Fabulas de Esopo/O Parto da Terra

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Fabulas de Esopo por Esopo, traduzido por Manuel Mendes da Vidigueira
O Parto da Terra


FABULA XXXII.


O Parto da Terra.

Em certo tempo começou a Terra a dar urros e inchar, dizendo que queria parir. Andava a gente mui pasmada e cheia de temor, e receosa que nascesse algum monstro, proporcionado com a mãe, que podesse destruir o mundo todo. Chegado o tempo do parto, estando todos juntos suspensos, pario a Terra hum Morganho, e ficou sendo riso o que antes era medo.


MORALIDADE.


Esta Fabula explica Horacio dos que promettem de si cousas grandes, e depois não fazem cousa alguma, como são certos fanfarrões, que se jactão de valentes, e a poder de juramentos o querem parecer. Outros que gabão suas letras e livros que hão de compôr, mas quando vem a joeirar-se a valentia de huns e a sciencia dos outros, tudo he joio; pelo que com razão fica quem os conhece rindo e escarnecendo delles, como na Fabula se diz que os homens fizerão do parto da Terra.