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a carne


O administrador abriu o tronco, o negro ergueu-se bafo, trêmulo, miserável.

Sob a impressão do medo como que se lhe dissolviam as feições.

Caiu de joelhos, com as mãos postas, com os dedos nodosos enclavinhados.

Era a última expressão do rebaixamento humano, da covardia animal.

Infundia dó e nojo.

—Pelo amor de Deus, seu Mané Bento, nunca mais eu fujo!

E chorava desesperadamente.

—Não faça barulho, rapaz, respondeu o administrador. São ordens do senhor, hão de ser cumpridas.

—Vá chamar o sinhô!

—O senhor está deitado, não vem, não pode vir cá. Deixe-se de história, arreie as calças e deite-se.