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A Guerra de Canudos

pleta e absoluta de fornecimento fez-se notar; nada mais havia e o milho dos cavallos era repartido aos punhados pelos combatentes. O depozito da quartel-mestrança tinha todos os cargueiros e carros vazios e em volta andavam soldados catando pelo chão grãos de milho e fragmentos de rapaduras.

Os feridos, acima de mil, estavam lastimozamente alojados em vallas, cobertos com pannos de barracas. Muitos em pleno sól, nús com as feridas apodrecendo, roidas pelos vermes, lhes sugando o pús fetido, morriam n'uma allucinação angustioza. Poucos officiaes gozavam mais algum conforto e comiam alguma bolacha, um punhado de farinha e ingeriam algum bocado de café ou matte. A mor parte nivelou-se aos soldados nas privações; passavam horas, até que um ralo caldo lhes fosse enviado, proporcionando-lhes pequeno allivio.

Passavam os dias e a fôme declarouse inquietadora; os soldados famintos, tentavam romper o cerco imposto pelos jagunços, afim de procurarem alguma coisa fóra d'ali; raro o conseguia, pois, ordens severas foram dadas para que ninguém se affastasse do perímetro das linhas, salvo em serviço.

A agua, também só era obtida a custo de sacrificios, mesmo de vidas. Os jagunços, emboscados nas proximidades das fontes, alveja-