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Manual de Arboricultura/Morangueiro

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MORANGUEIRO

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O morangueiro (fragaria L.) é uma planta vivaz, da familia das rozaceas, propria dos climas temperados e quentes da Europa; os seus fructos são muito apreciados e obtem um preço muito elevado, por isso a sua cultura nas proximidades dos grandes centros de população offerece um enorme lucro.

Conhecem-se diversas especies botanicas e um grande numero de variedades. As castas geralmente cultivadas podem dividir-se em duas cathegorias:

1.ª Morangueiro ordinario, cujo typo é o morangueiro silvestre (fragaria vesca).

2.ª Morangueiro ananaz (f. grandiflora).

Do primeiro typo recommendam-se as seguintes variedades:

Morangueiro dos Alpes ou de todos os mezes - Branco ou vermelho, pequeno, oblongo, temporão, muito fertil.

Morangueiro Gaillon - Branco, pequeno, muito aromatico e muito fertil; não produz braços.

Do 2.º typo ha hoje innumeras variedades, e todos os dias estão apparecendo outras novas, as mais notaveis são:

Caperon Carolina - Muito grande, conico, vermelho vivo, aroma muito agradavel, e planta muito vigorosa.

Caperon royal - Muito grande, redondo, vermelho carregado, fertil.

Ananaz-Gloede - Muito grande, vermelho, muito doce e aromatico, bastante fertil, planta remontante.

Keen Seedling - Grande, redondo, rosado, muito fertil, magnifico.

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Princesse royal - Muito grande, oblongo, vermelho, muito temporão e muito fertil.

Delicieuse - Grande, redondo, rosado, muito fertil.

Belle de Paris - Muito grande, ás vezes enorme, vermelho, perfume delicioso, e muito fertil.

Portuense ou de Santo André - Grande, redondo, vermelho, aroma delicioso, muito fertil.

Margarite - Muito grande, vermelho vivo, muito fertil.

Emma - Grande, vermelho escuro, fertil, temporão.

Conte de Paris - Grande, rosado, fertil.

TERRENO E CLIMA

O morangueiro não é muito exigente com relação ao terreno, dá-se bem em toda a parte; comtudo para produzir fructos de boa qualidade em abundancia exige terra um tanto siliciosa, bem fabricada, copiosamente adubada; os terrenos sobrecarregados de cal são improprios á sua cultura.

Quanto a clima vemos que prospera na Inglaterra, na Belgica e no norte da França; em Portugal dá-se magnificamente nas provincias do norte, nas regiões do sul tambem prospera, mas exige local sombrio.

MULTIPLICAÇÃO E CULTURA

O morangueiro multiplica-se por semente, por alporques ou mergulhias dos braços que produz junto do pé.

O morangueiro silvestre, o de todos os mezes e algumas outras variedades reproduzem-se ordinariamente de semente sem degenerarem, mas o maior numero d'elles quasi sempre degenera, por isso convém mais reproduzil-os por alporque.

A duração das plantas é apenas de tres ou quatro annos, por isso é necessario renoval-as a tempo.

Obtem-se boa semente escolhendo os melhores fructos bem maduros, esmagam-se com os dedos dentro d'um vazo com agua, separam-se os grãos da polpa, lavam-se, seccam-se á sombra e guardam-se em logar secco.

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No nosso clima póde semear-se no estio, em canteiros abrigados dos ardores do sol, ou melhor em caixões que se collocam em logar sombrio, rega-se amiudadas vezes, com um regador que tenha os orificios pequenos, no mez de novembro transplantam-se e podem já produzir fructo na primavera seguinte.

O morangueiro produz muitos braços junto a terra, que enraizam por si; separam-se aquelles braços e assim se obtem boas plantas; conchegando-se alguma terra sobre os lançamentos tomam raiz.

No mez de outubro ou novembro faz-se a plantação; póde ser feita em terreno exclusivamente destinado a esta cultura ou de permeio com algumas hortaliças; n'este caso deve-se dar preferencia ás que forem mais temporãs, porque sendo arrancadas cedo deixam prosperar melhor o morangueiro durante a sua fructificação. A distancia das plantas entre si não deverá ser menor de 35 centimetros e mais ainda para as castas que tendem a deitar muitos e longos braços.

Nas regiões onde os invernos são mais rigorosos, convém fazer a plantação no mez de março, n'este caso a fructificação, só vem a ter logar no anno seguinte. Feita a plantação rega-se abundantemente. As chuvas uma vez que não sejam muito abundantes não dispensam as regas. Quando o morangueiro começa a florir é necessario dirigir as regas com cuidado de modo que a agua inunde bem o terreno e as raizes, mas não molhe as flores; por isso o uso do regador deve ser banido, dirige-se a agua por pequenas regueiras entre as plantas; as flores que forem molhadas abortam quasi sempre, é por esta causa que muitos morangueiros que apresentam ás vezes uma bella floração vem a produzir bem poucos fructos.

Quasi todos os morangueiros começam a bracejar logo que as hastes que hão-de dar as flores téem adquirido um certo desenvolvimento; convém ir cortando estes braços para não desviarem a seiva dos orgãos da fructificação; obtem-se assim melhores fructos.

O morangueiro silvestre e o de todos os mezes produz logo no primeiro anno boa quantidade de fructos; geralmente as outras castas só dão uma colheita abundante ao segundo anno; tambem aquelles vivem menos tempo, ao terceiro anno já pouco produzem; as outras produzem soffrivelmente ainda ao quarto anno.

Esta planta requer sachas e regas amiudadas, e sobretudo que as regas sejam feitas com os cuidados já indicados; as chuvas causam-lhe grave damno na época da floração, por occasionarem muitas vezes o aborto das flores e d'ahi a esterilidade.

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Na primavera do segundo anno levantam-se do terreno todas as folhas mortas, espalha-se entre as plantas algum terriço ou estrume muito bem curtido, misturado com cinzas, sacha-se e conchega-se a terra ao pé da planta.

Quando os fructos começam a amadurecer convém deitar por baixo da planta uma ligeira camada de palha para impedir que apodreçam ao contacto da terra humida, e mesmo porque assim adquirem melhor aroma.

Por meio da cultura natural podemos obter morangos desde maio até outubro, havendo o cuidado de se escolherem castas apropriadas, e empregando um artificio muito simples que dá em resultado retardar a sua fructificacão até ao fim do outono.

Cortam-se as flores e as extremidades das hastes logo no principio da floração, mais tarde apparecem outras, d'este modo se retarda o apparecimento dos fructos.

CULTURA FORÇADA DOS MORANGOS

Podem-se obter magnificos morangos durante toda a estacão invernosa, se para isso se adoptar o methodo de cultura que vamos indicar.

Escolhem-se as variedades mais proprias ao fim que se pretende, entre outras indicaremos como excellentes a Portuense ou de Santo André, a Ananaz e Conde de Paris, plantam-se em vazos de mediana capacidade, cheios de terra arenosa bem adubada, collocam-se 4 ou 5 pés em cada vazo, e conservam-se em logar bem abrigado e sombrio.

No principio do inverno preparam-se as camas quentes como se disse a pag. 180, quando a temperatura ambiente desce a baixo de 10 graus mettem-se os vazos nas camas e collocam-se em sitio abrigado, de modo que a temperatura se conserve sempre entre 10 a 12 graus, quando começam a apparecer os fructos eleva-se um pouco esta temperatura, de 15 até 18 graus; obtem-se esta elevação renovando a cama quente ou fazendo-se-lhe um rescaldo; durante todo este tempo é necessario dar-lhes regas abundantes e frequentes.

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Feita a colheita dos fructos tiram-se os vasos das camas e collocam-se em logar sombrio, no anno seguinte submettem-se ao mesmo processo para se obter nova producção.

Do mesmo modo se podem obter morangos durante o inverno, collocando os vazos em estufas temperadas, das que se usam para a cultura dos ananazes, que adeante se descrevem.

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