Fabulas de Esopo/As Pombas e o Falcão

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
As Pombas e o Falcão


FABULA XXXI.


As Pombas e o Falcão.

Vendo-se as Pombas perseguidas do Milhano, que as maltratava de quando em quando, e buscando como poderião livrar-se, quizerão valer-se do Falcão. Tomou este o cargo de as defender; mas começou a tratalas muito peior, matando-as e comendo-as sem piedade. Vendo-se sem remedio, dizião: Com razão padecemos, pois não nos contentando do que tinhamos, soubemos tão mal escolher cousa que tanto nos importava.

MORALIDADE.

Direitamente parece que falla esta Fabula com os principes christãos, que tendo competencias entre si, muitas vezes chamárão em seu favor Mouros ou Turcos, do que depois se arrependêrão, como estas Pombas, e ficárão na sujeição que hoje Egypto padece e outras muitas provincias, em castigo de seus odios, invejas, scismas, abominações e outros peccados, causas de discordias, e por conseguinte de total destruicão.