O pastor moribundo

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O pastor moribundo
por Álvares de Azevedo
Poema agrupado posteriormente e publicado em Lira dos Vinte Anos.


CANTIGA DE VIOLA


A existência dolorida
Cansa em meu peito: eu bem sei
Que morrerei...
Contudo da minha vida
Podia alentar-se a flor
No teu amor!
 
Do coração nos refolhos
Solta um ai! num teu suspiro
Eu respiro...
Mas fita ao menos teus olhos

Sobre os meus... eu quero-os ver
Para morrer!
 
Guarda contigo a viola
onde teus olhos cantei...
E suspirei!
Só a idéia me consola
Que morro como vivi...
Morro por ti!
 
Se um dia tu'alma pura
Tiver saudades de mim,
Meu serafim!
Talvez notas de ternura
Inspirem o doudo amor
Do trovador!