O crime da primavera

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O crime da primavera
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Vamos depressa, que arde tudo; vamos:
Lá funambula saturnal tremenda;
Haja somente ali quem os entenda,
Que há de ouvir os tiés e os gaturamos

Sob os arcos, que alonga o bosque em tenda,
Vaiando a dança e os ósculos dos ramos;
Cobrem mesmo da moita a verde renda
Largos idílios de répteis, que odiamos.

O campo é um vasto leito de noivado:
Fala-se baixo, o riso é soluçado,
A voz das cousas trêmula e queixosa.

Do conúbio a açucena melindrosa
Vai da açucena dar um céu ao prado;
Quantas rosas vão vir de uma só rosa!