Obras poeticas de Ignacio José de Alvarenga Peixoto (1865)/A Luiz de Vasconcellos e Souza, vice-rei do Estado do Brasil

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(A Luiz de Vasconcellos e Souza, vice-rei do Estado do Brasil)
por Alvarenga Peixoto
Poema agrupado posteriormente e publicado em Obras poeticas de Ignacio José de Alvarenga Peixoto.
A LUIZ DE VASCONCELLOS E SOUZA
VICE-REI DO ESTADO DO BRASIL


De meio corpo nú sobre a bigorna
Os ferros malhe o immortal Vulcano,
Que hão de ir contar ao derradeiro anno
O nome de um heróe que a patria adorna.

Sumptuoso passeio (3) em parte a orna;
Vistoso cáes (4) enfrêa o Oceano;
E na praça um colosso (5) altivo e ufano
As frescas aguas pelo povo entorna.

Estas, grande senhor, memorias vossas,
Que ficão na cidade (6) eternisadas,
Tambem o ficão nas memorias nossas.

E as linguas por Vulcano temperadas,
Hão de entranhar em duras pedras grossas
De vosso nome as lettras respeitadas.

Notas[editar]

(3) O passeio publico do Rio de Janeiro, construido sobre um pantano, que empestava os arredores.
(4) O cáes do largo do Carmo, hoje largo do Paço.
(5) O chafariz que adorna o largo do Paço.
(6) Cidade do Rio de Janeiro, em cujo aformoseamento se desvelárão os vice-reis conde de Bobadella, marquez de Lavradio e Luiz de Vasconcellos e Souza. Sem duvida foi este soneto feito por occasião em que o autor viera ao Rio de Janeiro comprimentar o vice-rei, que tão digna hospedagem lhe preparou depois nas masmorras da fortaleza da ilha das Cobras.