Telegrama de Euclides da Cunha de 14 de outubro de 1897

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(Telegrama de Euclides da Cunha de 14 de outubro de 1897)
por Euclides da Cunha

Bahia, 14 de outubro (17h10)

Envio na íntegra o plano do assalto de Canudos, organizado pelo comandante-em-chefe:

"Amanhã (dia 1o de outubro), desde às seis horas, toda a força estará de prontidão, em forma oculta, nos abrigos já existentes.
Às seis horas a Artilharia romperá fogo, só terminando com o toque do comando-em-chefe — infantaria avançar!
Durante a noite os batalhões 4º e 39º irão se reunir ao 29º, que com a 3ª brigada partirá para a Fazenda Velha, colocando-se à retaguarda os 32º e 37º batalhões.
O 9º, o 22º e o 34º renderão a 3ª brigada.
Durante o assalto, as forças que estiverem nas linhas, guardarão o maior silêncio. Cada batalhão terá uma companhia pronta para proteger os pontos precisos.
Terminado o assalto retirar-se-ão todos às ordens do comando-em-chefe. Ao toque do comando-em-chefe — infantaria avançar — a 3ª e a 6ª brigadas dirigir-se-ão em marche-marche para as posições inimigas, que procurarão conquistar a baioneta, fazendo o assalto pelos flancos e retaguarda da igreja nova, salvo se conveniência de ocasião aconselhar outra tática ao critério dos comandantes daquelas brigadas. Caso haja necessidade do emprego de fogos, só se fará em último caso, somente pelas forças assaltantes, cumprindo ter o maior cuidado em fazê-lo sempre na direção Norte-Sul, a fim de não ofender os companheiros.
Ao toque do comando-em-chefe — infantaria avançar — os batalhões 26º e 5º da Bahia e a ala direita do batalhão de São Paulo dirigir-se-ão pelo Vasa Barris para tomar a posição junto da margem esquerda, abrigadas pelo barranco do mesmo rio, de modo que o extremo esquerdo do 26º toque a trincheira do 15º e a ala direita do batalhão de São Paulo.
Durante a noite, o 1º e o 2º batalhões do Pará tomarão posição à retaguarda da ala direita do de São Paulo, do 5º da Bahia e do 26º, de modo que saindo esses de seus lugares sejam logo substituídos por aqueles.
Ao toque de — avançar — todo o exército avançará à baioneta e ninguém fará fogo sem ordem expressa do oficial que comandar. Desde que a vitória se tenha manifestado, os comandantes mandarão tocar alvorada e todas as bandas, cornetas e clarins repetirão o toque e as músicas o hino nacional, mas ninguém abandonará as posições."