Fabulas de Esopo/A Bogia e a Rapoza

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
A Bogia e a Rapoza


A Bogia e a Rapoza.

Rogava a Bogia á Rapoza que copiasse a metade do seu rabo, e lhe désse, dizendo: Bem vês que o teu rabo arroja e varre a terra, e he defeito por demasiado; o que delle sobeja me prestar a mim, e cobrir-me estas partes que vergonhosamente trago descobertas. Antes quero que arroje, disse a Rapoza, e varra o chão, e me seja pesado, que aproveitares-te tu delle. Por isso não to darei, nem quero que cousa minha te preste. E assim ficou sem elle a Bogia.

MORALIDADE.

Semelhantes são a esta Rapoza todos os invejosos, que deixarão de escarrar, se souberem que presta o seu cuspinho, e todos os avarentos, que do muito que em sua casa sobeja não querem partir com o pobre que lhes mostra sua necessidade, como aqui a Bogia mostra á Rapoza.