A um Mascarado

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A um Mascarado
por Augusto dos Anjos


Rasga essa máscara ótima de seda

E atira-a á arca ancestral dos palimpsestos..

É noite, e, á noite, a escândalos e incestos

É natural que o instinto humano aceda!

Sem que te arranquem da garganta queda

A interjeição danada dos protestos,

Hás de engolir, igual a um porco, os restos

Duma comida horrivelmente azeda!

A sucessão de hebdômadas medonhas

Reduzirá os mundos que tu sonhas

Ao microcosmos do ovo primitivo...

E tu mesmo, após a árdua e atra refrega,

Terás somente uma vontade cega

E uma tendência obscura de ser vivo!

(Eu, 33)