A eterna dúvida

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
A eterna dúvida
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Como tortura a gente o pensamento!
Como isto tudo infelizmente é feito!...
Ninguém se vê de todo satisfeito,
Nem tem completo o seu contentamento.

Quem nos perturba no melhor momento?
Tenho-a apertada, e bem, contra o meu peito:
É minha: mas é minha com efeito?
Lança nuvens no céu mais puro o vento;

Mesmo a sombra do pássaro, oh! desgraça,
Deixa sombras cair sobre a corrente:
Ao festim Banquo vem sangrento, e passa.

Dor... que dor grande imaginar somente
Que enquanto a beijo, e enquanto ela me enlaça,
Eva ri dentro em si, e ouve a serpente!...