Os Três Amores

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Os Três Amores
por Castro Alves
Poema publicado em Espumas Flutuantes


I


Minh′alma é como a fronte sonhadora
Do louco bardo, que Ferrara chora...
Sou Tasso!... a primavera de teus risos
De minha vida as solidões enflora...
Longe de ti eu bebo os teus perfumes.
Sigo na terra de teu passo os lumes..
    — Tu és Eleonora...

II


Meu coração desmaia pensativo,
Scismando em tua rosa predilecta,
Sou teu pallido amante vaporoso,
Sou teu Romeu... teu languido poeta!...

Sonho-te ás vezes virgem... semi-núa...
Roubo-te um casto beijo á luz da lua...
    — E tu és Julieta...

III


Na volupia das noites andaluzas
O sangue ardente em minhas veias rola.
Sou D. Juan!... Donzellas amorosas,
Vós conheceis-me os threnos na viola!
Sobre o leito do amor teu seio brilha...
Eu morro, se desfaço-te a mantilha...
    Tu és — Julia a Hespanhola!...


Recife, Setembro de 1866