Isto faz-se à gente honrada?

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Ao mesmo capitão pelo mesmo caso, e na mesma occasião.
por Gregório de Matos
Poema agrupado posteriormente e publicado em Crônica do Viver Baiano SeiscentistaOs Homens BonsEspada e Espadilha

1Isto faz-se à gente honrada?
Quem viu outro tal desprezo?
Senhor Jam, por que vem preso?
Eu, meus amigos, por nada.
É dos nossos, camarada,
venha para a nossa gente
coma, e beba alegremente,
crie bojo de animal,
porque não pode deixar
de ser defunto, e ausente.
  
2Meu Pai para meu desdouro
dizem alguns, que era sastre,
eu por cobrir tal desastre
troquei tesoura em tesouro:
luzi logo como o ouro,
em grande fui transformado,
e por mais enfidalgado
usei desta geringonça,
porque como sou Mendonça
quis lograr o meu Furtado.
  
3Outro, que anda por aqui
esquecido, do que foi,
lo que va de ayer a oy
aprender pode de mi:
e vê-lo também assi
espero-lhe a ocasião,
abatida a inchação
só pelo crime de ausente,
e por ser tanto parente
e na ligeireza Irmão.
  
4Vós, Ajudantes Saltões,
abençoados sejais,
que pareceis um Chegais
em vossas execuções:
andais rompendo calções,
e disso vos não dá nada,
ires a qualquer jornada:
porém é presunção minha,
sois soldados à meirinha,
não Meirinhos à soldada.
  
Estribilho
Tu esperavas na paixão
quando no furto te animas
de salvar-te como Dimas,
mas não fostes bom ladrão.