A lagartixa

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A lagartixa
por Álvares de Azevedo
Poema agrupado posteriormente e publicado em Lira dos Vinte Anos"Spleen" e charutos.


A lagartixa ao sol ardente vive
E fazendo verão o corpo espicha:
O clarão de teus olhos me dá vida,
Tu és o sol e eu sou a lagartixa.

Amo-te como o vinho e como o sono,
Tu és meu copo e amoroso leito...
Mas teu néctar de amor jamais se esgota,
Travesseiro não há como teu peito.

Posso agora viver: para coroas
Não preciso no prado colher flores,
Engrinaldo melhor a minha fronte
Nas rosas mais gentis de teus amores.

Vale todo um harém a minha bela,
Em fazer-me ditoso ela capricha...

Vivo ao sol de seus olhos namorados,
Como ao sol de verão a lagartixa.