Marmores (1895)/Lieder de Gœthe/La prude

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La prude
por Goethe, traduzido por Francisca Júlia
Poema publicado em Marmores (1895).

LIEDER DE GŒTHE

La prude

III

Deliciosa manhã de primavera doura
Os campos. Ainda dorme o sol. Mas a pastora,
Descuidosa, passeia, enfeitadinha já.
Quem a vê, a maciez das faces lhe namora.
E ella cantando vaes pelos campos em fóra:
      Trá, lá, lá! Trá, lá, lá!

Por um beijo um pastor offerta-lhe uma ovelha,
Duas, quantas quizer... E ella fica vermelha

De raiva, bate o pé... Tão formosa e tão má!
Encara-o com despreso; e depois, apressando
Os passos, segue adeante, aligera, cantando:
      Trá, lá, lá! Trá, lá, lá!

Um pastor lhe offerece o coração a ella;
Fitas outro pastor lhe offerta; mas a bella
Pastorinha gentil, enfastiada já,
Ri de ambos, como riu das ovelhinhas brancas
Do primeiro. E prosegue, entre risadas francas,
      Trá, lá, lá! Trá, lá, lá!