Se te amo, não sei!

Wikisource, a biblioteca livre
Ir para: navegação, pesquisa
Se te amo, não sei!
por Gonçalves Dias
Escrito em Manaus em 25 de junho de 1861.

Versão com a ortografia original disponível em Se te amo, não sei! (ortografia original). Facsimilie do original manuscrito.

Amar! se te amo, não sei.
Oiço aí pronunciar
Essa palavra de modo
       4Que não sei o que é amar.

Se amar é sonhar contigo,
Se é pensar, velando, em ti,
Se é ter-te n'alma presente
       8Todo esquecido de mim!

Se é cobiçar-te, querer-te
Como uma bênção dos céus
A ti somente na terra
       12Como lá em cima a Deus;

Se é dar a vida, o futuro,
Para dizer que te amei:
Amo; porém se te amo
       16Como oiço dizer, — não sei.

————

Sei que se um gênio bom me aparecesse
E tronos, glórias, ilusões floridas,
E os tesouros da terra me oferecesse
       20E as riquezas que o mar tem escondidas;

E do outro lado — a ti somente, — e o gozo
Efêmero e precário — e após a morte;
E me dissesse: "Escolhe" — oh! jubiloso,
       24Exclamara, senhor da minha sorte! —

"Que tesouro na terra há i que a iguale?
Quero-a mil vezes, de joelhos — sim!
Bendita a vida que tal preço vale,
       28E que merece de acabar assim!"