Página:Os Fidalgos da Casa Mourisca.djvu/71

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--Por certo que não prescindirei das suas informações.

--Eu lhe darei parte do que resolvi. E agora...--acrescentou D. Luiz--vamos ao resto... E Mauricio?

Mauricio, interpellado pela segunda vez, achar-se-ia nas mesmas difficuldades para responder á interpellação, se Jorge não respondesse por elle:

--Tambem pensei em Mauricio.

--Ah! tambem?--disse o pae, não podendo occultar a quasi admiração, que lhe estava impondo Jorge.

Mauricio interrogou tambem com a vista o irmão.

--Se Mauricio confia em mim, é inutil a sua permanencia aqui na aldeia, onde não tem em que se occupe.

--Tens a minha plena confiança, Jorge. E a não me quereres para teu guarda-livros...

--Lembrou-me que Mauricio devia partir para Lisboa. Lá poderá ser mais util a si e a nossa casa. É verdade que não é essa por ora uma medida economica; antes obrigará a alguns sacrificios. Far-se-hão porém, se precisos forem, e Mauricio tem brios bastantes para não os deixar ficar improductivos.

D. Luiz fez um gesto de duvida.

--Humh!--objectou elle--que carreira póde n'estes tempos seguir na capital um filho meu? Queres acaso que elle vá renegar da causa, que a nossa familia sempre abraçou, e fazer pacto com essa gente que hoje governa?

--Confesso que mal pensei ainda na carreira que lhe convirá seguir; mas sómente lá é que é possivel a escolha. Parece-me que sem deshonra se poderá trabalhar e ser util á patria, que é sempre a mesma, qualquer que seja o partido que a governe. Mas o caso não urge. V. exc.ª poderia escrever n'esse sentido a nossa prima Gabriella, que melhor que ninguem poderá fornecer-nos valiosas indicações.

--Gabriella?! A senhora baroneza do Souto Real!--accentuou sarcasticamente o fidalgo.--Ora adeus! Uma doida...

--Tem-se mostrado sempre nossa amiga--corrigiu