Manual de criação e produção de uma rádio on-line

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MANUAL DE CRIAÇÃO E PRODUÇÃO DE UMA RÁDIO ON-LINE

UNIVERSIDADE MUNICIPAL DE SÃO CAETANO DO SUL – IMES CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – RÁDIO E TELEVISÃO

JOSÉ ROBERTO DOS SANTOS

Trabalho apresentado como parte do processo de certificação do curso de Rádio e TV do IMES.

Orientador: Prof.º Ms. Moisés dos Santos


INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como objetivo mostrar de maneira simplificada as etapas de montagem e estruturação de uma rádio web. Uma rádio web consiste numa emissora de áudio que utiliza a Internet para transmitir sua programação, similar ao que acontece no rádio que usamos no dia-a-dia, só que, no caso da rádio web, ele é integrado ao computador. Para entender melhor o que vem a ser este projeto, segue um breve histórico sobre cada veículo de comunicação.

A definição mais apropriada para Internet é um sistema mundial de redes de computadores – uma junção de rede em que os usuários em qualquer lugar do mundo podem obter informações de qualquer outro computador ou de pessoas, conversando por meio de comunicadores, como Skype, MSN ou ICQ.

O rádio, da forma que o conhecemos hoje, deve sua existência a alguns inventores do século 19 que decifraram seus segredos físicos para utilizar seus serviços no dia-a-dia. Entre eles se destacam: James Clerck Maxwell, que demonstrou a existência de ondas eletromagnéticas pela primeira vez em 1863; outro colaborador foi o alemão Henrich Rudolph Hertz, que, em 1887, demonstrou o Princípio da Propagação Radiofônica, quando passamos a conhecer as chamadas “ondas hertzianas”.

Entre outros inventores estava também o brasileiro Landell de Moura, padre cientista nascido no Rio Grande do Sul, inventor de sistemas de telefonia com e sem fio, além de teses que previam a comunicação via satélite e os raios laser. Em 1904, Landell de Moura conseguiu, nos Estados Unidos, as patentes mundiais de três de seus inventos: telégrafo sem fio, telefone sem fio e o transmissor de ondas curtas. Mas a era do rádio só teve início em 1919, quando a empresa americana Westinghouse instalou no pátio da sua fábrica uma grande antena e passou a transmitir música dentro de uma pequena região, pois as ondas só alcançavam poucos quilômetros de distância. O intuito da empresa era desencalhar um grande estoque de aparelhos de rádios, sobras provenientes da Primeira Guerra Mundial que não foram usadas em combate.

No Brasil, a primeira transmissão feita foi um discurso do presidente Epitácio Pessoa, no Rio de Janeiro, comemorando o centenário da Independência, em 7 de setembro de 1922. A empresa americana Westinghouse Eletric Co. instalou no Corcovado um transmissor para que o discurso fosse transmitido a partir da Praia Vermelha.

O crescimento do rádio nos Estados Unidos se deu em alta velocidade –em 1921 eram quatro emissoras, mas, ao final de 1922, seriam computadas 382. A primeira estação de rádio brasileira foi criada por Henry Morize e Edgard Roquete Pinto, o último considerado o pai do rádio brasileiro por ter fundado, em 1923, a Rádio Clube do Rio de Janeiro. Ela funcionava como um clube, onde os sócios pagam mensalidades para utilizar os serviços.

A curta história da Internet começa ainda nos tempos da Guerra Fria, como sistema de segurança. Os norte-americanos criaram um sistema que permitia a rápida transferência dos sistemas de controle para qualquer lugar do país, em caso de destruição de algum centro de pensamento, como o Pentágono. Esse sistema consiste em vários computadores interligados por uma rede de fios, permitindo a troca de informações entre várias partes do país.

Mas, com o fim da Guerra Fria, os norte-americanos perceberam que não tinham mais motivos para manter em sigilo essa tecnologia e decidiram estendê-la para as universidades do país. Essa tecnologia passou, gradativamente, a outras universidades do mundo, criando a grande rede de computadores que conhecemos hoje, possibilitando conversas entre pessoas de qualquer lugar do planeta, transferindo arquivos de texto, imagens e sons.

No Brasil, essa rede passou a ser mais conhecida após 1991, com a criação de sistemas de rede com o apoio do Ministério de Ciências e Tecnologia. Mas foi só em 1995 que a Internet passou a ter uso comercial, promovendo acesso às pessoas comuns, dentro de suas casas, o que só era permitido até então a universidades e a alguns órgãos públicos.

Com base em toda a história de grandes descobertas e inventos, surgem as rádios via Internet, ou rádio web. Isso propiciou a universalização do rádio, sem os limites de ondas sonoras. Uma pessoa do Brasil pode ouvir uma rádio japonesa com qualidade de som como se estivesse no Japão e no mesmo tempo em que a notícia for divulgada lá, ela será ouvida aqui. Mas porque montar uma rádio na Internet? O principal motivo pode ser a chance de qualquer pessoa divulgar para o mundo as suas opiniões, seus gostos e suas vontades. Não que uma rádio web venha a ser instrumento de desabafo pessoal, como um diário ou um blog, mas é uma chance de pessoas que gostam de trabalhar em meios de comunicação apresentarem seus pontos de vista sem precisarem de autorização do governo ou de altos investimentos.

Uma estrutura básica – como equipamentos para essa emissora (computadores, microfone, músicas e estúdio) e fontes de pesquisa, como jornais, revistas, acesso a sites e softwares para a manutenção do sistema – gera custos iniciais que podem assustar as pessoas, à medida que são contabilizados, mas não impede que alguém com vontade de seguir em frente consiga patrocinadores que possam, inclusive, gerar lucros para essa nova empresa.

Existe também a possibilidade de encontrar alguns sites que produzem programas gratuitos para computadores, e que vão baratear os custos iniciais, funcionando como incentivo. Esses programas vão desde sistemas para execução de áudios, como músicas, trilhas ou vinhetas, até aqueles que vão ligar o estúdio onde o som é captado e que deixará os arquivos disponíveis para acesso ao vivo ou para acesso ao material gravado.

A proposta desta pesquisa é apresentar de forma simples como criar e desenvolver uma rádio web, possibilitando a veiculação de informações de um ponto para outro com simplicidade e velocidade.

CAPÍTULO 1 – RÁDIO WEB: ORIGEM E DESENVOLVIMENTO

Neste capítulo será apresentada a forma como se deu o surgimento de cada meio de comunicação, como eles se uniram com o passar do tempo e a evolução da tecnologia. Será apresentado também o conceito de rádio na Internet e como ela se desenvolveu pelo mundo.

1.1 O Conceito de Rádio Web O conceito de rádio web surgiu com a possibilidade da fusão das tecnologias do rádio com a Internet. Essa fusão é baseada, normalmente, na estrutura de uma rádio (AM/FM) transmitindo notícias, músicas e entretenimento, só que agora com a possibilidade unir outras funções da Internet, como a publicação de notícias no site que já foram ditas pelo locutor. Também possibilita a publicação de fotos e anúncios escritos, propiciando mais uma fonte de obtenção de renda para uma rádio on-line.

O que também chama a atenção é a forma de atingir diferentes públicos, pois o mesmo site pode transmitir várias rádios ao mesmo tempo, desde emissoras só de músicas, ainda assim divididas por estilo musical, até rádios especializadas em notícias, ou ainda misturadas, com músicas e notícias.

Segundo Lowell Thing (2003: 503) site pode ser definido, basicamente, como “coleção de arquivos da web de um assunto particular, o que inclui um arquivo inicial chamado de homepage”. Resumindo, site é aquela página hospedada na rede de computadores em que as pessoas divulgam seus produtos ou serviços para aqueles que estiverem navegando na Internet.

Outra grande vantagem de uma rádio na Internet é a possibilidade de escutar a sua música preferida ou notícias sobre a sua região de qualquer lugar do mundo, de uma lan house ou da casa de um amigo, bastando apenas digitar um endereço eletrônico e abrir o seu programa de execução de músicas. Outra vantagem é que se pode transmitir uma rádio a partir de casa, com programas de computadores simples e de uso diário, incluindo aquele microfone simples que já vem com o kit multimídia, até a montagem de um estúdio profissional, incluindo isolantes acústicos, microfones profissionais e locutores graduados.

O conceito de rádio web é muito amplo, atingindo desde pequenos nichos até grandes massas, dependendo da direção que for dada à sua emissora.

1.2 A Rádio Web no Mundo Com o crescimento das redes de banda larga em todo o mundo, fazer transmissões de áudio via Internet tornou-se viável, considerando que agora é possível manter uma qualidade sonora similar ao de uma rádio FM, em alguns casos até melhor.

Quando eram usadas redes dial-up, a taxa de transferência de arquivos era muito baixa, o que desencorajava o público de prestar atenção ao conteúdo disponível, não só pela má qualidade de áudio, mas também por causa das constantes quedas de conexão.

Com a melhoria da qualidade das conexões, o número de emissoras aumentou significativamente. Isso propiciou a criação de alguns sites que servem como catálogo de rádios, indicando as diversas emissoras espalhadas pelo mundo, desde as AM/FM que retransmitem o sinal para grandes redes até as diversas emissoras virtuais que se espalham ao redor do planeta. O nível de profissionalização é tão grande, que as rádios são separadas por países e continentes e as brasileiras, por Estado.

Visitando algumas dessas páginas é possível perceber que já existe uma grande preocupação estética na maioria dos sites produzidos, tanto em relação à parte gráfica quanto à qualidade sonora. Por qualidade sonora entenda-se a grade musical e a preocupação com músicas de alta qualidade sonora, além da plástica da emissora, que nada mais é que o cuidado com o uso de vinhetas e trilhas, preparadas de acordo com a vocação da rádio.

A maioria conta com locutores divididos por horário, como ocorre em rádios tradicionais. Há, inclusive, algumas transmissoras que utilizam recursos da Internet, como chats e e-mails para aumentar o contato com os ouvintes, permitindo que a programação seja feita em tempo real, de acordo com o pedido feito por cada freqüentador da página.

Mas esse novo veículo de comunicação não é composto apenas de novas empresas que desejam “aventurar-se” no ramo da comunicação. Grandes veículos, como a BBC de Londres (Figura 1) e o Sistema Globo de Rádio (Figura 2) disponibilizam em seus sites links para que seja possível acompanhar a programação pelo computador. Link é a definição para objeto selecionável de uma palavra, imagem ou objeto de informação para outro lugar. Representa um vínculo entre páginas da Internet. Pode incluir seqüências de som ou vídeo.

Já há algum tempo que essas empresas utilizam a Internet como meio de interação com os ouvintes, recebendo via e-mail suas opiniões, sugestões ou reclamações, tanto para a mudança de algo que se relaciona com a emissora, quanto cobranças de melhorias de bens públicos – como escolas, hospitais, ruas, parques e praças.

Uma prática muito difundida na Europa e que agora chega ao Brasil é a criação de várias emissoras segmentadas, todas dentro do mesmo site, ou portal. Entenda-se por portal uma grande página na qual é possível encontrar informações sobre diferentes assuntos no mesmo lugar. Exemplos de portais são o UOL [www.uol.com.br] e o Terra [www.terra.com.br]. Nem sempre o material transmitido é o mesmo que foi vinculado em seu sinal AM/FM, pois algumas empresas começam a enxergar as vantagens de atender os variados públicos, criando canais além dos existentes no modelo convencional.

Há também a possibilidade de produção de emissoras de baixo custo, em que somente músicas são disponibilizadas para o internauta. O usuário entra com o nome do artista ou a faixa que procura e o sistema disponibiliza no ato o resultado da pesquisa, com a possibilidade de maiores informações sobre a faixa escolhida, como ficha técnica (autor, ano de gravação e nome do disco em que foi gravada) e um comparativo de preços entre os sites que comercializam essa obra.

Em comum, todas essas emissoras abriram o leque para a comercialização de espaço publicitário, seja com a venda de espaço gráfico ou com a publicidade divulgada em cada emissora, lembrando que, em vez de vender para o grande público, a intenção é atender aos nichos de mercado, satisfazendo o gosto de uma minoria. O design da página será de grande utilidade para que aconteça o crescimento no número de visitas e, assim, se tornem possíveis a comercialização da página e a obtenção de receita. Cuidados com as cores, letras (formato e tamanho) e a distribuição de conteúdo por toda a área gráfica contam pontos para a conquista ou repulsa do usuário.

Páginas com baixa poluição visual tendem a conquistar mais facilmente as pessoas, pois elas conseguem compreender com maior facilidade a mensagem que é passada, de maneira rápida e simples. Uma curiosidade que J.B. Pinho traz em seu livro é que na Internet as pessoas têm a tendência de perder a concentração com mais facilidade, se comparado com jornais, revista ou tevê. Por isso, a aparência e o conteúdo devem ser pensados com propriedade, pois se o usuário não passar do primeiro estágio, toda a sua preocupação com o áudio será em vão.

CAPÍTULO 2 – LINGUAGEM: TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO NO RÁDIO E NA INTERNET

Neste capítulo serão apresentadas as técnicas utilizadas no rádio e na Internet a fim de atrair a atenção do público (ouvinte ou internauta) para que utilize esses canais de comunicação como forma de adquirir informação e/ou entretenimento. Por fim, será sugerida uma linguagem apropriada para a rádio on-line, utilizando todos os recursos possíveis para atrair a atenção do público para esse novo veículo.

2.1 A Linguagem Usada no Meio Rádio O meio rádio teve seu início na metade do século passado, começando de maneira simples com relação à infra-estrutura, fato que mudou drasticamente na passagem do século 20 para o 21, quando houve uma grande evolução tecnológica, melhorando a qualidade das transmissões, facilitando o trabalho de produção e de todo o processo criativo.

Com o passar do tempo, o rádio tornou-se o meio de comunicação mais popular no planeta, graças à sua praticidade de transporte e manuseio. O rádio pode ser utilizado dentro de casa, no carro, andando na rua, de dia ou à noite, independente de região ou língua. Segundo Robert McLeish (2001: 16), um dos grandes atrativos do rádio como meio de comunicação é o fato dele ser um meio cego. Isso porque o ouvinte precisa imaginar o que está acontecendo, seja o conteúdo passado pelo locutor, como uma notícia, uma entrevista ou um bate-papo com algum ouvinte pelo telefone. Aquele que está escutando acaba imaginando toda a situação que o locutor narra, desde como deve ser o profissional, fisicamente falando, até o local de algum fato descrito por ele.

Essa é a grande vantagem desse meio. Trabalhar com o imaginário das pessoas é algo tão saudável quanto uma mãe que conta histórias para o seu filho quando ele vai dormir. Enquanto a televisão dispõe dos recursos visuais para ilustrar o seu conteúdo, o rádio é profícuo em criar cenas impensáveis na TV, usando apenas recursos sonoros que servem como guia para que as pessoas possam “visualizar” o que está sendo dito.

Comparando com os jornais, o rádio sofre a desvantagem do cliente não escolher o que vai ouvir; ele segue a linha editorial preestabelecida e, segundo McLeish, apenas decide se vai ouvir ou se desligar do que é narrado. Por isso, o rádio requer um trabalho de preparação muito bem elaborado, para que ao chegar aos ouvidos das pessoas, chame a atenção e faça com que elas não mudem de emissora.

É possível chamar a atenção do ouvinte com uma notícia com a forma como ela é lida. Uma certa dose de interpretação é interessante, levando em consideração alguns pontos, como entusiasmo, compaixão, raiva, dor e alegria. Independente da idade, sexo ou religião, o rádio permite uma aproximação dos profissionais com o seu público jamais vista em outro meio de comunicação.

Muitos programas, tanto em AM quanto em FM, usam a interação como forma de chamar a atenção dos ouvintes para participar da sua programação. Na pauta muitas vezes estão piadas – algumas vezes sem graça –, espaço para o público pedir sua música ou aconselhamentos por parte de profissionais sobre alguns temas, como sexo e política ou área de trabalho.

É essa interação que a rádio na Internet deve buscar. Atualmente, além dos recursos como carta e telefone, contam com e-mails e salas de bate-papo virtuais (chats) para manter ou incrementar a sua programação. Os limites municipais em que muitas rádios operam não serão mais problema para que a emissora conquiste público por todo o planeta.

As rádios (AM/FM) possuem a característica de unificar diversos meios de comunicação em um só veiculo. Os produtores e jornalistas buscam inspiração nos outros meios – jornais, revistas, livros e até mesmo na TV – para colocar uma notícia no ar ou para produzir programas de entretenimento para o seu público. Se a chegada da Internet já foi um avanço como fonte de pesquisa, a integração dos dois pode chamar a atenção do público para encontrar diversas informações dentro da própria página da emissora. Imagine-se a situação: o locutor acaba de lançar um comentário no ar e discuti-lo por um determinado tempo com algum especialista no assunto e com os ouvintes, por meio de salas de bate-papo, e-mail e telefone.

Quando essa discussão for encerrada, a pauta discutida pode ser lançada dentro do site da rádio on-line, com links que direcionarão a outras páginas relacionadas ao assunto, assim como se pode criar um fórum de discussão, no qual o público pode entrar e deixar o seu comentário, além de ouvir novamente toda a discussão, em arquivos para download.

O download significa a transferência de dados ou arquivos entre computadores conectados à Internet. Geralmente acontece de um computador-servidor, que onde o público acessa as informações, para um computador menor, os computadores pessoais. Será possível integrar prestação de serviço público, entretenimento, músicas. Pessoas de regiões distintas podem sugerir como melhorar algumas áreas carentes, que já tenham passado por alguma situação semelhante à levada em pauta, lembrando sempre a queda de fronteiras das ondas sonoras.

As motivações de um radialista que usar a Internet devem continuar as mesmas: informar, instruir, entreter, chocar, transformar, apresentar opções, entre outras. Cada profissional do meio deve descobrir qual é a sua maior vocação, mas não deve esquecer que, segundo McLeish (2001: 24), precisa manter uma ligação entre o ouvinte e o produtor.

Uma emissora bem sucedida é mais do que a soma de seus programas; ela entende a natureza dessa amizade e seu papel de líder e prestador de serviços (McLEISH, 2001).

Com essa citação, é possível compreender que a principal técnica para produzir uma rádio é conhecer o público. Saber quais são seus gostos e preferências é fator fundamental na hora de definir a linguagem e o estilo usados na emissora.


2.2 Linguagem na Internet Nesse pouco tempo de existência, a Internet evoluiu na forma de criar seu conteúdo. O visual das páginas na web deve ser elaborado com a mesma preocupação que for dedicada ao conteúdo, cativando o internauta a conhecer melhor o site visitado.

De acordo com Luciana Moherdaui (2000: 34), “O jornalismo on-line não tem periodicidade, a sua dinâmica é determinada pelos acontecimentos que merecem ser noticiados”. Por jornalismo on-line entenda-se, nesse caso, a condição de estar atualmente conectado a um sistema de computadores ou telecomunicação.

Dessa forma, o site não deve ser atualizado de qualquer maneira, só para chamar a atenção, mas com a preocupação de colocar informações que sejam atrativas e façam a diferença de uma página para outra. Para estabelecer a qualidade, é importante ter uma equipe para planejar as estratégias de criação e produção desse conteúdo, a fim de que essa página não seja mais uma dentre as milhares espalhadas pela rede.

Patrick Linch e Sarah Horton apresentam, em seu livro Manual de estilo web, algumas técnicas para a produção de um site que possa competir comercialmente com os concorrentes. Os dois sugerem que sejam definidos os objetivos, que é a estipulação das metas e prazos para conclusão do projeto e também de suas etapas.

Conhecer o público-alvo é outro fator importante, considerando que um adolescente tem uma maneira diferente de absorver informações, comparado a alguém de 30 anos. Definir a linguagem é um dos primeiros passos a serem dados para que a página tenha sucesso. Conhecer as características das pessoas que se pretende atingir também pode determinar a linguagem utilizada, pois dessa forma o internauta sentirá vontade de conhecer o que foi publicado.

Visitar outras páginas que estão na rede servirá de inspiração na hora de montar o projeto. Essa pesquisa servirá como informação sobre as tendências que o mercado tecnológico oferece e que o público aprova, eliminando uma etapa – a de tentar descobrir qual o formato que mais chama a atenção das pessoas.

Uma boa página é aquela que oferece seus serviços de maneira clara e rápida. Se o internauta precisar de muitos “cliques” para chegar onde deseja, possivelmente acabará desistindo da procura. É importante lembrar que a maioria dos usuários da Internet visita várias páginas ao mesmo tempo.

Explicando melhor, as pessoas têm o hábito, incentivado pelas facilidades proporcionadas pelos instrumentos de busca da web, de pesquisar em vários sites ao mesmo tempo. Portanto, se a página não apresentar um resultado satisfatório, esse usuário pode encontrar a resposta em outra página.

Como forma de estímulo, existe no Brasil o prêmio I-best [www.ibest.com.br], que elege os melhores sites da rede em duas categorias: voto popular e júri especializado. Essa premiação possui a categoria Rádio, em que emissoras de radiodifusão que têm seu conteúdo publicado na Internet concorrem a esse prêmio.

O que se pode concluir visitando alguns desses sites é que o foco principal está na informação gráfica, cativando o ouvinte da rádio pelos olhos, fazendo com que este descubra tudo que a empresa tem a oferecer no seu dia-a-dia. Muitas disponibilizam links para que os internautas de outras cidades possam ouvir a rádio pelo computador.

Três rádios que normalmente disputam esse prêmio são a Jovem Pan, a Rádio Mix e a Rádio 89 FM (Figura 3), todas de São Paulo. Essas emissoras possuem conteúdo publicado na Internet, de maneira fácil e atraente, sem que sejam necessários muitos cliques até encontrar o que se procura.

A página principal, ou primeira tela, deve ser voltada para isso: direcionar o internauta para o assunto que ele procura. Assim, distribuir pequenos links pela tela facilitará a vida daquele que está em busca de informação, como, por exemplo, resultados de promoções, notícias ou cadastro para participar de programas da emissora.

Em termos de audiência, os brasileiros estão cada vez mais usando a rede mundial de computadores. Segundo dados divulgados pelo site Folha On-line, em março de 2005 os brasileiros passaram 14 horas e 57 minutos na frente do computador. Em fevereiro foram 13 horas e 13 minutos e em janeiro, 14 horas e 35 minutos.

O número de usuários ativos no mesmo período permaneceu em 11,03 milhões de pessoas. O tempo de navegação doméstica é gasto em páginas de e-mail e páginas de comunidades, como salas de bate-papo, blogs ou sites de relacionamento. O usuário passa em média 30% do tempo de navegação nesses assuntos. Em 2004, as páginas de comunidades representaram 19,5% do tempo total de navegação, e os e-mails foram responsáveis por 12,4%. Serviços financeiros respondem por 6,1%, enquanto que 3% foram gastos em sites de notícias.

Por blog entenda-se um diário criado pelo usuário, atualizado constantemente e visitado por um público conhecido, como amigos, colegas de trabalho ou simplesmente pessoas que se conheceram na Internet. Eles geralmente representam a personalidade do autor ou do site em exibição. Porém, o autor é chamado de blogger.

De acordo com Marcelo Coutinho Lima, diretor-executivo do Ibope Inteligência à época, “a Internet deixou de ser um meio de transmissão de conteúdo para tornar-se uma ferramenta de relacionamento social e comercial”. Essa declaração mostra que os usuários não estão interessados somente no que acontece no mundo financeiro ou político, mas sim voltados a si mesmos, procurando informações que os mantenham ligados no que acontece no mundo, como tendências de moda, estilos musicais ou relacionamentos afetivos.

Procurando essa interação, a Apple criou o I-Tunes, sistema que permite aos usuários acessarem a distância os computadores de internautas que possuem as ferramentas e ouvir as músicas disponíveis nele. Dessa forma, qualquer computador poderia virar um servidor de música. Mas como a popularidade do sistema cresceu de forma inesperada, a Apple tenta barrar essas transferências com medo de problemas com as gravadoras, no que diz respeito a direitos autorais, e já soltou no mercado uma atualização que impede essas transferências.

Um outro recurso que se tornou popular é o podcast. Basicamente essa tecnologia pode ser resumida como um diário de voz, ou audioblog. Usando um microfone e um I-Pod (Figura 4), é possível gravar fatos que ocorrem no seu dia-a-dia para serem escutados no futuro ou levar as músicas que estão no seu computador para qualquer lugar.

Mas o que tem virado moda é a criação de programas de rádio para serem transmitidos por I-Pod. Como exemplo, Tim Bourquin criou o podcast EnduranceRadio, voltado ao público de esportes radicais. Esse programa já contou com o acesso de mais de 15 mil pessoas e o dono dessa “estação” declara que “uma programação como a minha não funciona no rádio tradicional”.

Visitando alguns sites de busca e digitando a palavra podcast, esta lhe dará várias opções de acesso a páginas sobre o assunto, desde as que armazenam programas para outras pessoas acessarem até páginas que servem como guia – como é feito e divulgado o programa para que as pessoas possam encontrá-lo – ou ainda páginas apresentando informações sobre o funcionamento desse conteúdo.

De acordo com reportagem de Guilherme Werneck, o ex-VJ da MTV norte-americana Adam Curry começou com essa febre de podcast no fim de 2004 e em maio de 2005 fechou contrato com uma rádio por satélite chamada Sirius, dos Estados Unidos, para a produção de um programa diário sobre esse assunto.

Grandes rádios começam a pensar nessa febre e disponibilizam seus programas nesse formato, como a BBC de Londres. A Infinity Viacom também adaptará uma de suas emissoras em São Francisco para transmitir programas nesse formato.

A tecnologia de produção desses programas é similar à produção para rádios convencionais. Porém, a qualidade do áudio deve ser reduzida para facilitar a transmissão dos dados pela rede. Geralmente o formato usado é o WAV ou MP3, com 256 Kbps (kilobites por segundo) de qualidade e sample rate de 44.100 kHz. Já para podcast, o formato mais usado é o MP3, com 64 Kbps e 22.050 kHz. Um programa de uma hora nesse formato pode ter 30 MB. Se fosse usado o formato das rádios, o arquivo seria maior, passando os 3.000 MB.

Uma pesquisa feita pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) divulgada em 12 de maio de 2005 pelo site IDG Now (http://idgnow.uol.com.br/) mostra que 80% dos jovens com idade entre 14 e 16 anos ficam pelo menos duas horas por dia na Internet. Pela pesquisa, 68% dos jovens na mesma idade ouvem músicas no computador, mas apenas 45% ouvem rádio quando estão na Internet. No Brasil, esse número cai para 26% quando a pergunta é se ouve rádio “sempre” ou “freqüentemente”.

Com esses resultados é possível entender que o público jovem não quer mais ficar preso a programadores de rádio que tocam as seqüências planejadas pelas regras comerciais e sim fazer sua própria programação. Como, então, fazer uma rádio na Internet que chame a atenção do público e faça com que ele ouça sua emissora? A Rádio Fênix (Figura 5) apresenta uma solução interessante para essa pergunta. Ela considera como seu público-alvo os brasileiros que estão no Japão e possibilita, por meio de e-mail e salas de bate-papo, que seus ouvintes internautas façam a programação, pedindo músicas diretamente para o locutor que estiver no horário.

Para que a programação seja atraente e chame a atenção de quem está acessando a rádio, é importante criar uma grade de horários para que as pessoas não pensem que estão em um ambiente desestruturado e sem regras.

2.3 Modelos de Programação Uma rádio web pode seguir três linhas de estilo: a da informação, a do entretenimento ou uma híbrida, misturando diversão e notícias. Claro que isso vai depender da estrutura que se tem à disposição para engrandecer o projeto.

Se a intenção é montar uma rádio de notícias, com jornalismo presente na maior parte do tempo, será preciso uma estrutura com jornalista(s), sonoplasta(s), motorista(s), além dos apresentadores, que devem ser imparciais, além de muito bem informados.

Uma sugestão é formar parcerias com associações de bairro, de preferência que já possuam algum tipo de publicação, o conhecido “jornal do bairro”. Esses grupos são indicados por terem experiência na região e poderem colaborar com matérias e notícias. Além de publicá-las no jornal, podem usar a rádio e até a página na Internet para complementar as informações.

Pode parecer contraditório, mas usar essa emissora para falar de uma determinada região é mais interessante do que fazer pesquisas de grande alcance. Para cobrir as informações do Estado em que se mora, do país ou de crises internacionais já existem as grandes redes de rádio (como Bandeirantes e CBN), os grandes canais de TV abertas e fechadas (Globo, CNN, Fox) e os sites (Reuters e agências internacionais), que, para quem está começando, supõe-se ser uma concorrência desleal.

Falar da região onde está localizada a rádio é importante, pois sempre tem aquela rua que precisa ser asfaltada, o bar ou casa noturna que não respeita os horários de silêncio ou uma associação de artistas que ajuda pessoas necessitadas precisando de apoio e incentivo. A rádio web pode ser a voz dessa parcela significativa e é nesse momento que ela pode fazer sucesso.

Munido de um gravador de voz (pode ser no formato K-7, MD ou digital) pode-se produzir matérias, colher entrevistas, depoimentos ou reclamações das pessoas. De posse desse material, a próxima etapa será passar para o computador e editá-la, com programas específicos que não sejam muito pesados (entenda-se por “pesados” programas para computador que ocupam muito espaço na memória para fazê-lo funcionar). Com esse material editado, resta torná-lo público, divulgando-o na rádio, que ainda pode contar com especialistas no assunto para complementar a informação.

Lembrando que, ao editar uma matéria no formato de áudio, não é preciso ficar restrito às falas das pessoas. É possível complementá-las com o uso de músicas, de maneira que funcionem como trilha musical para o assunto tratado. No entanto, será importante ter em mãos uma autorização dos autores, para que o usuário e sua rádio fiquem protegidos perante a lei contra processos por uso indevido da obra de terceiros.

Essas músicas não precisam ser de artistas conhecidos. Podem ser de grupos locais ou regionais, que as compuseram e não têm um veículo para divulgá-las.

É importante para a empresa produzir uma escala com os horários de entrada de cada programa no ar, a fim de que a equipe possa se organizar para a entrega de todo o conteúdo a tempo de sua veiculação e também para que o ouvinte saiba com facilidade quando o seu programa preferido será exibido.

Normalmente os programas são distribuídos em escalas de 30 minutos, os chamados blocos. Nada impede que se estenda um programa por mais tempo, chegando a uma ou duas horas. Mas essas pausas de meia hora são interessantes até para quem estiver escutando o sinal para relaxar, dar uma volta e voltar descansado para a continuação do programa.

Criar uma planilha pode ajudar nessa distribuição de espaço, colocando de um lado os dias da semana e de outro os horários, como no modelo a seguir:


DiaHorário Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Domingo 07h00 Jornal Local Jornal Local Jornal Local Jornal Local Jornal Local Jornal Local Jornal Local 07h30 Esporte Esporte Esporte Esporte Esporte Esporte Esporte 08h00 Temático Temático Temático Temático Temático Educativo Educativo 10h00 Notícias Notícias Notícias Notícias Notícias Notícias Notícias 11h00 Diversos Diversos Diversos Diversos Diversos Diversos Diversos 16h30 Jornal Local Jornal Local Jornal Local Jornal Local Jornal Local Esporte Esporte 18h00 Especiais Especiais Especiais Especiais Especiais Cultura Cultura

Este é um modelo de grade de programação meramente ilustrativo. Os horários dos programas e os temas devem se adaptar às necessidades da rádio e ao gosto do ouvinte. Sendo assim, deve-se conhecer a fundo o público, pois dessa forma a chance de errar será menor. Note-se que, aos fins de semana (sábado e domingo), é possível variar os programas com relação ao tema, uma vez que as pessoas preferem ouvir coisas mais amenas e tranqüilas para sair da rotina da semana.

Não se deve esquecer de estipular os horários de intervalo para a divulgação dos comerciais de seus patrocinadores. Esse intervalo não deve passar de 4 minutos, tempo suficiente para a entrada de renda na rádio sem que o público se disperse do que estava sendo falado. Quanto maior o intervalo, maior a possibilidade dos ouvintes migrarem para outros veículos em busca de informação.

Porém, se o interesse é divertir os ouvintes, a emissora deverá seguir um outro caminho. O uso de músicas é uma ferramenta que costuma relaxar as pessoas no dia-a-dia. Dentre os vários estilos musicais existentes, deve-se equilibrar os diversos estilos, de maneira que não espante um grupo por causa de outros.


Robert McLeish (2001: 131) declara que “A música, como a locução, vem em parágrafos. Não faria sentido terminar uma fala que não fosse ao fim de uma sentença, e igualmente é errado fazer fade de modo arbitrário num número musical”.

Isso mostra que as músicas de uma determinada seleção não devem ser jogadas de qualquer forma no ar, e sim trabalhadas de maneira a que a produção fique uniforme, sem pausas, descompassos ou “buracos” entre as músicas. Entenda-se por buracos os espaços sem nenhum tipo de áudio entre as músicas ou falas de um locutor.

McLeish indica o uso do talk-over, que consiste em um locutor apresentar sua seqüência, ou terminar a sua apresentação, usando a introdução da primeira música de sua programação. O início dessa música não deve ter falas, e sim somente os instrumentos musicais tocando. Duas falas ao mesmo tempo confundem a atenção do ouvinte, que não saberá se deve se preocupar com o que o locutor está dizendo ou com a música que está sendo tocada.

A construção de uma grade de programação também auxilia na produção musical de uma rádio. O modelo pode ser o usado para o jornalismo, apenas alterando o conteúdo, como no exemplo:

DiaHorário Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Domingo 07h00 Românticas Românticas Românticas Românticas Românticas Românticas Românticas 09h00 Pop Pop Pop Pop Pop Pop Pop 11h00 Bom Almoço Bom Almoço Bom Almoço Bom Almoço Bom Almoço Especial: A melhor banda Especial: A melhor banda 13h00 Tarde Rock Tarde Rock Tarde Rock Tarde Rock Tarde Rock Tarde Rock Tarde Rock 16h00 Pop Pop Pop Pop Pop Reggae Time Reggae Time 18h00 As Mais Pedidas As Mais Pedidas As Mais Pedidas As Mais Pedidas As Mais Pedidas Arena de Rodeio Arena de Rodeio 19h00 Noite Sertaneja Noite Sertaneja Noite Sertaneja Noite Sertaneja Noite Sertaneja Balada Fest Balada Fest

Os horários e os tipos de programas podem variar de acordo com a necessidade da rádio, mas vale lembrar algumas convenções pertinentes ao veículo.

Durante a manhã, deve-se evitar músicas rápidas ou agressivas. Como a maioria das pessoas costuma acordar nesse período do dia, elas normalmente estão em um ritmo lento. É bom ter cuidado para não espantar o ouvinte. O horário do almoço pode seguir a dica da manhã.

Muitas pessoas gostam de comer com tranqüilidade. Se a programação for produzida de um modo muito radical, pode assustar o ouvinte, fazendo com que ele procure algo mais relaxante.

Também se deve evitar a transmissão de diálogos durante muitas horas do dia. Se a emissora é musical, deve transmitir músicas durante a maior parte do tempo. Claro que sempre se pode contar com alguns programas em que os ouvintes conversem com o apresentador e participem ativamente da rádio, mas um período muito longo de conversa pode afugentar a audiência.

Nessa grade de programação elaborada como modelo na Figura 7, os programas são descritos por nome ou pelo estilo a ser seguido durante a sua exibição, como no detalhamento a seguir:

1. Românticas: como é de costume, as músicas desse segmento são tranqüilas, normalmente lentas, boa para o despertar das pessoas sem muitos atropelos, nem acelerando o ritmo de vida logo pela manhã. Pode ser um programa apenas musical, mas que permita abertura para que o locutor leia cartas ou e-mail dos ouvintes que desejam oferecer uma canção para alguém de seu interesse, ou ainda participação ao vivo, falando por telefone ou pelos serviços de voz, como Skype ou MSN do próprio computador.

2. Pop: essa é uma seqüência que sempre atrairá um grande número de ouvintes. Tocará essencialmente as músicas que estão nas paradas de sucesso, filmes, novelas, enfim, que “fazem a cabeça” do povo. Dependendo da maneira que a programação for elaborada, haverá abertura para tocar todo tipo de som, desde o rock até o pagode, passando pelo samba, sertanejo ou qualquer outro estilo. No entanto, as transições devem ser feitas com cuidado.

3. Bom Almoço: seria um programa de variedades, em que existe abertura para diferentes assuntos. Está situado na hora da segunda refeição mais importante do dia, permitindo que tenha um estilo mais calmo e tranqüilo, para quem busca relaxar e ter uma boa opção de diversão. Pode ter mais de um apresentador e convidados, produzindo um bate-papo leve e descontraído, também com a possibilidade de participação ativa dos ouvintes. Note-se que este programa foi colocado somente de segunda a sexta-feira por necessitar de um grande trabalho de produção, separando assuntos atuais e buscando convidados interessantes para o horário. De acordo com a preferência, pode ser apenas um horário musical, executando músicas que não comprometam o público na sua hora de descanso.

4. Tarde Rock: o horário da tarde é o melhor para tocar músicas pesadas. Entenda-se por “pesada” aquele tipo de música que usa seus instrumentos de forma bastante arrojada para a construção das melodias sonoras. Mas não se deve colocar apenas metal, hardcore ou qualquer estilo que atenda a apenas um nicho. Deve-se variar a montagem das músicas, para que atenda a todos os gostos sem menosprezar ninguém.

5. Pop: repete-se o tópico 2. Seqüências de sucesso são uma boa opção para se ter como coringa a fim de fazer uma transição na grade musical.

6. As Mais Pedidas: é o programa das músicas mais pedidas do dia pelo ouvinte. Deve-se contabilizar os números de pedidos por e-mail ou telefone (se possuir um número específico para os ouvintes). Mas deve-se tomar cuidado para não cair nos pedidos de familiares, que vão pedir músicas que os filhos tocam, mas que muitos não conhecem.

7. Noite Sertaneja: esse programa pode cativar o público do interior do país, que aprecia muito esse estilo musical. Segue a mesma intenção do tópico 1, já que esse tipo de música possui muitas vezes uma forma alegre e descontraída de ser executada, ou seja, uma opção para quem quer relaxar em boa companhia, com um toque romântico.

8. Especial – A melhor banda: esse programa segue a linha pop de execução. Seria sempre com uma grande banda de sucesso, de variados estilos musicais, contando a sua história e exibindo músicas que fazem o povo vibrar. É uma boa opção para os fins de semana, porque pode ser produzido, gravado e editado nos dias úteis, bastando apenas a sua execução no horário programado. A escolha do artista pode ser feita por votação realizada na página da rádio na Internet e apurada em real-time.

9. Reggae-Time: também é um exemplo de programa semanal. Por ser de conteúdo restrito para aqueles que admiram esse estilo musical, é bom não estender muito pela grade de programação, a fim de que o repertório não se esgote muito rápido nem os ouvintes que não gostam desse segmento da música se ausentem da rádio. Pode ser apresentado por especialistas no tema, como vocalistas de bandas (locais ou bandas famosas). É um espaço inclusive para as músicas que não entram normalmente na grade musical, os famosos “Lados”. Pode ser feito ao vivo, ou gravado durante a semana e reproduzido automaticamente no horário programado.

10. Arena de Rodeio: outro programa segmentado para um público em particular, aquele que gosta de sair para festas ou casas noturnas para dançar ao ritmo country ou sertanejo. Possui estilo alegre e cativante, ideal para começar a noite de sábado e de domingo, preparando aqueles que pretendem divertir-se no fim de semana.

11. Balada Fest: esse programa viria na seqüência do “Arena de Rodeio” por conter as mesmas características – dançante e alto-astral. Continuaria o clima de festa para o fim de semana, animando inclusive aqueles que não tem condições financeiras para sair ou preferem fazer a festa em sua própria casa.

Essa grade de programação é apenas uma sugestão, cabendo ao produtor responsável a escolha dos programas e a decisão sobre o seu formato. Programas de humor podem ser incluídos na grade, em programetes de 2 a 3 minutos ou na forma que preferir.

Outra opção de grade de programação é uma mistura do jornalismo com entretenimento. Balancear as informações do dia-a-dia com músicas ou quadros de humor é uma solução que pode baratear os custos de produção, sem perder o caráter informativo da rádio.

Muitas emissoras jovens e conceituadas utilizam essa fórmula para informar sua audiência de uma forma mais leve e tranqüila, deixando a notícia com a cara que o ouvinte gosta. Nesse caso, conciliar a notícia com músicas que sigam o mesmo tema é uma boa estratégia para dar tempo a quem estiver ouvindo o jornal para pensar sobre o assunto e participar da discussão.

Mas a produção não precisa deixar notas informativas para que o locutor leia ao fim de cada música. Criar programas com horários determinados para cada interesse ajudará a equipe a fazer um trabalho de qualidade. Veja-se o exemplo:

       Dia

Horário Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Domingo 06h00 Acorde com Notícias Acorde com Notícias Acorde com Notícias Acorde com Notícias Acorde com Notícias Músicas Músicas 08h00 Tire suas Dúvidas Tire suas Dúvidas Tire suas Dúvidas Tire suas Dúvidas Tire suas Dúvidas Espaço Motor Espaço Motor 10h00 Chat Musical Chat Musical Chat Musical Chat Musical Chat Musical Esporte Esporte 14h00 Informa-Ação Informa-Ação Informa-Ação Informa-Ação Informa-Ação Informa-Ação Informa-Ação 18h00 Resumo da Ópera Resumo da Ópera Resumo da Ópera Resumo da Ópera Resumo da Ópera Resumo da Ópera Resumo da Ópera 20h00 Poliesportivo Poliesportivo Poliesportivo Poliesportivo Poliesportivo Música Música 21h00 Passo à Frente Passo à Frente Passo à Frente Passo à Frente Passo à Frente Chat Musical Chat Musical

1. Acorde com Notícias: é uma maneira de deixar o ouvinte informado com os principais acontecimentos do dia, intercalando músicas entre as informações, tomando o cuidado para não colocar músicas dissonantes do assunto apresentado.

2. Tire suas dúvidas: programa informativo, para que o ouvinte se informe de maneira detalhada sobre os assuntos apresentados no programa anterior. Outra opção é levar convidados ao estúdio, como médicos, professores ou qualquer profissional que preste consultoria para o internauta que estiver ouvindo a rádio.

3. Chat Musical: espaço para interação entre os ouvintes e o locutor do horário. A programação musical pode ser feita com o pedido dos ouvintes presentes na sala de bate-papo ou pelo envio de e-mails para o programa. O locutor pode ler as mensagens escritas pelos internautas, sugerir temas para discussão, enfim, produzir uma atração que seja interessante e participativa para o seu público.

4. Informa-Ação: programa de cultura que mostra exemplos de iniciativas bem-sucedidas de ajuda ao próximo. ONGs e institutos de apoio às pessoas que sejam o tema principal, com reportagens ou debates sobre como melhorar a situação de algum grupo que necessite de ajuda. Artistas que apóiem alguma iniciativa seriam de grande valor à divulgação do programa e da entidade.

5. Resumo da Ópera: horário reservado para um resumo dos principais fatos do dia, com espaço para a repercussão de todos os fatos importantes ocorridos ao longo do período.

6. Poliesportivo: em um país como o Brasil, deixar de falar de esporte e, principalmente, de futebol, é um grande desperdício. Mas o espaço deve ser dado àquela academia do bairro ou à equipe que precisa de patrocínio para aparecer e mostrar o seu potencial.

7. Passo à Frente: um plantão noturno de notícias que mostra os fatos que serão importantes no dia seguinte. Os principais temas ou o furo de reportagem divulgado em primeira mão pela emissora.

8. Espaço Motor: programa que fala sobre automobilismo e os principais lançamentos do mercado.

9. Esporte: os eventos esportivos costumam ter grande destaque nos fins de semana. Por isso esse horário deve ser usado para manter o público informado sobre os importantes acontecimentos do esporte.

10. Chat Musical: esse programa aparece em horário diferente aos fins de semana, como opção para quem não pode sair de casa, mas não quer ficar sem companhia.

Seja qual for o estilo adotado pela rádio, é importante saber o que o internauta que acessa o site gostaria de encontrar. Quais músicas, notícias e linguagem lhe chamariam mais a atenção? Deve-se fazer sempre essas perguntas na hora de criar cada etapa da grade de programação e não ter receio de processar alterações quando elas forem necessárias.

CAPÍTULO 3 – A IMPLANTAÇÃO DA RÁDIO WEB

Neste capítulo será apresentada a parte técnica de uma rádio na Internet. Quais sistemas utilizar? Que tipo de computador é melhor para essa finalidade? Essas são algumas dúvidas que serão esclarecidas a partir de agora.

3.1 Equipamentos Necessários

Toda empresa precisa de equipamentos, sejam eles simples ou sofisticados. Essa variação dependerá da capacidade do empreendedor de investir em tecnologia. Se o recurso financeiro for escasso, deve-se começar com uma infra-estrutura simples, utilizando apenas o necessário. Mas se o projeto possui um patrocinador, é melhor investir em equipamentos que darão melhores resultados em longo prazo, que não precisem de substituições a curto e médio prazo.

Computadores, microfones, mesa de som, programas para conectar e operar o sistema pela Internet, servidores – todas essas dúvidas serão esclarecidas de uma maneira fácil de ser compreendida.

Em entrevista realizada com Márcio Yonamine, coordenador da rádio web do Centro Cultural São Paulo, o equipamento mínimo necessário é um computador Pentium II com 400 MHz de velocidade, com placa de som e conjunto multimídia, composto de caixas de som e microfone.

O professor de ciências da computação do Imes, Jairo Marciano, complementa essa informação indicando um disco rígido de 80 gigahertz de memória para o início dos trabalhos da rádio web. Ele ainda declara que:

O que mudaria de uma estação de trabalho para um servidor é a segurança. Então, para começar, não é preciso gastar muito dinheiro. Mas com o passar do tempo é interessante para não correr o risco de invasão de hackers ou problemas com o equipamento.

Nenhum dos dois recomenda o uso de servidores terceirizados. Para o professor Jairo Marciano, as limitações contratuais que essas empresas impõem não são favoráveis para quem pretende montar um site trabalhando em streaming.

Nilson Massayoshi, diretor artístico da Rádio Fênix no Brasil, que utiliza estrutura similar a uma FM, declara:

[...] Com dois computadores se consegue fazer um bom trabalho. Um seria o computador do ar e outro para a produção, usado para gravar, editar, criar roteiros, entre outras funções. Caso o locutor participe de chat com os ouvintes, será necessário mais um computador.

Ele ainda sugere que o computador usado para tocar as músicas seja o mesmo que faz a transmissão pela Internet, reduzindo os custos de estruturação.

Tanto a Rádio Fênix como a rádio web do Centro Cultural São Paulo utilizam servidores próprios. A primeira mantém sua estrutura no Japão e a segunda compartilha os servidores da USP, que, segundo Márcio Yonamine, “é a melhor rede do Brasil”.

Essa seria a estrutura básica para transmissão de dados a partir do estúdio para o servidor, que, por sua vez, distribuiria as informações para os internautas interessados em ouvir essa rádio web.

Deixando um pouco de lado os computadores e falando da estruturação do estúdio, alguns recursos serão importantes, como mesa de áudio, fones de ouvidos e microfones.

A única exigência para o estúdio é que suas paredes sejam acusticamente isoladas. De acordo com o site da empresa Fibraben,

[...] nas aplicações domésticas, conhecendo-se o material mais adequado às suas necessidades, não há necessidade de mão-de-obra especializada. Você contratará alguém para fazer um forro (para o teto) ou lambril (para as paredes), instalando o material isolante entre ele e a fonte por onde flui o ruído.

Outro equipamento necessário é a mesa de áudio, que receberá diferentes fontes de áudio (CDs, MDs, vozes) e fará a mixagem, ou seja, controlará a forma como cada som será usado na produção. Em produções “caseiras”, o Mixer que vem instalado no Windows pode ajudar. Em um sistema profissional, uma mesa de 16 canais é recomendada. Cada canal serve como entrada de áudio.

Fones de ouvidos e caixas de som também são necessários. As caixas de som servem para monitorar o que está sendo transmitido. Os fones de ouvidos serão usados quando o locutor falar ao vivo, pois se o locutor falar com as caixas de som ligadas, serão criadas microfonias, ruídos gerados pela realimentação de áudio no sistema. Para o locutor ser ouvido sem ruídos e interferências, devem-se usar microfones de qualidade, que não distorçam a sua voz. Para os iniciantes, os microfones que vêm junto com o computador serão uma forma de captar a voz. Mas para uma estrutura maior, equipamentos profissionais, como o microfone da marca Shure SM7, dará bons resultados.

Hoje em dia a maioria das rádios em São Paulo dispõe de seu próprio acervo de músicas, trilhas e vinhetas em computadores, facilitando a operação do sonoplasta. Mas é bom ter reservado um aparelho de CD e de MD em caso de alguma pane.

Esses seriam os principais equipamentos para realizar o projeto de uma rádio web. Claro que a cada dia a tecnologia se renova e é importante estar atualizado sobre todas as novidades no mercado. Esse poderá ser mais um diferencial de uma emissora de rádio na Internet em relação às concorrentes.

3.2 Sistemas e Serviços que Deverão Ser Utilizados Neste tópico serão sugeridos alguns programas de computador que poderão ser úteis na hora de montar e executar uma rádio web. Uma série de programas gratuitos está disponível na Internet em páginas como o Baixaki [www.baixaki.com.br] ou Super Downloads [www.superdownloads.com.br].

Será preciso também um acesso à Internet. A melhor opção é o uso de Internet Banda Larga, graças à sua capacidade de transmissão de dados em alta velocidade, se comparada à conexão telefônica.

Primeiro deve-se contratar um serviço de conexão à Internet. Empresas como Vivax [www.vivax.com.br] e Ajato [www.ajato.com.br] dispõem em seus sites informações sobre os tipos de conexão, planos e serviços a serem contratados.

Ambas oferecem conexão 24 horas com linhas telefônicas liberadas, ou seja, sem o uso do telefone. Para prestar seu serviço, a Vivax pede a configuração mínima de (as informações relacionadas às empresas prestadoras de serviço apresentadas na seqüência foram retiradas dos respectivos sites em 22/08/2005): - Windows e Linux: Pentium 100 MHz (para Windows, com sistema operacional Windows 95 ou superior ou Linux, com sistema operacional Conectiva 4.0, RedHat 6.1 ou Mandrake 7.0); - Macintosh: Power Macintosh ou Power PC com sistema operacional MAC OS 8.6 ou superior; - Espaço livre no disco rígido de 200 MB; - Memória RAM de 32 MB; - Placa de rede 10 base T com conector RJ45 (*); - Placa multimídia; - Placa de monitor com resolução SVGA. Já a empresa Ajato pede: - Processador Pentium 133 (desktop ou notebook) ou Macintosh (desktop ou notebook) com System 7.5 ou superior; - 32 MB de memória; - 15 MB de espaço disponível em disco; - Unidade de disco de 3.5"; - Protocolo TCP/IP instalado; - 01 placa de rede padrão Ethernet 10 Mbps no computador para conectar ao cable modem; - 01 placa de vídeo SVGA, XGA ou 8514/A Graphics Card; - Mouse; - Windows 95 ou superior. A Vivax oferece os seguintes planos:

Produto Preço mensal (a partir de R$) VIVAX Empresarial 200 VIVAX Empresarial 350 VIVAX Empresarial 500 VIVAX Empresarial 650 Taxa de instalação 114,90 209,90 232,90 379,90 120,00 Figura 9: Valores referentes aos planos oferecidos e custo de sua utilização.

A Ajato dispõe essas informações após contato ao serviço de atendimento ao cliente. Os valores citados referem-se aos planos para empresas. Mas ambas as prestadoras apresentam valores residenciais.

Além da conexão, uma rádio web precisa de provedor de serviços, prestados por empresas como IG [www.ig.com.br], Terra [www.terra.com.br] e UOL [www.uol.com.br], entre outros.

A assinatura do UOL varia de R$ 49,90 a R$ 114,90. Já o site Terra cobra pela assinatura mensal entre R$ 49,90 e R$ 199,00, de acordo com o plano escolhido. O IG cobra de R$ 59,90 a R$ 249,90 por seus serviços. Lembrando que os valores referenciados são para assinaturas empresariais na cidade de Santo André, no Estado de São Paulo, em 22/08/2005.

O professor Jairo Marciano recomenda uma conexão banda larga de 512 K de velocidade. Isso permitiria o acesso inicial de 30 ouvintes simultaneamente.

Como referência, a Rádio Fênix começou com uma conexão que permitia 40 acessos simultâneos e atualmente chega a registrar picos de acesso de 1.200 ouvintes simultâneos. Nilson Massayoshi declara:

É preciso ter uma estrutura muito grande para suportar essa invasão simultânea. Cada vez que atingimos esse limite é preciso fazer um upgrade de mais linhas.

Para completar a estrutura, alguns softwares serão de grande importância na realização do projeto.

O primeiro deles seria o Encoder. Esse programa fará a conversão do sinal de áudio para a transmissão pela Internet. Esses programas estão disponíveis gratuitamente para download no site da Microsoft, que disponibiliza o Windows Media Encoder e o Shoutcast, que usa o Winamp agregado com plug-ins para a conversão desse sinal. Plug-ins são pequenos programas que auxiliam um software principal a executar determinadas funções.

Também será necessário um software que execute as músicas. A Rádio Fênix utiliza o Pulsar, mas, segundo Nilson Massayoshi, existem programas gratuitos na Internet, como no site Winkochan[www.winkochan.com.br].

No caso da rádio web do Centro Cultural São Paulo, esse recurso não é utilizado, pois os internautas acessam o conteúdo da rádio no momento que for melhor. Não há programação ao vivo. Eles gravam os programas e os deixam disponíveis por tempo indeterminado no site, bastando um clique do internauta para ouvir o conteúdo.

O professor Jairo Marciano recomenda o uso do Encoder da Microsoft, devido à sua grande popularidade, pois o programa que executa as músicas é instalado em conjunto com a plataforma Windows, presente na maioria dos computadores em todo o mundo.

O Encoder do Windows Media possui uma tela de introdução que auto-configura o computador conforme o usuário vai inserindo as informações que são solicitadas para a transmissão de áudio pela Internet.

O principal dado a ser informado é o número de IP da conexão com a Internet. Para descobrir esse valor, deve ser acessado o menu Iniciar, Programas, Acessórios e clique em Prompt de comando. Abrirá uma tela, em que basta digitar “ipconfig” (em letras minúsculas) para que o computador dê essa informação.

Este é o número que os ouvintes deverão acessar para ouvir a rádio na Internet. É recomendado deixar o número de IP disponível no site para facilitar o acesso, usando softwares de edição de páginas da Internet.

Para configurar o computador como o servidor da rádio web, deve-se abrir o Encoder, clicar em “broadcast a Live Evente”, e depois em OK. Na seqüência, selecionar a caixa ao lado da palavra “áudio” e apertar “avançar”. Na terceira tela de configuração do Encoder, deve-se selecionar “Pull from the encoder” e mais uma vez apertar “avançar”.

Agora o assistente de configuração fará o reconhecimento automático do número de IP. Essa tela também possui um botão chamado “find free port”. Ele deve ser pressionado para que reconheça a porta na qual será feita a transmissão de dados. Então, deve-se ir novamente ao botão “avançar”.

Agora é o momento de fazer a seleção da qualidade de áudio que pretende transmitir a rádio web. É recomendado usar a taxa de 24 Kbps ou 37 Kbps, por possuírem boa qualidade de áudio e ocuparem pouca banda de transmissão. Deve-se apertar mais uma vez o botão “avançar”. Na tela “Archive File’”, selecionar apenas a caixa e indicar o caminho para salvar o arquivo de transmissão se se desejar arquivar todo o conteúdo transmitido pela emissora. Então, deve-se clicar em “avançar”.

Na tela “Display Information”, será dado o nome da rádio, nome do autor e as descrições sobre o conteúdo transmitido. Deve-se indicar as informações que forem interessantes e finalizar a configuração clicando no botão “Concluir”. Por fim, deve-se apertar o botão “Start enconding” e a emissora estará pronta para ser ouvida por qualquer internauta.

Vale a dica de um site, o No-IP [www.no-ip.com], que disponibiliza um programa que atualiza o número de IP a cada vez que se realiza a conexão com a Internet. Isso porque a maioria dos servidores usa o sistema conhecido como IP dinâmico, que troca esse registro de acordo com a necessidade da conexão, dificultando a invasão de vírus e hackers no computador.

A Microsoft fornece, junto com o pacote Office, o software FrontPage, uma ferramenta simples de usar, que não exige o conhecimento de códigos ou linguagens utilizadas por webmasters. Para aqueles que dominam a técnica de webdesign, programas de animação como o Flash e o Dreamweaver, ambos da Macromedia, ajudarão na criação de uma homepage sofisticada e atrativa.

O número de IP não precisa estar descrito como o número que o computador indicou. É possível criar um hiperlink, ou seja, fazer com que uma palavra ou frase possibilite o acesso direto a uma página ou arquivo. Nesse caso, deve-se substituir o código “http://” pelo “mms://”. Dessa forma, em vez de o computador abrir uma página do navegador de Internet, ele executará o Windows Media Player, facilitando a conexão do internauta com a rádio web.

Com essa configuração realizada, a rádio estará pronta para ser ouvida pelos internautas do mundo inteiro. Deve-se estar atento para a mudança do número do IP em caso de queda de conexão. É um dado que deve ser verificado e atualizado sempre que necessário. Assim a rádio na Internet estará sempre pronta para transmitir informação ou entretenimento para aqueles que buscam fontes alternativas de conhecimento.

CONCLUSÃO

A história mostra que as pessoas sempre buscam evoluir e vencer desafios. E essa superação sempre esteve aliada à descoberta e ao aprimoramento da tecnologia.

Essa evolução tecnológica nos permite enviar e receber idéias, pensamentos e reflexões sobre os mais variados temas. E o que era limitado a ondas eletromagnéticas, com seu espaço físico controlado por concessões governamentais, agora encontra uma oportunidade de se expressar livremente pelos quatro cantos do planeta.

A realização desse projeto mostra que é possível montar uma rádio web com estrutura variada, desde as mais simples, como uma emissora criada para entreter amigos e vizinhos, até empresas com estrutura profissional de transmissão.

Vale ressaltar que o público acostumado a ouvir rádio tradicional precisa ser conquistado, pois somente migrará para um novo serviço se encontrar um diferencial, que basicamente seria a interatividade.

Essa interatividade varia desde participar de programas para a conquista de prêmios até discutir assuntos relevantes e auxiliar na produção de conteúdo, opinando sobre o que é interessante para aqueles que pretendem usar uma rádio web como fonte de entretenimento ou informação.

Claro que sempre existirão adversidades que possam inviabilizar um projeto, como custos ou falta de conhecimento técnico. Mas a tecnologia disponível na Internet, em sites de download e a possibilidade de esclarecer dúvidas com profissionais da área, via e-mail ou por comunicadores instantâneos como MSN ou Skype, serão ferramentas de apoio na efetivação da rádio web.

Muitas pessoas são receosas quanto ao uso da Internet e de ferramentas on-line por acreditar que são altamente complexas. Na época do surgimento dos computadores, a tecnologia disponível restringia o conhecimento àqueles que dispunham de muitos anos de estudos sobre o tema. Hoje, no entanto, os softwares disponíveis para a construção de sistemas para redes de computadores buscam viabilizar o acesso para aqueles que não possuem amplo conhecimento técnico sobre a Internet.

Fazer uma rádio na Internet não é difícil, mas requer bastante pesquisa, pois não se trata de apenas mais um único meio de comunicação, agora são dois – a rádio e a Internet. Conhecer o público, saber o que ele quer ouvir e como quer interagir é de vital importância, não só para uma rádio web, mas para qualquer conteúdo que seja pensado para obter lucro, pois somente com audiência os investidores vão considerar um projeto como uma oportunidade de negócios.

Manter a parte gráfica da página atualizada com informações relevantes, desde notícias do dia-a-dia até a apresentação da equipe que faz a rádio web funcionar, é um atrativo de grande importância, pois a homepage será o cartão de visitas para que o internauta se torne um ouvinte.

A tecnologia não se restringe ao uso da Internet. Empresas de tecnologia já estudam e planejam disponibilizar seu conteúdo em celulares, incluindo jogos, músicas e serviços bancários. A era do rádio digital também se aproxima, com algumas emissoras transmitindo seu sinal nesse novo sistema, como as rádios Eldorado, Jovem Pan, Bandeirantes, RBS e Sistema Globo de Rádio, em caráter de teste.

Essa nova tecnologia aumenta a qualidade das transmissões, deixando a AM com qualidade de FM e a FM com qualidade de CD. Também permitirá o envio de textos que poderão ser lidos pelo display do rádio, ou ainda a criação de emissoras por assinaturas. Quanto maior a variedade de serviços disponíveis, maiores são as chances de uma emissora ser conhecido pelo público. Quanto mais fácil for o acesso, maior é a possibilidade de atrair os ouvintes para a programação.

Interatividade, facilidade e estratégias bem planejadas. Com esses tópicos bem planejados, será mais fácil uma rádio web ter resultados favoráveis.


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ANEXO Entrevista

Entrevistado: Nilson Massayoshi Ue Ti Empresa: Rádio Fênix Cargo: Diretor Artístico – Brasil Tempo de profissão: 6 anos em rádio – 2 anos e meio na Rádio Fênix

1. De onde veio à idéia de montar a rádio na Internet? O Japão não é desenvolvido “radiofonicamente” como aqui no Brasil. Então lá no Japão não tem uma rede de rádio como a Jovem Pan que consegue atingir todo o país via satélite. Sendo assim, a única forma de atingir o maior número de ouvintes é pela Internet, que é 10 vezes melhor que no Brasil. Falando do nosso público, os brasileiros que estão hoje no Japão eles são muito carentes, precisam de companhia e justamente a forma que eles encontram para se comunicar com os parentes é através da Internet.

2. O sinal que vocês transmitem aqui, lá é uma Fm? Não. Justamente por isso agente optou por fazer uma rádio pela Internet porque no Japão não existe uma rede de rádio. Nem se fosse uma rádio especificamente feita para japonês, ela não existiria na forma de rádio. Dial preenchido que nem agente tem aqui em São Paulo, você vai virando e tem várias rádios, metrópoles como Tóquio não tem. Fm no Japão não é explorada, daí a dificuldade de fazer uma rádio, de atender todo o público Dekassegui, desses brasileiros que estão lá. Por isso foi decidido que seria feito através da Internet.

3. Quais são as dificuldades de uma rádio ao vivo? Mais uma vez eu ressalvo ai para você que, a Internet foi uma opção de transmissão. Mas o intuito, a idéia da rádio foi ser rádio como é feito FM. Tanto é que a gente não perde em nada para nenhuma FM aberta. Aqui nós aplicamos o que sabemos de rádio. Nunca foi pensado em fazer uma rádio no automático, pra depois vir a fazer ao vivo. Começamos com a idéia de ser uma rádio 24 horas ao vivo desde o inicio. Posso te dizer inclusive que fomos pioneiros em fazer uma rádio, nos moldes do Fm, na Internet. A dificuldade maior são os custos. É um custo muito elevado para fazer isso. Eu sempre digo que o projeto da Rádio Fênix dá certo devido ao fato que a rádio sobrevive de anunciantes e nós fazemos uma rádio para um país desenvolvido, de primeiro mundo, onde a tecnologia na Internet é mais avençada do que a nossa. Os nossos anunciantes todos são do Japão, então o que para eles seria o valor de um anúncio razoavelmente barato, digamos assim, pra gente esse dinheiro vale 3 vezes mais. Na hora de negociar o comercial no Japão, negociamos em Iene, que será transformado em dólar. Eu não sei te dizer se caso eu tentasse fazer uma rádio para sobreviver de anúncios do Brasil se daria certo.

4. Qual a quantidade de brasileiros ouvindo a rádio, participando dela aqui no Brasil? No início, todo o departamento promocional, toda parte de divulgação, como outdoor e todo esse tipo de anúncio para divulgar a rádio sempre foram feitos no Japão. Até a metade do primeiro ano, nós sempre tivemos 75% de acessos de lá e o restante do Brasil e de outros países, como Estados Unidos, Portugal e por aí vai, sempre atingido os brasileiros em outros países. Hoje acontece um fenômeno que eu não entendia, que é a audiência no Brasil. Por mais que eu não divulgue, por mais que eu não faça nenhum tipo de propaganda aqui, o número de conexões é maior no Brasil, já passou o Japão. Eu tenho na escala o Brasil, com mais de 45%, Japão, Estados Unidos. Eu fiquei preocupado com isso. Pensei: será que estamos perdendo audiência no Japão? Conversando com Ricardo Sam, o coordenador, ele me deu uma resposta muito simples, no Brasil somos 17 milhões de pessoas, contra 280 mil brasileiros no Japão. Mesmo que eu atingisse toda a comunidade brasileira que está no Japão, uma porcentagem desse contingente que temos no Brasil bateria essa audiência. Graças aos brasileiros que estão no Japão, à rádio acabou virando um ponto de encontros entre aqueles que estão lá e os que ficaram. Isso ajudou no nosso crescimento sem nenhum tipo de divulgação aqui.

5. Apenas o conhecimento de técnicas de comunicação é suficiente para a produção da emissora ou é importante conhecer a parte técnica? Qual o elemento mais importante? É impossível um locutor de rádio ficar totalmente desplugado do que acontecem nesse mundo de Internet, conexões, porque quando ele senta lá para fazer o horário ele depende muito da informática.

Além do mais que muitas rádios estão trocando os cd’s por computadores, MP3. Já tem esse lado que você não consegue ficar totalmente fora e aqui na Rádio Fênix, como o locutor precisa ficar logando o nome dele quando entra no ar, que automaticamente troca à foto no site, ele tem que monitorar se a conexão está em ordem. Dessa forma, o locutor precisa desse aprendizado. Agora para o pessoal da técnica, tivemos que inventar muitas coisas, para superar todas as quedas e problemas que possam acontecer. 6. Quantos funcionários são necessários para produzir a Rádio? Como nós somos uma rádio 24 horas no ar, a maior parte da nossa equipe é composta de locutores e apresentadores. São nove apresentadores, 10 locutores, dois produtores e uma pessoa na parte técnica. Para uma rádio funcionar, basicamente, dependerá da sua grade horária, considerando a quantidade de locutores necessários e o número de horas que a lei permite que ele esteja no ar, mais um ou dois produtores e uma pessoa para cuidar da parte técnica.

7. Quais os equipamentos necessários? O baixo custo são um dos fatores que auxiliaram na proliferação das rádios Web. Com dois computadores você consegue fazer um bom trabalho. Um que seria o computador do ar e outro para a produção, usado para gravar, editar, criar roteiros entre outras funções. Caso o locutor participe de Chat com os ouvintes, será necessário mais um computador. Você pode utilizar o computador que transmite para ser o mesmo que toca as músicas, por isso que eu resumiria em dois computadores, no mínimo.

8. Quais os softwares usados? São gratuitos, pagos? Porque dessa escolha? Para edição usamos o SoundForge e o Vegas. Para execução de música é usado um software de automação de rádio, no nosso caso usamos o Pulsar. Existe uma empresa que é do Paraná, chamada Winkochan (www.winkochan.com.br) que possui alguns programas gratuitos que pode ser usado na emissora de rádio web.

9. Como é a relação do público com a rádio? Nós optamos em não ser uma rádio direcionada para um público. Antigamente as rádios não tinham essa segmentação, era bem variado. Com o tempo foi que apareceu essa divisão, em jovem, sertanejo e dance e que até hoje funciona bem em rádio aberta. Só que nós buscamos um diferencial, se a pessoa tem o trabalho de nos ouvir pela Internet, nós temos que dar um retorno para ela, por ser fiel à marca “Fênix”. Só que esse ouvinte gosta de diferentes estilos musicais desde um Zezé di Camargo e Bruno e Marrone até um Hoobastank, Maroon 5. Gosta de Celine Dion. A Internet hoje é uma confidente e nós somos o companheiro dessas pessoas. O gosto do internauta pode variar de acordo com o humor no dia. E para se ter uma idéia, nós temos cerca de um milhão de acessos por mês no streaming, e o “roqueiro” ou “sertanejo” que conecta-se na Fênix respeita o espaço do outro e não reclama. Se ele quiser criticar, pode fazer na hora. Só que ele sabe respeitar e esperar, porque logo será tocada umaa música do gosto dele.

10. Qual a importância da home-page? Quais os cuidados na sua elaboração? O nosso pilar de sustentação sem dúvida é o site. Nós precisamos que as pessoas entrem no site, que tem que estar em sintonia com o que fazemos no ar. Ele tem que ser ágil, com informações, ser dinâmico e, principalmente, tendo um site descente você consegue os patrocinadores. A agilidade na atualização do site deve ser a mesma que aplicada pelos locutores no ar.

11. A Internet é uma opção para a quem espera por um espaço na freqüência digital? Algumas pessoas chegaram a declarar que a nossa estrutura, utilizando nossos recursos de interação, que estamos avançando para essa nova realidade, de uma rádio convencional virar uma rádio digital. Se você me perguntar se eu pretendo a vida inteira trabalhar em uma rádio web eu digo que talvez sim, mas, além disso, quero partir para esse lado de rádio digital. Hoje eu não abriria uma Fm, dependendo de concessão para entrar nesse mercado de Dial de São Paulo. Eu estaria voltado para rádio digital.

12. Qual a quantidade de ouvintes por conexão? Como é feita a conexão com o servidor? Nós temos um grande problema que é suportar os acessos simultâneos, o horário de pico. Quando começamos a rádio, tinhamos 40 ouvintes. Depois passou para 100, 200, 300. Hoje o nosso maior pico de acesso, no horário do Japão, chegamos a quase 1.200 acessos simultâneos, entre nove e 10 horas da noite, que é o horário que o pessoal chegou do trabalho e está acessando. É preciso ter uma estrutura muito grande, uma banda de conexão para suportar essa invasão simultânea. Cada vez que atingimos esse limite, é preciso fazer um upgrade de mais linhas.

13. Como é possível fazer essas alterações quando acontece o problema? Para isso é necessário contratar novas linhas, lá no Japão. A rádio funciona assim. Temos o estúdio, transmitindo o conteúdo em formato áudio, que entra no computador pelo Line In da placa de áudio. Nesse computador existe o Windows Media Encoder, que transforma esse som em dados e através desses dados vai navegando até o servidor. Se for fazer a rádio da sua casa, você vai encontrar o número de IP da sua linha de Internet e passar para os seus amigos. Mas por sua banda de conexão ser pequena, o número máximo de ouvintes simultâneos são 10. Se entrarem mais, todos deixam de ouvir a transmissão. A sua Internet não vai ter banda para permitir, por exemplo, em um sinal de 32K, que é razoável de audição, conseguir mandar para 10, porque isso vai virar 320, por isso que a sua Internet não vai agüentar. Para toda rádio web que existir no mundo vai funcionar assim. O nosso estúdio está ligado a um computador-mãe, ou computador-servidor, que foi preparado para agüentar todas essas conexões, sendo que o ouvinte vai se conectar nesse servidor, então, todas as atualizações, ou upgrade devem ser feitos nesse computador. Essa estrutura não muda (estrutura na rádio). Se fosse usar um serviço de hospedagem, que é pago por taxa de transferência, por exemplo, se alguém entra no seu site e baixa uma quantidade maior de conteúdo do que o previsto no seu contrato, você passa a pagar por conexões, que quanto maior o número de conexões, maior o valor cobrado no final do mês. Nós optamos por criar o nosso servidor em Tóquio, dedicado. Nós pagamos uma empresa para fazer a manutenção nesse equipamento. Isso evita que administradores de outras páginas que utilizassem o nosso servidor nos trouxessem algum tipo de dano.

14. Como é a concorrência entre as rádios Web no Japão? Por mais que a rádio seja nova, menos de dois anos, hoje temos concorrência da Jovem Pan Japão, Transamérica Japão e outras que começaram por lá. Nós da Rádio Fênix acreditamos que tínhamos de apresentar ao público um diferencial da nossa rádio para as rádios que estão no Dial. E a nossa estratégia foi investir na interação. O ouvinte interage na programação 24 horas por dia. Isso não existe nem em rádio aberta. Algumas FM’s deixam os ouvintes pedirem músicas, mas em determinados horários. Nós fazemos isso o dia inteiro. Tem gente de rádio convencional que vem nos visitar e fica espantado. Nós estamos tocando uma música, mas não sabemos qual será a próxima. Nós só temos preparado a grade comercial. Não existe uma grade de programação musical, só comercial. Isso agente inovou. Nós falamos diretamente com o nosso público, diferente das outras que foram apenas retransmitir o sinal do satélite pela Internet no Japão. Hoje nós transmitimos em três qualidades: 20kbps, para quem conecta aqui do Brasil em conexões discadas, em média que é 32 kbps e na qualidade alta que é 64 kbps que é similar a qualidade de CD.

15. Do ponto de vista Legal, o que foi necessário para ter a rádio na Internet? Não existe uma forma de recolhimento de direito autoral na Internet, um ECAD. Como eu estou na Net, eu não tenho como descobrir de onde o meu público está acessando. Eu posso ter o Canadá inteiro conectado. Como é que alguém vai conseguir cobrar os direitos. As leis na Internet variam de país para país e as gravadoras têm outras coisas mais importantes para se preocupar, como os programas de download de MP3. No que diz respeito à empresa, nós não somos uma rádio, pois não transmitimos no sinal aberto. Em nosso registro está descrito como produtora artística. Legalmente nós somos um site, como o IG ou qualquer outro site. Também penso que somos menos prejudiciais do que sites de download, pois nós executamos a música, mas não disponibilizamos para baixar.

16. O que acha do futuro da Rádio Web? Nossa idéia deu certo devido às facilidades que encontramos, como transmitir em 32 kbps, com Speedy de um mega. Hoje uma conexão caseira no Japão são 10 megas. Eu acho que o andamento aqui será similar. Eu acho que rádio web é uma boa alternativa para ONG’s, que ao invés de ficarem disputando concessão comunitária para prestação de serviço, seria mais fácil montar uma rádio na Internet e atingir o público do seu interesse. Claro que não é todo mundo que tem um computador em casa, mas se um dia o computador se tornar um bem popular, que todo mundo vai ter em casa, acho que vai estar sempre presente, não vai acabar. 25-05-2005


Entrevistado: Márcio Yonamine Empresa: Rádio Web – Centro Cultural SP Cargo: Coordenador Tempo de profissão: 2 anos

1. De onde veio à idéia de montar a rádio na Internet? O nosso ex-diretor, que hoje é secretário, sempre viu a Internet com bons olhos, pois além de ser muito nova, é também barata. Por exemplo, é mais barato publicar um catálogo na Internet do que impresso. E como começou o processo de digitalização da discoteca do Centro Cultural, ele pensou em como divulgar esse material de uma maneira que não fosse somente para quem estivesse no Centro Cultural. Daí veio à idéia da rádio na Internet.

2. Quais são as dificuldades de uma rádio on demand? Apesar de tecnicamente ser barata, a rádio web envolve produção e uma série de outras coisas que requer dinheiro, coisa que a rádio nunca teve. Nós temos que fazer uma rádio diferente das outras. Justamente instalar alguma coisa diferente do que é feito em rádio comum. E por não termos estrutura técnica, resolvemos que não seria uma rádio 24 horas no ar. Vamos investir em programas de nível de qualidade bom, ou com uma coisa diferente, com pesquisa diferenciada dos demais. O on demand é quando disponibilizo arquivos no site que pode ser acessado a qualquer dia e qualquer hora, quantas vezes quiserem. Um fato interessante disso é que as pessoas podem acessar o acervo quando elas quiserem, por isso os nossos programas tem que ser produzidos de maneira que não pareçam velhos ou ultrapassados.

3. Apenas o conhecimento de técnicas de comunicação é suficiente para a produção da emissora ou é importante conhecer o lado operacional? Primeira coisa é saber quem é o seu público. Segunda é descobrir se vai ser ao vivo ou não. Definir o público é definir a sua estrutura de rede, devido às restrições de conexão da Internet. Para se ter uma idéia, uma conexão de Speedy que custa 100 reais por mês você consegue conectar 10 pessoas simultaneamente, enquanto que um link de Embratel de dois megas que comporta 300 pessoas custa 3.000 reais por mês.

4. Quantos funcionários são necessários para produzir a Rádio? Eu que coordeno, tem o produtor e locutor que é o Marquito, tem a Rita que é locutora e produtora também, tem o técnico de áudio que é o Eduardo e têm dois estagiários que é a Flavinha e o Paulo. O mínimo necessário é uma pessoa só. Por exemplo, eu coordeno a parte técnica e artística ao mesmo tempo. Todas as coisas passam pelo meu aval. São duas coisas completamente diferentes. Uma coisa é você sentar e pensar a programação. Outra coisa é você cuidar de servidor, edição, cuidar de linguagem de programação.

5. Quais os equipamentos necessários? Deve ter um computador e um link para a Internet. Aconselho a ter um processador no mínimo um Pentium II 400 e uma placa de som, umas caixinhas para ouvir e conteúdo, microfone.

6. Quais os softwares usados? São gratuitos, pagos? Porque dessa escolha? Para servidor pode usar o Linux com um servidor chamado Icecast, que é o melhor e mais barato. Para editar eu aconselho softwares bons, como Sound Forge e o Vegas, do mesmo fabricantes. Existe um programa que chama Dynabolic, que é um servidor de rádio que funciona pelo Cd. Não mexe me nada na sua máquina, nem no seu Windows.

7. Como é a relação do público com a rádio? Esse negócio de público para a gente foi difícil, por estar relacionado à digitalização do acervo da discoteca. As pessoas que vem para o Centro Cultural são muito diversificadas, por isso imaginamos que tinha que ter um público variado para a rádio. Então nós acabamos segmentando os programas. Tem um programa de bandas independentes, tem programa de músicas antigas, tem programas da nova MPB, entre outros. O nosso objetivo é atingir o público jovem, então mesmo os programas com músicas antigas são produzidos de uma maneira que o jovem ouça. Nós também disponibilizamos no site um e-mail para que entrem em contato com agente. Eu também tenho como saber quem é meu público usando um sistema que marca quem está acessando a rádio pelos acessos registrados em nosso servidor. Graças a esses dados eu sei que pessoas acessam o nosso conteúdo de fora do país. Para o futuro pretendemos migrar nosso site para uma linguagem XML, que permite interagir com outras fontes receptoras de dados, como celular, TV digital, enfim, multiplataforma.

8. Qual a importância da home-page? Isso é uma coisa engraçada, porque uma rádio na internet é uma coisa visual. Você vai se conectar como? Pelo computador, que tem um monitor. Então uma coisa que agente tenta é fazer essa relação, na medida do possível, de imagem e som. Inclusive, nós pedimos autorização para uso de imagem e som quando fazemos entrevistas, pois além de gravar o áudio, nós também disponibilizamos fotos no site. Uma Web Rádio precisa de imagem, não digo vídeo, mas foto, para ilustrar os programas.

9. Como é feita a conexão com o servidor? (servidor próprio, terceirizado? Qual o mais indicado). Foi feito um convênio com a ECA, inclusive, a melhor rede do Brasil é a da USP. Fizemos um convênio para usar o servidor deles. Como aprendemos a mexer com Linux, software livre, fizemos a seguinte troca: passamos o nosso know-how dessa área e eles nos deixam usar o servidor, além de terem espaço aberto para inserirem produção aqui na rádio.

10. Qual a quantidade de ouvintes por conexão? Funciona assim, a pessoa não recebem sinal dentro de casa. Elas precisam fazer uma requisição para o servidor. O servidor tem que fazer o link entre o computador do usuário e o computador que fornece o áudio. Dependendo do tamanho da conexão caberá um determinado número de pessoas que esse servidor vai distribuir. Nesse ponto o on demand é similar a uma rádio ao vivo na Internet.

11. Uma rádio na Internet deve ser pensada de uma maneira local, para o bairro e comunidades, ou atingir o maior número de pessoas pelo mundo? Com a globalização você acaba descobrindo coisas interessantes do seu bairro sem querer. Lembro que eu ficava horas no Napster, baixando músicas. E o mais legal era descobrir bandas praticamente vizinhas, que eu não ouviria na rádio, mas ouço na Internet. As bandas mais legais que eu conheço hoje eu ouvi primeiro na Internet. Bandas nacionais inclusive.

12. O que acha do futuro da Rádio Web? Eu acho que a rádio na Internet ela não tem muito haver com a rádio normal. Eu tenho curiosidade em ver os MP3 players funcionando em celulares, por ter vantagem de ser móvel. Quando eu estava fazendo o meu TCC de “TV na Internet” eu achava que tudo viraria uma rede só. É mais econômico e mais fácil. A dificuldade hoje é a mobilidade. A pessoa não pode ficar só na frente do computador. Ela precisa se movimentar. Em questão de programação é que as gravadoras estão falindo. Está acontecendo uma fragmentação. As informações vão se concentrar menos em certos lugares. Vai ter muito mais informação diluída. E eu espero que tenha uma educação para isto. Pessoas saibam procurar, correr atrás. Eu acho que é necessária uma formação do ouvinte, senão a sua rádio não terá público. O ouvinte vai ter uma idéia e começará a produzir, pois a percepção do cara vai mudar tanto que nós vamos ter que nos adaptar para satisfazer. O que nós tentamos fazer aqui é satisfazer gregos e troianos.

Dia 26-08-2005


Entrevistado: Professor Jairo Marciano Empresa: Imes Cargo: Professor Auxiliar dos cursos de Tecnologia Tempo de profissão: Dois anos

1. O que é uma Rádio Web? Com a globalização não existem mais fronteiras. Existem muitos brasileiros morando fora do país, por exemplo, ou estrangeiros morando no Brasil, e isso diminui a distância do ouvinte com a rádio de sua preferência. É uma grande oportunidade para ONG’s criarem seus canais de comunicação, uma vez que o custo é muito baixo. Tirando a parte de conexão que é onde vai gastar um pouco mais, hoje, qualquer equipamento vendido em lojas pode se transformar em uma rádio web. Ele já vem com a placa de som que é o básico que precisa o microfone você compra em qualquer lojinha e lógico, a qualidade da rádio vai depender do quanto você investir nela.

2. Existem variações de formato de rádio web? A cara do site você faz do jeito que quiser. Agora os formatos dependem dos encoders. O “Mídia Player” tem um, o Winamp também tem o formato dele. O que muda é a maneira de codificar o dado e transmitir na Web. O que é codificar? É colocar no formato digital e padrão, menor, para que ele possa ser transmitido, pois do jeito cru não é possível mandar por causa da banda de transmissão que você tem. Compacta-se o sinal em formato menor para transmitir on-line e dar performance, sem muito atraso, pois, normalmente uma rádio Web tem um atraso. Você pega uma rádio Fm e uma na Web, você vai ver que ela tem um atraso.

3. O que é necessário para a estruturação de uma Rádio Web? Qualquer computador que você comprar hoje atenderia a sua necessidade. Um Pentium 4 com 512 mega da uma ótima performance para você, não precisa ser um servidor. Disco rígido vai depender se for para gravar ou transmitir o programa. Se for somente ao vivo, sem gravar nada, você não precisa de muito espaço, mas se for gravar ai sim vai ser necessário espaço, pois som ocupa muita memória. Para saber quanto espaço em disco é necessário, tem um cálculo para ser feito. Hoje um arquivo em MP3 de boa qualidade ocupa quatro mega, ai você multiplica pela quantidade de músicas que serão tocadas e tem o quanto de espaço necessário, em uma qualidade de transmissão para Web. Um micro Pentium quatro, com 512 de memória e, talvez, uns 80 Gigahertz de disco, você “brinca” bastante com uma web-rádio. Esse seria o mínimo para começar. O que mudaria de uma estação de trabalho para um servidor é a segurança, então, para começar não é preciso gastar muito dinheiro. Mas com o passar do tempo, é interessante para não ter risco de invasão de hackers ou problemas no equipamento.

4. Quantos computadores são necessários? O ideal seriam dois. Um para trabalhar com edição, gravar programa, que precisaria de um pouco mais de espaço em disco. O outro computador é para transmitir ao vivo, falar com o ouvinte. É recomendado separar as máquinas para não ter risco de falhas no funcionamento.

5. Qual o formato de áudio mais recomendado para a transmissão? WAV, MP3, WMA? Pelo ambiente que você esta pensando em usar o ideal seria o WMA, pois a ferramenta mais fácil para acessar essa rádio seria o da Microsoft, por ter muita gente usando. Ele trabalha no formato WMA por isso é o mais recomendado. Não digo que é o melhor, mas é o mais popular.


6. É recomendado o uso de servidor próprio ou alugado? Normalmente quando uma pessoa hospeda um site ela deixa a página salva no servidor. Mas nem sempre vai funcionar a sua Web rádio, devido a restrições do contrato padrão, não vai conseguir veicular ele ai por ser uma atividade específica e consumir muita banda. O ideal é fazer um contrato com uma banda larga qualquer, como Speedy, Virtua e use um computador para hospedar, que é melhor do que deixar em servidores terceirizados. Uma banda larga mínima seria de 512 K de velocidade, que permitira que sua rádio fosse acessada por 30 ouvintes simultaneamente.

7. É importante que o profissional de informática entenda de rádio? Não precisa. Esse profissional deve conhecer bem de Web, o ambiente Web como um todo. Trabalhar com rede e com web design. Pode acontecer de uma pessoa trabalhar com esses dois ambientes, mas duas pessoas seria o suficiente.

8. Quais os cuidados necessários com a homepage, considerando a parte gráfica e segurança? Na parte de segurança é recomendado ter um firewall, pois esse programa bloqueará invasões de terceiros, os hackers, que queiram alterar todo o seu site e sistema de transmissão de dados. Na parte gráfica é importante não deixar o site cansativo. Deve-se preocupar com as cores da página, deve ser leve, pois se a página demorar muito para carregar, o internauta logo mudará para outra página, de algum concorrente e deixar o site com fácil acesso ao seu conteúdo, sem precisar de vários cliques para chegar às informações desejadas.

29/08/2005