Fabulas de Esopo/A Rapoza e as Uvas

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
A Rapoza e as Uvas


FABULA XLVIII.


A Rapoza e as Uvas.

Chegava a Rapoza a huma pareira, vio-a carregada de uvas maduras e formosas e cobiçou-as. Começou a fazer suas diligencias para subir; porém como estavão altas e ingreme a subida, por muito que fez nao pôde trepar; pelo que disse: Estão as uvas em agraço, e desbotar-me-hão os dentes, não quero colhelas verdes, que também sou pouco amiga dellas. E dito isto, foi-se.

MORALIDADE.

Parte he de homem avisado, as cousas que não póde alcançar, mostrar que não as deseja; que quem encobre suas faltas e desgostos, não dá gosto a quem lhe quer mal, nem desgosto a quem lhe quer bem; e que seja isto verdade em todas as cousas, tem mais lugar nos casamentos, que desejalos sem os haver, he pouquidade, e sizo mostrar o homem que não lhe lembrão, ainda que muito os cobice.