Charneca em Flor/As minhas mãos
Aparência
As minhas mãos
As minhas mãos magritas, afiladas,
Tão brancas como a água da nascente,
Lembram pálidas rosas entornadas
Dum regaço de Infanta do Oriente.
Mãos de ninfa, de fada, de vidente,
Pobrezinhas em sêdas enroladas,
Virgens mortas em luz amortalhadas
Pelas próprias mãos de oiro do sol-poente.
Magras e brancas... Foram assim feitas...
Mãos de engeitada porque tu me engeitas...
Tão dôces que elas são! Tão a meu gôsto!
Pra que as quero eu — Deus! — P'ra que as quero eu?!
Ó minhas mãos, aonde está o ceu?
... Aonde estão as linhas do teu rôsto?