Fabulas de Esopo/A Aguia e a Raposa

Wikisource, a biblioteca livre
< Fabulas de Esopo
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
A Aguia e a Raposa


FABULA XXII.


A Aguia e a Raposa.


Tinha a Aguia filhos, e para os cevar levou nas unhas dous rapozinhos tomados de huma lousa. A mãe, que o soube, lhe foi rogar que lhe désse seus filhos; mas a Aguia lá do alto zombou dos rogos, e disse que não deixaria de lhos comer. A raposa magoada começou logo a cercar a arvore, onde a Aguia tinha seu ninho, de muitas palhas, tojos, páos seccos, e arranjou-os de tal maneira, que pondo-lhe o fogo, fez huma fogueira muito grande. Vio-se a Aguia atribulada do fumo e labareda, e com o receio que ardesse a arvore toda, lauçou-lhe os filhos sem lhes tocar, e quasi ficou chamoscada pela industria da Raposa.


MORALIDADE.


Posto que algum presuma ser Aguia na força, e ter estado avantajado dos outros, nem por isso affronte, nem aggrave o fraco e pequeno, que não possa vingar-se do maior. Deos ajuda os humildes, e resiste aos soberbos; e quiz que o Leão temesse ao Gallo, e o Rato podesse inquietar o Elefante.