Manual de Arboricultura/Commercio
COMMERCIO DE FRUCTOS
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A producção de fructos de meza constitue em Portugal, desde muitos annos, um importantissimo ramo de riqueza; só a exportação de laranja do continente e ilhas representa annualmente um valor aproximadamente de 900 contos de reis; a exportação de figo é representada por uma somma de 300 contos de reis; a amendoa, a uva, a alfaborra, representam tambem valores muito importantes.
Antes do estabelecimento dos caminhos de ferro, a cultura e commercio de fructos era limitada apenas ás visinhanças dos grandes centros de população e a algumas terras do littoral, hoje, a facilidade das communicações faz com que, mesmo nas regiões agricolas do interior, se possa emprehender com muito proveito a cultura dos fructos para commercio; o preço que alcançam no mercado campensa largamente as despezas de cultura e transporte.
Os negociantes exportadores procuram com empenho quanta uva apparece, propria para embarque, e pagam-a a 800 e 1$000 reis cada 15 kilogrammas; a laranja obtém um preço de 1$600 a 2$000 reis cada caixa de 45 kilogrammas; a tangerina e o limão obtéem preços muito mais elevados; cada cento de boas maçãs ou peras vende-se de 2$000 a 4$000 reis; guardando-se para se apresentarem no mercado um pouco além da epocha da colheita, obtéem preços triplicados.
A rapidez com que hoje se fazem as communicações com a America permitte que para alli se possam exportar muitos fructos.
A uva portugueza, a maçã e a pera, obtéem no Brazil preços fabulosos; a uva chega a vender-se a 2$000 reis o kilogramma, maçãs e peras a 18$000 e 20$000 reis o cento; é certo, porém, que este commercio nem sempre produz os ganhos que á vista de semilhantes preços se poderiam calcular; succede ás vezes perderem-se completamente remessas inteiras, que no porto do seu destino são lançadas ao mar, em vista do estado de deterioração em que alli chegam. Este contratempo é sempre devido ao descuido ou impericia dos expedidores; é indispensavel fazer a colheita com as cautellas necessarias, acondicionar os fructos bem enxutos, antes de completarem a maturação, envolvel-os em aparas de papel ou serradura de madeira bem secca, misturada com uma pequena parte de carvão de madeira em pó.
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Sendo as caixas injectadas com acido carbonico, pelo modo que antecedentemente indicamos, augmentam-se consideravelmente as garantias de conservação.
Do local em que se arrumam as caixas de fructos a bordo dos vapores que téem de as transportar, depende tambem muito o bom resultado da remessa; se ficam no fundo do porão, sujeitas a receberem as emanações da agua estagnada que quasi todos os navios ahi retéem, ou se ficam muito proximas do local da machina e das fornalhas, difficilmente chegarão ao seu destino em bom estado.
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