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Em direção à paz/5

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A CONFERÊNCIA DE MOSCOU

 

 

COMUNICADO ANGLO-SOVIÉTICO-AMERICANO

 
1° de novembro de 1943
 
A Conferência dos Ministros das Relações Exteriores, Sr. Cordell Hull dos Estados Unidos da América, Sr. Anthony Eden do Reino Unido, e Sr. V. M. Molotov da União Soviética, teve lugar de 19 a 30 de outubro de 1943, realizando-se doze reuniões.
 

[No original segue-se aquí uma lista das pessoas que, além dos Ministros de Relações Exteriores, tomaram parte na Conferência.]

 

O programa de trabalhos abrangia todos os assuntos apresentados pelos três Governos para discussão. Alguns dêstes assuntos requeriam decisões finais, que foram tomadas. Noutros assuntos, após discussão, tomaram-se decisões de princípio, sendo tais questões submetidas a comissões organizadas especialmente para examiná-las detalhadamente, ou reservadas para serem resolvidas por vias diplomáticas. Outras ainda foram solucionadas por meio de uma troca de impressões.

Tem existido sempre a mais estreita cooperação entre os Governos dos Estados Unidos, do Reino Unido e da União Soviética, em todos os assuntos que dizem respeito ao esfôrço comum da guerra. Mas é esta a primeira vez que os Ministros das Relações Exteriores dos três Governos conseguiram reunir-se em conferência.

Em primeiro lugar, houve discussões francas e completas sôbre as medidas a tomar para abreviar a guerra contra a Alemanha e seus satélites na Europa. Aproveitou-se a presença de conselheiros militares, representando os respectivos Chefes de Estado Maior, para se discutirem operações militares definitivas, a respeito das quais se tinham tomado decisões que se acham em via de preparação, e para criar uma base de cooperação mais íntima no futuro entre os três países.

Imediatamente depois da decisão de apressar o fim da guerra, vem, em ordem de importância, o reconhecimento unânime pelos três Governos de que era essencial, para seus próprios interesses nacionais e no interesse de todas as nações pacíficas, continuar a presente estreita colaboração e cooperação na conduta da guerra pelo período a seguir ao fim das hostilidades, e que só assim poderia manter-se a paz e fomentar-se o bem-estar político, econômico e social dos seus povos.

Esta convicção foi expressa na declaração, a que o Governo Chinês aderiu durante a conferência, e foi assinada pelos três Ministros das Relações Exteriores e pelo Embaixador chinês em Moscou, em nome dos seus Governos. Esta declaração, tornada pública hoje, provê uma colaboração aínda mais íntima no prosseguimento da guerra e em todos os assuntos que digam respeito à rendição e desarmamento dos inimigos, com os quais os quatro países se encontram respectivamente em guerra; e estabelece os princípios, sôbre os quais os quatro Governos concordam que deveria basear-se um vasto sistema de cooperação e segurança internacionais, havendo uma cláusula segundo a qual todas as nações, grandes ou pequenas, deverão ser incluídas neste sistema.

A Conferência convém em estabelecer meios para assegurar uma cooperação mais íntima entre os três Governos, no exame das questões européias que forem surgindo à medida que a guerra progredir. Para tal fim a Conferência decidiu instalar em Londres uma Comissão Consultiva Européia, para estudar estas questões e fazer recomendações conjuntas aos três Governos, dispondo-se, que continuem, quando necessário, consultas tripartidas de representantes dos três Governos, nas capitais respectivas, através das vias diplomáticas.

A Conferência assentou também em estabelecer uma Junta Consultiva para assuntos referentes á Itália, que deverá ser formada, em primeira instância, de representantes dos três Governos e do Comitê Francês de Libertação Nacional, incluindo uma disposição para juntar a esta comissão representantes da Grécia e da Iugoslávia, em vista do interêsse especial derivado das aggressões da Itália fascista contra os seus territórios durante a guerra atual. Êste conselho ocupar-se-há das questões diárias que não sejam operações militares, e fará as recomendações necessárias para coordenar o plano de ação dos Aliados, no que diz respeito à Itália.

Os três Ministros das Relações Exteriores acharam oportuno reafirmar, por uma declaração que hoje se faz pública, a atitude dos seus Governos em favor da restauração da democracia na Itália.

Declararam os três Ministros das Relações Exteriores ser intenção dos seus Governos restaurar a independência da Áustria, prevenindo-a de que se teriam em conta, para a liquidação final, os esforços que a Áustria empregar para a sua própria libertação. Esta declaração é tornada pública hoje.

Os Ministros das Relações Exteriores emitiram na Conferência uma declaração do Presidente Roosevelt, do Primeiro Ministro Churchill e do Premier Stalin, contendo uma admoestação solene de que, no momento de se conceder algum armistício a um Governo alemão, todos os oficiais, soldados ou membros do partido nazista, que tenham tido qualquer cumplicidade nas atrocidades e execuções nos países invadidos pelas forças alemãs, serão reconduzidos aos países onde êsses abomináveis crimes foram perpetrados, para seram condenados e punidos segundo as leis dêsses mesmos países.

Na atmosfera de mútua confiança e entendimento que caracterizou todo o trabalho da Conferência, ocupou-se esta de muitas outras questões importantes, não só de natureza corrente, mas sôbre o tratamento a dar à Alemanha hitlerista a aos seus satélites, sôbre cooperação econômica e sobre os meios de assegurar uma paz geral.

Este trabalho está em domínio público nos Estados Unidos por tratar-se de uma obra do Governo dos Estados Unidos (veja 17 U.S.C. 105).