Levantai minha humildade

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Soliloquio de Me. Violante do Ceo ao Divinissimo Sacramento: glozado pelo poeta, para testemunho de sua devoção, e credito da veneravel religiosa. por Gregório de Matos
XVIII
Poema agrupado posteriormente e publicado em Crônica do Viver Baiano SeiscentistaOs Homens BonsPessoas Muito Principais
Mote

Levantai minha humildade
humilhai vossa grandeza,
porque em vós seja fineza,

o que em mim felicidade.


1Não é minha voz ousada
a pedir-vos mas prossigo,
que quoirais estar comigo,
inda que, Senhor, sou nada:
e se minha alma ilustrada
quereis, que fique em verdade,
pois que sem dificuldade
me podeis engrandecer,
ao auge do vosso ser
Levantai minha humildade.

2Tenho, Senhor, no sentido
para duvidar de ousado,
que mal pode o desairado
pertender o esclarecido:
de minhas culpas tolhido
na abominável torpeza,
vendo em vós tanta beleza,
mal posso, Senhor, chegar-vos,
e para poder lograr-vos
Humilhai vossa grandeza.

3Fazei por mim, meu Senhor,
tudo quanto possa ser,
e pois tendes tal poder
me podeis dar vosso amor:
uni o vosso valor
com a minha singeleza,
e fique a vossa grandeza
unida, Senhor, comigo;
fazei isto, que vos digo,
Porque em vós seja fineza.

4Vosso corpo por inteiro
introduzi no meu peito,
porque assim ficarei feito
um sacrário verdadeiro:
ostentai, manso cordeiro,
com a minha indignidade
vossa grande Majestade,
suposto que o não mereça,
porque traça em vós pareça
O que em mim felicidade.