Epodos de Horácio

Wikisource, a biblioteca livre
Ir para: navegação, pesquisa
Epodos de Horácio (traduzidos em verso português)
por José Agostinho de Macedo
Text document with red question mark.svg
A tradução dos Epodos e Odes de Horácio por Macedo foi publicada pela primeira vez em Lisboa em 1806; por enquanto só o Epodo III está disponível.


III

Se há parricida que do pai caduco
O sangue derramasse,
Alhos coma somente, que a cicuta
É menos venenosa.
Ó cegadores rústicos, vós tendes
Estômagos de ferro.
Que veneno cruel me despedaça
As torradas entranhas.
Atroz peçonha, víbora cruenta
Lançou nestes manjares
Ou deles foi maldita cozinheira
A pérfida Canídia
Quando o belo Jasão, dos argonautas
O condutor valente,
Foi subjugar os indomáveis touros,
Sob ignorado jugo,
Medéia os membros lhe banhou com o sumo
Dos alhos espremido
Antes que as rédeas aos dragões sanhudos,
Batesse sobre os ares,
Fugindo de Corinto, com tal sumo
Os vestidos molhava
Com que do leito seu vingava a afronta
Na rival inocente.
Jamais nos campos de Calábria, Sírio
Vomitou tanto fogo,
Jamais nas veias do valente Alcides
De Neso as vestiduras
Tantos acesos turbilhões lançaram
De chama abrasadora
E se veneno tal, teu gosto prende,
Verás, caro Mecenas,
Corno de ti fugindo a terna moça
Teus ósculos rejeita.






Ferramentas pessoais
Espaços nominais

Variantes
Acções
Navegação
Imprimir/exportar
Ferramentas
Noutras línguas