Diálogos das grandezas do Brasil/Aditamento
Bento Dias de Santiago, o opulento christão-novo, contratador dos dizimos que pertenciam á fazenda real nas capitanias da Bahia de Todos os Santos, Pernambuco e Itamaracá, obteve por um alvará ou provisão (sem data por incompleta na cópia existente no Instituto Historico, Conselho Ultramarino — Registos, II, fls. 66 v., mas provavelmente de fins de 1582), permissão para nomear eserivães que assistissem á saída dos assucares; outro alvará, esse de 25 de Janeiro de 1583, determinou que no Brasil não fossem despachados assucares sem certidão dos feitores do contratador, seguido de carta régia da mesma data a Manuel Telles Barreto, para que os escrivães das feitorias e alfandegas não passassem despachos de assucares sem que as partes lhes apresentassem certidão dos ditos feitores de como tinham sido pagos os direitos, ibidem, fls. 77-79.
Que Ambrosio Fernandes Brandão foi, como previu Capistrato de Abreu, um dos feitores ou escrivães de Bento Dias de Santiago, — veio confirmar a denunciação do Padre Francisco Pinto Doutel, vigario de São Lourenço, perante a mesa do Santo Officio, na Bahia, a 8 de Outubro de 1591, em que como tal foi qualificado. Outro foi Nuno Alvares, incluido na mesma denunciação. Eram ambos christãos-novos, ambos accusados de frequentarem a esnoga de Camaragibe, blasphemos e hereges, que trabalhavam e faziam trabalhar aos domingos e dias santos. Eram, portanto, correligionarios, exerciam cargos identicos e deviam ser amigos.
Assim, se Ambrosio Fernandes Brandão é o interlocutor Brandonio, como está admittido, o intelligente leitor destas linhas será levado a concluir sem maior esforço que o outro interlocutor, Alviano, bem póde ser Nuno Alvares.
— Conf. Primeira Visitação do Santo Officio ás Partes do Brasil — Denunciações da Bahia, 518-520, São Paulo, Homenagem de Paulo Prado, 1925.
R. G.