A infanta D. Maria de Portugal e suas damas/Os Estudos da Infanta
Os Estudos da Infanta. — E' thema não menos controvertido do que o dos Serões.
Segundo uns, D. Maria de Portugal fora de uma precocidade e intelligencia pasmosa. Lições de mestres e leituras proprias haviam-lhe aberto um horizonte amplissimo. Todos os auctores classicos lhe eram familiares. Quasi brincando penetrara os mais reconditos segredos da erudição. Fallava e escrevia a lingua latina perfeitamente bem, não só com fluencia e correcção, mas até com graça e singular elegancia, tal qual sua lingua materna [1] — como se todo o mundo, então e sempre, soubesse bem a sua lingua materna! Em segredo, muito em segredo, redigia obras volumosas nos dois idiomas mortos. [2] Do seu enthusiasmo pela litteratura patria dava provas diarias, estimulando e recompensando a actividade dos melhores auctores.
Segundo outros, que já conhecemos, foi apenas para poder rezar com entendimento os officios divinos que se dedicara ao estudo. Os volumes manuseados dia e noite, eram a Escritura e outros textos sacros. Assim o havia declarado, em vida da Infanta, a voz apparentemente auctorisada de um varão esclarecido, o veridico auctor das Decadas. [3]
Quem terá razão? Não a dou a João de Barros, que sempre foi fraco erasmista, mesmo no tratado da Mercadoria Espiritual [4], porque depois de 1550 o douto escritor fez-se portavoz da orthodoxa reacção tridentina. [5] Na propria peça rhetorica a que alludo — um extenso Panegyrico das qualidades da Infanta [6] — vemos desmentida a tendenciosa insinuação: tão variado é o saber que presuppõe; tantas são as allusões mythologicas, historicas e lingüisticas, tantas as hyperboles com que a festeja. Identificando a era da Infanta com a idade aurea, e as suas damas e donzellas com a nova geração dos Übermenschen (Sobre-homens ou Supra-homens), prophetizada pela sibylla, adianta-se mesmo até applicar-lhe os versos de Vergilio: [7]
jam redit et virgo; redeunt saturnia regna;
jam nova progenies coelo dimittitur alto.[8]
Não é, porém, nestes exageros que devemos fiar-nos, mas sim na consentaneidade de outros coevos mais sabios e menos rigoristas, que gabaram com insistencia o caracter, o bom-senso, os solidos conhecimentos da Infanta. Já ouvimos as informações do embaixador castelhano D. Sancho de Cordova ao soberano. [9] Este recorria continuamente ao seu preclaro juizo e á sua illustração. Vive em intimo convivio com as Musas — cum Musis rationem studiorum habet conjunctissimam — escrevia em 1546 sua preceptora particular, Luisa Sigea, fallando d'ella ao Papa Paulo III. Em outra occasião, a mesma designa-a como primaz em humanidades, erudição e virtudes. [10] Com haver-se inclinado ás letras, as honra Vossa Alteza e a todos os seus professores, lhe dizia um ancião veneravel, o austero Navarro, Martim de Azpilcueta. [11] Realmente distincta pelo engenho e força de espirito a proclamava Jeronymo Osorio, o grande Bispo de Silves: ingenio et animi magnitudine excelluit. [12] Como eruditissima foi apostrophada repetidas vezes por André de Resende e Ignacio de Moraes. « De tal modo te dedicaste ao estudo que não só de passagem e pela rama, como é praxe entre damas, mas a fundo e de coração te entregaste ao convivio das Musas », [13] assim lhe fallava outro humanista notavel, da amizade de Cortereal, ao dedicar-lhe as obras de um sabio. [14] Entre as eruditas do nosso tempo occupa logar honroso: é Vaseu, auctor da Chronica Hispanica quem o assenta e divulga urbi et orbi. [15] Unica pela prudencia e conhecimento de todos os assumptos, prudentia et omnium rerum cognitione tamquam phenix unica. Sabedora de tudo!... Mas com este dicto, lá estamos novamente no campo das hyperboles, que tento evitar.
Fundando-me em taes e em outros elogios singelos e sinceros de varões e damas que a conheceram de perto, nas obras notaveis, scientificas e amenas, que lhe offereceram, e nas poucas amostras do seu estylo cuidado que perduram, julgo que pela leitura reiterada de trechos escolhidos de litteratura sacra e profana, antiga e moderna, em linguas mortas e vivas, adquiriu uma fina percepção da arte: respeito pelas letras; noções muito variadas; um peculio basto de historietas e dictos classicos; plena comprehensão da lingua latina a ponto de entender tanto os discursos recitados por oradores como as eglogas, comedias e tragedias, representadas nos collegios de Coimbra e Evora; facilidade sufficiente para responder de improviso a embaixadores ou legados, e para redigir cartas de agradecimento e congratulações a soberanos estrangeiros. Do grego, os rudimentos, afim de perceber a terminologia scientifica e a decifrar e verificar citações no Novo Testamento, ou allusões como as de Hollanda, na Iliada e Odysseia. [16]
E francamente, não é pouco. Merecia applausos. Constituia caso inteiramente novo entre princesas nascidas em Portugal.
Ainda assim, a interpretação de João de Barros comprehende-se e não carece de todo o fundamento. Portugal havia adoptado tão tarde a reforma da educação no sentido da Renascença que a reacção seguiu a acção muito de perto — antes de o saber classico haver filtrado das camadas superiores para as inferiores, espalhando sementes para colheita futura. Na propria vida da Infanta, mais ainda, no proprio reinado de D. João III е D. Catharina, a catastrophe estalou, e deu rumo diverso tanto ao ensino publico e particular, como ás leituras e praticas da Infanta. Naquelle sentido orthodoxamente catholico, bem se vê, que procreou a austera, apagada e vil tristeza que o Vergilio lusitano lamentava, e já fora apontado como caracteristico nefasto de todos os reinos governados por estultos e monges — regnum monachorum et stultorum — pelo sabio de Rotterdam e pelo grande poeta comico português.
Pela minha parte, creio que o ponto de partida para o endoutrinamento da Infanta e seu primeiro norte, francamente liberal, inculcou-lhe um ideal philosophico superior, mas que posteriormente abalada pelos acontecimentos particulares que aniquilaram as suas aspirações mundanas, e coincidiram com a reacção jesuitica, a sua mentalidade tomou evolução mais theologica.
A materia dos livros que lhe foram dedicados, nos primeiros decennios e nos ultimos, confirmam que houve scissão. [17]
De 1520 a 1550 estava-se em pleno renascimento. A cultura classica, o amor á antiguidade, que de modo muito imperfeito havia penetrado na corte de D. João e D. Manoel, expandia-se impetuosamente por todo o reino. Quanto á vitalidade intellectual, ao fervor artistico, á energia litteraria, nunca houve em Portugal periodo que se possa comparar aos decennios em que recahe a mocidade da Infanta. D. João III, convencido de assim cumprir uma missão civilisadora, tratava muito a serio da reforma da educação nacional. Chamou humanistas estrangeiros e humanistas indigenas, instruidos em Salamanca, Paris e Florença. Uns foram para Coimbra, Evora, Braga; outros para o ensino no paço. Foram secretarios del Rei e mestres dos infantes seus irmãos, e de seus proprios filhos, vultos como Aires Barbosa, André de Resende, Nicolau Clenardo, João Vaseu, Pedro Nunes, Lourenço de Caceres, Jorge Coelho, Diogo Sigen, Ignacio de Moraes, Pedro Sanches, Jeronymo Cardoso, Pedro Margalho. [18] Em casa dos duques de Bragança, barões de Alvito, condes do Vimioso, de Linhares e outros magnates encontramos os mesmos, e para ensino da lingua patria a João de Barros, Fernam de Oliveira, Francisco de Moraes — e Luiz de Camões, se o seu ultimo biographo descobriu a verdade. [19] Na capital, installaram-se aulas de latim para os moços-fidalgos. E comquanto nem todos aproveitassem e alguns maldizessem a sorte que os fizera nascer em sino de latim (conforme com muita graça confessou um dos mais antigos letrados palacianos), a medida do saber foi subindo consideravelmente entre os aristocratas privilegiados, aos quaes o reformador da poesia havia dirigido pouco antes uns conhecidos aphorismos:
Dizem dos nossos passados
que os mais não sabiam ler:
eram bons, eram ousados...
eu não louvo o não saber
como alguns ás graças dados.
Quanto à educação feminina, reformistas eminentes como Luis Vives, haviam-na classificado como indicio seguro da civilisação alcançada por um povo. Persuadidos que só de mulheres solidamente instruidas nas artes liberaes, iniciadas directamente no puro gosto da antiguidade, havia de nascer uma geração de entes superiores, de caracter, energia e intelligencia privilegiada, exigiam que as humanidades formassem parte integrante tambem da cultura do sexo fragil. [21]
A grande em tudo Rainha Isabel a Catholica já havia aceite o alvitre com enthusiasmo. Em idade madura venceu as difficuldades da lingua de Lacio. Fez estudar as Infantas suas filhas. Instituiu na sua aula o posto de mestra latina, a favor de D. Beatriz Galindo, sua preceptora. Em harmonia com o aphorismo então lançado por um dos cortesãos: — jugaba El-rey, eram todos tahures; estudia la reina, somos ahora estudiantes — a aristocracia do sangue imitou-a. [22] Quanto á aristocracia das letras, é evidente que, dando o impulso, dera tambem o exemplo. [23]
Em Portugal a evolução foi a mesma, posto que mais tardia, vagarosa e incompleta. As duas filhas da Rainha Catholica que occuparam o throno português de 1495 a 1519 não eram de modo algum hospedas nas letras, como não o haviam sido a esposa de D. João II nem a de Affonso v. Mas ainda assim, não implantaram nos paços da Ribeira a moda erasmiana nem a sua transformação italo-castelhana. A' neta, isto é a mãe da Infanta e irman da rainha D. Catharina, pertence o impulso. D. Leonor era boa latina como a avó e a progenitora, porque mesmo a pobre D. Juana contestava de improviso em latim aos discursos gratulatorios das cidades de Flandres. Logo no primeiro anno da sua assistencia em Portugal, a esposa de D. Manoel conseguiu que lhe representassem na côrte uma engraçada comedia latina, escripta por um estudante em ferias, emquanto Salamanca ardia em febre. [24]
Posteriormente aceitou a homenagem de diversos escriptores de Portugal, Hespanha e França, em latim e vernaculo. [25]
Que maravilha se ambicionava illustrar tambem sua filhinha, segundo o gosto e as exigencias da epoca, de modo que sem desdouro do nome português e castelhano, podesse luzir em qualquer throno da Europa? Que maravilha se, velando de longe pela sua felicidade, desejou vestir-lhe ricamente a alma, augurando que no convivio com as musas encontraria uma consolação ideal ás mil decepções moraes que a vida não poupa a ninguem, nem mesmo ás princesas?
Na fé de que ao cabo de breve prazo a Infanta viria, como esposa do Dauphin, residir na côrte culta e galante de Francisco I onde brilhava Margarida de Navarra, não só pediu e aconselhou, mas ordenou repetidas vezes que aprendesse o latim, e tentasse afeiçoar-se ás letras.
Assim o lemos numa carta que D. Maria escreveu á mãe, quando vencidas as longas agruras da iniciação, começava a avaliar com lucidez o serviço que lhe haviam prestado, occupando-a, interessando-a, ampliando o seu horizonte, acostumando-a a raciocinar e a trabalhar. A principio o estudo lhe fôra penoso. Freqüentemente havia desanimado, em briga com os rudimentos enfadonhos da grammatica, necque laboriosa illa grammatica fastidia æquo animo ferre non poteram. Mas pouco a pouco, o santo desejo de saber invadiu-a. Conseguiu deleitar-se de veras no trato dos livros, realizando assim a predicção de D. Leonor quod ea res maximam olim mihi voluptatis esset allatura et ornamenti non parum. Se á mãe parecesse bem o estylo da « missivazinha », a ella, só a ella, eram devidos louvores. Se, porém, descobrisse defeitos, a Infanta diligenciaria aperfeiçoar-se mais e mais no conhecimento do idioma classico.
O estylo é juvenil, de graciosa simplicidade e elegancia. Tentando adivinhar aproximadamente a data de que carece na obra de onde, á falta do original, a copio, calculo, seria escripta entre 1535 e 1537, quando a Infanta contava quinze annos. [26]
Além d'essa amostra conheço apenas mais uma da sua dicção latina, curiosa sob mais de um aspecto. [27] E' dirigida a uma soberana estrangeira, cujo perfil já desenhei nas paginas antecedentes: Maria Tudor, a bloody Mary, flagello da Inglaterra protestante. A filha de Henrique VIII, subindo ao throno (6 de julho de 1553), tivera de suffocar uma revolta a favor de Jane Grey, e mandára degolar o duque de Northumberland que a capitaneava. Felicitando a sua parenta e amiga por ter sahido incolume d'este attentado contra os seus direitos, a Infanta emprega expressões exuberantes de amizade. Não existe quem mais lamente os desgostos da Rainha ou quem mais se regozije com a sua prosperidade. As cartas d'ella proporcionam-lhe prazer tal que as agasalha no seio, as acaricia e repete sempre de novo a leitura. Pede resposta rapida, pela qual anceia.
Quem recorrer ás expressões muito mais gongoricas do original [28] ficará surprehendido quando recordar como eu, que pouco antes — em julho, sendo a carta do meado de setembro — a filha de D. Manoel fôra ferida no seu orgulho e nas suas aspirações mais legitimas pelo Emperador, que collocava na mão do herdeiro, com ella desposado, a d'essa mesma Maria I de Inglatera, cujo casamento com o Infante D. Luis continuava em discussão. [29] Submissão heroica? Sympathia? mal comprehensivel, mesmo se reflectirmos como essa sua rival era eminentemente catholica, em contraste com a meia-irman que deu o nome á gloriosa era de Shakespeare — great Eliza's golden time. Ou será a carta mero exercicio estylistico? obra de quem, tendo em mente um ideal de epistolographia, abstrahido das cartas de Bembo e Sadoleto, muito se importava com a elegancia e sonoridade e pouco com o sentido das palavras que agrupava em periodos artisticos? Só conhecendo a correspondencia inteira da Infanta com essa Maria Tudor [30] é que poderiamos formar opinião segura a este respeito.
A carta encerra ainda outro problema. Será do proprio punho da Infanta? traçada por um secretario? dictada a uma das latinas? Um erro na data, [31] e algumas lettras emendadas tornam crivel a hypothese de ella ser autographa. [32] De princesa a Rainha, nada mais natural. Sendo assim, teriamos de juntar aos louvores, tributados aos merecimentos litterarios e musicaes de D. Maria, o de ter possuido uma formosa calligraphia, mascula, digna de uma discipula de Manoel Barata, e não indigna de lhe applicarmos o Soneto camoniano:
Ditosa penna como a mão que a guia
com tantas pretenções da subtil arte!
Não irei molestar os leitores, dissertando sobre os mestres e os livros de ensino da Infanta. Pelo tedio que resentiu, calculo, e pela chronologia reconhecerão que os seus primeiros preceptores não seguiram a orientação pratica e naturalista do douto e jucundo flamengo que instruia de 1533 em deante os Infantes D. Henrique, D. Duarte e D. Affonso.
Pouco estranhavel seria se, na sua infancia, palacianos eruditos tivessem tentado fornecer-lhe instrumentos aptos a facilitar o trabalho. Com effeito, um letrado, muito seu venerador, que já conhecemos, escrevia então obras philologicas como uma Cartilha, uma Grammatica, um Dialogo em louvor da lingua patria, [34] e um Manual ethico, ou Dialogo com dois filhos seus sobre preceptos moraes, em forma de jogo «para que a Infanta D. Maria Nossa Senhora quando fosse desoccupada da verdadeira philosophia christan por que estuda, por passatempo o mandasse jogar deante de si. [35] » Outro escriptor compôs em Castella Lições de grammatica latina a uma princesa de Portugal em tempo de Carlos V. [36] Mas verdade, verdade, essas obras não eram destinadas á nossa Infanta, como erroneamente se tem affirmado. [37]
Com relação à primeira, o final da phrase lisongeira que acabo de citar — e diz: a verdadeira philosophia christan por que estuda que sam os autos da rainha sua madre — assim como a data tardia 1540, e mais ainda o nome do destinatario primitivo: um filhinho de D. João e D. Catharina, fallecido no anno indicado, [38] mostram que a Infanta, assim favorecida pelo feitor da casa da India, era filha dos reinantes, aquella futura princesa de Castella, que vemos preferida á orphã de D. Manoel em todos os ensejos.
Quanto à segunda, o titulo princesa de Portugal, embora genericamente se possa dar a todas as filhas de reis portugueses, e se desse a algumas, referia-se em rigor, na era de Carlos V, apenas a D. Juana, a festejadissima noiva do herdeiro da corôa, o Principe D. João, a qual na sua patria fôra educada pelo mesmo systema classico e latinista. [39]
Tenho, de resto, minhas duvidas, sobre se qualquer d'esses livrinhos, e outros que não menciono, seriam realmente utilizados pelos professores da progenie regia. O ensino elementar era ministrado, tanto á pupilla como aos filhos dos reinantes, por um prègador da sua confiança que, prezando-se de habil educador, ia publicando pela sua parte livros de catechese e ensino. [40] Muito desprendimento teria mostrado esse Dr. Frei João Soares, eremita calçado de S. Agostinho, e desde 1545 Bispo de Coimbra, se tivesse posto á sombra os seus meritos pessoaes e collocado em evidencia os de pedagogos estranhos, seus rivaes. [41]
Outros historiadores mencionam como professores de D. Maria ao esmoler da Rainha, D. Julian de Alva, mais tarde Bispo de Portalegre [42] , e ainda a certo Antonio de Abreu, a um Rodrigo Sanches, e Manoel Barata, o eximio calligrapho que já citei. [43] Mas pouco importam os nomes, uma vez que não foram os corypheus do movimento humanista que abriram á filha de D. Leonor os tesouros da antiguidade, explicando-lhe Vergilio e Homero, Platão, Horacio e Seneca. [44]
De peso é apenas o facto que os seus estudos superiores, de latinidades e artes, foram, segundo o louvavel costume hespanhol, dirigidos por senhoras, certamente para que em continua convivencia familiar ampliasse os seus conhecimentos, e aprendesse a conversar não só em latim, mas tambem em francês e castelhano, linguas predilectas das cortes europeias. De peso igualmente que a mais illustre entre as suas mestras, capaz de a guiar nesses tres campos, viera de Castella, por instigação, salvo erro, de D. Leonor e seu irmão Carlos V.
- ↑ 93 Nem mesmo sabemos, ao certo, qual era a lingua materna de D. Maria. Filha de uma infanta castelhana, entregue aos cuidados de outra castelhana, que a confiou a aios da mesma naturalidade (D. Francisco de Guzman e sua esposa), é quasi certo que fallava castelhano muito cedo. Mas, portuguesa de nação, servia-se sem duvida, diariamente, tambem da lingua patria. Pacheco, que redigiu a sua obra em castelhano, não só allega, naturalmente, todos os seus ditos nesse idioma, mas mesmo o testamento, sem indicar, se o traduziu. Uma carta apenas está redigida em português. Por um acaso singular, essa é dirigida ao Imperador Carlos v. Acho estranhavel este procedimento, se realmente o castelhano lhe era absolutamente familiar.
- ↑ 94 O primeiro que a metteu na lista dos escritores portugueses foi Faria e Sousa. Sem provas, bem se vê. Nicolas Antonio seguiu o exemplo. E outros o repetiram.
- ↑ 95 Vejam o § 19 e 24 do Panegyrico cujas edições enunerei na Nota 10.
- ↑ 96 A' vista do documento, pelo qual o monarca concedeu à Infanta o senhorio de Viseu (e o titulo de duqueza?), deve ser facil apurar a data do Panegyrico, pois foi em celebração d'este acontecimento que João de Barros levantou a voz, conforme já indiquei na Nota 10. No admiravel Catalogo Chronologico de todos os Titulos que tem havido em Portugal até à occupação dos Filippes, o qual forma um avultado Appendice do Livro Segundo dos Brasões da Sala de Cintra de Anselmo Braamcamp Freire (Lisboa 1901) não encontro verba alguma relativa a esta nomeação.
- ↑ 97 A Ropica pneuma, um Colloquio erudito entre o Tempo e o Intendimento, a Vontade e a Razão, escripto em 1531, nada contém contra o dogma, embora fosse prohibido nos Indices.
- ↑ 98 Segundo elle, D. João III foi um maravilhoso reformador da religião christan! Panegyrico §18. Cf. § 26 e 33.
- ↑ 99 e 100 Ecloga IV, 6.
- ↑ 99 e 100 Ecloga IV, 6.
- ↑ 101 O leitor acha-as a p. 23 d'este estudo.
- ↑ 102 In humanitatis et eruditionis nec non virtutum antistitem.
- ↑ 103 Pacheco f. 132. Não consegui ver o original latino, impresso em Coimbra, no anno 1550. E' uma carta-prologo que acompanha o tratado do Jubileu: Commentarium De Anno Jubilaco et Indulgentiis omnibus.
- ↑ 104 De Rebus Emanuelis. P. IV, Livro XII.
- ↑ 105 Te totam summis labiis ita musis tradidisti ut eas non transeunter aut carptim ut pleræque solent libaveris sed eas ipsas penitus imbiberis.
- ↑ 106 Antonio de Castro, no Prologo que acompanha a edição das Obras Latinas de Cataldo Siculo, por elle promovida. Vid. Hist. Gen., Provas VI, 391.
- ↑ 107 Hispania Chronica, cap. IX, em Schott, Hispania Illustrata, vol. I.
- ↑ 107b Na livraria da Rainha D. Catharina havia uma grammatica portuguesa, manuscripta, totalmente desconhecida (Principios da lingua portuguesa), uma grammatica latina, tambem inedita (Vide Nota 127); um Abecedario em grego, datado de 1540; oito exemplares da Arte de Lebrija, comprados em 1541.
- ↑ 108 A scisão na alma e nos actos de D. João II começou cedo. Temos em 1536 a Bulla da Inquisição; em 1539 seu irmão, o Cardeal-Infante foi transformado em Inquisidor-Mór; em 1540 instaurou o primeiro Auto-da-Fé; a Companhia de Jesus veio no anno immediato; em 1542 a primeira procissão de penitencia inicia a era do zelotismo; em 1545 temos a iniqua revogação de Damião de Goes, sob pretexto de o nomearem mestre de letras do principe real, mas na verdade para o incriminarem como heterodoxo; em 1547 a Bulla da carne humana; em 1551 a abertura do Collegio dos Jesuitas em Evora; em 1555 a entrega da Universidade e todos os collegios á mesma ordem; em 1564 o Indice dos Livros Prohibidos. Lembrarei ainda no campo estrictamente politico o abandono de Safim e Azamor (1542); o de Arzilla e Alcacer (1549). — Outra ordem de acontecimentos de familia enlutava os reinantes e a nação: o fallecimento successivo de seis filhos de D. Manoel e oito de D. João III, a ponto de uma dynastia florescente ficar reduzida em 1557 a tres representantes: uma creança desequilibrada; um cardeal, senil antes do tempo; uma infanta innupta.
- ↑ 109 Na Nobreza Litteraria de F. A. Martins Bastos (Lisboa 1854), ha apontamentos a este respeito, nem sempre colhidos nas melhores fontes.
- ↑ 110 Wilhelm Storck, depois de ter vertido para allemão todas as obras de Camões, escreveu um estudo importantissimo, d'inquirição critica sobre a vida do poeta, a qual tentei nacionalizar: Vida e Obras de Luiz de Camões (Lisboa 1899).
- ↑ 111 Poesias de Sá de Miranda N.° 105. Essa carta a João Rodrigues de Sá e Menezes, um
hymno ás letras humanas e divinas, está repleta de aphorismos agudos e de censuras á rudeza dos costumes antigos, ainda não extinctos, segundo os quaes
sangue e bens de fortuna
é tudo entre os portugueres. - ↑ 112 A respeito da Mulher da Renascença consulte-se a obra classica de Jacob Burckhardt Die Cultur der Renaissance in Italien, 3. ed., Leipzig 1878. Na Peninsula não só as damas do mundo mas tambem as freiras liam enthusiasmadas, na sua clausura, ás escondidas, alguns Colloquios de Erasmo, de que 24:000 exemplares corriam de um extremo ao outro da Europa. Citemos o tratado Da Donsella que aborrece o Matrimonio (Misogamos), Da Virgem arrependida (sc. de ter professado) e o Da Mulher erudita. — Na Historia dos Heterodoxos, de Menendez y Pelayo, ha alguns esclarecimentos (vol. 1).
- ↑ 113 As mais nomeadas entre as fidalgas doutas que então brilharam na corte hespanhola eram filhas do duque de Tendilla (D. Mecia de Mendoza, marqueza de Zenete, e a Condessa de Monteagudo, D. Margarida Pacheco), e tres irmans de D. Juan de Zuñiga (D. Isabel, Duqueza de Alba, D. Elvira de Sotomayor e D. Maria de Estuñiga).
- ↑ 114 D. Francisca (ou Antonia) de Nebrixa, filha do grande reformador dos estudos, professava em Salamanca sobre rhetorica e poetica, em substituição do pae. D. Lucia de Medrano explanava textos latinos, segundo consta por relação de Lucio Marineo Siculo. Isabel de Vergara, irmandos famosos erasmistas Juan e Francisco, traduziu para romance alguns dos escritos do grande vulto de Rotterdam. — Juana de Contreras, a Sepulveda, linda doncella muy sabedora, e Anna de Cervaton lograram nomeada entre latinistas e hellenistas.
- ↑ 115 Essa comedia, intitulada Hispaniola, conta, segundo dizem os poucos que a leram, não sem graça, mas antes com pilheria plautina e facundia terenciana, varios casos e successos festivos de dois amantes. O auctor, chamado Juan Maldonado, veio a ser mais tarde um dos mais notaveis humanistas hespanhoes, da observancia erasmista. A obra, composta quando contava vinte e cinco annos, e divulgada contra sua vontade (prodiit lucem, nolente me) foi sumptuosamente enscenada e representada em presença da Rainha D. Leonor e todos os proceres da côrte: et apud Helionoram Gallia reginam qua tunc erat Portugallia non levi sumpta acta, spectante procerum caterva summoque senatu. Assim o conta o proprio Maldonado na impressão de 1535, queixando-se de que outra sahira subrepticiamente em Valladolid (1525). Vid. Gallardo, Ensaio s. v. Maldonado, vol, II, col. 605; Nicolas Antonio, Bibl. Nova I 557: Menendez y Pelayo, Antologia v 194 e Heterodoxos II 74.
- ↑ 116 Sirvam de exemplo uma obra astrologica de Frei Antonio de Beja Contra os Juisos dos Astrologos 1523; uns versos latinos de Antonio de Gouveia, o qual foi, como todos sabem, um dos principaes intermediarios entre a cultura francesa e a portuguesa e talvez o primeiro que tornou conhecidas em Portugal as poesias de Clement Marot (Vid. Antonii Goveani Epigrammata Brusderm Epistola quatuor, Lugduni 1540), e uma composição hespanhola de Francisco de Guzman. Bem intencionado e incansavel cultor da poesia ethica, sentenciosa e paremiologica, este capitão dedicou á Rainha uma Glosa sobre as Coplas de Jorge Manrique, o famoso Recuerde el alma dormida, que é a que maior numero de edições obteve (1. em Lyon de França em 4. got. s. a., ed. post. de 1558 e 1598). O nome do auctor infere-se de umas coplas acrosticas de arte maior que precedem a obra. Vid. Antologia VI, 144. — Os auctores portugueses formam em geral, ideia pouco adequada da terceira esposa de D. Manoel, interpretando como simpleza a candida bondade que a distinguia.
- ↑ 117 A Carta acha-se impressa na obra de Pacheco, Parte II Cap. 2.o, f. 88 v., e tambem na Hist. Gen., Provas II 741, N. 118. — O motivo porque a colloco entre 1535 e 1537 é que D. João III exigiu da propria filha que aos quinze annos fosse não só apta mas vezeira a fazer a sua correspondencia em latim, conforme indico no texto.
- ↑ 118 Esta segunda carta latina da Infanta tambem não é inteiramente desconhecida. O Visconde de Santarem, que possuia copia desde 1846, aproveitou-a no Quadro Elementar, vol. XV p. 86 (1854). Figanière, indicando o paradeiro, deu um extracto no seu Catalogo dos Manuscritos do Museu Britannico p. 123 (1853), noticiando ao mesmo tempo que fôra impressa numa collecção de cartas originaes, illustrativas da historia inglesa (Ellis, Original Letters illustrative of English History, vol. 11 da 2.a Serie a p. 247).
- ↑ 119 Como a obra inglesa, citada na Nota anterior, é pouco vulgar em Portugal, dou o treslado, directamente sobre o original, que faz parte de uma Miscellanea da Secção Cottoniana do Museu Britannico. (Cod. Vespasiano F. I f. 48.) A' sollicitude do incansavel bascologo e bascophilo E. Spencer Dodgson e aos bons serviços do photographo do Museu (E. Dosseter), devo uma excellente chapa em tamanho natural. A Carta consta de uma folha grande: 16 linhas no rosto e 6 no verso. Sem assignatura, que a epigraphe tornava desnecessaria, como em geral nas cartas latinas, está guarnecida de um sello em obreia com o escado da Infanta, bipartido, tendo as armas reaes de Portugal à esquerda, e o lado direito em branco. E diz:
«Maria Anglia Regina Sereniss: Maria Portugallia Infans Regis Emanuelis filia. S. P.
Cum primum de foelici rerum tuarum successu nuncius adlatus est, eam cepi animo voluptatem quã et ratio sanguinis postulabat et uero summi erga te amoris integritas exigebat. tum quod deus opti. Max. inter infelicium temporum concitatos motus illesam te, et uelut e mediis tempestatibus ereptaă ac seruatã, cui summam regni traderet, solam dignã esse judicauit: tum quod tali ac tam prudenti moderatrici populis tuis bene consultum esse voluit, et universo orbi christiano jucunditatem summā attulit qua in re incertum profecto nobis reliquit utrum tibi iure sanguinis, an potius clarissimarum virtutum (e, emendado para i) meritis, quibus inter huius temporis principes elluces, tam alta, et nobilis possesio (sic) debita sit: quã dum ego tibi cupio gratulari, quibus in tanto, et tam effuso meo gaudio verbis uti debeam, prorsus ignoro. Nec enim quisquam est (ut ex superioribus literis meis intelligere potuisti) quem magis laeserint (oe ligado, emendado para œ) aduerse tuæ res, nec cui magis ex animo cesserint prosperæ. Nam si mihi iucundissime literæ tuæ tam mirificam voluptatem olim attulerunt, ut eas, et in sinu gestare et manibus tenere et sæpius legere nunq[ua]m mihi fuerit satis; quata animum meum letitia oblato hoc summi gaudii argumento (o emendado), exhilaratum (u emendado) esse existimas, Quare te oratam uelim ut quãto maior ex hoc prospero tuarum rerum statu (estatu com e apagado) voluptas ad me peruenit, tanto crebriores literas quas avidissime expecto, de tua incolumitate in posterum ad me des. Interim a deo Opti.Ma: uotis omnibus contendam ut qui regni tui author extitit, idem tuam hanc felicitatem firmă et stabilem esse velit, ac te populis tuis in summa trãquillitate diu servet incolumem. Vale, Olyssippone 19 cal. octob. anno Dni 1553.»
P. S. — Como na imprensa faltassem algumas abreviaturas, tive que desdobrá-las.
- ↑ 120 Vid. Santarem, Quadro Elementar, vol. XV. O casamento de Felipe II com Maria Tudor realizou-se no anno immediato, a 25 de Julho.
- ↑ 121 Como viram, a Infanta refere-se na carta a outras missivas anteriores em que havia manifestado a sua afeição á pessoa e á causa da Rainha d'Inglaterra. — Quanto a esta soberana, parece que não lhe correspondia com affecto igual. Pelos extractos de Santarem, vemol-a agastada pelo desposorio de Felipe II com a Infanta, em razão do intimo parentesco dos nubentes. Mas isso não tolhe que as suas cartas fallassem a mesma linguagem superlativa, de urbanidade, usada entre todos os latinistas, coroados ou não coroados.
- ↑ 122 O mes de Outubro não tem 19 das calendas. A data deveria ser 18 Cal. Octob (14 de Sept.)
- ↑ 123 Figanière affirma ser toda do proprio punho da Infanta, sem indicar qual o autographo de que se serviu para fazer o confronto. — Até hoje os esforços de pessoas amigas, que amavelmente se offereceram a procurar na Torre do Tombo documentos com letra da Infanta, e tambem de Luisa Sigea e Joanna Vaz, não surtiram efeito. Averiguou-se apenas que entre as damas do paço ha duas, cuja calligraphia é muito parecida á da Carta da Infanta, e que a de Joanna Vaz era pessima. Eu, pela minha parte, posso affirmar que a de André de Resende era semilhante à da carta, a ponto de se poderem confundir. A da Rainha D. Catharina e tambem a de D. Leonor era difficillima de entender; a do Principe D. João, pelo contrario, era bella como a da Infanta e igual quasi á de seu mestre, Manoel Barata. (Vid. Faria e Sousa, Rimas de Camões vol. 1, 298). — A este respeito vejam-se as observações de Castilho no seu opulento estudo sobre Lisboa, vol. VII p. 414.
- ↑ 124 O Soneto (187) de Camões recommendava ao publico a Arte de escrever do illustre caligrapho (1572).
- ↑ 125 Estas tres obras, e mais um Dialogo da viciosa vergonha, foram impressas em 1539 e dedicadas pelo auctor das Decadas e do Clarimundo ao Principe D. Felipe de Portugal, que então era herdeiro da coroa. Mas o pequenino filho dos reis expirou, na tenra edade de seis annos, antes que sahissem dos prelos de Luis Rodrigues.
- ↑ 126 Esta obra foi impressa logo a seguir, nos ultimos dias do anno indicado e no immediato, pelo mesmo livreiro. Não é portanto impropria a hypothese que a principio esse Dialogo sobre moralidades fosse destinado igualmente ao fallecido. P. S. — Cumpre registar aqui, em additamento à Nota precedente, um facto importante: Ha pouco que a Bibliotheca Nacional adquiriu uma Grammatica latina de João de Barros de que nunca ninguem tinha fallado, manuscripto em pergaminho com algumas illuminuras! Sei isso, mas só isso, por informação do Snr. Dr. Sousa Viterbo (por carta de 26 de Junho). Lamentando não a conhecer por ora de visu, prometto occupar-me d'ella na primeira occasião! Que surpresa agradavel, se ella incluisse uma Dedicatoria elucidativa!
- ↑ 127 Esse livrinho conserva-se na Bibliotheca Nacional de Madrid. Quanto ao auctor, apenas posso registar que no Catalogo, impresso no Ensaio de Gallardo (vol. I, Apendice p. 3 e 14), uma vez o chamam Martin Agreda de Perques, e outra vez Frei Juan Lopez de las Parras.
- ↑ 128 P. ex. por Th. Braga na Historia da Universidade, vol. I p. 287.
- ↑ 129 A respeito do Principe D. Felipe, mencionado nas Notas 125, 126 e 132, veja-se a Hist. Gen. vol. III p. 538. Como os mais filhos de D. João III, jaz em Belem.
- ↑ 130 Uma grammatica elementar em castelhano foi composta para o Principe por Juan Fernandez de Sevilha, e impressa em Coimbra no anno 1551.
- ↑ 131 Frei João Soares publicou uma Cartinha para ensinar a lér e escrever (1549 e 1554) como fazimento das Graças (1560). Mas anteriormente os seus manuscriptos poderiam ter servido na Casa real.
- ↑ 132 O proprio João de Barros não se enganava a este respeito. O dialogo linguistico entre Pae e Filho principia do modo seguinte: «Senhor, já sabe esta nova? — Qual? — Que o Principe Nosso Senhor começou ontem daprender a ler. — E quem o ensina? — O prégador del rey frey Joam Soares.. Que importa o meu trabalho, ao principe nosso senhor, pois tem preceitor de vida e leteras que lhe ordenará os principios, conformes à sua idade e magestade do seu sangue? O biographo da Infanta, sabendo que esse prelado fôra mestre do Principe, assentou como muito provavel que tambem dirigisse os estudos superiores da Infanta, pelo menos em philosophia e theologia (Vida, II p. 90). Os posteros deram forma affirmativa á hypothese, por elle enunciada. A' vista dos assentos de João de Barros, ella parece-me fidedigna. Cf. Nobreza Litteraria p. 138 e 139.
- ↑ 133 Pacheco combate essa noticia, propagada por Garibay. Os argumentos que emprega são todavia inconsistentes. Diz que havendo na corte uma inestra como Luisa Sigea, os reis de Portugal a teriam, decerto, chamado para ensino das primeiras letras. Ao escrever isso, o douto varão esquecia que os Sigeos, vindos a Portugal em 1538, quando a Infanta contava 16 a 17 annos, já a encontraram adulta e bem ensinada. Se em logar de Luisa Sigea pusessemos o nome Joanna Vaz, a objecção seria mais justificada, como o leitor reconhecerá se tiver a paciencia de continuar com a leitura d'este opusculo.
- ↑ 134 Nobreza litteraria l. c.
- ↑ 135 Pelo que deixei apontado nas Notas 133, 149 e 157 fica provado quão inaceitavel é a affirmação de Diogo Sigeo ter sido o primeiro mestre de latim da Infanta.