Princípios da Filosofia do Futuro/VII

Wikisource, a biblioteca livre
Ir para: navegação, pesquisa
Princípios da Filosofia do Futuro (Princípios: 61 a 65)
por Ludwig Feuerbach
Text document with red question mark.svg

Princípios: 61 a 65 [editar]


Princípio 61: O filósofo absoluto, em analogia com o l‘état c’est moi do monarca absoluto e l‘être c‘est moi do Deus absoluto, dizia ou, pelo menos, pensava de si, enquanto pensador naturalmente, não como homem: la vérité c‘est moi. O filósofo humano, pelo contrário, diz: no próprio pensamento, também enquanto filósofo, sou um homem com os homens.

Princípio 62: A verdadeira dialética não é um monólogo do pensador solitário consigo mesmo, é um diálogo entre o eu e o tu.

Princípio 63: A Trindade era o mistério supremo, o ponto central da filosofia e da religião absolutas. Mas o seu segredo, como se provou histórica e filosoficamente em A Essência do Cristianismo, é o segredo da vida comum e social – o segredo da necessidade do tu para o eu a verdade de que nenhum ser, quer seja ou se chame homem ou Deus, espírito ou eu, é apenas por si mesmo um ser verdadeiro, perfeito e absoluto, e que só a ligação, a unidade de seres de idêntica essência constitui a verdade e a perfeição. O princípio supremo e último da filosofia é, pois, a unidade do homem com o homem. Todas as relações fundamentais – os princípios das diferentes ciências são unicamente espécies e modos diferentes desta unidade.

Princípio 64: A antiga filosofia possui uma dupla verdade – a verdade para si mesma, que não se preocupava com o homem – a filosofia – e a verdade para o homem – a religião. Pelo contrário, a nova filosofia, enquanto filosofia do homem – é também essencialmente a filosofia para o homem – possui, sem prejuízo para a dignidade e a autonomia da teoria, mais, na consonância mais íntima com a mesma, essencialmente uma tendência prática e, claro está, prática no sentido mais elevado; vem ocupar o lugar da religião, tem em si a essência da religião, ela própria é em verdade religião.

Princípio 65: As tentativas de reforma até agora feitas na filosofia distinguem-se, mais ou menos, da antiga filosofia apenas segundo a espécie, não segundo o gênero. A condição mais imperativa de uma filosofia realmente nova, isto é, independente e que corresponde à necessidade da humanidade e do futuro, é que ela se distinga da antiga filosofia segundo a essência.