Eu (Augusto dos Anjos, 1912)/Ultimo Crédo

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Eu (1912)
por Augusto dos Anjos
Ultimo Credo
Edição de referência: Rio de Janeiro: [s. n.], 1912. página 44.

Ultimo Crédo


Como ama o homem adúltero o adulterio
E o ebrio a garrafa toxica de rhum,
Amo o coveiro — este ladrão commum
Que arrasta a gente para o cemiterio!

E’ o transcendentalissimo mysterio!
E’ o nous, é o pneuma, é o ego sum qui sum,
E’ a morte, é esse damnado numero Um
Que matou Christo e que matou Tiberio!

Creio, como o philósopho mais crente,
Na generalidade decrescente
Com que a substancia cósmica evolúe.

Creio, perante a evolução immensa,
Que o homem universal de amanhã vença
O homem particular que eu hontem fui!