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Homenagem a Luiz de Camões

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Homenagem
A
Luiz de Camões
por
D. Antonia Pusich
ornamento tipográficoornamento tipográfico
Lisboa
Typographia Coelho & Irmão = Rua de S. Bento, 127-129
1880

Homenagem
A
Luiz de Camões
por
D. Antonia Pusich

Vereis amor da patria, não movido
De premio vil; mas alto, e quasi eterno:
Por um pregão do ninho meu paterno.
Ouvi; vereis o nome engrandecido
D'aquelles de quem sois senhor superno:
E julgareis qual he mais excellente
Se ser do mundo Rei, se de tal gente.

Camões — canto i — x.a

Lisboa
Typographia Coelho & Irmão = Rua de S. Bento, 127-129
1880

ilustração de busto de Luiz de Camões

Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

Camões — canto i.

Homenagem a Camões

«Que se espalhe e se cante no universo,
Se tão sublime preço cabe em verso.»

Camões Canto 1.o

Eil-o erguido! o faustoso monumento
Que os vindouros e o tempo hão de acatar!
Triumphou o grandioso pensamento
Que a patria poude alfim desaffrontar.

Salve excelso Camões! na eternidade
Onde exultas de gloria, e immensa luz,
Onde eclipse não ha, nem tempestade
Tens ditosa, immortal vida sem cruz,

De teus lumes um raio á terra envia,
A patria que foi tu'aos filhos seus!
Portugal te consagra n'este dia
A homenagem devida aos manes teus!

Sem te erguerem padrões, olvido ingente,
Dormem seculos tres povos e reis!
Mas... Fernando, e Luiz [1], co' a lusa gente
Cumprem do alto dever sagradas leis!

De seu filho adorado não podia
A patria o nome, e as honras esquecer!
As nações tem a sua lethargia...
Mas os brios jamais hão-de morrer!

Em teu canto divino eternisaste
De terrenas acções gloria e louvor,
Dos heroes que de louros coroaste,
Grande assumpto!... maior inda o cantor!....

Dá cobiça [2] de fama aos feitos alma
A ti foi patrio amor co' a luz dos ceos!...
De martyr, e de heroe ganhaste a palma
Laureis, honras e amor!... dignos tropheos,

E verás Portugal pagando o preito
Devido ao grande heroe dos nautas rei;
Que aos perigos expondo o egregio peito,
Ao fero Adamastor impoz a lei!

Que viu nascer o sol em berço d'oiro,
E do Oriente, à patria, as chaves deu!
Que inspirando Camões, melhor thesoiro,
Mais subido valor offereceu!

Padrão sublime, honroso monumento
Do Gama illustre as cinzas guardará!
A patria immortalise o sentimento
Pois a fama do heroe eterna é já.

E pudeste, nação altiva e forte
Algum tempo olvidar teu proprio ser,
Despertas! o lethargo iguala a morte!
Contempla, oh! quanto è bello o alvorecer!

Ouviste alto clamor, supremo brado
Dizer a Portugal ― reparação!
E o justo enthusiasmo redobrado d
Veloz passa da mente ao coração!

Vidigueira briosa[3] que soubeste,
Os memorandos restos conservar;
C'roa déste de louro e de cypreste
A quem deu brilho à terra, e leis ao mar!

Salve oh! Gama! guiou-te ao oriente
A estrella do teu sonho nacional! nol
O universo abrangendo esplandecente,
Eil-a agora pharol septentrional!

Mostraste à Europa um mundo antes não visto!
Domaste os mares, invocando os ceos!
Levaste ao povo inculto a lei de Christo,
Trouxeste á patria innumeros tropheos!

A heroes marcaste o trilho, e mais que humanos
Trocando as vidas pela gloria os ves!
Dos evos não soffrendo horriveis damnos
Renome dando ao nome portugues.

Sobre escolhos firmar podeste um templo!
Respeitam-o terriveis escarceus!
E depois, que aos heroes legaste o exemplo,
Ás alturas voaste! à gloria, aos ceus!

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Taes prodigios Camões ao mundo offrece!
Une à patria os heroes, e o nome seu!
De sempiterna luz, vive, esplandece.
Quem na voz de Camões se engrandeceu!

Camões! vate sublime, o inclito Gama,
Em teus cantos eterno inda reluz!
Déste ao merito altares, culto, fama!
Sê meu phanal! ao templo me conduz!

Na soidão que busquei, saudosa, triste,
Junto á dôr[4] sente o oppresso coração,
O amor que do christão no peito existe,
Que se expressa na voz da gratidão!

Os seculos venceste, oh! genio immenso.
Das mais longinquas, vastas regiões,
Em tributo as nações dão loiro incenso,
Homenagem ao nome de Camões.

Eu dou-te uma oração!... d'essas alturas,
Onde os voos ergueste Aguia veloz,
Cisne, ou astro, onde vives e fulguras
Dá luz ȧs trevas, da me força á voz!

O teu nome cantar hoje pertendo,
E o debil peito nem resiste à dôr!
Á virtude homenagem offrecendo,
Pintar quero as grandezas do Senhor!

Habitando inda a terra, este ermo triste,
Sondaste a eternidade, e mais que Orpheu,
Do remoto porvir arcanos viste,
E o laurel destinado ao nome teu.[5]

Camões vate, e guerreiro se a aurea lyra
Os sons quizesse à terra conferir,
Saudoso o Tejo, que por ti suspira,
Seu gyro suspendera p'ra te ouvir!

Cantaste ao som das procellas
As glorias de Portugal,
Disseste ao sol, e ás estrellas,
Que uma luz à sua igual
Tem de heroes as acções bellas,
D'alta fama perennal!

Cantaste dos lusitanos,
Que inda o são, victorias mil,
Desde os godos e romanos,
E depois do mouro hostil,
E dos lusos soberanos
Cantaste o ardor varonil:

Que d'Africa avassalaram
Terras tantas com saber,
E com valor alcançaram
Seus dominios estender,
Descobrindo subjeitaram
Novo mundo ao seu poder!

Mas hoje lamentarias
Um progresso ardente e vão!
Quantas colonias verias
Onde não fulge o pendão,
Que aos povos e monarchias
Deu riqueza e galardão!

Por nova estrada avançando
Tornaras a ver Suez,
E o mar Erithreu passando
Distante o Sinay lá ves,
Meca, o nome recordando
Do teu solo portugues.

Os vergeis mais perfumados,
A espessura de Ceilão,
Sincapura e os festejados
Lindos jardins de Pinão;
No commercio exercitados
Os povos sem instrucção!

Viras povo sem cultura
Succumbindo ao jugo inglez,
Foi tão outro na ventura
Sob o mando portuguez!
Quadro de tanta amargura
Não vejamos outra vez!

Suspenderias a lyra
Que o ceu de estrellas c'rôou,
Sentindo que inda respira
Um ecco, e os ais acordou
Na Gruta, que outr'ora ouvira
Teu canto que a eternisou!

E soltaras um gemido,
Em vez de etherea canção,
Vendo o teu Jau esquecido
No glorioso padrão,
Que ao teu nome esclarecido
Erige a lusa nação!...

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Que estampido ao longe sôa!!...
É o ribombar do canhão!
Já do Tejo ás margens vôa
Povo immenso em união!
De Camões o nome echôa.
Do universo na extensão!...

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Deslumbrada co’ a luz não vi o espaço
Na amplidão que divide a terra e o ceu!
Infindo é o sentimento, eterno o laço
Que ligou Portugal ao nome teu!

Nem já seguir teus vôos posso agora,
Na mente em sombras esvaece a luzl
De quem soffrendo aguarda a eterna aurora
É culto uma oração aos pés da Cruz,

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Silencio!... a artilheria o espaço atrôa!
Oh! salve honrosa luz de Portugal!
O teu nome alta fama no orbe entôa,
Memória tens, eterna universal!

Não morreste Camões! vives na historia,
Nos Lusiadas teus de immortal fama!
Nos fieis corações, e na memória
De quem a patria tua não desama,
Do tempo alcanças perennal victoria,
Na mente que de ethereo ardor se inflama,
Do mais nobre sentir no honroso empenho.
Seguindo em vôos teu celeste engenho!

Não morreste Camões! tu'aurea lyra
Doaste aos lusos teus, irmãos queridos.
Em seus cantos que o mundo attento admira,
Teus sons divinos vivem repetidos!
É tu'esta saudade que suspira;
Que exhalaste nos últimos gemidos!
A que por esta patria então sentiste
Na patria com teu nome eterna existe!

No grandioso quadro do universo,
As vindoiras idades meditando,
O sublime padrão escripto em verso,
Contemplem, qual pharol que as vae salvando,
Do escuro e fundo abysmo, onde submerso
Jaz o mundo sem luz abrolhos dando!
No clarim hão de ouvir de eterna fama,
Portugal e Camões! — o Oriente e o Gama!

Lisboa 10 de junho de 1880.

D. Antonia Pusich

Não só a historia acclama os feitos do excellente
Que, as quinas arvorando, a lua supplantou:
Diz Africa, João, Manuel diz o Oriente:
Conquistas de alem mar a fama eternisou!

Descobre ousado Henrique, atravessando os mares
Occultas regiões; passou o cabo Nam:
Da China e do Brazil sonhou ardentes ares,
E proseguindo a empreza, eis surge o nobre Cam!

Depois Zarco e Tristão, das ilhas a princeza,
Que as aguas tem por solio, e as nuvens por docel;:
E do equador além, Cabral completa a empresa.
Mostrando um novo imperio ao reino seu fiel!

A auctora no seu canto saudoso á memoria do senhor Dom Pedro V

ornamento tipográficoornamento tipográfico
ornamento tipográfico Notas ornamento tipográfico
ornamento tipográfico

(1) Sua Magestade o Senhor Dom Fernando em sua regencia honrou a memoria de Camões destinando a seus restos mortaes um jazigo real.

Em 29 de outubro de 1855, anniversario de seu faustissimo nascimento, dissemos, no final de uma poesia que dedicámos ao mesmo Augusto Senhor, em memoria de seus actos exercidos em beneficio d'este paiz; o seguinte:

E mais alto louvor inda te cabe
Na historia das nações:
Hade teu nome honrar, quem honrar sabe
As cinzas de Camões.»

E este principe foi, com Seu Augusto filho o Senhor Dom Luiz, segurando um dos cordões da cortina que velava a Estatua de Luiz de Camões, e a patentiou ao publico.

No Palacio da Penna em Cintra, o Senhor Dom Fernando recorda em brilhante quadro das mais vivas cores as glorias de Portugal, e do Gama, cantadas por Camões nos immortaes Luziadas.

Sua Magestade o Senhor D. Luiz assentou a pedra fundamental do Monumento, em 28 de junho de 1862 — principio do seu reinado; decretou a inauguração em 2 de outubro de 1867 = (referendou o decreto o Ex.mo João Baptista da Silva Ferrão de Carvalho Martens, Ministro do Reino). Realisou-se a inauguração em 9 do referido mez e anno, sendo presidente do conselho o Ex. Joaquim Antonio de Aguiar.

Lembramos algumas palavras do eloquente discurso de Sua Magestade, as quaes revelam os elevados sentimentos de seu magnanimo coração. Eil-as:

«Para lourar Luiz de Camões basta escutar a fama; é a voz dos seculos quem inspira o seu elogio. Esse monumento consagraram-o já os nossos maiores, por que nunca a consciencia do povo esquece os nomes dos seus homens illustres.

«e a patria por um momento pareceu olvidal-o, prantiava ella então desolada as desgraças que a opprimiam!...

«O Nome do grande poeta, inscripto no elevado pedestal da fama ao lado dos primeiros poetas do mundo, descança seguro de que nunca será esquecido. A opinião creou-lhe um desses nomes soberanos, cujo imperio não perece, como perecem os imperios que só a força sustenta.

«Os grandes espiritos são a sós sufficientes a si mesmos. E por isso que levantando no bronze um monumento a Luiz de Camões, não elevamos mais o seu nome; vinculamos-lhe sim, o reconhecimento e a admiração da patria.»

(2)

Oh'gloria de mandar, oh! va cobiça
D'essa vaidade a que chamamos fama.»

(Camões)

(3) Em 1855, por occasião da aclamação do Senhor Dom Pedro V, cumprindo uma honrosa missão, apresentamos a Sua Magestade um requerimento assignado pelo sr. Francisco Raphael da Paz Furtado, supplicando, em nome dos habitantes da Vidigueira, um monumento a Dom Vasco da Gama, de quem, humilde sepultura encerrou os preciosos restos mortaes, n'um Presbiterio na Vidigueira.

Recordava o honrado portuguez as honras que Inglaterra consagrou aos seus nautas distinctos Newton e Nelson; e supplicava as devidas á memoria gloriosa do grande nauta portuguez. Sua Magestade recebeu.com distincto aggrado e benevola expressão a supplica patriotica; e nós a publicamos em o nosso Jornal — A Beneficencia, (o segundo que fundámos e redigimos em Portugal.) Está em o n.o 40 — da 2.a Serie 1.o de outubro de 1855= aonde tambem publicámos o Manifesto que dirigimos então ao Mesmo Soberano.

(4) Do golpe mais profundo a dor mais forte! = que me tortura o coração maternal, na morte de uma filha adorada, anjo de bondade que ao ceu voou levando a palma do martyrio! = registremos nesta dolorosa pagina o seu nome gravado no mais intimo do meu coração, indelevel na minha memoria! D. Anna Izabel Philomena Pusich de Mello, fallecida em 23 de dezembro de 1879, ás 4 horas e meia da madrugada! = do dia mais fatal da minha existencia!...

Até n'este transe doloroso me lembras immortal Camões, quando lamentas o dia em que nasceste! =

«Oh! gente temerosa não te espantes,
Que este dia deitou ao mundo a vida,
Mais desgraçada que jamais se viu.

Será por isso que se festeja o anniversario = ou tricentenario da sua morte?! = Foi esta sim, o resgate do seu captiveiro; o dia mais feliz, de sua eternal gloria!... de uma vida sem morte,

Sem nuvens, sem procellas, que não se erguem
Lá onde o Eterno vive!=

(5)

«Aquelle cuja Lyra Senorosa
Será mais afamado que ditoso.»

(Camões)

Concluzão

As grandes adversidades fizeram Portugal menos culpado no cumprimento do seu dever para com a memoria de Camões.

Dois annos, quiçá, depois da morte do inimitavel cantor das glorias da patria, caiu esta presa das garras do Leão de Castella! Sessenta annos de captiveiro, foram-lhe de morte! Ao nobre impulso patriotico de 1640 despertou — reagiu — desaffrontou-se!

Então, coroando o grande triumpho, seria sublime a inauguração de um monumento a Camões, realisando-se o pensamento de Manuel de Faria e Sousa, illustre commentador dos Lusiadas, que mandou fazer em Roma uma estatua de Luiz de Camões, para ser collocada sobre o mausoleu. (1632 a 1642)

— Em 1817, Joaquim de Lemos Seixas Castello Branco, provedor da junta do Monte-Pio litterario, e Antonio Maria do Canto procurador geral da mesma junta, lembraram que se promovesse uma subscripção a fim de se erigir um monumento a Camões: falharam todos estes projectos com a tempestade politica de 1820, e apenas por memoria resta uma missa de Requiem, do maestro Bomtempo.

― Em 1836, o illustre vate, sr. Antonio Feleciano de Castilho, na sociedade dos amigos das lettras tomou a iniciativa de uma proposta para serem procurados os restos do grande poela na egreja de Santa Anna e se trasladassem para um campo que receberia o nome de Elizio, e onde se levantaria um mausoleu; e em 1849, em uma nota do seu drama Camões, renovou a proposta mas sem resultado!

― Em 1854, o sr. Ayres de Sá Nogueira, como vereador da Camara Municipal de Lisboa, propoz que se levantasse um monumento a Luiz de Camões em Belem. Por esse tempo nomeou o governo uma commissão encarregada de procurar a sepultura do poeta na egreja de Santa Anna.

— Em 1857, o Gremio Portuguez do Rio de Janeiro publicou um programa para se erguer uma estatua de Camões. Tambem ficou sem effeito.

— Em 1858, o sr. visconde de Villa Maior sendo presidente da Camara Municipal de Lisboa, renovou a iniciativa do campo Elizio, apresentada pelo sr. Castillo, lembrando que se poderia votar uma verba de 500$000 réis a 1:000$000 réis, para premiar o artista que apresentasse a melhor estatua de algum dos nossos personagens historicos; acudiu logo o sr. Castilho ienibrando que a primeira estatua fosse a de Camões.

— Em fins de 1859, o artista eminente que modellou a estatua do immortal epico, lembrou que podia ser collocada na praça que resultou das demolições dos cazebres do Loureto, Alguns amigos do sr. Bastos, habil escultor, e admiradores das glorias nacionaes, empentaram-se, e conseguiram que se constituisse uma commissão, que tomando conhecimento do projecto, se installou em 6 de maio, de 1860, e logo em 16 d'esse mez for patente ao publico o modelo do monumento em uma das salas dos paços do conselho, aonde o fôra ver Sua Magestade El-Rei o Senhor Dom Pedro V, em 16 de junho de 1860.

Em 22 de junho do mesmo anno, publicava a commissão no Jornal do Commercio uma circular, abrindo subscripção para o monumento.

Foi com enthusiasmo acolhida a idéa em Portugal e no Brazil; pelos portuguezes, e por muitos subditos brazileiros, distinguindo-se o Imperador Senhor Dom Pedro II, concedendo-se para auxilio 16:000$000 réis, quantia em grande parte perdida pela falencia da casa Souto e Comp. Acudiram porém os srs. Fontes Pereira de Mello, e conde de Castro, representando o governo portuguez: reparando-se o prejuizo, e o projecto salvou-se do escolho em que esteve prestes a naufragar.

A commissão central promotora da subscripção para o monumento a Luiz de Camões, foi composta pelos cavalheiros seguintes senhores:— Duque de Saldanha, presidente. ― Francisco de Paula Sant'Iago, vice presidente. ― Joaquim Pedro de Sousa, secretario. ― Luiz Tiburcio Ferreira, vice secrétario. — Carlos Kruz, thesoureiro. — Abbade de Castro Antonio Feleciano de Castilho ― Antonio José Pereira Serzedello Junior ― Antonio da Silva Tulio — Conde de Farrobo ― Conde de Thomar, Francisco Lourenço da Fonseca ― José Maria Eugenio de Almeida — José Pedro Collares Junior ― José da Silva Mendes Leal ― Luiz de Almeida Albuquerque — Marquez de Sousa Holstein. D. Pedro da Costa de Sousa Macedo ― Visconde da Condeixa ― Visconde de Menezes ― Visconde de Porto Covo ― Visconde de Valmor.

Os poetas mais distinctos d'este seculo, cantaram louvores a Luiz de Camões, Garrett, Castilho, Vale, Mendes Leal, Thomaz Ribeiro, Palmeirim, Silvestre Ribeiro e muitos outros portuguezes e estrangeiros, em prosa e verso offerecendo homenagem ao excelso principe dos poetas, remindo o passado honram o presente, illuminam o porvir!

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Nem só d'Africa, ou Azia, e America poderam
Nas plagas esparger das armas o esplendor!
Aqui a Hespanha, a Italia e a França já souberam
Que o luso povo é heroe nos brios e valor.

Nem só teve os laureis das lides afanosas,
Nas armas, e nas lettras, foi grande Portugal;
Das artes ostentando as obras primorosas,
Se eleva triumphante a estatua sem rival

A foz do Tejo entrae! vereis floridas margens
D'altiva capital o solo alcatifar;
E Cintra erguida além, por entre as lindas vargens,
Aos feilos gloriosos memoria levantar.

A auctora

  1. Sua Magestade o Senhor Dom Fernando em sua regencia honrou a memoria de Camões destinando a seus restos mortaes um jazigo real.


    Em 29 de outubro de 1855, anniversario de seu faustissimo nascimento, dissemos, no final de uma poesia que dedicámos ao mesmo Augusto Senhor, em memoria de seus actos exercidos em beneficio d'este paiz; o seguinte:

    E mais alto louvor inda te cabe
    Na historia das nações:
    Hade teu nome honrar, quem honrar sabe
    As cinzas de Camões.»

    E este principe foi, com Seu Augusto filho o Senhor Dom Luiz, segurando um dos cordões da cortina que velava a Estatua de Luiz
    de Camões, e a patentiou ao publico.

    No Palacio da Penna em Cintra, o Senhor Dom Fernando recorda em brilhante quadro das mais vivas cores as glorias de Portugal, e do Gama, cantadas por Camões nos immortaes Luziadas.

    Sua Magestade o Senhor D. Luiz assentou a pedra fundamental do Monumento, em 28 de junho de 1862 ― principio do seu reinado; decretou a inauguração em 2 de outubro de 1867 (referendou o decreto o Ex. João Baptista da Silva Ferrão de Carvalho Martens, Ministro do Reino). Realisou-se a inauguração em 9 do referido mez e anno, sendo presidente do conselho o Ex. Joaquim Antonio de Aguiar.

    Lembramos algumas palavras do eloquente discurso de Sua Magestade, as quaes revelam os elevados sentimentos de seu magnanimo coração. Eil-as:

    «Para louvar Luiz de Camões basta escutar a fama; é a voz dos seculos quem inspira o seu elogio. Esse monumento consagraram-o já os nossos maiores, por que nunca a consciencia do povo esquece os nomes dos seus homens illustres.

    «Se a patria por um momento pareceu olvidal-o, prantiava ella então desolada as desgraças que a opprimiam!...

    «O Nome do grande poeta, inscripto no elevado pedestal da fama ao lado dos primeiros poetas do mundo, descança seguro de que nunca será esquecido. A opinião creou-lhe um desses nomes soberanos, cujo imperio não perece, como perecem os imperios que só a força sustenta.

    «Os grandes espiritos são a sós sufficientes a si mesmos. E por isso que levantando no bronze um monumento a Luiz de Camões, não elevamos mais o seu nome; vinculamos-lhe sim, o reconhecimento e a admiração da patria.»

  2. Oh'gloria de mandar, oh! va cobiça
    D'essa vaidade a que chamamos fama.»
    (Camões)
  3. Em 1855, por occasião da aclamação do Senhor Dom Pedro V, cumprindo uma honrosa missão, apresentamos a Sua Magestade um requerimento assignado pelo sr. Francisco Raphael da Paz Furtado, supplicando, em nome dos habitantes da Vidigueira, um monumento a Dom Vasco da Gama, de quem, humilde sepultura encerrou os preciosos restos mortaes, n'um Presbiterio na Vidigueira.

    Recordava o honrado portuguez as honras que Inglaterra consagrou aos seus nautas distinctos Newton e Nelson; e supplicava as devidas á memoria gloriosa do grande nauta portuguez. Sua Magestade recebeu.com distincto aggrado e benevola expressão a supplica patriotica; e nós a publicamos em o nosso Jornal ― A Beneficencia, (o segundo que fundámos e redigimos em Portugal.) Está em o n.o 40 ― da 2.a Serie ― 1.o de outubro de 1855 = aonde tambem publicámos o Manifesto que dirigimos então ao Mesmo Soberano.
  4. Do golpe mais profundo a dor mais forte! = que me tortura o coração maternal, na morte de uma filha adorada, anjo de bondade que ao ceu voou levando a palma do martyrio! = registremos nesta dolorosa pagina o seu nome gravado no mais intimo do meu coração, indelevel na minha memoria! D. Anna Izabel Philomena Pusich de Mello, fallecida em 23 de dezembro de 1879, ás 4 horas e meia da madrugada! = do dia mais fatal da minha existencia!...

    Até n'este transe doloroso me lembras immortal Camões, quando lamentas o dia em que nasceste! =

    «Oh! gente temerosa não te espantes,
    Que este dia deitou ao mundo a vida,
    Mais desgraçada que jamais se viu.


    Será por isso que se festeja o anniversario = ou tricentenario da sua morte?! = Foi esta sim, o resgate do seu captiveiro; o dia mais feliz, de sua eternal gloria!... de uma vida sem morte,
  5. «Aquelle cuja Lyra Senorosa
    Será mais afamado que ditoso.»
    (Camões)

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