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Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/VI

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VI

NO PALACIO

 

Em seguida Escamado abriu a porta e, dando a mão á menina, introduziu-a numa grande sala onde havia um throno.

— Eʼ aqui a sala do governo, onde dou audiencias ao meu povo e distribúo justiça, castigando os máos e premiando os bons.

Sentou-se no throno e bateu, com um martellinho de prata, tres pancadas num gongo de bronze: pom! pom! pom! Immediatamente surgiu um destacamento de grillos fardados, sob o commando do capitão Gafanhoto. Perfilaram-se todos e ficaram immoveis como se fossem de páu.

— Adeante-se ! ordenou o principe.

O capitão adeantou-se e veiu postar-se em frente do throno.

— Que novidades ha no reino ?

— Poucas, Magestade. Houve um crime na Tóca Preta. A rã verdolenga embriagou-se, e entrando em casa dʼuma familia de baratas matou a barata-mãe, feriu gravemente a barata-pae e comeu todas as baratinhas-filhas.

— Mande enforcar essa criminosa num galho do espinheiro grande. Que mais ?

— Corre noticia que o Escorpião Negro anda a rondar o reino, lá dos lados da Pedra Branca.

— Má noticia ! exclamou o principe, franzindo a testa. O Escorpião é o nosso peior inimigo. Precisamos reforçar as muralhas da fronteira. Que mais ?

— Foram encontrados sem sentidos dois bagres amarellos, a boiar na lagoa pequena. Recolhi-os á enfermaria onde estão sob os cuidados do doutor Caramujo, que receitou purgante e suadouro.

— Eʼ isso mesmo. Que mais ?

— Saberá Vossa Magestade que é só.

— Perfeitamente, disse o principe. Eʼ preciso agora que o reino saiba da presença, entre nós, desta linda princeza de olhos negros, afim de que o povo e a nobreza lhe prestem todas as homenagens. Quero uma grande festa como nunca houve igual. Avise a côrte e dê as ordens necessarias, mas antes disso, mande vir o coche de passeio.

O capitão saudou militarmente e sahiu seguido dos guardas, arrastando as esporas: trrlin, trrlin, trrlin...

Não demorou muito e uma carruagem appareceu á porta, puxada por tres parelhas de lambarys. Servia de cocheiro um bello camarão de libré vermelha, muito têso no alto da boléa. O principe e a menina entraram na carruagem, mestre Camarão estalou o chicote e os lambarys partiram como raios.

Esta obra entrou em domínio público pela lei 9610 de 1998, Título III, Art. 41.


Caso seja uma obra publicada pela primeira vez entre 1931 e 1977 certamente não estará em domínio público nos Estados Unidos da América.