Página:Os Fidalgos da Casa Mourisca.djvu/319

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chão de areia, por entre moitas de azevinhos, de laurentins e de salgueiros, cujos ramos aqui e além se abraçavam de margem para margem. O campanario da igreja parochial, a ponte de dois arcos, os açudes, as azenhas, as prêsas onde cantavam, lavando, as raparigas do campo, os estendaes onde a roupa de linho branqueava sob os raios do sol, as noras toldadas de parreiraes completavam a feição campestre da paisagem.

Prendendo a egoa ao ramo vigoroso de um d'estes carvalhos decepados, a que na provincia chamam tocas, Gabriella caminhou a pé para a galilé da ermida.

Ao chegar alli descobriu no muro sobranceiro ao lado menos accessivel da collina, uma rapariga sentada costurando.

A baroneza adivinhou logo que era Bertha e applaudiu-se do palpite que a fizera desviar do caminho para subir alli.

Bertha saudou-a affavelmente, como quem tambem a reconhecêra.

A baroneza dirigiu-se-lhe sem rodeios.

— Não é verdade que é a menina Bertha da Povoa que tenho a felicidade de encontrar aqui?

— Sou, sim, senhora baroneza... porque me parece que estou fallando com....

— Justamente. Achamo-nos pois conhecidas. Tanto melhor, para não perdermos tempo com apresentações. Agora permitte-me que a abrace, como a uma pessoa a quem estimo?

— Oh minha senhora!

E as duas mulheres abraçaram-se, saudando-se affectuosamente, como se uma subita sympathia as aproximasse.

— Sabe — proseguiu a baroneza, sentando-se ao lado de Bertha — que ia procural-a?

— A mim?!

— É verdade. Veja que feliz acaso o que me fez subir a esta capella, para gozar do panoramma que se descobre d'aqui.

— É um dos passeios mais bonitos d'estes sitios.