Magro, de olhos azues, carão moreno

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(Magro, de olhos azues, carão moreno)
por Bocage
Poema agrupado posteriormente e publicado em Poesias eroticas, burlescas e satyricas como Soneto XX. Edições posteriores, tal como uma de 1969, atribuem apócrifamente a este poema o título Auto-Retrato.[1]

Magro, de olhos azues, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de faxa, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno:

Incapaz de assistir n′um só terreno,
Mais propenso ao furor do que á ternura,
Bebendo em niveas mãos por taça escura
De zelos infernaes lethal veneno:

Devoto incensador de mil deidades,
(Digo de moças mil) n′um só momento
Inimigo de hypocritas, e frades:

Eis Bocage, em quem luz algum talento:
Sairam d′elle mesmo estas verdades
N′um dia, em que se achou cagando ao vento.

Notas[editar]

Tanto este como os que se seguem XXI, XXII, XXIII e XXIV acham-se impressos no tomo I da já citada edição de Bocage; mas pareceu acertado reproduzil-os por conterem variantes; como se verá da respectiva confrontação de cada um d′elles com o que lhe corresponde. Lá se encontrará também a indicação dos seus assumptos, que por superflua deixamos de trasladar aqui.

[Nota de Inocêncio Francisco da Silva.]

  1. MATTOSO, Glauco. Bocage, o desboccado; Bocage, o desbancado. São Paulo: 2002. Disponível em <http://www.elsonfroes.com.br/bocage.htm. Acesso em: 28 maio 2014.