Que levas, cruel Morte? Um claro dia

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Que levas, cruel Morte? Um claro dia
por Luís Vaz de Camões
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«Que levas, cruel Morte?» «Um claro dia».
«A que horas o tomaste?» «Amanhecendo».
«Entendes o que levas?» «Não o entendo».
«Pois quem to faz levar?» «Quem o entendia».

«Seu corpo quem o goza?» «A terra fria.»
«Como ficou sua luz?» «Anoitecendo».
«Lusitânia que diz?» «Fica dizendo:
Enfim, não mereci Dona Maria».

«Mataste quem a viu?» «Já morto estava».
«Que diz o cru Amor?» «Falar não ousa.»
«E quem o faz calar?» «Minha vontade».

«Na corte que ficou?» «Saudade brava».
«Que fica lá que ver?» «Nenhüa cousa;
mas fica que chorar sua beldade».

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