Quantas vezes do fuso s'esquecia...
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- Quantas vezes do fuso s'esquecia
- Daliana, banhando o lindo seio,
- tantas vezes de um áspero receio
- salteado, Laurénio a cor perdia.
- Ela, que a Sílvio mais que a si queria,
- para podê lo ver não tinha meio:
- ora, como curara o mal alheio
- quem o seu mal tão mal curar sabia?
- Ele, que viu tão clara esta verdade,
- com soluços, dezia (que a espessura
- comovia, de mágoa, a piedade):
- -Como pode a desordem da Natura
- fazer tão diferentes na vontade
- a quem fez tão conformes na ventura?