Em direção à paz/3
DECLARAÇÃO DA CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES
UNIDAS SOBRE ALIMENTAÇÃO E AGRICULTURA
Esta Conferência, convocada no meio da maior guerra que jamais
se conheceu, e com plena confiança na vitória, ponderou os problemas
mundiais de alimentação e agricultura, e declara a sua convicção de
que é possível conseguir-se o objetivo da libertação da penúria de
alimentação conveniente e adequada para a saúde e robustez de todos
os povos.
1. A primeira tarefa é acabar de vencer a guerra e libertar milhões de pessoas da tirania da fome. Durante o período desastroso de dificuldades a seguir à guerra, o mundo só poderá ser libertado da fome por meio de esforços combinados e urgentes para economizar no consumo, aumentar os abastecimentos e distribuí-los da maneira mais vantajosa.
2. Depois, devemos igualmente combinar os nossos esforços para vencer e manter a nossa libertação do temor e da necessidade. Não poderá conseguir-se uma sem a outra.
3. Nunca houve alimentação suficiente para a saúde de tôda a gente. Não o justificam nem a ignorância nem o rigor da natureza. A produção de víveres deve ser desenvolvida em grande escala, e nós possuimos hoje os meios pelos quais isto pode vir a fazer-se. Mas requer imaginação e força de vontade da parte de cada Govêrno e de cada povo para se usarem tais conhecimentos.
4. Pobreza é a primeira causa da fome ou de alimentação deficiente. É inútil produzir mais gêneros alimentícios, se os homens e as nações não proporcionarem mercados que os absorvam. Tem que haver uma expansão de toda a economia do mundo, para dar o poder de aquisição suficiente para manter uma alimentação adequada para todos. Com toda a gente empregada em todos os países, com a produção industrial aumentada, com a ausência de exploração, com uma corrente crescente de comércio dentro de país e entre os vários países, com uma ordenada orientação de empregos de capital e sistemas monetários, e com um estável equilíbrio econômico, tanto interno como internacional, os gêneros alimentícios que podem produzir-se poderão pôr-se ao alcance de tôda a gente.
5. É a primeira responsabilidade de cada nação ver que o seu próprio povo tenha o alimento de que necessita para a vida e para a saúde. É a determinação nacional que tem que decidir sobre as medidas para tal fim; mas cada nação só poderá atingir esse fim se tôdas trabalharem de acordo.
6. Recomendamos aos nossos Governos e autoridades respectivas o estudo e adoção das conclusões e recomendações desta Conferência, e que solicitem a discussão prèviamente concertada dos problemas relacionados que caiam fora da alçada desta Conferência.
7. O primeiro passo para o povo se libertar da carência de alimentos não deve depender da solução dos outros problemas. Todo o progresso feito num setor fortalecerá e facilitará o avanço nos outros. O trabalho já começado deve continuar; e, logo que se vencer a guerra, poderão tomar-se providências definitivas. Devemos preparar-nos agora.
Este trabalho está em domínio público nos Estados Unidos por tratar-se de uma obra do Governo dos Estados Unidos (veja 17 U.S.C. 105).