Arte Suprema

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Arte Suprema
por Júlio César da Silva
in "Arte de Amar", 1ºed. 1921


<poem>

Tal como Pigmalião, a minha idéia
Visto na pedra, talho-a, domo-a, bato-a;
E ante os meus olhos e a vaidade fátua
Surge, formosa e nua, Galatéia
Mais um retoque, uns golpes... e remato-a;
Digo-lhe: "Fala!" ao ver em cada veia
Sangue rubro, que a cora e aformoseia...
E a estátua não falou, porque era estátua.
Bem haja o verso, em cuja enorme escala
Falam todas as vozes do universo
E ao qual também arte nenhuma iguala.
Quer mesquinho e sem cor, quer amplo e térso
Em vão não é que eu digo ao verso: "Fala!"
E ele fala-me sempre, porque é verso.