Historia das invenções (4ª edição)/XII
CAPITULO XII
O Nariz
NO outro dia dona Benta falou do Nariz.
— Pobre nariz Dos orgãos dos sentidos é o mais atrasado, o mais feio, o menos util. Presta bem poucos serviços ao homem, comparado com os orgãos dos outros sentidos. E se por acaso fica inutil quando um resfriado nos "deixa sem nariz", nem sequer nos damos conta disso. O nariz, coitado, é um pobre diabo que temos na cara e cuja função é cheirar.
— E tambem cabide de oculos, observou a menina.
— Sim. O coitado serve de cavalo para os oculos, uma invençãozinha de beneficio não para ele, mas para os olhos. O nariz humano dia a dia perde de importancia. Nos animais tem uma função muito mais seria. E՚ o orgão do faro. Não ha animalzinho das florestas que não possua um faro maravilhoso. De longe percebem o inimigo ou a caça de que se alimentam. Se lhes cortassemos o nariz ficavam aleijados, incapacitados de bem se defenderem. Mas nós, com ou sem nariz, viveriamos da mesma maneira. Não nos faz grande falta.
Infeliz em tudo, o nariz. Os poetas abrem-se em grandes elogios aos olhos, á boca, ás mãos. Ao nariz, nada. Nenhum canta o nariz. Nenhum põe o nariz em sonetos. Só os medicos lidam com ele, porque o nariz vive doente com os corizas, os resfriados — pingando, fungando...
E não houve invenção nenhuma para aumentar o poder do nariz. O homem jamais cuidou dele. E՚ a Gata Borralheira da cara. Mas Gata antes de ir ao baile. O principe dessa Cinderela está custando a aparecer...
Nesse momento Emilia espirrou e puxou o seu lencinho.
Todos riram-se.
Esta obra entrou em domínio público pela lei 9610 de 1998, Título III, Art. 41.
