Os ultimos dias de Pompeia/4
QUARTA PARTE
O vulcão de desperta.
A dôr de Sallustio... — Sallustio vendo que nada mais poderia salvar o seu amigo achou para se consolar um modo muito original : em casa abandonou-se a libações exageradas. Estava marcado para a manhã seguinte a execução da condemnação de Glauco, que deveria ser levado ao Circo e ahi posto diante de um leão... Sallustio bebia... e bebia quando lhe fora apresentado por um escravo um mensageiro que trazia uma pandeta. Elle recebu a missiva e mandou todos embora. Tentou de ler, mas, os olhos feitos pequenos pela exagerada quantidade de vinho bebido, não podiam decifrar os signaes. Em vista de que, jogou para longe a pandeta e se adormentou profundamente. Quem lhe havia enviado aquella mensagem?
O carcereiro piedoso... — Nydia tinha sido entregue a um carcereiro que, por ter recebido educação segundo os novos sentimentos dos nazarenos, sentiu piedade, desde o principio da pobresinha. Elle não tinha podido resistir ás preces da cega e, desafiando todos os perigos pela propria vida, tinha se encarregado de levar a mensagem a Sallustio.
Glauco é levado para o Circo... — Sallustio dormia ainda quando, ao amanhecer foi despertado por um grande barulho. Olhou pela janella e viu uma multidão de povo que seguia Glauco que ia adiante empurrado pelos legionarios do Circo...
Desesperado deu com os olhos sobre a pandeta de Nydia. Então elle leu.
A cega lhe escrevia contando o que havia acontecido em casa de Arbace. Dizia, além de outras cousas, que Jone, que tinha ido a implorar Arbace para salvar Glauco, seu noivo, tinha ficado, tambem presa e a mercé do miseravel.

Ella supplicava-o de correr immediatamente com gente armada para livrar Caleno, Jone e ella que poderiam testemunhar e salvar o pobre Glauco.
Sallustio reunio os creados, armou os e correndo foram a casa de Arbace, onde não tardaram a vencer a resistencia dos escravos do Egypciano.
Poucos momentos depois, Nydia, Caleno e Jone o seguiam para o Circo onde o espectaculo já tinha começado.
Glauco diante do leão... — Glauco estava no centro da arena. Elle não tremia. Queria morrer elegantemente como elegantemente tinha vivido. Emépunhou um gladio curto com o qual devia combatter com o leão...
Os legionarios do Circo soltaram uma fera enorme e terrivel, mas, o rei do deserto não se avançava contra o condemnado ; estava abatido e um terror inexplicavel o fazia correr como louco ao redor da Arena procurando uma sahida para escapar... O que que tinha o animal tão feróz para estar em tal modo terrorizado ?.....
O despertar do Vulcão... — N՚aquelle momento, Caleno, Sal lustio, Nydia e Jone compareceram diante do Podium consular para proclamar as vóz alta a innocencia do Atheniense e a infamia do Egypciano.
O povo ouvindo taes testemunhas, e ebrio de raiva, avançou contra o infame sacerdote. Um grito terrivel se propagou de uma para outra parte do amphitheatro: Morte á Arbace... Seja dado ás feras Arbace ! ! !.....
Mas, no momento em que o ignobil sacerdote estava para ser arremessado na arena, um facto terrivel espantoso, que nunca nenhuma penna poderá descrever, veio a modificar as vontades do povo e o destino de Arbace.
A fera havia presentido um terrivel cataclysma. Longe, da cratera do Vesuvio, um gigantesco pennacho de fogo subia ao céo e descia como chuva de cinza, lapillos e torrente de lava... A terra tremeu ; as paredes do amphitheatro vacillaram e pouco mais longe, os telhados das casas cahiam uns sobre os outros com terrivel fracasso.

A nuvem negra e rapida do Vulcão parecia rodear encima do povo já terrorizado, deixando cahir do seu seio uma tremenda chuva de pedras ardentes. Sobre as vinhas derrubadas, até sobre as ondas do mar que tremeu, chegou aquella chuva medonha e mortifera !!!...

Succedeu, então, um foge foge, uma confusão indescriptivel, um empurrar-se, pisar-se uns sobre os outros, um atropellar sem piedade os que cahiam no meio de lamentos, blasphemias, gritos, preces, invocações... As nuvens se succediam a nuvens e a escuridão tornava-se sempre mais fita !...
Foi uma noite improvisa, uma noite espantosa em pleno dia !
Nydia salva Glauco e Jone... — Nydia que não necessitava dos olhos para guiar-se, ao começar do cataclysma, tinha apertado a mão de Jone e a conduzira para a Arena.
Encontraram Glauco confuso e terrorizado pelas grandes emoções passadas. Os dois noivos cahiram um nos braços da outra e assim teriam perdido a possibilidade de se salvarem se Nydia não os tivesse separados. Tirando-os pelas mãos, a toda pressa, como se enxergasse estando em pleno dia, levou-os para o lado do mar.
A despedida de Nydia... — Nydia salvou os dois noivos... Elles acharam lugar sobre uma barca que estava prompta para tomar o largo.
« Corras, minha querida Nydia », gritou Glauco, « sobes tu tambem sobre a barca... ».
Mas, a cega estava com os olhos apagados e fixos na direcção do mar como se estes, pela primeira vez enxergassem uma visão distante, doce... uma visão de paz e de amor...
« Oh mar sagrado, eu sinto a tua voz que me convida », esclamou a donzella, sem responder ao chamado de Glauco...
E, desde aquelle momento ninguem mais viu a pobre cega vendedora de flores...
EPILOGO
N՚uma cidade da Sicilia, sobre um terraço, Glauco escreve a Sallustio que tambem pode-se salvar, mas, que vive longe.
Jone agora sua esposa, orna com flores uma lembrança em marmore levantada á memoria da cara e sempre chorada Nydia...
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