Dizei, queridos amores

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Continua o poeta em lizongear as sangrias de sua esposa.
por Gregório de Matos
Poema agrupado posteriormente e publicado em Crônica do Viver Baiano SeiscentistaOs Homens BonsMaria

1Dizei, queridos amores,
dizei-me, sangrada estais?
Jesus! porque derramais
rubis de tantos valores?
Valha-me Deus! ai que dores
sinto no meu coração;
vós sangradinha, e eu são!
Se tenho a vida ferida,
não sei, como tenho vida,
tendo vós tanta aflição.

2Dizei-me, quem vos sangrou,
Mana do meu coração?
qual foi a atrevida mão,
que assim vos martirizou?
não sei, se vos magoou.
Porém romper um cristal
ninguém pode fazer tal.
Sem penoso detrimento,
que inda que vá muito atento,
sempre lhe há de fazer mal.