lá o Dimas, que estava ajudando o Governador Aécio Neves.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB-SP) – Essa denúncia de Furnas, ao longo do dia, se mostrou positiva. O senhor ficou constrangido de ter citado o nome de dois companheiros de partido? O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Eles chegaram no PTB, porque foram colocados lá pelo Ministro, agora Deputado, José Dirceu. A estrutura existe, é para dentro e é para fora. Tem coisa que não dá para segurar, é para dentro e é para fora. Eu sei que eu machuquei gente de dentro, mas…É para dentro e é para fora. Eu não posso apontar o dedo para o PT, aliás, para o PT, não, vou fazer a ressalva aqui, para esse comando do PT, porque, com a Bancada do PT, não tem nenhum problema, e, quando chega no PTB, eu vou poupar gente que eu sei que está lá dentro metido no negócio, porque eu ouvi, ouvi do Ministro José Dirceu e ouvi do Dr. Dimas nas conversas que nós mantivemos, não posso fazer isso.

O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB-SP) – Obrigado, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Senador Eduardo Suplicy, o paciente Senador Eduardo Suplicy.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Sr. Presidente, Senador Delcídio Amaral, Deputado Osmar Serraglio, Relator desta CPI.

Deputado Roberto Jefferson, na sua exposição inicial, V. Exª, dentre outras proposições para melhorar o sistema político brasileiro, dentre outros temas, falou da importância de se acabar com o senador suplente. Eu tenho uma proposta, já apresentada no meu primeiro mandato, para que todo e qualquer senador aqui só chegue ao Senado por eleição livre e direta da população, e por isso a sugestão que eu formulei é que, ao se votar no senador titular, dentre 4 nomes alternativos, a população também escolherá, ela própria, o primeiro e o segundo suplente. A proposição foi aqui arquivada na reforma política, mas como vai voltar para o Senado, isso era um projeto de lei, agora eu vou reapresentá-lo na forma de uma proposta de emenda à Constituição, mas, se tiver alguma sugestão sobre esta proposta que guarda relação com a sua sugestão, agradeço.

O art. 54 da Constituição diz que os deputados e senadores não poderão, desde a posse, patrocinar causa em que seja interessada pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público. Concorda V. Exª que, quando um parlamentar indica um ministro ou diretor de empresa pública, com a expectativa de conseguir obter recurso, seja para suas campanhas ou de seus partidos, em função de contratos que essa empresa ou que esse diretor fizer com empresas privadas, ele está infringindo a Constituição? O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Senador, o sistema é viciado, e é um afrouxamento moral.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Mas V. Exª concorda...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – É uma interpretação que V. Exª tem, que é um afrouxamento moral, eu não tenho dúvida e repito isso para V. Exª.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Eu considero que é uma afronta à Constituição, ao art. 54, e gostaria inclusive de perguntar, então, como é que podemos chegar a definir, mais claramente, que se trata de um crime. E por essa razão, eu lhe pergunto: dentre as medidas de combate à corrupção, anunciadas hoje pelo Presidente Lula e pelo Controlador-Geral da República, Waldir Pires, está o projeto lei para a criminalização do enriquecimento ilícito. “Será definido como crime o enriquecimento de qualquer agente público que não possa ser explicado com os rendimentos declarados, sendo a pena de reclusão definida de três a oito anos”. A Juíza Denise Brossard, querida Deputada, que sabe muito mais do que eu, está aqui já fazendo um protesto com a cabeça, eu a respeito muito, mas quero aprender, inclusive com V. Exª, que conhece tão bem. A minha pergunta: considera V. Exª, que será próprio definir, nessa lei, que também será um crime qualquer recebimento, digamos, de um mensalão? Ou não seria o caso de aproveitar esse projeto para tipificar, de forma inequívoca, o crime de recebimento de vantagens ilícitas, tais como o mensalão, que V. Exª explicou aqui tão bem o que é, por parlamentares, e aí estabelecendo as penas? A não ser que a Juíza Denise Brossard me diga que isso já está bem definido.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Eu concordo com V. Exª. Só que a matriz do nosso Direito vem da nossa religião. É judaico-cristã. O Direito brasileiro, o Direito Penal brasileiro tem um grave vício, a meu ver; ele só fala em pena de cerceamento de liberdade, não tem pena pecuniária. Nós tínhamos que liberar, e eu fui o Relator da Lei dos Crimes Hediondos hoje em vigor no Brasil, quando eu liberei, eu fiz, em um substitutivo a vários projetos que tramitavam na Casa, uma liberação para que o juiz, ante a situação econômico-social do acusado, do réu, fixasse a pena de multa. Caiu em Plenário. Porque as penas de reclusão são altíssimas, mas as de multa são baixíssimas. E a pior dor não é a dor da reclusão, da perda da liberdade, mas a que bate no bolso. E o nosso Direito não assimila a pena pecuniária. O que nós tínhamos de enfocar no nosso Código Penal é abrir para que o juiz, diante da condição sócio-econômica do acusado, pudesse apenar pecuniariamente o acusado, o que ele não pode fazer, hoje ele tem limite. Se ele tem sempre um teto, e que é um teto baixo, para que ele possa punir os crimes financeiros. A pena de cadeia é enorme, e a pena pecuniária é miudinha. Tinha que bater no bolso, Senador. Não adianta falar em cadeia, vamos falar em pena pecuniária. Aí, sim, vai dar resultado a nossa legislação.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Talvez possamos inclusive criar penas alternativas. Vamos supor que um parlamentar que tivesse recebido o mensalão, tivesse, digamos, que pelo menos alfabetizar mil pessoas analfabetas e comprovar isso. E outras idéias que poderíamos ter... Mas eu preciso caminhar aqui no meu tempo.

A SRª JUÍZA DENISE BROSSARD (PPS-RJ) – Senador, me permite só uma frase, aí...

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Peço ao Presidente que, depois, possa considerar.

A SRª JUÍZA DENISE BROSSARD (PPS-RJ) – Aí vai uma experiência minha como juíza. Eu fico muito apavorada quando se fala em criar mais uma lei, porque o Brasil tem a tradição de criar uma lei e resolver a situação. E o que agrega valor à mente do criminoso é a impunidade. Hoje se mata só por dinheiro. Não se morre de vergonha e não se mata por amor. Que pena! Mas não se mata. De modo que hoje o crime é sempre econômico. Então, o criminoso tem a mesma mente do homem de negócio, ou seja, custo/benefício. Qual é o custo de ele ser preso, de ele ser processado, de ele ir para a cadeia ou não, ou pagar uma pena: é nenhum, é nenhum! Então, o crime compensa no Brasil.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Agradeço a contribuição, mas eu gostaria de ter a contribuição da juíza Denise sobre como colaborar na definição do que é que deve acontecer com quem porventura tenha recebido o “mensalão” e assim por diante.

Tenho algumas perguntas de detalhe sobre o que foi aqui perguntado, acho que faltaram alguns esclarecimentos.

V. Exª disse que recebeu a fita dia 15, domingo, juntamente com sua correspondência. Como sabe, então, que foi entregue por um motoboy? Farei diversas perguntas e passarei a V. Exª para que eu consiga fazer no tempo que tenho. Até passo a V. Exª por escrito para que facilite depois. Não precisa anotar.

Como soube que Salmeron também recebeu a fita por um motoboy? V. Exª já afirmou que vive na Super Quadra Norte 302, apartamento 604. Procede a informação de que é o único morador desse prédio funcional da Câmara de 12 apartamentos? O prédio onde reside é próximo da sede nacional do PTB, tipo 5 minutos a pé? Diz que colocou parte dos R$4 milhões num cofre do PTB e parte num Box de armário. Esse Box é na sua casa ou na sede do PTB? Por que o tesoureiro do PTB não tem a chave do cofre do partido, se é que tem? V. Exª já disse que não revelaria a destinação dos R$4 milhões, mas, pelo que entendi, talvez, mediante alguns fatos novos, venha a revelar. Eu gostaria de saber em que condições ocorrerá isso.

V. Exª considera o cargo que era ocupado por Maurício Marinho de menos importância? Considera que quem faz os termos de referência para os editais de contratação dos Correios, um cargo de quarta categoria, de fato? Por que Maurício Marinho precisava do apadrinhamento de um Deputado do PTB de Pernambuco para ocupar a Universidade dos Correios? V. Exª saberia explicar a quem o Deputado José Chaves encaminhou a indicação de Maurício Marinho para diretor da Universidade dos Correios? Quem incitou, em nome do PTB, o Deputado José Chaves a que fizesse a indicação de um nome para compor a direção desta Universidade? O que fazia o Dr. Roberto Garcia Salmeron, em dezembro de 2003, no aeroporto de Brasília, quando o Sr. Maurício Marinho foi apresentado a V. Exª pela primeira vez, conforme seu discurso no plenário? Sabe de alguma relação de amizade entre Marcus Vinícius e Cristiano Brandão, sobrinho de Henrique Brandão? Que motivos levaram Cristiano Brandão a procurar Maurício Marinho? Esteve em Belo Horizonte no mês de abril do corrente ano? Poderia explica ro motivo da viagem?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Quem esteve em Belo Horizonte?

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Se V. Exª esteve é a pergunta.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Em abril?

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Em abril do corrente ano. Vou encaminhar a V. Exª só as perguntas assinaladas. Sr. Presidente, quase por uma questão pessoal, de meu relacionamento com o Deputado Roberto Jefferson, peço agora dois minutos para uma explicação pessoal.

O Deputado Roberto Jefferson, no seu pronunciamento na Câmara, ao qual fui assistir, fez uma referência a um episódio de 13 anos atrás, de 1992, o qual eu gostaria de recordar aqui, com todo respeito a ele. Ele lembrou-se do dia em que a excelente jornalista Tereza Cruvinel, por quem tenho o maior respeito, havia dialogado comigo e registrado um fato. Eu tinha recebido uma informação a respeito, conversei com ela e saiu uma notícia referente ao Deputado Roberto Jefferson, que poderia ter recebido alguma vantagem especial no que diz respeito a um procedimento de empresa de ônibus aqui em Brasília e, em função desse episódio, o Deputado Roberto Jefferson e, ainda há pouco, o Senador Pedro Simon, que se encontrava ao meu lado, recordou do episódio e se lembrou exatamente da cena. Senador Roberto Jefferson, S. Exª poderá descrever com maior precisão, entrou aqui muito bravo, nós estávamos em meio à CPI do caso PC Farias e dirigiu-se a mim. Eu estava possivelmente onde está o Senador Heráclito Fortes, ou naquela cadeira ali e descreveu o Senador Pedro Simon para mim agora, e eu me lembro bem, recordei bem, que é fato que o Deputado Roberto Jéferson veio falando palavras assim muito bravas comigo, digamos, ele vai se lembrar de qualquer uma muito quase próxima, não usou palavras de baixo galão, usou palavras de grande indignação para comigo. Quase que veio, mas não usou de qualquer violência pessoal. Aliás, quero aqui registrar, até porque a Tereza Cruvinel escreveu que naquele dia ele teria dado um bofetão em mim, e isso não ocorreu. Ele não levantou os braços. É fato que como ele veio e ainda era muito maior do que hoje, do ponto de vista pelo menos do seu peso e Senador Pedro Simon descreveu há pouco aqui que eu estava com os meus braços a ponto, para a eventualidade de ter que me defender. É possível que o Deputado Roberto Jéferson saiba muito bem judô, pugilismo, alguma coisa, é verdade que eu sei me defender se por ventura ocorresse qualquer episódio.

Até aproveito a oportunidade. Estão aqui telefonando e perguntando o que houve com o Deputado Roberto Jéferson, se foi de fato um acidente pessoal ou alguma ameaça de alguém indevidamente. Então, antes que termine a reunião, as pessoas estão telefonando aqui. Pergunte ao Deputado Roberto Jeferson o que aconteceu na vista dele. Pelo menos que está na Folha hoje de que foi um acidente doméstico.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – A maior suspeita é a Deputada Laura Carneiro.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Enfim, ele próprio esclareceu que a Comissão Parlamentar de Inquérito, rapidamente esclareceu, inclusive o Senador, então Deputado, Aloizio Mercadante, fez questão de providenciar o esclarecimento do episódio, isso portanto ficou superado. A Tereza Cruvinel me disse: mas você vai lá e cumprimenta o Deputado Roberto Jéferson? Eu falei: olha, eu tenho mantido ao longo desses anos, o Deputado Roberto Jéferson, eu tenho mantido com ele uma relação de respeito, esse episódio foi, pelo que entendo, superado, até pelo esclarecimento havido naquela CPI. Acontece que como o Deputado Roberto Jéferson, depois de ficar bravo comigo, saiu daqui – essa cena eu assisti – e foi bravíssimo lá para a sala de imprensa. Alguns jornalistas disseram a Tereza Cruvinel: ele vai te pegar. Ela ficou tão preocupada, e estava numa situação que não sei se sua filha tinha nascido recentemente que ela ficou preocupada que ... e tudo isso fez com que ela não dialogasse mais com o Deputado Roberto Jéferson nesses treze anos e eu, de alguma forma, fui o causador desse episódio.

Eu recordo aqui um episódio especial porque ....

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senador Suplicy, eu não posso... esse final aqui está virando uma catarse de parlamentares.

O SR. (Orador não identificado) – Terapia de grupo, Sr. Presidente.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Serei brevíssimo nesse esclarecimento. Mas é importante na história.

O Deputado Roberto Jéferson foi Relator do projeto de união civil, da Deputada Martha Suplicy e fez uma defesa que considerei muito bem feita e o cumprimentei por isso naquela oportunidade. Dialoguei, projeto aliás, aprovado ontem na Espanha.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Concluindo, Senador Suplicy, por favor. V. Exª já está concluindo?

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Bom, eu ainda... Eu só iria perguntar a mais se ele conhece um episódio que não foi perguntado aqui, mas que surgiu de maneira importante nestes últimos dias. E ele, então, terá condições de esclarecer se sabe a respeito do que aconteceu na Cobra e no Banco do Brasil nestes últimos dias, se for do conhecimento pessoal dele; se não souber, não precisa dizer.

E, enfim, eu avalio, senhor... quero apenas dizer que eu o vi no Diretório Nacional, quando o Deputado José Dirceu, Silvinho Pereira e Delúbio Soares afirmaram para todos nós que não tiveram qualquer procedimento que possa ser considerado incorreto. Então, eu acho muito importante nós ouvirmos muito bem o Deputado Roberto Jefferson. Ele próprio será o primeiro a estar defendendo o direito de defesa de todos aqueles que foram mencionados por ele e acho que constitui a nossa obrigação dar aqui a oportunidade completa para que a verdade venha à tona completamente.

Eu só tenho uma recomendação diante de todos estes fatos, na linha daquilo que o Senador Pedro Simon fez ao Presidente Lula: que caminhemos numa direção para corrigir todo e qualquer problema desvendado nesta CPI, na do Mensalão ou qualquer outra que surja. E que sobretudo possa o Presidente Lula estar dizendo a cada Deputado Federal e Senador: vote sempre de acordo com o que considera a defesa do interesse público, a defesa da Nação e nunca porque foi designado, ou não, alguém que você sugeriu, ou porque foi liberada tal ou qual verba. É importante que venhamos a ter um outro tipo de atitude, de procedimento.

O Deputado Onyx não concorda comigo? Mas esta é a minha recomendação ao Presidente Lula e se o Deputado Roberto Jefferson, que tem uma experiência de 23 anos noutra direção, mas se avalia que um novo procedimento nessa direção poderá ser saudável para o Brasil, eu gostaria de ouvir a sua opinião. O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Eu quero agradecer a V. Exª a oportunidade que me dá de esclarecer um episódio de treze anos, no passado. V. Exª tem um peso monstruoso no que diz. A palavra de V. Exª tem peso, força. O povo crê em V. Exª porque V. Exª é um homem simples, é um homem correto, é um homem sério. E V. Exª, naquela fase em que eu defendia o Presidente Collor aqui no Plenário da CPI, disse à Teresa Cruvinel, numa nota assinada, que eu recebera US$1 milhão do PC Farias pra fazer a defesa do Presidente Collor. Foi a maior infelicidade que eu vivi na minha vida. Nunca mais consegui superar aquilo. Aquele foi o princípio do preconceito contra mim. V. Exª fez acusação e eu jamais consegui me absolver dela. Criei contra mim esse preconceito que até hoje luto pra superar. E eu não recebi nenhum milhão de dólares pra fazer a defesa do Presidente Collor.

Aquele episódio entre nós aqui está superado. Eu quero...

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Acho importante que tenhamos agora a oportunidade de esclarecer completamente.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Mas pra mim está... Depois nós tivemos uma reunião aqui...

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Desde aquela época...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – V. Exª vai se lembrar.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Certo.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Eu não sei se era o Deda... Alguém, alguém amigo nosso comum, do PT...

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Certo.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – ... depois fez o nosso reencontro aqui no Plenário e ficou completamente superado.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – É verdade. E ficou superado.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Nós nos abraçamos, nos apertamos a mão e acabou.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Mas como parece que naquele dia não... não estava esclarecido...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Mas eu falei porque aquilo pesou. Ficou no preconceito.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Certo.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Fez a minha imagem pra imprensa, não é, de uma coisa que eu não era e eu não consegui apagar. Eu lutei contra isso a minha vida inteira.

Mas V. Exª é um homem capaz de fazer o que está fazendo aqui, pela simplicidade e a grandiosidade do seu coração. E eu quero agradecer as palavras de V. Exª. Vou responder a esse questionário que V. Exª me manda com toda serenidade amanhã e lhe mando segunda-feira.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Bom, até então eu falei só umas nove ou dez de vinte e três perguntas. Se puder ter a gentileza de responder a todas, então, melhor ainda.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Ok. Vou responder as perguntas e devolver a V. Exª. E, no mais, é abraçar V. Exª e cumprimentá-lo. Saudar V. Exª que honra o Senado da República e o Estado de São Paulo que V. Exª representa.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral) - Obrigado, Senador Eduardo Suplicy.

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Queria só dizer que inclusive o meu Presidente e Líder Delcídio Amaral que, quando causei preocupação a ele, mas, quando resolvi assinar naquele dia a CPI, depois de ter cumprimentado V. Exª e depois de ter dito lá que iria assinar a CPI, mas, quando resolvi assinar aqui no Plenário, preocupei meus colegas de Partido. Mas, disse ao Presidente da República que foi para o seu bem, do Presidente Lula, de toda a nossa história de 25 anos do PT e para o bem da nação.

O SR. (Orador não identificado) – O Senhor já foi colocado na chapa de novo, Senador? V. Exª...

O SR. EDUARDO SUPLICY (PT-SP) – Não, na chapa do clã majoritária não, porque, afinal, me tiraram no último dia.

O SR. (Orador não identificado) – Deixa só em contar um negócio aqui...

O SR. (Orador não identificado) – Ele está em outra chapa agora.

O SR. (Orador não identificado) – Deixe-me só contar um negócio aqui que precisa ser dito, para irmos embora. Fui Relator da União Civil de Homossexuais. Um dia, estou no meu gabinete e chega a Deputada Marta Suplicy e diz: você vai relatar isso para mim. Eu disse: mas eu? Eu pesava 170 quilos naquela época. Ela disse: é você. Eu falei: mas, eu Marta? Não tem nada a ver comigo. Ela falou: não, tem que ser você, senão não vou conseguir passar nos conservadores esse meu projeto.

Eu falei: está bem, vou te ajudar, só que vou ter que fazer uma mudança aqui: união civil, na Constituição, se equivale ao casamento para efeito de proteção do Estado. Vou fazer aqui esse pacto de solidariedade no substitutivo. Conversei com a Benedita e ela disse que não podia apoiar dada às circunstâncias religiosas. O Hélio Bicudo. Daí, fomos. Havia uma comissão na Câmara dos Deputados, que era uma Comissão Mista, era a Comissão de Seguridade Social e a Comissão de Justiça. E, no dia da votação, o Severino Cavalcanti era o maior opositor do projeto. E conseguimos aprová-lo, eram 33 Deputados na Comissão, de 30 a 3 no meu relatório. E fiz um discurso, e havia defendido uma prostituta no Rio, e a tese foi a legítima defesa da honra da prostituta. Foi um dos maiores júris que fiz na minha vida. E fiz alusão a esse fato e defendi a tese, dizendo que não havia crime no amor. Tinha que ser respeitado.

Usava terno branco naquela época e tirei uma caneta e assinei o relatório que foi aprovado por 30 a 3. Daí, o professor da Bahia, do Movimento Atobá, Professor Luiz Motti, levanta chorando de emoção, por causa daquela cena, e diz: Deputado Roberto Jefferson. E estava com a caneta Mont Blanc de ouro, banhada a ouro. Ele falou: essa pena de ouro que o Senhor tem na mão o momento em que a Lei Áurea foi assinada no Brasil. O Senhor assina com essa pena a Lei Áurea do Movimento Homossexual e do Movimento Gay do Brasil. Eu falei: Professor Motti, espera aí. Vou deixar o papel da Princesa Isabel para nossa Marta Suplicy. E foi assim que terminamos aquela sessão, naquele dia.

Um abraço, Senador.

Muito obrigado a V. Exª.

O SR. PRESIDENTE (Delcidio Amaral. PT-MS) – Temos aqui – e é evidente que agora já no final da reunião as regras ficaram mais relaxadas – temos o Deputado Onyx, o Deputado Eduardo Cardozo, Deputado Eduardo Paes, Senadora Heloísa Helena, Deputado Abicalil, Senador Heráclito, Deputado Bittar e Deputada Juíza Denise Frossard.

Vou passar a palavra ao Deputado Ônix e pedir três minutos. E quero combinar com V. Exª que se passar dos três minutos vou contar o som. O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – Combinado. Então, vamos direto e rápido.

Não me surpreendi, Deputado Roberto Jefferson. Oito anos de mandato de Deputado Estadual, vi os quatro anos do Governo Olívio Dutra. O que estamos assistindo aqui, os gaúchos conhecem como poucos no Brasil. E a mesma fórmula lá foi aplicada aqui. Não vou me referir à fórmula lá porque não tenho tempo para isso. Mas o Presidente Lula assume. Em 23 de janeiro, tem um decreto onde ele transfere ao Ministro José Dirceu plenos poderes: nomeia todo o mundo, escolhe, passa tudo por ele. Os cargos principais são todos nomeados pelo Ministro José Dirceu; os Ministros só têm condições de nomear os cargos pequenos, para baixo da estrutura de segundo e de terceiro escalões. Está aqui. Foi tanta a concentração de poder pelo Ministro José Dirceu que, historicamente, na República, nos atos da República... Eu peço que o senhor me ajude, Sr. Presidente, senão não consigo..., porque tem muita conversa. Nos atos da República, era citado o Presidente; logo depois, o Ministro da Justiça. O poder do Sr. José Dirceu era tamanho que ele alterou uma regra histórica no Brasil. E, depois do Presidente, passou ele a ser nominado nas cerimônias oficiais. Pode um homem com tamanha estrutura, quem montou a estrutura do PT; que começa lá no depoimento do Prefeito Celso Daniel; que diz que lá saiu dinheiro daquele esquema que é confuso, para dizer o mínimo, para adubar a estrutura partidária. Esse mesmo homem é o homem que, depois, V. Exª relata ao Presidente, a questão do Mensalão...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Um minuto, Deputado Onyx.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – V. Sª percebe que a Abin e o esquema viram violentamente contra o senhor e contra o PTB. Depois, vem a estória de Furnas, onde o Presidente cobra a tomada de providências. E é obstaculizado porque o interesse – e eu duvido que o Ministro José Dirceu desconhecesse o processo lá de Furnas... Era do seu interesse, porque financiava com R$1 milhão... Segundo as suas palavras, o PT nacional, R$1 milhão, ao PT de Minas, mensalmente. A pergunta é a seguinte: Alguém tomava alguma decisão entre Delúbio, Sílvio Pereira, sem que tivesse acordado com José Dirceu? E se isso é verdade, a corrupção não é solteira. Há o corrompido e há o corruptor. E se V. Exª está lá...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado, terminou o tempo. Terminou o tempo.

O S R. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – No Conselho de Ética, na minha opinião, Deputado tem que ter decoro, inclusive quando está licenciado. E eu acho, por tudo o que foi dito aqui – e eu quero ouvir a sua opinião – o Ministro José Dirceu tem de ir lá ao Conselho de Ética explicar onde estava...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado Onyx, seu tempo está encerrado.

O SR. ONYX LORENZONI (PFL-RS) – ... compactuou com tudo. Eu quero a sua opinião.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – O tempo está encerrado.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – O senhor me coloca em uma situação difícil. Eu na quero opinar sobre isso. Eu não posso, eu não devo. Eu penso que a Comissão de Ética é que deve decidir. Não é? Mas que eu quero afirmar aqui que as conversas eram republicanas e não republicanas, eu afirmo. As conversas com o Ministro José Dirceu, lá na Casa Civil, ora eram republicadas, ora não eram republicanas. E nada se fechava, lá no prédio da Varig, na W3 Norte, que não tivesse que ter a prova final do Ministro José Dirceu. Isso eu reitero. Digo na frente dele, sem querer ofender o PT. Eu estou vendo que o PT está se tomando de dores pelo comando. Minha briga não é para baixo, eu não tenho nada com isso. Acho que são homens de bem. Eu nunca ouvi nada que pudesse tisnar a imagem dos Deputados e Senadores e Deputadas do PT. Nada. Nada! Eu ouvi em relação a outros partidos. Comentário que eu sei não atinge os Deputados do PT. Mas José Dirceu enfrenta a situação e nós vamos conversar. Tudo o que eu fui conversar com ele, se ele sentar aqui do meu lado, eu vou repetir. O que ele disse e o que eu disse a ele. Conversas republicanas e não republicanas.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra, Deputado Eduardo Cardoso. Dois minutos...

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Três minutos, Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Aliás, perdão, três minutos.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Agradeço. Deputado Roberto Jefferson, Senador Pedro Simon falou uma grande verdade esta noite. Se V. Ex[ estiver dizendo a verdade, com certeza, doa a quem doer, atinja a quem atingir, V. Exª terá prestado um grande serviço à Nação. E é exatamente para apurar essa verdade que nós estamos aqui. Foi a orientação que recebemos do Presidente Lula: a verdade doa a quem doer. E vamos cumprir isso. Eu e a Bancada do PT. Pode ter certeza disso V. Exª.

Porém tenho uma discordância com o Senador Pedro Simon: não concordo, em hipótese nenhuma, que se faça qualquer tipo de acordo que transija na ética parlamentar. E falo isso com lealdade parlamentar, olhando V. Exªs olhos nos olhos, como V. Exª gosta.

Se V. Exª está envolvido em algum ato de improbidade, de imoralidade, nós lutaremos pela cassação de V. Exª e pela punição rigorosa de V. Exª. Se não estiver, apertarei a mão de V. Exª. O nosso compromisso é com a verdade. Pode ter certeza disso, Deputado. Não é com a desmoralização de ninguém, é coma punição de quem tem que ser punido.

A corrupção é intolerável, venha de quem venha. Portanto, nós queremos investigar V. Exª e é nessa perspectiva de busca da verdade que lhe peço três informações rápidas e singelas, sem outro objetivo, Deputado, pode ter certeza.

Não sou daqueles que se intimidam. O compromisso de vida que tenho é com a ética na política e vou segui-lo para honrar os votos que tive em cima disso.

A primeira pergunta que faço a V. Exª bem rapidamente: V. Exª falou que o seu genro trabalha na Assurê?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Trabalhou.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Trabalhou. De quando a quando trabalhou, quanto recebeu, se era salário fixo ou participação?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Ele recebia sem carteira assinada, porque ainda não estava formado como corretor. Hoje ele é corretor formado. Ele recebia uma base fixa e uma base comissionada.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – O senhor não tem idéia de quanto foi esse montante, de quando a quando?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Não tem idéia?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Eu acho que ele deixou a Assurê deve ter uns quatro anos. Eu penso que ele deixou a Assurê há uns quatro anos. Ele deve ter dez de casado, ele trabalhou os seis primeiros anos na Assurê.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – O senhor falou que as nomeações feitas nos Correios e prendiam, sim, a uma estratégia de captação de recursos eleitorais. Quanto foi captado por essa estratégia nos Correios pelo Partido a que pertence V. Exª?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Absolutamente nada.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Nada?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Nada. O Antonio Osório não chegou a montar nenhuma estrutura para nos ajudar no PTB.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Então, falhou nessa estratégia?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não falhou, não teve condições de fazer.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Por quê?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não teve condições de fazer. Ele não conseguiu levar nenhum empresário a nos doar qualquer recurso ao Partido.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Perfeito. O senhor conhece o Sr. Francisco Arrigue?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Nunca ouviu falar dele?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Nunca ouvi falar.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOZO (PT-SP) – Perfeito. Infelizmente, o tempo acabou. Eu teria mais coisas, mas agradeço a disponibilidade de V. Exª e do Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Deputado Eduardo Paes, por três minutos.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores e Deputados, para ir direto ao assunto: Deputado Roberto Jefferson, eu vou ter contestar um pouco antes de indagar duas coisas. O Deputado que me antecede, Deputado José Eduardo Cardozo, diz que tem uma orientação do Presidente Lula para que esta CPI apure. Espero que isso seja, de fato, algo que venha a acontecer a partir de agora.

Na verdade, esta CPI – é só para lembrar, porque é importante que as pessoas saibam – só saiu porque V .Exª deu as declarações que deu em entrevista à Folha de S. Paulo. Com muita luta a Oposição conseguiu coletar as assinaturas, porque algumas figuras do Partido dos Trabalhadores, como o Senador Eduardo Suplicy, resolveram assinar essa Comissão Parlamentar de Inquérito.

Como bem lembrou V. Exª hoje, nós permanecemos o dia inteiro de ontem, por nove horas, para conseguir quebrar um acordo, para conseguir quebrar o sigilo da figura do Sr. Marcos Valério. Portanto, não tem sido essa a prática.

Eu vi até o Presidente Lula, apesar de todos os esforços, no programa de rádio do PT, dizendo que a CPI dos Correios iria apurar, como se fosse uma coisa do Presidente da República. É importante que a população saiba que o Presidente lutou, e lutou muito, contra esta CPI.

Deputado Roberto Jefferson, que queria, com o tempo de que disponho, fazer duas perguntas, Deputado Onyx.

A primeira, porque não me ficou clara a pergunta que a Senadora Heloísa Helena lhe fez. Eu queria que V. Exª tentasse lembrar um pouco mais aquela questão do pedido que o Marcos Valério lhe faz de tentar interceder para que o IRB colocasse os dinheiros...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Eu não sei qual é o banco onde está depositado. Não sei se é na Inglaterra, se é na Suíça, não sei.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Mas...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – São US$600 milhões.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Mas eu estava mais interessado em saber o banco que eles queriam que depositasse.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Espírito Santo. Banco do Espírito Santo.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Espírito Santo. Para ficar claro.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Banco do Espírito Santo, em Portugal.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – E ele disse por que no Banco Espírito Santo ou alguém teria dito para ele para ser no Banco Espírito Santo?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Porque o Banco do Espírito Santo tem interesses no Brasil e, a partir desse depósito, começaria a movimentar esses seus interesses no Brasil.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Mas que interesses, Deputado?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Isso aí eu não sei. Eu sei que ele disse que sobrariam muitos recursos para o PTB e para o PT.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Ele usou essa expressão?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Sim.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – E os recursos...

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – E os recursos que ele colocou no papel, fiquei tão impressionado que falei com o gerente: “Gerente, não é possível isso aqui”.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Mas qual era o valor que ele colocou?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Em torno de R$100 milhões.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – E aí V. Exª ligou para o Deputado Genoíno e o Deputado Genoíno confirmou.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não. Eu não disse o valor. Falei: “Zé, o cara bota no papel uns negócios aqui que parece que chove dinheiro no mundo”. Ele falou: “Não, mas pode acreditar nele, porque o que ele está falando é a vera”.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – E quem pediu, Deputado Roberto Jefferson, para que o senhor recebesse, nessa oportunidade, o Marcos Valério?

O SR. PRESIDENTE (Dlecídio Amaral. PT-MS) – O tempo está encerrado.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Quem me pediu que o recebesse foi o Delúbio.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – O Delúbio. Em nome dele próprio ou em nome de alguém?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Ele é o Tesoureiro do PT. Eu me encontrei várias vezes com ele, com o Dr. Delúbio, várias vezes. Ele tem relação comigo.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Cem milhões de reais!

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Cem milhões de reais.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Só para terminar, Sr. Presidente, a última pergunta, como a gente fez aqui um pingue-pongue, o Deputado Miro Teixeira, Deputado Roberto Jefferson, tem, em reiteradas oportunidades, dito que V. Exª ainda não contou tudo. V. Exª ainda teria informações para passar. Hoje, cada vez mais informações que V. Exª tem passado, tem dado, tem ganho credibilidade. E até aqueles que diziam que o que V. Exª dizia não era verdade já hoje não o dizem com tanta autoridade, com tanta impetuosidade. Já baixaram um pouco a crista, porque os fatos mostram que o que V. Exª tem dito tem se comprovado.

Existe alguma informação – e queria terminar com esta indagação – ao que se refere o Deputado Miro Teixeira?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Penso que ele está confundindo de pessoa. O episódio que ele insinua, eu nunca disse que a ele. Ele deve ter ouvido alguém falar... É um negócio relacionado a uma reunião com o Ministro...

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Mas o que, especificamente?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não sei, eu li no jornal. Que um Ministro teria recebido pessoas. Eu nunca relatei esse episódio ao Deputado Miro Teixeira. Quando ele era Líder do Governo, ele me propôs fazermos juntos a denúncia do mensalão, porque ele conhecia também por ouvir dizer. E eu disse a ele que nós precisávamos antes falar ao Presidente Lula. Ele ficou de marcar. E não marcou.

O SR. EDUARDO PAES (PSDB-RJ) – Agradeço a V. Exª, Deputado Roberto. Cem milhões!

O SR. PRESIDENTE (Dlecídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra o Deputado Abicalil.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Obrigado, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Dlecídio Amaral. PT-MS) – Três minutos.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Tentarei fazê-lo dentro do tempo e divagando, como muitos fizeram aqui, para fora do tema da CPMI, em função do que se falou, de muitas coisas diferentes do foco da CPMI. E, evidentemente, é muito interessante o conceito reiterado pelo próprio Deputado Roberto Jefferson, de aqui se tratar de um teatro político. E CPI é um instrumento de oposição. É óbvio! Isso é da tradição da vida democrática; é da tradição da vida democrática, reitero, em que a disputa política é legítima, desde que, dentro dessa disputa, se paute, efetivamente, o desejo de ser republicano, como dizia aqui o Senador Suplicy. O desejo de buscar a verdade, o desejo de chegar a fato, o desejo de produzir prova e de não fazer apenas informações, ilações ou, como disse o Presidente, uma catarse eleitoral e política.

Poderíamos trazer aqui também dezenas de denúncias sobre financiamentos de campanhas no interior, dezenas de denúncias sobre quem foi perseguido pelo PFL, pelo PSDB, pelo PDT, por quem tivesse poder na época contra a sua posição ou sua minoria em milhares de cidades do Brasil. Isso faz parte da disputa do campo político.

Não sou daqueles, Deputado Roberto Jefferson, que se sentiu incomodado com V. Exª ter dito que trouxe prestação de contas ou algo similar. Não sou daqueles, porque imagino que o senhor trouxe como um instrumento da sua defesa inclusive, caso fosse necessário utilizar.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não em defesa pessoal, mas da tese que estou esposando aqui.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Claro, claro. Exatamente. Por isso estou dizendo: não sou daqueles que possam ter-se sentido incomodados ou coisa parecida. Muito mistério se fez, por exemplo, em relação à mala que V. Exª trouxe aqui, uma mala vermelha, não é isso?

Bom, o PT já foi acusado de seqüestro, de latrocínio, de defender posições que eram contra o Direito, contra a democracia, contra o exercício democrático da diferença de opinião. Aqui, na Câmara, o PT foi acusado de fazer dízimo com dinheiro público. Os outros Partidos é que estão condenados no Tribunal. Os outros Partidos é que estão condenados no Tribunal, não é o PT, que não faz saque na folha de pagamento. É bom ver quais são os Partidos que o Tribunal mencionou com saque em folha de pagamento.

O PT está sendo...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – A palavra está com o Deputado Abicalil. Ninguém foi interrompido. Por favor.

Por favor, Deputado Abicalil.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Agradeço que o senhor....

O SR. (Orador não identificado) – Sabe que não é assim.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – ... exija que os que são da Oposição tenham o exercício democrático, aliás porque a verdade, só vale a que eles falam. Só existe a verdade de um lado e dizem que nós é que somos maniqueístas. Como é que pode?

Não estou-me referindo a V. Exª, Deputado Roberto Jefferson.

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Eu sei, eu sei.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Estou-me referindo ao teatro feito aqui.

Nós é que somos maniqueístas. Por isso estou dizendo: há milhares de denúncias em campanhas no interior, sobre milhares de candidatos, sobre compra de voto de “a”, de “b”, de “c”, de “d”, sobre financiamento de “a”, de “b”, de “c”, de “d”. Aqui não é a CPI do financiamento de campanha. Se for necessário fazê-la, vamos fazer, mas não é aqui. Não me parece que seja aqui o lugar, pelo menos pelo objeto definido.

Há, efetivamente, como eu disse, uma decisão soberana do Congresso, porque é uma CPI Mista, de conceder...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Concluindo, Deputado Abicalil, por favor.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Eu vou pedir a mesma parcimônia que o senhor teve com outros.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Não, mas agora, nessa rodada, é...

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Eu não fui incomodado. É, vou concluir a rodada.

Tenho dito que se, de fato, a apuração da corrupção envolver dinheiro público sendo transferido, nós temos de apurar. Se o dinheiro tem fontes desconhecidas, como se insinua, em operações internacionais, nós temos que apurar.

O Sr. Marcos Valério, o sigilo telefônico e fiscal dele, das empresas e da esposa já estão todos aqui, quebrados por esta CPMI, não apenas para o período de 2003 para cá, não.

O SR. (Orador não identificado) – É muito difícil, tem uma guerra, tem uma guerra.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Estão abertos desde 2001, porque esse senhor mantém relações com governos há mais tempo do que em 2003.

Creio, portanto, que nós temos o direito, nós temos o direito de, assim como damos crédito, credibilidade, verossimilhança...

O SR. (Orador não identificado) – Pela ordem, Sr. Presidente.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – ... às informações que são dadas pelos depoentes que vêm aqui, também merecem crédito, verossimilhança, informações que não sejam daqueles que passaram aqui, também.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado Abicalil, concluindo, por favor.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Nesse sentido, vou concluir. Eu esperei pacientemente o meu tempo. Na primeira parte, usei 10 minutos. Houve quem usasse 28, o senhor sabe disso. Houve quem usasse 28.

Falamos, aqui, de preconceitos. Falamos de preconceitos.

(Tumulto no recinto.)

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Atenção.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Há muitos preconceitos.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado Onyx.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Há muitos preconceitos que foram sendo superados. Nós éramos inimigos da Nação...

(Tumulto no recinto.)

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Se continuar essa discussão, eu vou, simplesmente, encerrar a reunião e acabou-se.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) –... nós éramos inimigos do capital nacional, nós éramos inimigos do desenvolvimento...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Vamos lá, Deputado Abicalil, conclua, por favor.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – ... nós éramos inimigos do desenvolvimento nacional, nós éramos inimigos da indústria. Fizemos uma aliança para governar o País e há aqueles que ainda insistem em quem faz aliança, na aliança que é correta, que foi apresentada à população, uma aliança que tem base programática, uma aliança que governa o País e que não fez maioria parlamentar, e, por isso, teve de fazer uma outra recomposição. Tem gente que ainda acha, no preconceito, que um Presidente eleito não pode subir em helicóptero. Há gente que ainda acha, no preconceito, que nós que viemos da classe trabalhadora alcançar poder, não podemos freqüentar hotéis, tem gente que ainda age no preconceito achando que até a disposição regimental de desobrigar, nesse calor todo, a vestir terno, pautando-se pelo preconceito.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Deputado Abicalil, conclua, por favor.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Estou concluindo.

O SR. (Orador não identificado) – Pela ordem, Sr. Presidente.

O SR. CARLOS ABICALIL (PT-MT) – Compreendo a Oposição, sei que faz o seu papel, respeito cada voz que se levanta aqui para falar a sua opinião, e agradeço, Sr. Presidente, a condição que V. Exª me concedeu de falar por segunda vez, assim como tenho convicção o depoimento do Deputado Roberto Jefferson naquilo que afirmou e naquilo que deveremos apurar, sem dúvida nenhuma, colaborará para que cheguemos à verdade, por mais ou menos do que acreditemos naquilo que foi dito aqui. Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Muito obrigado, Deputado Abicalil.

Senador Heráclito Fortes.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Sr. Presidente, o Abicalil é campeão de mudar o sentido do que você afirma. O que critiquei do Presidente Lula foi, no dia da vitória, usar um helicóptero de uma empresa multinacional, da Rolls- Royce. Não estou condenando a figura do Presidente da República. Não condeno nem comprar um air bus; mas não quero perder tempo com o desespero do Deputado Abicalil.

Sr. Deputado, por questão de justiça e até a minha consciência doer – é um dos motivos que vou voltar a intervir – eu queria concordar com V. Exª. Conheço o Dr. Salmeron há muitos anos. Para mim será a maior decepção se um dia eu tiver notícia do Dr. Salmeron envolvido em falcatrua e corrupção. Para mim, ele é uma sardinha ensaboada, é um político hábil, promete e não cumpre, mas, desonesto, não. Essa justiça eu quero fazer a ele. Político, tudo, jeitoso, mas, desonesto, não. E conhecemos o desonesto no arriar das malhas. Quero fazer justiça porque numa hora como essa as pessoas fogem de dar depoimento como esse que eu gostaria de dar.

Quero fazer uma pergunta ao Deputado Roberto Jefferson: V. Exª fez uma ligação do Bispo Rodrigues com o mensalão. Tenho o maior apreço pelo Bispo Rodrigues, mas ele não explicou ainda aquela questão do envolvimento dele com o Waldomiro Diniz, que o afastou inclusive da Igreja Universal, onde ele era um dos pares mais expoentes. V. Exª acha que essa ligação dele com o Waldomiro e mensalão foi transportada do Rio de Janeiro para cá?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Foi. E lá no Rio se chamava mensalão. Quem inventou esse negócio foi o Bispo Rodrigues lá no Rio, na Assembléia Legislativa, que fazia uma arrecadação tanto do Detro, das empresas de transportes, como da folha de salários dos cargos de confiança e repartia entre os Deputados. Essa denominação mensalão vem da Assembléia do Rio. A imprensa carioca...

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Do Waldomiro e do....?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não, não. Com o Bispo Rodrigues.

A SRª IDELI SALVATTI (PT-SC) – Desde quando, Deputado?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Desde quando Chico Alencar denunciou. Tem uns 6 anos. Quem denunciou isso pela primeira vez foi o Deputado Estadual Chico Alencar, hoje nosso colega Deputado Federal. Isso foi um escândalo no Rio, e arquivaram a CPI, não levaram adiante essa CPI. Mas posso pegar as memórias da CPI – do PL do Rio de Janeiro (pede-me para esclarecer o meu advogado) – não estou generalizando, PL do Rio de Janeiro. E posso pegar a memória dessa documentação e trazer. A prática é igualzinha: todo mês um aditivo salarial para os Deputados. E essa nomenclatura mensalão vem de lá, da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Concordo com V. Exª e torço do fundo do coração para que o Presidente Lula não esteja envolvido nessas questões, mas ontem ele deu o primeiro sinal de fraqueza – sei que não foi culpa dele, é da má assessoria –: ontem, fez uma edição especial do Diário Oficial, que circulou com uma página só no Congresso Nacional, um negócio vergonhoso, apenas para, por mecanismos regimentais, impedir que a CPI do Mensalão fosse instalada. Quero fazer apenas esse registro aqui para a história.

Mas, Sr. Presidente, finalizando o que eu queria trazer aqui, mostrar a relação, não sei dizer se promíscua, mas pelo menos esquisita do Sr. Delúbio na Administração Pública Federal não é de agora. V. Exª tem razão. Em setembro de 2003, ele foi ao Piauí, naturalmente como dirigente partidário, e os jornais lá estampam isso na primeira página. Trouxe aqui, agora: “Governador pede socorro ao tesoureiro do partido”. E ele aqui promete soluções para problemas e recursos na área de saúde, saneamento, estrada e atração de novas indústrias. Era papel do tesoureiro do partido, que não participa da administração formalmente? Muito esquisito isso aqui. A maneira como foi recebido, porque o Sr. PC Farias não era do governo, não participava do governo, mas não tinha a audácia de fazer esse tipo de coisa. E aqui está havendo. Onde estão os ministros? Quem libera verba é ministro formalmente ou era o Sr. Delúbio Pereira? Quero que fique aqui...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senador Heráclito Fortes, por favor, concluindo.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Exatamente. Quero passar ao Relator, só para que fique nos Anais da Casa. Isso é de setembro de 2003. O diretor foi recebido aqui com honra – teve banquete, teve tudo –, com todo o aparato que se merece. É até normal...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senador Heráclito Fortes, por favor, concluindo.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Estou concluindo.

É até normal como dirigente partidário. Agora, entre isso, invadir a administração pública federal? Eu acho que essa questão, Sr. Presidente...

O SR. (Orador não identificado) – É o Delúbio.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Dr. Delúbio. Estou dizendo aqui.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senador Heráclito Fortes.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) –...merece uma reflexão do Sr. Relator.

Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Concedo a palavra ao Deputado Jorge Bittar.

O SR. JORGE BITTAR (PT-RJ) – Sr. Presidente, em função do adiantado da hora, serei telegráfico. Em primeiro lugar, eu não ouvi falar, pois ouvi de viva voz do Presidente Lula sua posição clara, sempre defendendo a instalação de CPI. Agora, falou que não era uma questão que lhe cabia; que era uma questão que cabe ao Parlamento. “Agora, eu, pessoalmente, sou favorável a que se monte uma CPI para apurar todos esses aspectos, doa a quem doer”. Isso eu ouvi, de viva voz, do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em segundo lugar, nomeações. De fato, o Ministro José Dirceu era um ministro forte. O chefe da Casa Civil de qualquer governo é uma personalidade importante, tem função importante na coordenação de governo. Daí a atribuir-se ao Ministro José Dirceu a responsabilidade final sobre toda e qualquer nomeação ocorrida dentro do Governo, isso vira, na verdade, folclore, algo absolutamente irreal. Na verdade, os processos de discussão de cargos ocorreram nos ministérios, nas empresas, entre os partidos e tinham como desaguadouro, sim, a Casa Civil, porque é quem instrui todos os processos para que o Presidente da República possa, enfim, aprovar essas questões. Então, não procedem, a meu ver, colocações desse tipo.

Terceira questão: a Telmex. Foram dadas várias informações, e não domino algumas delas. Agora, telecomunicações é uma área que conheço profundamente. Trabalhei 23 anos na Embratel, sou da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática desta Casa e acompanho atentamente o setor. Havia, sim, quando a Embratel – não é a Telebrás – foi colocada à venda... É uma das empresas concessionárias no Brasil. São quatro empresas concessionárias, pelo modelo firmado no governo anterior: Embratel, Telemar, Telefonica e BrasilTelecom. Sim, então, quando a Embratel foi colocada à venda, surgiram três propostas: uma de executivos da Embratel; outra das demais concessionárias, chamadas concessionárias locais, lideradas pelo Sr. Daniel Dantas; e surgiu uma proposta da Telmex. E quem era o vendedor? Era o grupo MCI, grupo americano, proprietário da Embratel, tendo adquirido essa condição a partir das licitações, aliás muito discutíveis, ocorridas no governo passado. E as licitações das telecomunicações não foram apuradas no governo passado. No entanto, estava claro que as demais concessionárias não podiam comprar a Embratel. Isso foi uma questão que orientou a venda da MCI para a Telmex, e não para o grupo... Por quê? Porque a Lei Geral de Telecomunicações, aprovada pelo Congresso Nacional, proíbe que um mesmo grupo controle mais do que uma concessionária no Brasil. Então, esses três grupos, liderados por Daniel Dantas, não poderiam comprar a Embratel pela legislação, a menos que se mudasse a legislação brasileira.

Venceu a Telmex. Submetida à Anatel, foi aprovada a venda da Embratel para o grupo Telmex, que já controla aqui no Brasil a telefonia celular através do grupo Claro, como é do conhecimento de todos.

Quanto ao Governo do Rio Grande do Sul, faço a seguinte observação. Nenhum governo é perfeito, mas tenho absoluta convicção de que o nosso Governo gaúcho honrou as melhores tradições republicanas deste País e honrou o nosso Partido. Tenho o maior orgulho de Olívio Dutra e de todos os companheiros que o conduziram.

Por fim, quero aqui registrar a minha grande consideração, o meu grande apreço por José Dirceu e por José Genoíno, figuras fundamentais da luta contra a ditadura neste País, figuras exponenciais na construção de nosso Partido e que ainda são fundamentais nesse sentido. São figuras que admiro profundamente e, certamente, continuarão a desempenhar papel de liderança muito importante em nosso Partido e na política brasileira.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PTB-MS) – Com a palavra, a Senadora Heloísa Helena por três minutos. Em seguida, falará a Deputada Juíza Denise Frossard, também por três minutos.

(Intervenções fora do microfone)

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PTB-MS) – Senador Heráclito, por favor, estamos concluindo, depois de uma jornada extensa...

Senadora Heloísa Helena, V. Exª tem a palavra.

A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Estou acostumada a trabalhar com um monte de crianças berrando por perto, não tem problema algum.

Sr. Presidente, gostaria de deixar registrado que recebi milhares de ligações e milhares de e-mails nos quais as pessoas estão dizendo que estão nos assistindo – eu havia dito que, a esta altura, ninguém mais estava nos assistindo. Disseram que estão nos assistindo e que esperam que a CPMI não vire pizza, que seja tudo investigado. Ainda bem que pensa assim a grande maioria do povo brasileiro, embora esteja, certamente, como a grande maioria de nós, em estado de náusea permanente – só tomando Engov todo dia! Ainda bem que é assim. Parabéns ao povo brasileiro, que está nos auxiliando a aprofundar as investigações e, portanto, a impedir qualquer vexatória, vergonhosa “operação abafa”, venha de onde vier.

Gostaria, ainda, de fazer uma última consideração. Fico dizendo sempre, no maldito plenário dos tapetes azuis, que chega a me irritar essa relação de ódio e amor platônico do PSDB e do PT. É impressionante: Fernando Henrique virou objeto do desejo de Lula, é um querendo ser o que o outro foi no passado. Isso é para cortar o coração.

Nesta sessão é a mesma coisa. Vejam: quando fui Líder do PT no Senado e Líder da Oposição ao Governo Fernando Henrique, quase que em estado de ferocidade absoluta, dizia que, no Governo Fernando Henrique, havia crimes contra a Administração Pública, que era um governo corrupto. Eu continuo achando que assim foi. E mais: cometeu crime de lesa-pátria. O que é mais grave é que o Governo Lula assumiu e não fez nada para desvendar os mistérios sujos daquele governo. Então, ou prevaricou ou nada havia deixado de trambique explícito o governo tucano.

Às vezes se fala em mudar a legislação. Sei que é muito interessante mudá-la à luz de uma conjuntura política, seduz os corações e as mentes brasileiras, mas se o que está previsto no Código Penal quanto a crimes contra a Administração Pública fosse cumprido, já estariam na cadeia muitos dos delinqüentes de luxo brasileiros. O problema é que, infelizmente, não se faz o que os velhos humanistas espanhóis diziam: que a mesma lei, ao ser aplicada, tem de ser flexível para o fraco, firme para o forte e implacável para o contumaz. Aqui é o inverso: ao pobre, o destino é o Carandiru, apanhar na cadeia; ao rico, muitas vezes, os salões da high society – porque inúmeras pessoas desmoralizadas são recebidas e, quando é oportuno, participam de banquetes pagos com dinheiro público. E ainda colocam o tanto de caviar que comeram na coluna social para dizer que aquilo é sinal de prestígio.

Quero dizer que sinto muita vergonha, muita vergonha mesmo, de ouvir as pessoas dizendo que o Governo Fernando Henrique fez isso, aquilo e aquilo outro. Não tenho dúvida que fez. Não tenho dúvida. Para mim, a tristeza é que o Governo Lula, a maior liderança popular da América Latina, o que era o maior partido de Esquerda da América Latina, hoje é uma ferramenta da propaganda triunfalista do neoliberalismo, porque nunca a pocilga do capital chafurdou com tanta desenvoltura como agora. E os desvios éticos que condenávamos com veemência, com truculência e com intolerância, no passado, infelizmente, esses mesmos desvios éticos são apropriados. E os mesmos argumentos fraudulentos que a base de bajulação do Governo Fernando Henrique fazia, hoje a base de bajulação do Governo Lula faz.

Aliás, muitos que hoje estão na tropa de choque eram os mesmos que estavam em outras tropas de choque também, inclusive do Governo Fernando Henrique, porque existem alguns que se é Governo, está dentro.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Senadora Heloísa Helena, concluindo, por favor.

O SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL-AL) – Já estou concluindo. E para concluir, quero agradecer muito a todos os brasileiros e brasileiras que nos estão agüentando pacientemente e que estão cumprindo com sua belíssima condição de lutar por um País livre, ético, soberano e fraterno. Não foi nenhuma ofensa, mas é que ficamos aqui trabalhando independentemente de ter alguém nos assistindo. O Deputado está aqui até esta hora, chegou desde cedo, ficamos em 300 votações. Estamos cumprindo a nossa obrigação. Que bom que muitas pessoas estão nos assistindo para que possamos aprofundar as investigações e desvendar os mistérios sujos da corrupção, estejam onde estiverem, tenha na lapela do terno o brochinho que tiver, mas que possamos auxiliar o País.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Com a palavra a Deputada Juíza Denise Frossard.

O Deputado Geraldo Thadeu pede um minuto e meio para falar.

Então, com a palavra o Deputado Geraldo Thadeu.

O SR. GERALDO THADEU (PPS-MG) – Sr. Presidente...

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Depois de todos, quero fazer um resumo sobre o dia de hoje.

O SR. GERALDO THADEU (PPS-MG) – Com muito merecimento e pelo tempo que for Presidente. E pela conduta e pelo que tem feito nesta CPMI, terá todo o tempo que desejar e ficaremos aqui o tempo todo com muito interesse em ouvi-lo.

Sr. Presidente, quis falar esse um minuto e meio no final para parabenizá-lo pela sua conduta imparcial, paciente – sofrendo, às vezes, provocações de um lado e de outro – e com toda a correção. Por isso é que acredito, conhecendo também o nosso Relator, o Deputado Osmar Serraglio, que esta CPI não vai acabar em pizza.

Temos provas evidentes que confirmam todas as declarações do Deputado Roberto Jefferson, principalmente na questão do Sr. Marcos Valério. E tenho certeza que vamos aprofundar.

O Presidente Lula colocou, segundo os representantes do Partido dos Trabalhadores, que quer a apuração. Queremos paz neste País. Queremos que este País viva. Queremos que o Presidente cumpra o seu mandato, que seja feliz, porque queremos o bem do nosso povo. Queremos que este País tenha condições, nesse processo democrático, de ter normalidade.

Nas próximas reuniões, Sr. Presidente, temos que fazer um apelo aos companheiros, aos colegas para que parem com provocações. Vamos encarar as coisas com seriedade, sem provocações. Já aconteceram muitas provocações. Agora, chega! Queremos apurar a verdade e mostrar ao povo brasileiro o que tem que ser feito.

Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – Muito obrigado, Deputado Geraldo Thadeu, pelas ponderações de V. Exª.

Para encerrar, com a palavra a Deputada Juíza Denise Frossard, por três minutos.

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS-RJ) - Sr. Presidente, ontem, fui entrevistada e perguntaram-me como estava a CPMI. Eu disse: “Engatinhando, com uma boa notícia: hoje, podemos dizer que temos um belo Presidente e um belo Relator, que estão caminhando, que estão engatinhando – foi esse o termo – entre nervos partidários expostos”. E disse mais: “Mas é natural que seja assim, pois os nervos estão expostos”.

Eu acredito que, com um pouco mais de tempo, nós vamos andar. Hoje, acredito que nos tenhamos levantado, já estamos nas próprias pernas, caminhando um pouquinho, mas os nervos partidários ainda estão expostos. É natural, entende-se, compreende-se. Porém, é preciso caminhar, na busca da verdade, sem esses nervos expostos. E, hoje, tivemos aqui, graças a V. Exª, Deputado Roberto Jefferson, um desenho impressionante que nos indica o rumo certo a seguir. Não é a reforma política, o que não significa que ela não seja necessária, ela é, vamos discuti-la, mas a reforma que se impõe – e que está muito clara – é que, enquanto nomearmos uma única pessoa, isso vai se repetir, e vamos viver de crise em crise.

Sou nova aqui, este é um mundo novo para mim. Eu acreditava que a figura do Presidente era a de uma pessoa com que não se vai conversar sobre cargos. Com o Presidente, conversa-se sobre as políticas públicas – o que vou fazer com a educação, com a saúde, com a diminuição dessa enorme distância entre os que têm e os que não têm – e não sobre cargos. Então, o que me assusta não é poder nomear um parente, mas poder nomear qualquer pessoa.

Acho que a primeira reforma que temos de fazer, se quisermos evitar problemas no futuro, é essa reforma. Não é a reforma administrativa que se diz por aí: vamos acabar com o funcionário público. Não! Vamos dar a carreira, porque, no meu Estado, isso é fatal, pois o mau hálito político nomeia inclusive um delegado, para esta ou aquela delegacia, que dá mais ou menos.

Portanto, Sr. Presidente, agradeço a aula que tive aqui hoje. Acho que essa catarse, que V. Exª muito bem definiu, é importantíssima. Tenho certeza de que esta CPMI vai andar. Tenho certeza de que ela produzirá resultados. Tenho certeza de que todos aqui vão lembrar-se de seus nervos partidários expostos e entender que todo partido é muito bom, mas que nenhum deles pode avançar nos limites dos princípios de cada um de nós. Se eles avançarem, eles devem ceder, e os nossos princípios devem prevalecer.

Essa catarse de hoje agradeço ao Deputado Roberto Jefferson. Nunca estivemos juntos, embora sejamos do mesmo Estado. Fui professora de sua filha e o conheci apenas uma única vez, aqui, há pouco tempo.

Reitero, V. Exª é corajosíssimo, não é fácil vir aqui, na frente de todo mundo e nos possibilitar pegar isso tudo e reformular a maneira de se fazer política neste País. Ou se faz isso, ou vamos sucumbir. Perdoem-me, eu não deveria falar, porque sou “pato novo”. E pato novo deve mergulhar. Mas me senti à vontade aqui de terminar; estou acostumada, como mulher, a esperar que os homens falem. E, lá pela hora áspera, que já vai tardia, de 1h40min, falamos de mansinho, não é, minha companheira? Eu e a Senadora Heloísa Helena, as duas únicas mulheres aqui.

Muito obrigada a todos.

O SR. (Orador não identificado) – Sr. Presidente, deixe-me falar...

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS-RJ) – Ah, a Bete, lá de São Paulo, que é do grupo Mulheres da Verdade, da luta contra a corrupção, ligou, dizendo: “Nós, Mulheres da Verdade, estamos aqui vendo vocês”. Ela mandou avisar os homens.

O SR. (Orador não identificado) – Juíza Frossard, a Cristiane entrou na vida pública, para se candidatar a Vereadora contra a minha vontade. Eu queria que ela seguisse a carreira da Magistratura; ela saiu no segundo ano da Escola da Magistratura. Não acho que ela tenha feito a melhor opção. Meu sonho para ela era a carreira de juíza. V. Exª foi...

A SRª JUÍZA DENISE FROSSARD (PPS-RJ) – Que, aliás, é da sua família.

O SR. (Orador não identificado) – Pois é. V. Exª foi professora dela. Mas ela insistiu comigo e disputou essa eleição para o cargo de Vereadora. E quero estar do lado de V. Exª na próxima eleição, se Deus quiser, para Governadora do Rio de Janeiro. Tenha certeza disso.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral PT-MS) – O Relator quer fazer algum questionamento?

Deputado Roberto Jefferson, algum comentário adicional?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não, só agradeço aos senhores, ao povo que nos assistiu, a todos os Srs. Senadores, às Srªs Senadoras, aos Srs. Deputados...

Senador Eduardo Suplicy, foi tombo mesmo. A Laura Carneiro que me... Eu fui pegar uma escada e não abri a escadinha para subir. Desequilibrei-me, segurei em um armário de 200 quilos, de sucupira, aqueles antigos da Câmara, e ele bateu aqui e me botou para dormir. Quem me socorreu foi a Laura Carneiro e a Luísa, minha Assessora de Imprensa, que está aqui. E me carregaram para o hospital. Foi tombo mesmo. Fui pegar os CDs do Lupicínio Rodrigues. Nós estávamos conversando sobre o Lupicínio, e a Laura falou: então, bota para tocar o Lupicínio.

O SR. HERÁCLITO FORTES (PFL-PI) – Qual era a música, por favor? A curiosidade é nacional. Que música era, Deputado Roberto Jefferson?

O SR. ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ) – Não, não estava tocando ainda a música. Mas era “Nervos de Aço”.

O SR. PRESIDENTE (Delcídio Amaral. PT-MS) – A reunião está encerrada.

(Levanta-se a reunião à 1h e 42min.)


Fonte[editar]