Página:Os Fidalgos da Casa Mourisca.djvu/147

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XIII



Mauricio mandou para casa o cavallo, no proposito de seguir os primos a pé. Estes enviaram tambem para o Cruzeiro os cães, as espingardas e os mais petrechos de caça.

Os dois manos riram por muito tempo da prosapia do regedor e não se deram por satisfeitos, senão depois de terem conseguido fazer tambem rir Mauricio que, ao principio, tentou admoestal-os.

— Deixemos o assumpto — disse a final o padre — que destino levas?

— Nenhum.

— N'esse caso vem por nossa casa, que não te has de arrepender.

— Que ha lá?

— Vem e saberás.

— O José recebeu hontem do Douro uns cascos promettedores — explicou o doutor.

— Adeus, adeus; ahi estás tu a desfazer a surpreza. Deixa-o vir.

— Vou — respondeu Mauricio — mas havemos de seguir o caminho que eu disser.

— Mas por onde diabo queres tu ir?

— Temos empreitada?

— Tambem vos prometto que se não arrependerão — insistiu Mauricio.

— Ó rapaz, se são olhos pretos e cabellos fartos, dize, e vamos lá vêr isso — alvitrou o padre.