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A CARNE


Depois mudava de pensar: não estava doente, seu estado não era pathologico, era physiologico. O que ella sentia era o aguilhão genesico, era o mando imperioso da sexualidade, era a voz da CARNE a exigir della o seu tributo de amor, a reclamar o seu contingente de fecundidade para a grande obra da perpetuação da especie.

E lembrava-lhe a nymphomania, a satyriasis, esses horrores com que a natureza se vinga de femeas e machos que lhe violam as leis, guardando uma castidade impossivel; lembrava-lhe o horror sagrado que aos povos da Grecia e Roma inspiravam esses castigos de Venus.

Entrevia como em uma nuvem as nymphas gregas de Dictynne, as vestaes romanas, as odaliscas mollitas, as monjas khristãs pallidas, convulsivas, com os labios em sangue, com os olhos em cham-