Noturnas/A Minha Mãe

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Noturnas por Fagundes Varela
A Minha Mãe


Nas férteis regiões da Ásia a árvore da mirra e do incenso inundam de perfumes a gleba onde vicejam; — o cisne do Eurotas desfaz-se em harmonias ante a natureza que o cerca; — o Jordão desenrola cadente suas lâminas de cristal sobre as areias de oiro da terra abençoada. Eu não tenho porém cantos, — nem perfumes — nem harmonias para vos dar, oferto-vos apenas este pálido ramalhete das fanadas flores de minha mocidade; — aceitai-o porque são saudades que vos envio através dos mares e das montanhas, — são lágrimas cristalizadas na febre das insônias, — são os primeiros lampejos de minh'alma doentia que se volvem para vós. Aceitai-o.