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A Guerra de Canudos

A'quella horrenda situação, em que debatiam-se as forças, famintas e alquebradas, juntou-se a pertinaz e inquebrantavel perseguição do inimigo. Emboscados nas innumeras grótas, nos penhascos e nas catingas, os jagunços, dia e noite, batiam com seus fogos o acampamento. Era um fuzilamento em regra. Atiravam na massa sem errar. O alvo era grande e onde cahiam as balas, frequentemente feriam alguem.

Os projectis vinham das quatro faces além das nossas pozições e varavam barracas, ricochetavam em canhões, partiam carabinas, ás vezes cobriam de terra algum de nós; furavam panellas e marmitas nos toscos fogões, onde era assada alguma costela secca de bóde.

A' noite era mais cruel o fuzilamento e o inimigo queimava raivozamente: em mais d'uma occasião um dos nossos, dormindo na barraca, acordava baleado, como o infeliz alferes Besouchet, com a garganta perfurada. Outra vez, era um ferido no hospital, agora morrendo, de novo baleado. Gemidos prolongados aqui: era uma pobre mulher agonizando; ali outro grito, expellido por algum fatigado, rendido na linha, vindo descançar um pouco.

Os pobres animaes que ainda restavam, enfraquecidos e estropeados, tambem eram fulminados, ali mesmo ficando, até que apo-