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Intencionais/Líricas

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Líricas

Vejo a arte definida
na forma de descrever
o bem ou o mal que a vida
nos faz gozar ou sofrer,



Um poeta de verdade,
se se souber compreender,
nao deve de ter vaidade
de o ser, porque o é sem qu'rer,



Ser artista é ser alguém
Que bonito é ser artista,
Ver as coisas mais além
Do que alcança a nossa vista!


A arte é força imanente,
não se ensina, não se aprende,
não se compra, não se vende,
nasce e morre com a gente.


A arte é dom de quem cria,
portanto não é artista
aquêle que só copia
as coisas que tem à vista.


A arte em nós se revela
sempre de forma diferente:
cai no papel ou na tela
conforme o artista sente.


Mal te olhei, quando te vi,
temendo que o meu olhar
te fôsse fazer pensar
que não pensei bem de ti,



Quando me encontro contigo
e não te posso falar,
com os meus olhos te digo
o que me diz teu olhar.



Com os cegos me confundo,
amor, desde que te vi,
nada mais vejo no mundo,
quando não, te vejo a ti.


[1]

Não me atrevo a descrever-te
do nosso amor o encanto,
podes tu aborrecer-te
de mim, por eu te qu'rer tanto.



Do nosso amor os segredos
que tu crês que são só teus,
os teus olhos e os teus dedos
já disseram tudo aos meus.



Embora o nosso amor fôsse
doce, tinha que acabar;
o mel por ser muito doce
é que nos faz enjoar.



Gosto de um sorriso puro,
mas fazendo o meu juizo,
sinto-me já muito duro
p'ra merecer êsse sorriso.



Confunde-me o teu olhar
mas não sei como nem quando
te poderei preguntar:
– É deveras ou brincando?



Da música a melodia
diz, pela alma falando,
mais do que a boca diria
muitas horas conversando.

  1. ↑ As páginas nos. 15 e 16 não constavam do exemplar que foi digitalizado, tendo-se extraviado.